Portugal é grande quando abre horizontes

10
Jul 14

O meu texto de hoje, na Visão que acaba de chegar às bancas, é um condensado das minhas impressões da viagem de carro de Bruxelas a Lisboa, que teve lugar na semana passada.

 

Pode ser lido aqui, a partir do manuscrito que preparei.

 

Da Europa a Lisboa

Victor Ângelo

 

 

Como milhares de compatriotas, emigrantes na Europa, esta é altura do ano em que pego no carro, o encho de tralha e faço o trajecto de Bruxelas para Lisboa. São longos os quilómetros que separam a Europa que funciona de um país que não entende bem os desafios que enfrenta. Por isso, ao longo do percurso, venho matutando sobre os demagogos que continuam a negar a parte de responsabilidade dos políticos lusos no que respeita à situação de desespero económico em que muitos dos residentes em Portugal vivem. Como é possível, cismo enquanto vou atacando a infindável estrada que se desenha à minha frente, que gente com assento na Assembleia da República, que é ou foi ministro ou teve altas responsabilidades nacionais, possa afirmar que a crise não é, acima de tudo, nossa? Querem fazer-nos passar por parvos, além de pobres?

 

Estes pensamentos surgem logo à partida, ao ver as autoestradas da Bélgica a abarrotar de movimento, pessoas, carros e carga, tudo num frenesim de quem não pára, de quem sabe que é preciso ganhar a vida. Continuam depois em França, ao extasiar a vista pelos milhares e milhares de hectares de uma agricultura altamente desenvolvida, virada para os mercados de ponta, alimentares ou da bioenergia. Nas zonas de repouso, ou no hotel, há turistas de muitas origens. Desta vez, partilho a mesa do pequeno-almoço, nos arredores de Bordéus, com um casal australiano, cinco semanas a percorrer a França, com um poder de compra que não precisa de contar os cêntimos.

 

Depois, a Espanha. A transição para a Península Ibérica é visível, a começar pela urbanização, que é mais do tipo dormitório sem alma, na parte espanhola. Da Bélgica entra-se em França, sem que se note. Não é assim, de um lado e do outro dos Pirenéus. Vale-nos San Sebastian, uma cidade linda, bem organizada, rica, cheia de genica e de cultura, uma facada simbólica no nosso orgulho nacional, que não temos cidades de província comparáveis. E o resto do percurso espanhol é feito em autoestradas gratuitas, com gente a conduzir no geral com civismo. Quando uma viatura de matrícula estrangeira ultrapassa de longe os limites, vem logo à ideia que talvez se trate de um português, rebelde como todos nós e ansioso por chegar à pasmaceira da aldeia natal. Entretanto, vamos observando os campos, menos explorados que em França, mas apesar de tudo aproveitados.

 

Chega-se a Vilar Formoso e entra-se na confusão nacional, a começar pelas SCUTS. Os pórticos sucedem-se a uma cadência que deixa alarmado qualquer um que venha de fora. Fica-se com a impressão que a esse ritmo a portagem final vai atingir uma fortuna. Só que este ano, a A23, a caminho de Lisboa, estava deserta. Turistas, não havia. Um ou outro que por ali circulava, não deveria ter entendido como funciona o pagamento da coisa e ia avançando para Sul, cada vez mais perplexo pela profusão de pórticos. Olha-se para os campos, das Beiras e por aí abaixo, e não há produção que se vislumbre. Quem tiver olhos de ver perguntará para que serve o ministério da agricultura.

 

Depois, já na autoestrada do Norte, entramos no Portugal da alta velocidade. Ou seja, num país onde demasiada gente não respeita o código da estrada. Desta vez, vi três ou quatro grandes cilindradas a circular perto dos duzentos. Donde venho, isso seria de imediato severamente sancionado. Aqui é apenas uma maneira rápida de nos lembrar que as forças de segurança não têm meios e que o país está entregue aos atrevidos. Enfim, férias num país diferente, exótico. No nosso canto da Europa.

 

publicado por victorangelo às 12:07

09
Jun 14

Aproveitei uma parte do feriado de Pentecostes, que o é aqui onde me encontro, para arrumar as fotos da minha visita à Austrália. Cerca de 4 mil fotografias, depois de 5 mil quilómetros de carro e outros tantos de avião, que o país é um continente. Agora, com o digital, é só apertar no botão. Depois escolhem-se as melhores. Só que a escolha leva um tempo sem fim. Da próxima vez, ou vou a um país mais pequeno, do tipo de Andorra, ou tiro menos fotos. 

 

Ainda pensei mandar umas fotos a alguns dos nossos políticos, para que lhes dar uma chance de ver como se gere uma grande cidade, uma economia em crescimento e um país seguro. Pensei, depois, que estar a meter-me com os políticos que temos é uma perca de tempo. E que mesmo quando as realidades lhes entram pelos olhos dentro, eles não conseguem ver.

publicado por victorangelo às 21:54

31
Mai 14

 

Copyright V. Ângelo

 

Passei o dia no norte do Luxemburgo. De aldeia em aldeia. A esquecer a crise e o ninho de víboras que certos partidos são. A encontrar gente, portugueses e outros, que vivem uma vida tranquila.

 

 

publicado por victorangelo às 21:40

28
Abr 14

O voo da TAP da manhã de ontem estava uma vez mais completamente cheio. Cinco minutos antes, havia saído um outro voo, esse sob a bandeira da Brussels Airlines, também com destino a Lisboa e igualmente a abarrotar.

 

No meu avião, uma boa parte dos passageiros eram estrangeiros. A maioria seria turistas, gente com planos para uns dias em Lisboa e arredores.

À chegada, o aeroporto estava cheio de viajantes. E no balcão dos carros de aluguer era visível a azáfama. Aliás, os preços estavam mais altos do que de costume, o que é uma indicação do nível da procura.

 

Tudo isto são boas notícias.

 

Portugal precisa de visitantes. O turismo é um segmento importante da economia. Ver movimento, gente a chegar, manda um sinal positivo a outros, a afirmação que vale a pena vir até estas paragens.

publicado por victorangelo às 09:37

23
Mar 14

 

 

 

 

 

Copyright V. Angelo

 

 

Domingo em Hong Kong. Poderia ser do outro lado do rio,em Macau. As milhares de empregadas domésticas, Filipinas, têm o dia livre. Mas como não têm habitação digna desse nome - vivem aos montes em pequenos quartos - a única solução é passar o dia acampadas nas ruas e nos parques, nos centros comerciais e nos corredores dos transportes públicos.

 

Estas imagens são do início do dia. Mais tarde, está tudo tão cheio que não dá para circular a pé.

 

Aqui e em Macau, e noutros sítios da Ásia, as Filipinas são empregadas domésticas, sem direito de residência permanente. Isso que dizer duas coisas, entre outras. Se perdem o emprego, têm que sair e voltar às Filipinas. Por outro lado, significa que não têm direito a segurança social. Se ficarem doentes ou tiverem um acidente, pagam tudo do seu bolso, se o tiverem. Caso contrário, ficam à espera que passe. Na rua, talvez...

publicado por victorangelo às 20:27

16
Mar 14

Estive recentemente em Singapura, depois de doze anos de ausência. Foi-me difícil reconhecer a cidade, apesar de a ter conhecido bem no passado. O reordenamento urbano, especialmente na área da Marina e nos bairros residenciais na parte Leste, na direcção do aeroporto, é simplesmente espectacular. Reflecte bem a riqueza existente, uma enorme capacidade de investimento, bem como a preocupação política de mostrar que Singapura é o epicentro da região, o local onde as grandes empresas devem ter a sua sede regional.

 

A filosofia governativa, inspirada no pensamento do Pai da Nação, o homem que transformou a independência de um lugar perdido e pouco hospitaleiro numa sociedade evoluída e segura, Lee Kuan Yew, hoje um velho senhor de 90 anos, tem sido sempre a mesma: ser o número dois não chega, é preciso, isso sim, ser-se o melhor!

 

Pode dizer-se muita coisa sobre Lee Kuan Yew, a sua visão autoritária e paternalista, e também sobre Singapura. Mas acima de tudo convém não esquecer que sem uma ambição nacional que nos procure colocar no topo não se constrói um país moderno, capaz de oferecer oportunidades de vida para todos.

publicado por victorangelo às 17:19

15
Mar 14

Julie-Anne Nungarrayi Turner, nascida em 1975 no Território do Norte, Austrália, é uma das pintoras Aborígenes que mais tem chamado a atenção dos colecionadores. Os seus quadros descrevem, de uma maneira idealizada, a vida das mulheres da sua tribo, cujas terras ancestrais se situam a cerca de 300 quilómetros a noroeste da pequena mas agradável cidade de Alice Springs.

 

Hoje foi dia grande aqui em casa. Um quadro de Julie-Anne, pintado em Setembro de 2013, foi pendurado no corredor da entrada e passou a fazer parte das cores por onde se admiram os meus olhos.

 

Lembra-me, também, o lado mais colorido da vida aborígene, que, em geral, é muito difícil e marginalizada.

 

Também me lembra a mulher portuguesa que estava de serviço como agente de segurança no aeroporto de Alice Springs, quando por lá passei recentemente. Natural da região de Viseu, há vinte e tal anos no meio do nada e do Sol que é Alice Springs, ficou contente por ter que revistar um português e aproveitou para me dizer que as filhas foram uma ou duas vezes a Portugal, do outro lado do mundo, para que não esquecessem onde estão as suas raízes.

 

Julie-Anne pinta também para não esquecer onde estão as suas.

 

Actualmente vive em Adelaide, no Sul da Austrália.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:22

09
Mar 14

Passar dois ou três dias em Lauenen, a cinco quilómetros de Gstaad, nos Alpes suíços, com um Sol radioso, ajuda a perceber que tudo depende da capacidade de liderança. A localidade, com cerca de 800 habitantes e dezenas de chalés de madeira, era um buraco sem interesse há trinta anos. Hoje é um destino de turismo de luxo. Os habitantes, que outrora viviam ao sabor dos subsídios, são agora dos mais prósperos do país. As autoridades locais souberam dar a volta a uma natureza agreste e transformá-la numa fonte de riqueza. Para isso apostaram na conservação das belezas naturais, no ordenamento do território, na disciplina cívica e na segurança das pessoas e dos seus bens. Nada disto é excepcional. O que é excepcional é encontrar os políticos que tenham a coragem de o fazer.   

publicado por victorangelo às 21:07

04
Mar 14

Depois de uma longa viagem pela Austrália, mais umas visitas a Singapura, Hong Kong e Macau, estou de volta. Nesta nova etapa, o blog vai falar mais do exterior e menos de Portugal. Já existe muita gente a falar de Portugal. Mas as vistas continuam estreitas, como se não houvesse mundo para além das fronteiras. Ora, o valor que posso acrescentar é o de contar outras experiências, que nos ajudem a olhar para nós próprios com uma visão mais ampla daquilo que somos e do que poderíamos ambicionar. O conhecimento e a comparação são as raízes que dão vida à ambição.

publicado por victorangelo às 19:28

02
Fev 14

ESTE BLOG ESTARÁ FECHADO POR MOTIVO DE "OBRAS" DURANTE O MÊS DE FEVEREIRO.

 

VOLTARÁ A 3 DE MARÇO.

 

ESPERO QUE OS LEITORES VOLTEM TAMBÉM.

 

OBRIGADO

publicado por victorangelo às 20:08

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