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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

O interior

Estive ontem em Ansião e Penela, no centro de Portugal. São ambas as localidades sedes de município. E até parecem ser geridas com algum cuidado. Mas o que mais me impressionou foi a sua dimensão bastante reduzida bem como a vida parada que se vive nessas terras. Pacato é uma coisa, falta de animação é outra bem diferente. Quem por aí fica acomoda-se e aceita. Ou então, dorme aí mas vai trabalhar o seu quotidiano em Pombal ou em Coimbra.

 

O aeroporto de Bruxelas: balanço provisório

A minha passagem pelo aeroporto de Bruxelas correu bem. Apesar da presença massiva da polícia, os controlos são escassos e rápidos. O pessoal de assistência em terra procura ajudar os passageiros a orientarem-se através dos percursos provisórios que entretanto foram abertos.

Pouco a pouco estamos a voltar aos procedimentos normais. É, no entanto, aconselhável viajar sem bagagem, quando tal for possível.

Muitas companhias aéreas reduziram a frequência dos voos para Bruxelas. Irá passar algum tempo mais, antes que voltemos ao número de voos que existiam antes de 22 de março.

Pelo aeroporto de Bruxelas

Amanhã, bem cedo, vou utilizar pela primeira vez, depois dos atentados de 22 de março, o aeroporto de Bruxelas. Na última viagem, uma semana depois das explosões, saí por Dusseldórfia, na Alemanha, a duas horas e meia de carro de Bruxelas. Desta vez, trata-se de uma ida e volta no mesmo dia a Zurique. O percurso do regresso será fácil, pois quem chega a Bruxelas segue o itinerário normal, sem novidades. A confusão tem sido do lado das partidas. Há controlos a mais, mesmo desnecessários, e pessoal de controlo a menos. Ontem e hoje houve quem estivesse na fila de espera, antes de poder ingressar no aeroporto, duas horas ou mais.

Dizem-me agora que amanhã tudo estará melhor. Veremos.

Entretanto terei que me levantar de madrugada, para não arriscar ver o voo sair, comigo em terra…E decidi não levar o carro para o aeroporto, o que teria acontecido, se as circunstâncias tivessem voltado à normalidade. De táxi, o acesso é mais fácil. E muito mais caro.

Uma viagem à Índia

 

O novo descobrimento da Índia

            Victor Ângelo

 

 

 

            Voltei à Índia, depois de uma ausência de mais de dezoito anos. E fiquei surpreendido pela positiva. Encontrei um país diferente, em pleno crescimento económico, com muita gente resoluta, cheia de otimismo, virada para o futuro. Para quem deixara para trás uma Europa de incertezas, que dá a impressão de não saber bem para onde vai nem como responder aos desafios que enfrenta, em que cada povo tende a fechar-se sobre si próprio, só nos pode fazer bem passar umas semanas num país que se moderniza, que acredita em si e que valoriza a diversidade das suas populações. Isso, assim como lembrar-nos que o mundo é maior e mais variado do que as fronteiras do nosso quotidiano nos fazem crer. No essencial, a Índia diz-nos, à sua maneira, o mesmo que a China e outros nos repetem: a Europa deixou de ser o centro do universo, tem um peso relativo cada vez menor e o seu relacionamento externo deve ter isso em linha de conta.

            É evidente que a Índia ainda tem muito por resolver.

            Na frente externa, o principal desafio continua a ser conflito mais ou menos latente com o vizinho Paquistão. As relações entre os dois países são como um vulcão pronto a entrar em erupção. Baseiam-se num alto grau de desconfiança mútua e numa torrente contínua de acusações de ingerência. Acabam por consumir uma proporção desmesurada dos recursos públicos, que são assim desviados para questões de defesa, de segurança e de proteção das fronteiras – a linha de fronteira do lado indiano é hoje uma das mais dispendiosas e sofisticadas que existem no mundo, em termos dos equipamentos eletrónicos e de outros meios tecnológicos de vigilância.

            Do ponto de vista interno, a pobreza de uma parte da população – cerca de 22% dos indianos vivem abaixo da linha da pobreza, segundo dados das Nações Unidas, – é ainda marcante. Mas também é verdade, como tive a oportunidade de o constatar, que a produção agrícola se transformou de modo radical, no que respeita à qualidade das sementes, aos meios disponíveis, à conservação das colheitas e à comercialização dos produtos. Quando comparada com as situações que prevalecem um pouco por toda a parte em África, é o dia e a noite. E fica ainda mais claro que o desenvolvimento africano tem que assentar numa revolução rural comparável, mas com as necessárias adaptações, à que aconteceu na Índia.      

             A luta contra a pobreza passa também pela igualdade de direitos e oportunidades entre os homens e as mulheres. Nos vários sítios que visitei ficou claro que as mulheres têm uma taxa muito baixa de participação no emprego disponível nas empresas privadas modernas. Por exemplo, fora de Deli não encontrei nenhuma mulher a trabalhar nos hotéis. E quando trouxe o assunto para discussão disseram-me que os empregos femininos estão na função pública, no ensino, na saúde. Ou então nos campos, na construção civil artesanal, nos trabalhos mais tradicionais e mal remunerados. É óbvio que há aqui uma lacuna por preencher.

            A água pareceu-me uma questão crucial, nomeadamente em vários estados da parte norte do país. As monções têm sido, nos últimos anos, irregulares e menos chuvosas. A seca faz agora parte do quotidiano de muitos, durante a maior parte do ano. O mesmo se passa com o acesso à água potável, para consumo doméstico. A gestão dos recursos aquíferos é já hoje uma preocupação maior. Percorrer certas regiões da Índia, nesta altura do ano, muitos meses depois das últimas chuvas, traz-nos à memória o que aprendemos noutros locais: a água vai ser um dos grandes problemas do futuro, em vastas áreas do nosso planeta. Pobreza e conflitos vão estar estreitamente associados à escassez e às dificuldades de acesso à água.

            Um país que se expressa em mais de 120 línguas importantes, sem esquecer umas centenas de idiomas adicionais mas com menor expressão em termos dos números de falantes, tem inevitavelmente problemas de integração e de unidade nacional. Existem assim rebeliões internas em vários estados. O governo central tem procurado responder a essas insurgências. Nos últimos anos, tem havido a sabedoria de combinar respostas de ordem securitária com um tratamento político novo dessas questões. Espero que se continue pela mesma via. E que se saiba valorizar, como muitos o fazem atualmente, a diversidade humana e cultural do país. A Índia, ainda mais do que a Europa, é um complexo xadrez de culturas. Mas também nos mostra que é possível conciliar uma identidade própria e ancestral com o orgulho de se pertencer a um grande espaço geopolítico.

            Entretanto, teve lugar mais uma cimeira da UE com a Índia. No final foi publicado um comunicado tão palavroso quanto vago. A Europa poderá ter descoberto a Índia como destino turístico mas ainda precisa de ver nesse vasto e multifacetado país um parceiro com o qual vale a pena cooperar. As oportunidades são imensas. Há que saber explorá-las. E procurar aproveitar esta fase de expansão e confiança que se vive na Índia, bem como uma mão-de-obra que tem segmentos extremamente qualificados. Para começar, tratar-se-ia de acelerar as negociações relativas a um futuro acordo comercial entre as duas partes. Ganharíamos todos nós, europeus e indianos.

 

(Artigo que hoje publiquei na Visão on line)

O serviço urbano de limpeza

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 Animal muito visível nas localidades de menor dimensão,na Índia, este tipo de porco é uma espécie de "empregado" municipal de limpeza, poder-se-ia dizer com alguma graça. Limpa tudo o que aparece nas ruas. E as varas são compostas por vários indivíduos.

São peritos em termos de trânsito, um feito enorme nas urbes indianas, que têm veículos por todos os lados e de todas as espécies. Nunca se deixam apanhar por um carro ou uma mota. E ninguém se mete com eles. Não são considerados como próprios para o consumo.

Fotos de Viagem: Animais selvagens

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Um dos primeiros animais vistos no Parque de Ranthambhore, a cinco horas de comboio a sul de Nova Deli.

O parque é um centro de atração famoso, por causa dos tigres. Mas ver os ditos é quase um milagre. A maior parte dos visitantes vai e volta sem ver nenhum tigre. Vê, isso sim, muitos turistas, incluindo muitos turistas indianos, que as classes com posses e mais jovens viajam imenso, por todos os cantos do seu país.

Fiquei três dias inteiros no parque. Ao segundo dia já pensava que o tigre é como um deus: acredita-se que existe mas ninguém o vê. E nesse dia, ao acaso de muitas voltas e de muito sofrimento no mato, que as pistas de Ranthambhore são umas quebra-costas dos diabos, acabei por estar lado a lado com uma mãe tigre e as suas duas crias, já de um ano de idade. Com dois anos, separar-se-ão da mãe e cada uma irá constituir um novo território exclusivo e solitário.

 

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De regresso

Acabo de regressar de uma segunda viagem à Índia. A primeira aconteceu há cerca de 19 anos. Uma eternidade. A Índia mudou profundamente e é hoje um país virado para o futuro. O crescimento económico é evidente. Respira-se optimismo por todos os lados. As pessoas acreditam no seu país e nas suas próprias capacidades. Ver que assim é faz bem à cabeça de quem vem de uma parte da Europa que se sente desmoralizada e insegura.

Mundos e fundos

De vez em quando é preciso sair da Europa, do nosso cantinho, para que não nos esqueçamos que o mundo é bem maior do que as nossas preocupações. Ir à Índia, por exemplo, é como passar uns tempos noutro planeta. Mas um planeta que tem uns seres vivos parecidos connosco.

O meu alemão não voa muito alto

Os aeroportos regionais belgas têm capacidades reduzidas. Servem apenas para voos europeus e para as companhias de custo reduzido.

Nestes dias pós-crise, o aeroporto de Dusseldorf é uma das alternativas para quem vive em Bruxelas e tem que viajar longo curso. E nem está muito longe, é como ir de Lisboa comer um leitão à Bairrada.

Dusseldorf é uma placa giratória importante. É o terceiro aeroporto da Alemanha, em termos de movimento de aviões e passageiros. Mas é antes de tudo, um aeroporto alemão. Digo isto, depois de ter andado à briga com a página internet do aeroporto, que se recusava a reagir se os dados não eram entrados na versão em alemão. Havia uma página em inglês, é verdade, mas com pouca interactividade. E também depois de passar algum tempo a tentar mudar uma reserva no estacionamento do aeroporto. Tive que telefonar duas ou três vezes, até conseguir apanhar alguém que me pudesse responder em inglês. E partir daí, foi tudo tratado com celeridade.

Fiquei a pensar que quando o país é grande, a economia, mesmo quando se trata de uma empresa ou instituição com uma componente externa forte, está antes de tudo virada para o mercado interno.

Segurança e direitos humanos

Estou de viagem novamente.

Na Europa, os controlos de segurança nos aeroportos estão ainda mais paranoicos. Não estamos ainda aos níveis de obsessão que se notam nos aeroportos dos Estados Unidos ou da Grã-Bretanha, felizmente. Aí, nesses países, há procedimentos a mais, muita perda de tempo para quem viaja.

Mas a verdade é que os tempos mudaram, e agora o medo passou a ser a dominante para muita gente. As pessoas andam desconfiadas. Nota-se.

E a segurança passou a ser um tema de topo nas agendas políticas. Não pode ser, no entanto, uma preocupação que faça esconder tantas outras, relacionadas com o emprego, o desenvolvimento, o ambiente, as liberdades e a os direitos humanos.

E por falar em direitos humanos, hoje é o dia mundial em que se recorda a sua importância.

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