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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Imigração

Fiz ontem algo que não fazia há anos: atravessar os bairros de Bruxelas que se encontram junto ou nas imediações da Gare du Midi, do lado oeste da estação ferroviária. São zonas muito populosas e com uma imensidade de pequenos comércios e outras actividades económicas, como por exemplo, dezenas de garagens que compram carros em segunda mão e depois os exportam para África. As ruas, sobretudo numa tarde de Sábado, estão sempre apinhadas de gente. Deambular por ali dá para perceber o que é a imigração para uma cidade como Bruxelas. Encontramos gente vinda do Norte e do resto de África, do Líbano e da Turquia, e de outras terras bem distantes da Europa. Não se vê um belga de origem ou pessoa parecida.

É como passear num gueto de 2016, de um tipo novo.

E fica-se a perceber que a imigração e a questão da integração de pessoas de culturas diferentes são dois dos grandes desafios que a UE tem pela frente. E a matutar que, na realidade, não existem políticas activas que procurem responder a esses desafios. Vive-se, para já, com os olhos fechados, como se os problemas não existissem.

 

 

Expulsar sem hesitações

As acções criminosas que tiveram lugar em Colónia, e em menor escala, noutras cidades europeias, na noite de passagem de ano, vão inevitavelmente influenciar de modo significativo o debate europeu sobre os refugiados e as migrações. Acrescentaram medo ao medo que já existia.

Ainda hoje tive a oportunidade de o notar, numa primeira discussão com gente que vive em Berlim. Mesmo quem não quer dramatizar acaba por levantar um novo grau de objeções à chegada dos imigrantes. Ao risco do terrorismo, junta-se agora o da violência contra as mulheres. E, acrescentam de imediato alguns, outros riscos de violência, contra os cidadãos mais idosos, contra a propriedade, e contra as regras de uma cidadania disciplinada e tolerante.

Ver as imagens de famílias a atravessar o frio dos Balcãs e saber, por outro lado, que umas dezenas ou mesmo centenas de criminosos tornaram mais difícil a aceitação dessas famílias, deixa-nos angustiados. Também nos lembra que não podemos deixar que esses criminosos influenciem a maneira como a Europa irá acolher quem precisa de refúgio. Devemos manter separado o que separado deve estar. Os criminosos de Colónia e os seus correligionários noutros locais devem ser tratados como tal e expulsos do espaço europeu sem grande demora, com firmeza e clareza. Mas com respeito pelos procedimentos legais em vigor.

 

 

Um olhar inicial sobre 2016

"Vamos entrar numa fase de controlo apertado de quem tenha fácies de estrangeiro. Dar-se-á a primazia às medidas de segurança. Os líderes procurarão fechar as fronteiras e tudo fazer para evitar novas levas de chegadas."

 

(Extraído do meu artigo de hoje na Visão on line, que publico sob o título de «Não quero prognosticar».)

Um esboço de balanço sobre a Europa

"Visto com os nossos olhos europeus, 2015 termina mal. Até as bolsas têm andado às aranhas. Tivemos a crise grega, que dominou uma boa parte do ano e que agora nos parece algo de muito longínquo, mas que na verdade ainda está por resolver. Assistimos à expansão dos ultranacionalismos e dos extremismos, de forças retrógradas que remam contra a maré do progresso. Complicou-se o relacionamento com David Cameron, que nos trouxe novas ameaças à continuação da UE. E encontramo-nos sem uma solução comum para dois grandes desafios: a imigração massiva, por motivos de refúgio ou económicos, e o terrorismo. Continuamos, aliás, a apostar em receitas estritamente nacionais, para problemas que terão um impacto sobre o futuro de todos os europeus."

 

(Paragráfo extraído do meu texto de hoje na Visão on line com o título de " Um ano à toa" )

Link:

http://bit.ly/1UzJ3Yg

Uma cimeira de fracos contra fortes

A cimeira que vai decorrer esta tarde em Bruxelas entre a União Europeia e a Turquia causa-me algumas preocupações. A UE não está preparada para uma discussão em pé de igualdade com o governo de Ankara. No essencial, os dirigentes europeus têm apenas uma única preocupação: travar o movimento migratório e de refugiados que continua a chegar à Europa através do Mediterrâneo Oriental. Contam, para isso, com a ajuda da Turquia, país por onde transitam as sucessivas vagas de emigrantes e de candidatos ao refúgio.

É uma ideia fixa, sem estratégia, para além de acreditarem que se a Turquia fechar a torneira a avalanche humana ficará resolvida.

É a Europa na sua versão mais patética que se reúne hoje em Bruxelas.

O governo turco procurará tirar o máximo de concessões dos europeus. Tem todos os trunfos para o fazer. E a intenção também. A Turquia encontrou aqui um meio de fazer pressão sobre os europeus. Só assim se explica a política que tem seguido, ao longo deste ano, de deixar entrar qualquer pessoa, vinda dos cantos mais diversos do globo, desde que esse viajante esteja de passagem e a caminho da UE. O Presidente Erdogan e o seu Primeiro-ministro Davutoğlu são grandes estrategas. Sabem o que querem.

E neste caso, a aposta é tirar o maior partido possível das fraquezas, das indecisões e das fracturas que existem entre nós. Vão pedir muito dinheiro – querem uma ajuda orçamental de 3 mil milhões de Euros por ano –, abolição dos vistos para os turcos e, acima de tudo, um calendário preciso para o arrastadíssimo processo de adesão do seu país à UE. Irão também tentar implicar a Europa na confusão perigosa que criaram com a Rússia.

Escrevi há dias, no meu blog em inglês www.victorangeloviews.blogspot.com qual deveria ser a atitude dos dirigentes europeus. A ênfase deveria ser posta nos valores da democracia, da liberdade de imprensa, nos direitos humanos, no respeito pelos direitos constitucionais das minorias étnicas. Se assim o fizerem, a discussão será mais equilibrada. Esses são os pontos fracos da governação de Ankara. São, ao mesmo tempo, os pilares do espaço europeu.

Não penso, no entanto, que haja em Bruxelas coragem para tanto. Estamos entregues aos fracos. Assim o receio.

 

 

 

 

 

Foi mais uma cimeira para nada

Três dias depois da minicimeira sobre o corredor humano dos Balcãs, eis que a Alemanha acusa a Áustria de empurrar ondas de imigrantes através da fronteira, passando assim a batata quente para o lado alemão. Ambos os países estiveram na cimeira, onde ficou combinado que nada seria feito por um Estado sem informar o vizinho das possíveis consequências.

Na realidade, a reunião de domingo foi coisa pouca para um problema tão vasto. A Alemanha continua a receber uma média de 10 000 novos candidatos ao refúgio por dia e os Balcãs, por seu turno, não sabem o que fazer perante os milhares que passam por lá.

O frio já começou a apertar. Mas mesmo assim, não há sinais de abrandamento dos movimentos migratórios. Tal só virá a acontecer mais tarde, quando o Outono estiver perto do Inverno e se tornar claro que o percurso é demasiado arriscado. O tempo frio nos Balcãs mete respeito.

Esse afrouxamento da pressão dará alguma margem de manobra aos países europeus para preparar uma resposta mais consentânea com a gravidade da situação. Dará sobretudo tempo para que se procure encontrar o que até agora não aconteceu, ou seja, uma resposta europeia a um problema que é de todos. Há que entender, de facto, que o problema toca a todos, directa ou indirectamente, e que a solução deve estar baseada num compromisso comum.

Homens e mulheres em movimento

As primeiras estatísticas sobre os movimentos populacionais de massa em direcção à União Europeia – candidatos ao estatuto de refugiado e possíveis imigrantes – mostram que a grande maioria dos adultos que já chegaram é constituída por homens. Apenas cerca de 15% são mulheres.


Haverá duas explicações. Primeiro, muitos dos recém-chegados são jovens do sexo masculino, ainda sem família constituída. Um outro grupo corresponde a indivíduos cujas famílias ficaram para trás. Os homens vieram primeiro, à procura de destino e soluções. Mais tarde, quando as condições o permitirem, chamarão os restantes membros das suas famílias. Este factor também precisa de ser tido em conta, quando se tenta prever a amplitude dos movimentos futuros.

 

É um exagero dizer que a Europa está a morrer

Voltei esta manhã a dizer que exagera quem afirma que Europa está a morrer. É verdade que a crise é profunda, que a falta de coordenação é evidente e que as palavras que são ditas, entre governos de países vizinhos, não mostram prudência nem diplomacia. Mas quem estava preparado para uma avalanche de refugiados e de migrantes como a que está a acontecer?
A interrogação faz-nos pensar, isso sim, que houve falhas enormes por parte de quem tem a obrigação – e o emprego – de antever estas coisas. Como também falhou quem deveria ter aconselhado os líderes, quando a bola de neve começou a rolar. Falharam igualmente os líderes, não só por não verem a dimensão do problema, mas ainda por pensarem que este seria um problema que ficaria na Itália ou noutros países do Sul da Europa. Que seria, ao fim e ao cabo, uma dificuldade dos outros, uma crise fora de portas.
Entretanto, a questão entrou na casa europeia. E deu origem a desavenças. Há que ir, agora, além das disputas e dar resposta a uma questão que veio para ficar. E não só. A um fenómeno que não tem fim à vista. A pressão vai aliás aumentar à medida que o Outono for entrando. Ninguém sabe prever, neste momento, quando irá terminar o movimento das populações vindas do outro lado do mar.
Tudo isto é grave, mas não vai acabar com o projecto europeu. A ideia e a ambição do sonho europeu são mais vastas e mais duradouras que as carreiras dos políticos actuais.

A chave está na Síria

Voltar à Síria
Victor Ângelo


Os gabinetes dos grandes deste mundo têm pelo menos um ponto em comum com os cafés das aldeias portuguesas: as televisões estão sempre ligadas. Assim são os tempos que vivemos. O que aparece na televisão conta e influencia as tomadas de decisão. É o que está a acontecer com as imagens sobre os refugiados, que a toda a hora nos enchem os ecrãs. A repetição amplifica o problema. E está a obrigar os políticos a refletir de modo diferente sobre as crises no Médio Oriente bem como sobre as ineficiências na cooperação para o desenvolvimento, nomeadamente em África.


Cada desgraça que atravessa o Mediterrâneo vem lembrar-nos que o tempo para superficialidades e remendos acabou. Tem que se ir ao cerne dos problemas, com honestidade e coragem políticas. É preciso equacionar soluções que nos pareciam, até este verão, impensáveis. Grandes tragédias exigem grandeza política. A redefinição da estratégia ocidental em relação à Síria constitui a prioridade absoluta. É aí que se situa o olho da tormenta que destrói vidas e contagia uma vasta área geopolítica, incluindo agora a UE. Passados mais de quatro anos de guerra civil e perante a evidência do fracasso da linha seguida até ao momento, é essencial repensar como acabar com a crise.


Não creio que possam existir dúvidas quanto aos objetivos que contam: restabelecer a paz e, ao mesmo tempo, aniquilar o grupo terrorista conhecido como o Estado Islâmico. É evidente que estamos perante dois intentos muito complexos. Têm, contudo, que ser atingidos. As alternativas seriam a continuação das vidas destroçadas, da morte, da desestabilização da região, dos êxodos e a expansão do terror, da barbárie, dos crimes contra a humanidade e o património histórico. São, também é verdade, duas ambições de alto custo. Mas cuidado, que os custos do medo, do desespero e da destruição são incomparavelmente maiores, para além de serem moral e politicamente inaceitáveis.


Voltarei ao assunto da destruição do Estado Islâmico noutra altura. No que respeita à paz, o governo de Damasco deve ser incluído no processo. Não se trata de fazer tábua rasa das atrocidades perpetradas por Bachar al-Assad e pelo seu círculo de poder. Assad está profundamente ligado às causas do problema e tem responsabilidades gravíssimas. Todavia, o realismo e as exigências da paz impõem que faça agora parte da solução. Quem pensa que o dirigente sírio tem os dias contados ainda terá muitos dias para contar. Por outro lado, a derrota pura e simples de Assad – e do que ele representa – abriria a porta a novas tempestades, desta vez dirigidas contra os alauitas e os seus aliados. Mais ainda: só este tipo de perspetiva terá alguma hipótese de ser legitimado pela ONU. Para os líderes ocidentais, que deste o início da crise foram além da prudência, ao afirmar que recusariam uma solução que incluísse o homem de Damasco, a opção é indigesta, porém inevitável. Há que fazer a pirueta política que a realidade impõe e forçar, em cooperação com a Rússia – com todas as cautelas –, um plano de transição que inclua as várias fações sírias, com exceção do Estado Islâmico e de outros equivalentes.


Não se conseguirá obter a paz de um dia para o outro. Mas há urgência. Um novo ciclo de negociações deve começar desde já, com o beneplácito do Conselho de Segurança. Entretanto, o financiamento da ajuda aos deslocados e refugiados terá que continuar sem hesitações. Essa assistência é um dever moral dos Estados com meios para o fazer e uma obrigação à luz do direito internacional.

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