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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Notas para memória futura

Voltei este fim-de-semana a Lisboa, depois de quase três semanas de ausência no norte da Europa. E encontrei um país ao Sol, que é como quem diz, relativamente despreocupado, a tratar de si e, acima de tudo, muito indiferente em relação às campanhas eleitorais em curso.


Deu-me a impressão que o país vive de um lado e os políticos do outro. E que não há grande ligação entre ambos. Cada um trata da sua vida e não espera grande coisa da política que por aí se anuncia. É, em grande medida, o reino do descrédito, da indiferença e do individualismo.


Ou estarei a ver mal a realidade em que vivemos?

O taxista

Para quem quer ir para o centro da cidade, o preço é fixo – 15 Euros, para uma distância de cerca de 10 quilómetros – e paga-se num balcão na área das chegadas. O táxi está imediatamente disponível, limpo, com a internet sem fios gratuita e rápida. O rádio permanece desligado. O motorista veste-se com rigor e tem uma excelente apresentação. Não abre a boca, a não ser para responder a alguma pergunta que lhe seja feita. Durante o percurso, nunca ultrapassou os limites de velocidade nem nada que se parecesse com uma manobra perigosa. E em poucos minutos estávamos no centro de Riga.

 

Um Estado que seja competente

Entendo que falar de um Estado forte é um erro. Por várias razões.

Primeiro, são as ditaduras que gostam de imaginar e promover a bandeira da força do Estado. Enquanto cidadão, fico, como muitos, preocupado quando oiço falar de uma noção que faz pensar numa máquina omnipresente, totalitária, miudinha e controladora. Salazar, entre outros, gostava de falar de um Estado forte.

Em segundo lugar, a ideia traz consigo uma maneira de ver que dá a primazia aos políticos profissionais, que controlam o aparelho do poder público. Nessa perspectiva, são eles que irão salvar a nação e tomar a iniciativa de pôr a economia a funcionar. Prefiro acreditar na vitalidade da sociedade civil, no poder de criação e na imaginação de cada cidadão, na dinâmica de quem faz pela vida, lutando contra ventos e marés e contra todas as burocracias que os políticos inventam de modo ininterrupto.

Depois, terceiro ponto, penso que o Estado se deve concentrar apenas no desempenho das funções de soberania: defesa nacional, segurança interna, justiça, coesão social, educação e igualdade de oportunidades, saúde pública, regulação ambiental e económica, representatividade externa e promoção da língua e da identidade da nação. Todas as outras funções devem ser transferidas para as autarquias, para as associações de cidadãos bem como ser da responsabilidade da actividade privada.

É no exercício da soberania, aí sim, que o Estado deve ser competente. Competente, eficiente, eficaz, essas são as palavras que definem – e bem – a ambição do Estado que deveremos querer.

O resto, incluindo a conversa sobre o Estado forte, é palrar de político burocrata, que procura esconder a sua falta de visão por detrás de uma resma de ideias antigas e de carimbos de repartição pública. E que pensa que andamos todos à espera que a manjedoura do Estado abra as suas portas.

 

 

 

 

Não há razão para pânico

Perante os acontecimentos dos últimos dias na nossa parte do mundo, é preciso saber manter a calma. Estamos a atravessar um momento de instabilidades, políticas, económicas e securitárias. Haverá sempre quem procure criar, ao nível da opinião colectiva, um sentimento de medo e de insegurança, para depois tirar proveito desse sentimento. Seria um erro deixar que isso venha a acontecer, que nosso modo de vida em democracia e num clima de tolerância possa ser posto em causa. Ora, esse risco existe.

Erdogan e os salvadores da pátria

O meu texto na Visão em papel de hoje é sobre a Turquia de Erdogan.

 

O link é o seguinte:

 

http://tinyurl.com/oq6fcva

 

e também

 

https://docs.google.com/file/d/0B7Mx3TqxEDLpSE5XRlFXM0JkY1U/edit

 

Transcrevo também a versão em Word:

 

Erdogan: uma metamorfose previsível

Victor Ângelo

 

 

Na cena política turca, Recep Tayyip Erdogan aparece como um gigante. Primeiro-ministro há mais de dez anos, reeleito pela terceira vez em 2011, com cerca de 50% dos votos, Erdogan herdou uma situação caótica mas soube dar-lhe a volta. A economia e o nível de vida cresceram, as finanças públicas estabilizaram, o que em 2003 parecia impossível, as infraestruturas e os serviços sociais foram modernizados e expandidos. No campo externo, fez surgir uma potência com ambições regionais. Basta passar pelo aeroporto de Istanbul para se perceber como o país se está a transformar numa placa giratória entre a Europa e os Orientes. Muitos observadores começaram a dar a Turquia como um exemplo de um país emergente com sucesso. Isto apesar de algumas reservas, ditas em voz baixa, sobre a inspiração religiosa retrógrada do primeiro-ministro.

 

No caso mais concreto dos círculos dirigentes da UE, a Turquia de Erdogan tem sido vista como um caso complexo, uma espécie de bom vinho passível de provocar uma ressaca penosa. A Europa mantém com a Turquia uma relação sol e sombra. O crescimento económico, que abriu novas oportunidades de negócios para as empresas europeias e baixou a pressão migratória, com uma redução evidente do fluxo de famílias turcas à procura de vida na Europa, é apreciado. Como também se dá valor ao papel que Ankara tem desempenhado em termos da segurança da região, na contenção do Irão, no apoio à oposição síria e no combate ao terrorismo. Ao fim e ao cabo, a Turquia é um pilar fundamental da NATO, o único de base islâmica e inserido numa encruzilhada geopolítica de importância estratégica indiscutível.

 

Do outro lado, a questão sem fim da adesão à UE é uma dor de cabeça recorrente, um problema que a França, a Alemanha e outros gostariam de varrer de vez para debaixo do tapete europeu. A resposta é claramente que não, adesão nem pensar, mas falta a coragem política para fechar um assunto que se arrasta desde 1987. E a essa locomotiva vacilante acrescentam-se outros vagões, que tornam a marcha ainda mais improvável: a teimosia turca face à partição de Chipre, a competição militar desenfreada com a Grécia, e, na frente interna, a corrupção, bem como as violações de direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos e da independência do sistema judicial.

 

Na verdade, a governação de Edorgan, por muito que se possa dizer de positivo, entrou numa deriva autoritária, sobretudo a partir de 2009. Começou pela humilhação das forças armadas, feita com base em acusações e em julgamentos que não teriam sustentação num qualquer outro país da NATO. Continuou com a comunicação social. O poder soube utilizar a arma fiscal, multas e penas de prisão incluídas, para reduzir os grupos empresariais que controlam os principais medias à aquiescência política. A Turquia tem mais jornalistas por detrás das grades que muitas ditaduras reconhecidas. Recentemente, foi a vez de introduzir legislação que põe os juízes e os procuradores debaixo do arbítrio do governo. Procedeu-se, também, ao saneamento político das polícias. Agora, ao proibir o acesso ao Twitter – um meio que os jornalistas e outros activistas têm utilizado para ultrapassar a autocensura imposta à comunicação social – é a sociedade civil que está na linha de mira. Ou seja, o único pilar da democracia que ainda faz contrapeso a Erdogan.

 

Em política, é muitas vezes assim. Os que se tomam por gigantes crêem-se indispensáveis, salvadores da pátria. Procuram, por isso, eternizar-se e acabam por se metamorfosear em monstros políticos. Com o tempo, é certo que sairão de cena, mas aos empurrões, quando poderiam ter saído pelo seu pé e com glória.  

Somos mais ou menos assim

Portugal é um país de exaltados. Por isso, a ideia que se tem da luta política é que deve ser a expressão colectiva das cóleras individuais. Se um político, sobretudo um dirigente partidário, não exprime opiniões excessivas passa a ser considerado como um nulo, um zero à esquerda ou à direita.

 

Como a tudo isto se junta um conjunto de televisões desesperado, que precisa de competir cegamente, de modo a ter uma proporção de audiências que lhes permita sobreviver, numa altura em que a publicidade está a ser paga ao preço da chuva, dando por isso pouco rendimento, o que tem saída e é procurado é a opinião extrema. De novo, quer à direita quer à esquerda.

 

Assim se constrói uma sociedade de intolerantes.

 

A intolerância é a fonte donde brota o descalabro nacional.

 

O radicalismo é um sinal de fraqueza

Quando era inexperiente, tinha ideias claras e batia-me pela revolução. Agora, depois de ter percorrido o mundo, acho que tudo é bem mais complexo do que parece.

 

É verdade que convém lutar contra a burocracia e os totalitarismos, mas sem ser preciso partir a loiça. Basta ter firmeza de caracter, paciência para manter a conversação e meia dúzia de objectivos fáceis de explicar.

 

A raiva e amargura não são boas conselheiras. Levam, tão-somente, à violência e fractura social. Puxam-nos para trás, numa altura em que muitos outros procuram acelerar para a frente. Destroem valor, quando precisamos de acrescentar riqueza.

 

São, na realidade, traços de falhanço social e indícios de que estamos a enterrar-nos numa sociedade de areias movediças.

Portugal e Moçambique

A teoria política ensina-nos que uma grande parte dos países que passaram por um período de crise nacional profunda tem um grau de risco elevado, ou seja, muitas possibilidades de voltar a ter uma crise fracturante e violenta. Perante isto, é fundamental que os amigos de Moçambique ajudem esse país para que não caia numa situação de confronto armado entre o governo e a Renamo. O que aconteceu nos anos oitenta e no início da década de noventa foi muito grave e não deveria ter a mínima hipótese de acontecer de novo.

 

Portugal é um parceiro de primeira ordem de Moçambique. Tem, por isso, a responsabilidade de contribuir – discreta e diplomaticamente – para o serenar dos espíritos e para o diálogo nacional entre os líderes moçambicanos. Deve-o fazer em ligação com os outros estados da CPLP e os países vizinhos de Moçambique, neste caso, no quadro da SADC (Southern Africa Development Comunity).

 

É verdade que o ministro português dos Negócios Estrangeiros é um nulo e por isso, incapaz de pegar no assunto. Também é certo que a equipa política do ministério é apenas um verbo-de-encher. Mas existe no ministério e na sociedade portuguesa gente que o pode fazer, em nome do nosso país. Há aqui um papel para a sociedade civil, entre outros.

 

 

Um exercício de cidadania

Vejo o encontro que Mário Soares organizou ontem em Lisboa como um exercício do direito à indignação, perante a situação política actual. Teve o mérito de reunir personalidades de vários matizes políticos, que partilham um ponto de vista: a oposição às medidas orçamentais que estão a ser aplicadas pelo governo, com o apoio dos principais credores externos do nosso país. Foi igualmente um momento de reconhecimento em relação a Mário Soares, quer em relação ao conjunto da sua vida política quer ainda ao facto de que, com a idade que tem, continua a batalhar pelas causas que lhe parecem justas.

 

Dizem-me que as intervenções foram vagas, mais retórica do que substância, mais emoção do que propostas concretas. E que os partidos políticos viram a coisa como uma espécie de grande missa, a que seria mal visto faltar, mas sem qualquer tipo de consequências práticas.

 

Talvez. Mas, para mim, foi um acto de cidadania. Certamente muito preferível, diga-se claramente, às greves políticas que põem à prova o que resta da economia. 

Abrangências

Temos em circulação, nesta cidade de Lisboa, um novo “manifesto”, subscrito por mais de setenta personalidades. O que sei deste documento -"Despesa Pública menor para um Futuro melhor"- é positivo. Vale a pena ler, tem ideias e informação.

 

Mas, na situação actual, há que ter em conta duas ou três preocupações.


Quem subscreve estas coisas deve ter um mínimo de credibilidade social e política. Quem assina agora, a propor o que não fez no passado, quando tinha poder político, perde peso e impacto. Abre a porta à crítica fácil. Fragiliza o projecto.

 

Depois, há que ser abrangente. Não podem ser sempre os mesmos e apenas os mesmos, nem ser apenas gente de uma tendência política, sem abrir espaço e cooperação a quem representa outros horizontes. Deve haver moderação, é verdade, e preocupação patriótica, assim será igualmente, mas estas características encontram-se hoje à direita e à esquerda do horizonte político nacional.

 

Abrangência é essencial, nesta fase da nossa vida colectiva. Há que congregar, que para nos dividir já temos políticos que bastam.

 

Mais ainda, é fundamental colocar o enfoque na modernização do Estado e da economia. Um Estado que responda às necessidades dos cidadãos e uma economia que gere emprego, oportunidades, valor e qualidade. Sem esse tipo de economia não há maneira de ter um Estado funcional. Nem de sair da crise. 

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