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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Procurar novos equilíbrios

 

Copyright V. Ângelo

 

Depois de ler o artigo de Jeffrey Sachs, o professor da Columbia University, que foi meu colega na ONU, sobre a necessidade de novos equilíbrios, fui à janela do meu quarto e a imagem do jardim lembrou-me que estamos a atravessar um período de muito frio.

 

O texto, com o título de "In Search of Equilibrium", publicado no New York Times de 2 de Dezembro, defende que há cinco grandes equilíbrios que o mundo precisa de restabelecer sem demora:

 

- Entre os ricos e os pobres;

 

- Entre as necessidades do presente e do futuro;

 

- Entre a economia e a ecologia;

 

- Entre o trabalho e os tempos livres;

 

- Em matéria de segurança e de defesa.

 

A vantagem deste texto, como é muitas vezes o caso com Jeffrey Sachs, é que abre a discussão sobre questões importantes.

 

Pode ser lido no sítio:   

http://www.nytimes.com/2010/12/02/opinion/global/02iht-GA04Sachs.html?pagewanted=1&ref=iht-year-end

 

Irão

O Irão acaba de anunciar a descoberta de um novo jazigo de gás no Sudeste do país, perto da cidade portuária de Bandar Abbas. O valor estimado das reservas é de 70 mil milhões de metros cúbicos. 

 

Este anúncio oficial vem no seguimento de uma outra declaração, feita há poucos dias, sobre as reservas de petróleo. Segundo o governo, os campos petrolíferos do Irão teriam uma capacidade produtiva total, por explorar, de 150 mil milhões de barris. Se assim for, o país passa a ocupar o terceiro lugar mundial em termos de potencial petrolífero, seguido do Iraque, que deve possuir cerca de 143 mil milhões de barris.

 

Tudo isto faz do Irão e da região uma área de alto interesse estratégico. Instabilidade em Teerão será uma ameaça para toda a região, incluindo os países do Golfo e da Península Arábica.

 

A política internacional das grandes potências está atenta a estas informações. A Europa, estará? 

 

Entretanto, e no horizonte mais imediato, o Irão vai presidir à OPEC em 2011. Há uma certa ansiedade sobre a maneira como esta presidência se irá desenrolar.

 

 

A Europa sem festa

Quem vai sair primeiro da UE: A Alemanha ou Portugal?

 

Uma pergunta que tem cada vez mais sentido.

 

Que futuro para a UE?

 

Os riscos existem.

 

Que futuro para a periferia da União?

 

Pouco claro.

 

Onde vai ficar Portugal?

 

Quem sabe, com o andar da carruagem?

 

O meu texto de hoje na revista Visão abre o debate sobre estas questões. Um debate que será cada vez mais presente.

 

O artigo está disponível on-line. Vejam, por favor, no sítio:

 

http://aeiou.visao.pt/um-aniversario-com-inquietacoes=f574895

As novas guerras

Com o mundo cada vez mais computorizado, uma situação que torna a vida moderna totalmente dependente do bom funcionamento dos sistemas informáticos, as guerras do futuro passar-se-ão nas salas de programação software, com centenas de jovens na casa dos vinte anos a desenhar emaranhados complexos de vírus destinados a atacar os sistemas informáticos inimigos.

 

É a guerra cibernética. Uma guerra sem uniformes, de gente vestida com jeans e t-shirts, alimentada a hambúrgueres e coca-colas. Estas serão as rações dos combatentes dos tempos que se aproximam. As trincheiras serão as mesas dos computadores, as armas, a matemática, a programação, a engenharia de sistemas, as ligações em rede, os fire walls e a sofisticação das senhas de acesso aos programas. Os novos combatentes não vão precisar de se ausentar de casa. Continuarão a ter uma vida de família normal, a entrar para o emprego a horas regulares, a ir ao cinema à noite e aos dancings ao fim-de-semana. Saem da guerra a horas certas e desligam, psicologicamente falando.

  

Esta nova frente de conflito, este novo tipo de ataques preventivos, defensivos ou malignos obrigará a repensar por completo os sistemas de defesa. Os meios clássicos passarão a ter menos peso. Serão ainda necessários, como é óbvio. Mas estarão, muito provavelmente, mais voltados para o combate contra as rebeliões e os grupos terroristas ou piratas. Para fazer frente às ameaças assimétricas, ou seja, provenientes de combatentes irregulares, estruturados de maneira simples e constituídos em pequeno grupos. No entanto, mesmo este tipo de intervenções estará cada vez mais informatizado. Basta ver o que se passa com os pequenos aviões sem piloto - os UAV - para entender que se pode ter um centro de comando dessas máquinas no Algarve, à beira da praia, e fazer voar os ditos objectos, mesmo se estacionados no pólo oposto. E, assim, atacar com uma precisão cada vez maior os alvos seleccionados.

 

Bombardear uma central nuclear, num país hostil, por exemplo, terá um outro significado. Não serão mobilizados aviões e mísseis. Nem comandos especiais. Serão bombardeados com programas de computação que criem o caos nos sistemas de gestão informática da central.

 

Dizem que é o que já está a acontecer no caso concreto do Irão. Penso que é cedo para tirar conclusões sobre o que se está a passar numa das centrais desse país. Mas a notícia mostra claramente que já estivemos mais longe de uma ofensiva desse tipo.

Armas e desenvolvimento

Enquanto se discutia em Nova Iorque como combater a pobreza e atingir os objectivos de desenvolvimento aprovados no início do milénio, chegaram-nos notícias de outro tipo. Sobre o comércio de armas.

 

A Rússia decidiu gastar 466 mil milhões de euros, nos próximos dez anos, em equipamento militar. O objectivo central é o de aumentar a capacidade de combate das forcas armadas, com uma atenção especial a ser dada às armas nucleares. Que conflitos possíveis estarão na base desta decisão altamente estratégica? Fica a pergunta. Sem que se saiba qual é a resposta.

 

Ao mesmo tempo, um certo número de países do Golfo Pérsico anunciou uma encomenda de 123 mil milhões de dólares em armamento. O fornecedor será os EUA. Desses Estados, a maior compra será feita pela Arábia Saudita - 67 mil milhões. Os outros compradores incluem os Emirados Árabes Unidos, o Kuwait e Oman. Neste caso, o inimigo declarado é o Irão. O objectivo é ter uma capacidade aérea que dissuada os iranianos. 

 

O comércio de armas está de vento em popa. O mesmo não se poderá dizer das questões do desenvolvimento.  

África: Os desafios das próximas décadas

A reflexão estratégica sobre o futuro de África deverá ter em conta os seguintes desafios e processos de transformação, que irão ocorrer nas próximas três décadas:

 

a)     O crescimento da população. Em 1980, havia 480 milhões de Africanos. Em 2010, mil milhões. Em 2050, os Africanos serão 1,8 mil milhões.  

 

b)     A urbanização acelerada. As migrações internas.

 

c)     A emigração para outros países africanos, para a Europa e para outros continentes.

 

d)     O emprego dos jovens. 500 milhões em idade de trabalhar em 2010. Serão 1,1 mil milhões em 2040.

 

e)     O desenvolvimento desigual. Dualidade. Modelos de desenvolvimento vão ser postos em causa. Ao mesmo tempo, aparecimento de classes médias, crescimento do poder de compra.

 

f)      Desertificação, desflorestação, pressão sobre os recursos naturais.

 

g)     Redes criminosas internacionais, tráfico de drogas, de armas e terrorismo. Pirataria na Costa Ocidental de África.

 

h)    Governação, instabilidade, desagregação social. O caso do Sul Sudão. Conflitos internos, etnicidade, confrontos religiosos. Conflitos bélicos entre estados.

 

i)       Saúde pública, SIDA, educação. Segurança alimentar.

 

j)       Mais riqueza, maior peso na economia global, mais FDI em África e de África noutras partes do mundo, a começar pela Europa.

 

k)     Maior afirmação política nas instituições internacionais, novas parcerias com a China, Índia, etc. A questão da participação como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

 

A reflexão também deve ser feita na Europa, visto que muitas destas mudanças que irão ocorrer em África terão um impacto significativo no continente europeu. 

 

 

(Copyright V. Ângelo)

A Europa e a África

No VII Congresso sobre Estudos Africanos, que acaba de decorrer no ISCTE, defendi com pormenor seis teses:

 

1.   A UE não considera as questões africanas como uma prioridade da política externa europeia

 

2.   A influência política da Europa em África é pouco relevante.

 

3.   A Europa não está apetrechada, do ponto de vista institucional, para fazer o seguimento das Cimeiras Europa – África. 

 

4.   A UE não tem uma estratégia coerente em relação `a cooperação Sul-Sul

 

5.   A reflexão estratégica sobre os cenários das próximas décadas, equacionando desafios e oportunidades, é insuficiente, no momento actual.

 

6.   A UE não compreende que as relações Europa – África do futuro terão dois sentidos, com ambas as partes em condições de beneficiar da parceria, como também não entende os riscos e as oportunidades da proximidade geopolítica com o continente africano.

 

 

 

Três verdades

Numa conferência ibérica sobre questões africanas, que está a decorrer no ISCTE , disse aos participantes, gente da investigação universitária e das instituições, como a CPLP, para terem cuidado na maneira como analisam África. Com base na minha experiência, partilhei com eles três verdades, que nunca convém esquecer.

 

Primeiro, que é muito fácil fazer uma leitura pessimista dos factos e da vida.

 

Segundo, que também é relativamente fácil ter uma atitude positiva.

 

Terceiro, o que é de verdade difícil é ter uma atitude realista.

Conflito Europa-África

As regiões africanas onde haverá, nas próximas décadas, uma explosão demográfica, estão perto da Europa, como ontem escrevia. Fazem parte da nossa área geo-estratégica mais imediata.

 

São, igualmente, constituídas por países onde a religião islâmica é predominante.  Com o tempo, o peso relativo do Islão, na política internacional, vai tornar-se muito mais evidente. Ou seja, para além do desafio migratório que a Europa deverá ter que gerir, haverá também a perspectiva de um enorme confronto civilizacional.

 

As populações europeias sentir-se-ão ameaçadas. Se esta questão não for tratada com tempo, com antecedência, teremos à nossa frente, num futuro que muitos de nós iremos testemunhar, uma cadeia de conflitos entre a Europa e a vizinha África.

África e Europa

No ano 2050, a África terá 1,8 mil milhões de pessoas. Hoje tem cerca de 1,0 mil milhões. Quando cheguei ao continente, pela primeira vez, há 32 anos, os africanos eram cerca de 480 milhões.

 

O crescimento populacional e as migrações para os centros urbanos vão ser dois dos grandes desafios do futuro. Lado a lado com as questões ligadas à saúde, à educação, ao emprego, à habitação e às infra-estruturas sociais.

 

O Norte de África (Magrebe) e a África Ocidental são duas das regiões de maior crescimento populacional e de densidade mais elevada. Grande parte do crescimento populacional irá ocorrer nos países que constituem essas duas regiões. São também regiões que tradicionalmente enviam grandes números de emigrantes para a Europa mediterrânica. A gestão dos movimentos migratórios internacionais será igualmente um desafio de grandes proporções.

 

Ou seja, reflectir sobre África é também reflectir sobre o futuro da Europa.

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