Portugal é grande quando abre horizontes

06
Jan 12

O General Ilker Basbug, que fora até Agosto de 2010, o Chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas da Turquia, foi agora detido, sob a acusação de ter organizado, enquanto desempenhava as funções de patrão supremo das FA, um grupo terrorista, com a intenção de derrubar o governo do Primeiro-Ministro Erdogan. Esta detenção vem no seguimento de outras, estando actualmente presos, a aguardar julgamento, mais de 60 generais e almirantes e muitos oficiais superiores. 

 

Tudo isto cheira a invenção, por parte do governo islamita de Erdogan, que procura, deste modo, domesticar a instituição militar. As forças armadas, que são das mais profissionais da NATO, têm sido, ao longo de décadas, um garante da natureza secular do estado turco. 

 

Embora reconheça a legitimidade política do governo de Erdogan, a sua capacidade governativa invulgar e o princípio da subordinação do poder militar ao civil, não posso deixar de apontar a conspiração que está em curso contra as forças armadas turcas. Como também não convém esquecer as dezenas de milhares de presos políticos, com acusações que procuram disfarçar a dimensão política das suas detenções, e a opressão do povo curdo. Também é de lembrar que o governo conseguiu, nos últimos anos, eliminar a independência do sistema judicial. Os juízes são hoje um instrumento do partido de Erdogan.

 

Tudo isto se passa sem que ninguém, ao nível do poder político europeu, tenha a coragem de dizer que situações destas são inaceitáveis. A UE está sem voz. Nem o Parlamento Europeu ousa meter o bedelho. 

publicado por victorangelo às 20:39

10
Out 11

Ao fim de um dia de condução com muito trânsito, entre a fronteira de Irún-Hendaye e a Bretanha, apenas resta um dedo de ânimo para mostrar a minha surpresa pela decisão que Van Rompuy tomou de adiar a próxima cimeira da UE. Que está por detrás de tal medida?

publicado por victorangelo às 21:31

21
Jul 11

A cimeira da UE transformou uma boa parte da dívida grega em dívida a longo prazo e outra, em dívida perpétua. Sem contar que haverá igualmente uma insolvência parcial, a primeira no mundo Ocidental, desde o fim da Segunda Grande Guerra.

 

São medidas importantes. Não reconhecem, no entanto, que sem um investimento maciço na economia do país e sem mudanças profundas na política económica, a começar pela privatização do que pode ser privatizado e a abertura à concorrência de certas actividades até agora protegidas por medidas legislativas arcaicas e corporativistas, a Grécia não conseguirá sair do processo declínio em que hoje se encontra.

 

Entretanto, a influência de Angela Merkel saiu reforçada. Como van Rompuy viu as suas atribuições serem ampliadas.

 

Portugal e a Irlanda  vão beneficiar por tabela, com juros mais baixos, equivalentes aos da Grécia e com prazos de reembolso mais alargados. Mas não convém esquecer que uma extensão do período de reembolso significa, também, um alargamento do prazo durante o qual a política económica de ambos os países vai estar sob a supervisão apertada do FMI e da UE.

 

Finalmente, numa nota mais leve, diz-se que anda em Bruxelas, nos corredores do poder, um fantasma pesado e quase invisível. Quando aparece, por se vestir de presunção, desempenha um papel patético. 

publicado por victorangelo às 22:48

30
Jun 11

O texto que hoje publico na Visão volta a reflectir sobre o divórcio que existe entre os dirigentes políticos da Europa e os cidadãos.

 

Escrevo, também, sobre a falta de coragem de quem é pago, e bem, para a ter e que, no topo das instituições europeias, prefere ficar calado. Essa "timidez" tem levado a uma marginalização progressiva das principais figuras comunitárias. A sua relevância politica é cada vez menor.

 

O artigo está disponivel em:

 

 

 

http://aeiou.visao.pt/uma-uniao-de-confusos=f610230

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 19:55

06
Mar 11

Os dirigentes da Europa de direita estiveram reunidos na Sexta-feira em Helsínquia. 15 dirigentes de países europeus pertencem ao grupo do Partido Popular Europeu, incluindo Angela Merkel, Silvio Berlusconi, Nicolas Sarkozy e o novo Primeiro-ministro da Irlanda. Ao nível das instituições da UE, Van Rompuy, J M Barroso e o Presidente do Parlamento Europeu pertencem à família. 

 

Se acrescentarmos David Cameron, que embora de direita, deixou de pertencer ao PPE, vemos que a Europa é fundamentalmente dirigida por políticos conservadores.

 

Em Portugal, o PSD e CDS/PP são membros do PPE.

 

A reunião de Helsínquia serviu, sobretudo, para dar mais força ao "pacto de competitividade" proposto por Angela Merkel. O pacto será submetido, para aprovação, à próxima cimeira do Conselho Europeu, a 24 e 25 de Marco. É um assunto em relação ao qual convém estar muito atento.

publicado por victorangelo às 22:16

01
Mar 11

Estou em fim de viagem, mas, mesmo assim, quero dizer, alto e bom som, que a Comissão Europeia e os ministros dos Negócios Estrangeiros europeus estão todos, face à crise humanitária na fronteira entre a Líbia e a Tunísia, a dar a impressão de andarem a apanhar bonés. 

 

Aquela conversa bonita, muito intelectual, cheia de referências a estratégias, que de vez em quando ouvimos, é só para disfarçar a incompetência.

 

Uma vergonha. 

 

Uma grande falta de sentido de responsabilidades e de coragem política. 

 

E os deputados europeus, caladinhos...

publicado por victorangelo às 20:41

10
Dez 10

Teve lugar, hoje, em Friburgo, na Alemanha, um Conselho de Ministros conjunto dos governos francês e alemão. Um dos objectivos foi o de coordenar posições, em preparação da Cimeira Europeia da próxima semana. Outro, teve que ver com as nomeações para certos postos importantes, no quadro das instituições da UE. Sobretudo, para o Banco Central Europeu.

 

Mas a mensagem mais importante foi bem clara: quem manda na Europa é a dupla franco-alemã. Aos outros, resta apenas o alinhamento. E os senhores que estão em Bruxelas, à frente das instituições, são cada vez mais vistos como meros funcionários. Executam as ordens dos patrões. Sem fazer ondas, claro.

publicado por victorangelo às 22:00

28
Out 10

Sem uma revisão do Tratado de Lisboa, que permita a inclusão de uma cláusula sobre a criação de um fundo de apoio aos países da zona Euro, a Alemanha não aprovará nenhum mecanismo permanente de resolução de crises. A Chanceler Merkel tem vindo a explicar que a Alemanha precisa dessa revisão, para poder participar no fundo. Caso contrário, o Tribunal Constitucional alemão não dará luz verde à participação do governo de Berlim.

 

Sem a contribuição da Alemanha, não haverá mecanismo. O mecanismo faz falta. A Grécia que o diga. Mas a Alemanha só pode aprovar um mecanismo de apoio permanente se a disciplina fiscal de cada país da UE for reforçada e monitorizada por Bruxelas. E se existirem sanções económicas e políticas, nos casos de falta de cumprimento, por qualquer governo, das normas de estabilidade estabelecidas.

 

Hoje à noite, estamos mais perto de ver esse projecto alemão aprovado. Vários políticos haviam dito, ao longo do dia, à porta ou nas salas do Conselho Europeu que está a decorrer, que a proposta de Merkel punha em causa a igualdade entre os Estados membros. Os portugueses faziam parte desse grupo.

Umas horas depois, dizem-nos que afinal sempre haverá sanções contra os países que ultrapassarem os 3% de défice em relação ao PIB. Bem como contra quem tenha uma dívida pública superior a 60% do PIB. A única concessão feita aos mais ariscos à disciplina será que o sistema de sanções não se aplicará automaticamente. Terá que haver uma decisão política dos chefes de Estado e de Governo.

 

A questão da disciplina governativa é um traço importante. Evita dar asas aos políticos marotos, que em anos de eleições anunciam cheques para os bebés e, no ano seguinte, nem dinheiro para as fraldas têm. E sem fraldas, é uma porcaria.

publicado por victorangelo às 20:46

12
Mai 10

Nos últimos dias, o Presidente americano passou algum tempo ao telefone. Teve uma longa conversa com Angela Merkel, para a convencer a aceitar o pacote de medidas de apoio à Grécia. Falou com o Presidente francês, este fim-de-semana, para que acelerasse o processo de aprovação do fundo de monetário de estabilização do euro. Esteve, ontem, em linha com Zapatero, para que não continuasse a haver dúvidas sobre a preocupação com que Washington vê a situação espanhola e o potencial destabilizador que representa. Felicitou David Cameron. Aproveitou para mencionar a importância que os americanos dão a uma contenção fiscal na Grã-Bretanha.

 

Depois de cada chamada, houve resultados concretos. A Alemanha decidiu alinhar-se com os outros, na ajuda urgente à Grécia, apesar dos custos eleitorais elevados para a coligação no poder, em Berlim. Sarkozy anulou a viagem a Moscovo, ficou a liderar a criação do fundo de emergência. Em Espanha, as medidas anunciadas, hoje, pelo governo respondem ao apelo de Barack Obama. A coligação em Londres está a enviar sinais positivos aos mercados, apesar de uma situação económica preocupante.

 

Duas lições a tirar de toda esta movimentação: os Estados Unidos compreendem a dimensão internacional da crise europeia; o impacto que pode ter sobre outras grandes economias; segunda conclusão, a voz de Obama pesa muito nas capitais da Europa.

 

E, Lisboa, no meio de tudo isto? Esta poderia ser a terceira lição.

publicado por victorangelo às 19:13

03
Dez 09

 

Na revista Visão de hoje, está o meu texto sobre as recentes nomeações e movimentações em Bruxelas. O meu editor achou que era um comentário distinto do que havia aparecido até agora.

 

Em certa medida, a minha opinião é que vai haver guerra entre Barroso e Van Rompuy.  Não pode deixar de ser, quando dois indivíduos disputam um espaço político e funcional que está mal definido.

 

O artigo está disponível no sítio:

 

http://aeiou.visao.pt/la-longe-em-bruxelas=f539016

publicado por victorangelo às 21:31

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