Portugal é grande quando abre horizontes

25
Out 13

A teoria política ensina-nos que uma grande parte dos países que passaram por um período de crise nacional profunda tem um grau de risco elevado, ou seja, muitas possibilidades de voltar a ter uma crise fracturante e violenta. Perante isto, é fundamental que os amigos de Moçambique ajudem esse país para que não caia numa situação de confronto armado entre o governo e a Renamo. O que aconteceu nos anos oitenta e no início da década de noventa foi muito grave e não deveria ter a mínima hipótese de acontecer de novo.

 

Portugal é um parceiro de primeira ordem de Moçambique. Tem, por isso, a responsabilidade de contribuir – discreta e diplomaticamente – para o serenar dos espíritos e para o diálogo nacional entre os líderes moçambicanos. Deve-o fazer em ligação com os outros estados da CPLP e os países vizinhos de Moçambique, neste caso, no quadro da SADC (Southern Africa Development Comunity).

 

É verdade que o ministro português dos Negócios Estrangeiros é um nulo e por isso, incapaz de pegar no assunto. Também é certo que a equipa política do ministério é apenas um verbo-de-encher. Mas existe no ministério e na sociedade portuguesa gente que o pode fazer, em nome do nosso país. Há aqui um papel para a sociedade civil, entre outros.

 

 

publicado por victorangelo às 22:02

31
Mai 13

Vejo o encontro que Mário Soares organizou ontem em Lisboa como um exercício do direito à indignação, perante a situação política actual. Teve o mérito de reunir personalidades de vários matizes políticos, que partilham um ponto de vista: a oposição às medidas orçamentais que estão a ser aplicadas pelo governo, com o apoio dos principais credores externos do nosso país. Foi igualmente um momento de reconhecimento em relação a Mário Soares, quer em relação ao conjunto da sua vida política quer ainda ao facto de que, com a idade que tem, continua a batalhar pelas causas que lhe parecem justas.

 

Dizem-me que as intervenções foram vagas, mais retórica do que substância, mais emoção do que propostas concretas. E que os partidos políticos viram a coisa como uma espécie de grande missa, a que seria mal visto faltar, mas sem qualquer tipo de consequências práticas.

 

Talvez. Mas, para mim, foi um acto de cidadania. Certamente muito preferível, diga-se claramente, às greves políticas que põem à prova o que resta da economia. 

publicado por victorangelo às 21:17

03
Abr 13

Temos em circulação, nesta cidade de Lisboa, um novo “manifesto”, subscrito por mais de setenta personalidades. O que sei deste documento -"Despesa Pública menor para um Futuro melhor"- é positivo. Vale a pena ler, tem ideias e informação.

 

Mas, na situação actual, há que ter em conta duas ou três preocupações.


Quem subscreve estas coisas deve ter um mínimo de credibilidade social e política. Quem assina agora, a propor o que não fez no passado, quando tinha poder político, perde peso e impacto. Abre a porta à crítica fácil. Fragiliza o projecto.

 

Depois, há que ser abrangente. Não podem ser sempre os mesmos e apenas os mesmos, nem ser apenas gente de uma tendência política, sem abrir espaço e cooperação a quem representa outros horizontes. Deve haver moderação, é verdade, e preocupação patriótica, assim será igualmente, mas estas características encontram-se hoje à direita e à esquerda do horizonte político nacional.

 

Abrangência é essencial, nesta fase da nossa vida colectiva. Há que congregar, que para nos dividir já temos políticos que bastam.

 

Mais ainda, é fundamental colocar o enfoque na modernização do Estado e da economia. Um Estado que responda às necessidades dos cidadãos e uma economia que gere emprego, oportunidades, valor e qualidade. Sem esse tipo de economia não há maneira de ter um Estado funcional. Nem de sair da crise. 

publicado por victorangelo às 20:44

06
Mar 13

Estive na assembleia geral anual da Associação das Nações Unidas da Bélgica (APNU). Trata-se de uma das duas associações de apoio às actividades da ONU e de divulgação junto da sociedade civil dos grandes temas que preocupam o sistema das Nações Unidas. Ambas são organizações de cidadãos, jovens e de todas as idades. A APNU congrega a parte francófona do país. A outra, conhecida pelas iniciais VVN, reúne os associados de língua flamenga. A cooperação entre ambas é bastante boa, embora se trata de organizações independentes e com dinâmicas muito diferentes.

 

A APNU tem um orçamento anual de pouco mais de 8000 Euros. Com esta quantia irrisória, consegue organizar várias palestras públicas por ano, dar a conhecer a ONU, de modo sistemático, nas principais escolas de Bruxelas, ter duas células de apoio, uma na Universidade Livre de Bruxelas e outra na Universidade Católica de Lovaina, e manter um sítio internet actualizado. Leva a cabo, além disso, sessões regulares de cinema, com filmes comerciais que são depois debatidos por especialistas na matéria em causa. E ainda ajuda jovens estudantes a encontrar apadrinhamentos financeiros que lhes permitam ir visitar as sedes das agências da ONU. 

 

O segredo de tudo isto é o trabalho voluntário dos seus associados. Gente empenhada em fazer coisas, sem qualquer tipo de remuneração ou proveito pecuniário.

 

Na assembleia de hoje, havia necessidade de preencher dois dos dez lugares no Conselho de Administração da APNU – lugares que acarretam trabalho e dedicação, sem compensação monetária – e surgiram quatro candidatos voluntários. Tudo gente com emprego, com coisas para fazer, mas que não se importa de fazer um esforço suplementar, por achar que a causa vale a pena.

 

Assim funciona uma sociedade civil forte. 

publicado por victorangelo às 20:46

08
Jan 13

O Ministro Portas disse hoje ao serão que existem na sociedade portuguesa “…sintomas de desalento e desânimo …que é preciso contrariar com sensibilidade” (sic). Sintomas? Ou realidades? Desânimo e desalento, que são a mesma coisa? Sensibilidade, quando é bem claro que não têm sabido falar aos portugueses?

 

É só conversa. Não ajuda. Não leva a parte alguma

 

Eu diria o que venho a dizer há algum tempo. Estamos perante indicadores claros de quatro estados de alma, que, em simultâneo, numa interacção complexa, caracterizam o nosso relacionamento de agora com os outros cidadãos e as instituições públicas: revolta, desorientação, medo e desespero. 

publicado por victorangelo às 21:56

22
Jul 12

Percorrer as ruas com os olhos abertos permite ver que muitas lojas estão fechadas. É o preço da crise, diriam alguns.

 

As únicas lojas que deveriam fechar mas que continuam a prosperar neste Portugal estranho são as da maçonaria.

 

Agora, até dão equivalências académicas.

 

Que país!

publicado por victorangelo às 12:07

07
Fev 11

Escrevi, para publicação, um texto sobre o Egipto, num dia em que ainda não se entende bem para que lado vão cair as coisas: reforma ou mais do mesmo?

 

Ao pesquisar a matéria, vi que alguém disse que as revoluções, nos tempos de agora, surgem quando os advogados estão a tiritar de frio, nos seus escritórios, já não têm dinheiro nem para comer um macdonald, mas continuam com acesso à internet.

 

As palavras não seriam bem estas. No entanto, a ideia é que, quando os diplomados deixam de ter perspectivas de futuro, e já não acreditam na classe política, começam a fazer a revolução através das redes sociais.

publicado por victorangelo às 17:04

05
Nov 10

Será que as elites compreendem os medos que a sociedade sente?

publicado por victorangelo às 21:52

02
Nov 10

A diversidade religiosa e étnica na Europa, eis o tema que me vai ocupar os próximos dias. Uma matéria complexa, com dimensões políticas a juntarem-se aos direitos humanos, aos valores que cada sociedade deve partilhar, e com aspectos económicos e sociais. Sem contar com a definição de valores absolutos, como a igualdade entre os homens e as mulheres, e a maneira como esses valores são encarados por diferentes culturas.

 

Não são meras questões filosóficas. É a estabilidade da Europa que está em jogo.

publicado por victorangelo às 11:09

12
Ago 10

Desta vez, o meu texto na Visão é sobre a emigração e a integração de comunidades culturalmente muito diferentes nos países europeus.

 

A Europa não está habituada a viver com populações de várias origens étnicas, num mesmo espaço nacional.  Mas vai ter que se habituar. O que aconteceu nos últimos 15 anos, com a chegada em grandes números de gentes vindas dos cantos mais escondidos do globo, é irreversível e vai alterar completamente o tecido humano de muitos dos estados-membros da UE. A homogeneidade étnica e cultural deixou de existir.

 

O que se pede é que os dirigentes políticos não explorem para fins eleitoralistas esta nova realidade social. E que não se enverede por um patriotismo mal enjorcado, populista e segregador. Esse tipo de patriotismo tem sempre levado ao desastre.

 

http://aeiou.visao.pt/xenofobia-e-a-arma-dos-curtinhos=f568978

 

Boa leitura.

publicado por victorangelo às 21:32

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