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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Perder a cabeça

 

As palavras matam. Destroem. É preciso muito cuidado com o uso das palavras. Sobretudo quando interesses estratégicos estão em jogo, as relações entre Estados, o futuro de certas intervenções humanitárias, as vidas de muitos, investimentos de grande envergadura.

 

Comentários mal compreendidos, ditos no momento errado, podem parecer que são muito inteligentes, mas na realidade, são facadas no coração do futuro.

 

A política e a diplomacia, que são o que faço no dia-a-dia, exigem que se pese cada palavra. Que se não percam de vistas os interesses a médio e longo prazo. Que se fale pouco. Mesmo quando a ocasião parece informal.

 

Estou neste momento a tentar gerir uma crise muito crítica que deriva de palavras que um dos meus disse sem perceber bem que uma pessoa com o seu nível de responsabilidades não pode dizer tudo o que lhe vem à cabeça. Se o faz, perde a cabeça.

Olhar para a década primeira

 

A Visão de hoje faz uma apanhado da primeira década do Século XXI.

 

Vale a pena ver a revista. Sem ser um sumário dos últimos dez anos, os primeiros desta nova era, salienta alguns aspectos importantes.

 

Fiquei honrado quando a Visão me pediu um reflexão sobre o período passado. Queriam que o meu testemunho aparecesse nesta edição de agora.

 

Aí está. Pode ser lido no sítio:

 

http://aeiou.visao.pt/emergencias-humanitarias-e-aceleracoes-tecnologicas=f541099

 

Mais do que um testemunho do passado, o texto que escrevi procura abrir algumas pistas para o futuro.

Violências

 

A ameaça de represálias contra os refugiados do campo de Sam Ouandja continou a ocupar as atenções de todos: governo, Nações Unidas, agências humanitárias. Os rebeldes exigem que o campo seja mudado para uma outra região da República Centro-Africana. Dizem que vão bloquear os acessos ao campo, impedir a passagem dos camiões do Programa Mundial de Alimentos. Na verdade, não querem estes refugiados nas suas terras, por razões tribais. É o problema das identidades e das diferenças. Quando há instabilidade, gente diferente faz medo.

 

Tive que enviar 18 militares para a zona. Amanhã irão mais. São tropas de elite, mas não tenho muitas, que o Conselho de Segurança só me autorizou um pequeno número de soldados nesta região, vasta e abundante em problemas. Um dia terei que contar as razões desta decisão do Conselho.

 

Tornei público um comunicado, para lembrar que todas as acções de violência contra os refugiados e os agentes das ONGs e da ONU caiem no âmbito da lei humanitária internacional e das violações dos direitos do homem.

 

Veremos.

 

Entretanto, mal tive tempo de ver a tragédia em que a Grécia se encontra. Os jornais falam já dos países da zona euro que estão com problemas fiscais semelhantes. Portugal aparece na lista. Estes factos vão ter um impacto sobre o euro. Mostram, por outro lado, que a disciplina macroeconómica da área do euro está de pantanas. Quando esta disciplina falha, o que se pode seguir é ainda pior.

 

Vi, no entanto, o drama pessoal que Berlusconi está a viver. As imagens foram repetidas por toda a parte. Uma vez mais, convém reafirmar que nada justifica a violência contra as pessoas. Nem em Sam Ouandja, no meio das florestas mais fechadas, na fronteira com o Darfur, num mundo que continua embrutecido, nem em Milão, às portas da moda e das catedrais que nos esmagam.

Fronteiras

 

 

Copyright V. Ângelo

 

A piroga está a atravessar a fronteira. Vem da RCA, a República Centroafricana. Deste lado, estamos no Chade.

 

Na estação seca, são precisos três dias para chegar, quer se venha de Bangui ou de N´Djaména. Nesta altura do ano, só se consegue assentar os pés neste sítio se  uma parte do trajecto for feita de mota e piroga. Põ-se a mota em cima da piroga, em certos locais, para que se possa atravessar.

 

Eu vim de helicóptero.

 

Mas mesmo de helicóptero, é uma carga de trabalhos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Emergências e imaginações

 

 

Copyright V. Ângelo

 

A ambulância, o motor a quatro tempos e o motorista-socorrista, no parque de estacionamento do hospital de uma ONG, num campo de refugiados a 45 quilómetros ao Sul de Farchana, no Leste do Chade.

 

Os refugiados são do Darfur, a ONG recebe apoios ingleses, a imaginação é de todos.

 

Funciona. A taxa de mortalidade materna, por exemplo, atingiu um nível muito próximo do europeu.

 

O grande desafio é tornar este tipo de serviços acessível às populações autóctones, para que não exista uma disparidade gritante entre os serviços prestados aos refugiados e a falta de condições, no que respeita às populações locais.

 

A preocupação com os refugiados tem que ser acompanhada por apoios concretos às aldeias vizinhas dos campos.  

 

Morrer às portas da paz

 

As informações parecem revelar que os senhores armados se preparam para uma ofensiva diferente. Não aqui. Do outro lado da linha de fronteira, na região mais a Norte do Darfur, em aliança com as tropas de Khartoum. Contra os homens do Justice and Equality Movement (JEM). 

 

Lutar pelo controlo das areias. É uma maneira de marcar pontos, tendo em vista as negociações de paz que decorrem em Doha. De um lado, o governo do Sudão. Do outro, o JEM.

 

É normal lançar ofensivas guerreiras quando se está a negociar a paz. Faz aumentar a parada. Um período de maior perigo é exactamente quando a paz começa a ser possível. Às armas, cidadãos!

 

Assim se faz diplomacia. Embora me pareça triste morrer quando se está à beira de acordo de paz.

 

Amarelos que nos separam

 

 

Um muro de amarelos, à procura dos silêncios que tanto aprecio.

 

Nada se esconde para lá do muro. A separação faz-se com flores simples, para que gente sem complicações, mas que vive num mundo complexo, tenha um pouco de cor e luz.

 

São flores de uma Primavera fria. Mas sem venenos. 

 

 

 

Copyright  V.Ângelo

 

Homens sudaneses refugiados no Chade

 

 

Ouvir atentamente. Refugiado sudanês com quem me encontrei hoje em Goz Beida, 200 quilómetros a Sudeste de Abeche, durante a visita que Bernard Kouchner, Alain Le Roy  e eu fizemos 'a localidade.
 

 

 

 

As consequências da expulsão de 13 ONGs do Sudão sobre os parentes destes homens foi um dos temas que mais preocupou a assembleia. Que vai acontecer aos familiares que ainda se encontram no Darfur e que dependiam das ONGs humanitárias no que respeita a necessidades básicas, como água, alimentação , saúde e escolas?
 
 
 

 

A sina do Presidente Al-Bashir atraiu as atenções de todos. Os refugiados apoiam freneticamente a decisão do Tribunal Penal Internacional.

 

 

 

Vítima de ataque dos cavaleiros Jenjawid, aliados armados e organizados sob a forma de milícias, do Presidente do Sudão. Certos Jenjawid, palavra local que inicialmente queria dizer "homem a cavalo", tornaram-se os principais actores dos crimes de guerra.
 

 

 

Um ar de  esperança

 
 

Fotos  Copyright  V. Ângelo

 

Movimentos cívicos

A Plataforma de ONGs portuguesas para o desenvolvimento " Eu Acuso " (www.euacuso.com.pt)  promove hoje e amanhã um Tribunal da Consciência, um ano depois da Cimeira Europa-África e do Fórum da Sociedade Civil.

O "julgamento simbólico" decorre na Fundação Calouste Gulbenkian. Aberto a todos os que possam testemunhar, as acusações põem em evidência a falta de execução dos compromissos assumidos há um ano, quer na Cimeira quer no Fórum. Os temas de fundo são as migrações, os objectivos do milénio, a cooperação, a igualdade de género, a segurança alimentar, a paz, governação e os direitos humanos.

A sentença será proferida amanhã, dia em que se comemoram os Direitos Humanos.
É de louvar esta iniciativa de um grupo de ONGs portuguesas. Trata-se de um exemplo positivo de mobilização cívica. Como muitas vezes tenho defendido, a mobilização dos cidadãos faz parte da riqueza social de um país, é um indicador de progresso e tem uma capacidade muito forte de transformação político-social. É a democracia directa, em acção, ao proveito de todos.

Precisamos de mais exemplos como este.

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