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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Repensar o Sul

Os acontecimentos no Norte de África estão a provocar uma reorientação total das relações Norte-Sul. As instituições europeias, que tinham, nos últimos anos, adoptado um conceito vago do que seria o Sul, estão agora a pensar que afinal a prioridade é a margem meridional do Mediterrâneo.

 

Ao mesmo tempo, a grande ideia de N. Sarkozy, de lançar uma União do Mediterrâneo, está cada vez mais enevoada. Ninguém quer uma união, vaga e ampla, onde caibam gregos e troianos, árabes e judeus. Nem ninguém pensa que este seja o momento de criar novas estruturas, mais burocracias. Querem sim um novo tipo de relacionamento entre a Europa e o Norte de África.

 

Mas, haverá, em Bruxelas e Estrasburgo, quem consiga definir, em concreto, que contornos dar a esse novo relacionamento?

 

Mais ainda. Haverá, neste momento, vontade política para pensar a sério noutra coisa que não seja a crise da zona euro?

As Coreias e o fogo

 

 

Quem esteja interessado pela crise das Coreias, e tenha a pachorra necessária, pode ler o texto de opinião que publiquei este Sábado sobre o assunto. Foi impresso no Jakarta Post, o diário mais importante, em língua inglesa, que se publica na Indonésia. Está disponível no sítio:

 

http://www.thejakartapost.com/news/2010/12/04/conflict-korean-peninsula.html

 

 

 

Um sobressalto patriótico

A situação política e económica em que Portugal se encontra é preocupante.

 

Estamos no patamar de uma crise política de grande alcance. Os líderes dos principais partidos estão, como já tem sido hábito, a entrar numa fase de personalização dos assuntos. Deixa de ser a susbtância da questão que interessa. O debate foge, então, para as questões ligadas ao relacionamento entre pessoas. Quem ofende quem, quem se sente ofendido, quem deixa de falar com quem, quem perde as estribeiras quando enxerga o outro, é a fuga para a luta entre egos, quando o que está em jogo são os interesses nacionais.

 

Como também estamos a cavalgar a onda da crise económica. A nossa economia está cada vez mais parada. Menos competitiva e menos atraente para eventuais investidores. O poder de compra das famílias está seriamente comprometido. Há mais pobres, mais dificuldades, mais miséria encoberta e, também, aberta. O anúncio de novos impostos, de mais controlos e de mais burocracia afastam os que poderiam estar interessados em investir. Se a isso juntarmos uma mão-de-obra que é, em média, pouco qualificada e incapaz de se inserir na economia internacional, o panorama para os próximos tempos fica ainda mais escuro.

 

Como disse várias vezes, é a altura de um sobressalto patriótico. De pedir aos dirigentes que tenham juízo e que se sentem à mesma mesa, para que procurem chegar a um acordo em relação às grandes questões nacionais. Como reduzir o défice público é certamente uma dessas questões. Na fase actual, essa pergunta só tem uma resposta viável: por via da redução das despesas públicas. Não das despesas sociais, pois essas já estão nas lonas, cortar mais seria lançar no desespero milhares de famílias. Mas um corte dos salários da função pública não é de excluir. Antes pelo contrário. É, cada vez mais, uma possibilidade. Como também não será de excluir uma redução drástica das transferências para as empresas públicas. Com o corolário de uma gestão mais racional dos meios existentes nessas empresas, a começar pelos privilégios concedidos aos seus administradores. Como se pode conceber que uma minúscula empresa pública de águas ou de serviços municipalizados tenha administrações com regalias exorbitantes? Para quê? Para compensar um risco empresarial que não existe? Para motivar a criatividade de administradores que não necessitam dela, pois operam com base num monopólio de serviços?

 

Cada vez mais vozes reconhecem a gravidade do momento presente. Mas muitas dessas vozes já mostraram que para além das palavras, pouco mais trazem de concreto.

 

Resta a dúvida: Como se pode contribuir para o sobressalto nacional? 

Olhar para Espanha

A Espanha está a ganhar a confiança dos mercados. Adoptou medidas económicas claras em Maio, num pacote único. Que incluiu uma redução imediata da despesa pública, com cortes nos salários na ordem dos 5% para todos os funcionários, limites nas pensões de reforma mais elevadas, e na ajuda externa. Não optou pela política das mijinhas, tão praticada deste lado da fronteira, do género, hoje corto aqui, amanhã corto ali, no dia seguinte subo mais um imposto, anulo mais uma vantagem fiscal, enfim, um rodopio de pés de dança que é próprio dos fracos e dos incompetentes, de quem não conhece a música, dos maus dançarinos.

 

Os operadores económicos querem certezas, não querem um rosário de indecisões e de medidas avulsas.

 

Convém lembrar que se trata de um governo socialista. As questões de natureza ideológica são importantes. Definem as grandes opções. Mas, quando se está perante uma crise profunda, a ideologia é notoriamente insuficiente. É preciso mostrar competência.

 

Moçambique, um modelo de desenvolvimento enganador

Começou um segundo dia de distúrbios civis na zona metropolitana de Maputo. O governo aposta numa presença maciça das forcas de segurança nas principais artérias, como meio de resolução da crise mais imediata, a da ordem pública. 

 

Para além da intervenção de ontem ao fim da tarde do Presidente Guebuza, ninguém mais pareceu a falar em público e a tentar apaziguar os ânimos. As elites políticas, intelectuais e religiosas estão fechadas em casa, sem voz nem entendimento do seu papel numa situação social como a presente.

 

Como referi ontem, o país precisa de mudar de modelo de desenvolvimento. Precisa de equacionar, como muitos outros em África, a questão da urbanização rápida, que está a transferir a pobreza dos campos para as grandes cidades. Necessita, igualmente, de reflectir sobre a modernização do sector agrícola, sobretudo no que respeita à produção de bens alimentares de consumo corrente. Não se compreende que Moçambique importe o que come, do país vizinho, quando tem um potencial agrícola enorme. É altura de passar aos investimentos na agricultura comercial. Sem preconceitos ideológicos. Essa é também uma das maneiras de evitar o êxodo rural.

 

Ainda sobre a crise em Moçambique

A situação em Maputo e na Matola, cidade satélite da capital, continua muito tensa, hoje à noite. Mesmo depois da comunicação ao país do Presidente Guebuza. Que fez, no meu entender, um discurso demasiado vago para que possa ser ouvido e entendido.

 

O meu receio, expresso no post precedente, de uma reacção violenta, por parte da polícia de Moçambique -- a PRM -- acabou, infelizmente, por se tornar real. A PRM mostrou, uma vez mais, que não tem preparação profissional suficiente para lidar com manifestações de massas. Disparou a matar, nalguns casos, quando outras formas de intervenção teriam sido possíveis.

 

Também demonstrou que a direcção da PRM está aquém dos desafios. Ter a confiança política do Presidente não é suficiente para dirigir a polícia.

 

Neste momento, há pelo menos dez vitimas mortais a lamentar, do lado dos manifestantes.

 

É preciso investir mais na formação da polícia. Preparar os quadros e os agentes para um controlo mais eficaz e sem violência desnecessária dos movimentos de massas. O governo de Maputo tem que reconhecer essa necessidade.

 

E Portugal, mais do que outros países que fazem cooperação com Moçambique, tem que adoptar uma atitude mais proactiva e oferecer, sem demoras, esse tipo de ajuda. Portugal tem que ser mais ousado.

 

 

De viagem

Passei o dia de viagem. De facto e virtualmente. De facto, nas terras do Lago Leman. No mundo virtual, andei pela Nigéria, pela Ásia Central, e por outra terras onde existem conflitos armados. A discutir e a reflectir sobre vias que possam conduzir a uma solução. O que não é nada fácil.

 

Até Moscovo veio à baila. Onde a política é muito complicada. Onde é preciso muita inteligência estratégica para se conseguir resultados.

Mais uns cavacos para a fogueira

O artigo de Mário Soares, no DN de hoje, vem acrescentar mais confusão. As razões ou motivações ficaram por esclarecer. Mas o impacto, ao fragilizar ainda mais o Secretário-geral do PS, é grande.

 

Entretanto, o candidato ainda não disse uma palavra de agradecimento pelo apoio, mesmo se pouco entusiástico, que o PS lhe trouxe.

 

Vivemos num país que parece andar fora-de-jogo. Se assim continuarmos, não iremos longe. Nem no campeonato do mundo nem na resposta à crise.

 

Um que parece completamente fora das marcas é o Secretário de Estado do Emprego. O homem disse, no dia em que as estatísticas europeias afirmaram que o desemprego em Portugal continuava a aumentar, que os dados do governo mostram uma diminuição do número de desempregados. Sem mais, que dar conteúdo às frases feitas não está nos hábitos.

 

E a Ministra da Educação não quis ficar para trás. Meteu mesmo a mão à bola, a pedir uma grande penalidade, ao anunciar que uma centenas de escolas irão fechar num futuro breve. Em política, timing é um factor chave. A senhora escolheu o pior timing, a altura errada, ao acrescentar mais esta acha para a fogueira da inquietação nacional. Como se a agitação social precisasse de mais combustível.

 

Com jogadores assim , mesmo que o árbitro finja que não vê, o público assobia. Forte e feio.

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