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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Paz e segurança

Um dos agentes que se ocupava da minha segurança pessoal na Serra Leoa, um funcionário local ao serviço da missão das Nações Unidas, B. V. são as iniciais do seu nome, escreveu-me hoje. Para informar que acabara de ser transferido para a Líbia, para integrar a secção de segurança da missão onusiana nesse país. Anteriormente, havia estado comigo no Chade, depois de Freetown, e nos últimos anos tem feito parte do grupo de segurança pessoal da Representante Especial do Secretário-geral em Abidjan.

 

A mensagem que dele recebi lembrou-me de várias coisas.

 

Da lealdade que este antigo e simples funcionário local sempre demonstrou para comigo. Na Serra Leoa, a minha intervenção fez com que o candidato presidencial do regime não tivesse a oportunidade de roubar as eleições. Ora, B. V. era apoiante desse candidato e da mesma origem tribal. Mas sempre acreditou que eu sabia o que estava a fazer e nunca me atraiçoou.

 

Da africanização das missões de paz da ONU. Hoje essas missões têm um elevado número de funcionários de origem africana. B.V. é um exemplo. Um bom exemplo. E ainda bem que assim acontece.

 

Do peso que as questões de segurança passaram a ter. A segurança é a preocupação absoluta numa missão. Depois vem o resto, a política, o humanitário, o desenvolvimento.

 

Do facto que existem actualmente vários portugueses, normalmente originários da PSP, em funções de segurança na ONU. No Mali, em Bissau, no Haiti, até mesmo em Genebra. E que há muita gente na PSP e na GNR que gostaria de partir e juntar-se aos que já foram recrutados.

 

As coisas da manutenção da paz são, na verdade, um mundo novo.

República Centro-Africana

O meu texto desta semana na Visão comenta a situação política e humanitária na RCA (República Centro-Africana). Pode ser lido através do seguinte linK:

 

http://tinyurl.com/mlfbo3c

 

Também pode ser lido aqui, numa transcrição do manuscrito:

Andar às aranhas na RCA

Victor Ângelo

 

 

Em 1985, quando fui nomeado pela primeira vez para a República Centro-africana (RCA), andei às aranhas em Maputo, a minha base na altura, à procura de um atlas que me permitisse localizar o país.

 

Dir-se-ia que a comunidade internacional se encontra hoje numa confusão semelhante, perante o desastre político e a violência que estão a destruir a RCA. Trata-se, porém, de uma falta de clareza deliberada. Há, ao nível de quem define a agenda internacional, uma intenção clara de passar ao lado da crise centro-africana. Estamos perante um novo tipo de cinismo nas relações internacionais. Até há pouco, os líderes dos países poderosos começavam a mexer-se quando as imagens das cadeias globais de televisão traziam a desgraça de milhares de pessoas até às salas de jantar dos seus concidadãos. Era o chamado “efeito CNN”. Agora, apesar das cenas de sofrimento e de brutalidade que nos chegam de Bangui graças à BBC, CNN, Al-Jazeera e aos jornais franceses, entrámos num novo patamar de indiferença. Aqueles mesmos líderes deixaram de reagir. O “efeito CNN” perdeu o impacto. O exemplo mais recente foi o dos EUA. A embaixadora norte-americana junto da ONU visitou a RCA em Dezembro. Viu o drama e concluiu que um engajamento militar da ONU teria custos financeiros elevados, numa altura em que já estão em curso várias operações de manutenção de paz. Em vez de recomendar que talvez fosse mais apropriado reduzir os custos das missões de paz na Libéria, na Costa do Marfim e mesmo no Haiti, operações que estão obviamente sobredimensionadas face aos desafios actuais, a embaixadora aconselhou Washington a permanecer afastado da RCA.

A mesma indiferença tem norteado a posição assumida pela UE.

 

Assim, a resposta humanitária tem sido insignificante. De tal maneira que a organização Médecins Sans Frontières se viu obrigada a escrever uma carta aberta, criticando a falta de iniciativa e a timidez das Nações Unidas. Podiam ter igualmente criticado a UE, por motivos similares. Para além da incoerência da accão humanitária, a comunidade internacional não tem querido responder à questão mais imediata do restabelecimento da segurança interna. A França, que sempre manteve uma relação especial com a RCA, tomou a iniciativa de enviar uma força expedicionária de 1600 militares. Esse destacamento revelou-se, desde o início, insuficiente para responder às necessidades de segurança da capital, para já não falar no resto do país, que tem uma área equivalente a sete vezes a superfície de Portugal. O esforço francês deveria ter sido suplementado com uma presença da União Africana de 6000 homens. Por falta de meios, a UA tem apenas 3500 elementos no terreno.

 

Tem-se falado, nos últimos dias, de uma força da UE composta de 300 a 500 soldados. Os ministros europeus dos negócios estrangeiros vão reunir-se a 20 de janeiro para tomar uma decisão sobre o assunto. Mas essa força, se algum dia chegar ao terreno, poderá ter apenas como missão proteger o aeroporto, o que é pouco mais que nada.

 

Quando voltei a ter responsabilidades directas na RCA e na região, o que aconteceu até 2010, o então presidente François Bozizé dizia-me com frequência que não precisava de soldados estrangeiros. Queria, isso sim, que ajudassem o seu país a consolidar as instituições nacionais de segurança. Acrescentava que não é com militares que se mantém a ordem pública, que é neste momento, uma vez mais, o grande problema da RCA. É preciso uma forte componente de polícia e de gendarmaria. As forças vindas de fora só poderiam obter resultados se servissem de apoio de retaguarda às estruturas de segurança interna. Parece-me pertinente relembrar essas palavras nas vésperas da reunião de 20 de janeiro.

O Mali e a Europa de defesa que se procura

Publico hoje na Visão um novo texto, que pode gerar alguma controvérsia, sobre o Mali e a maneira como a Europa de defesa funciona.

 

O link é o seguinte:

 

http://tinyurl.com/ayktpxu 

 

Escrevo, nomeadamente, o que passo a citar: 

 

A opinião pública dá valor à participação de forças armadas europeias no apaziguamento de conflitos que ameacem a paz e a segurança das populações noutras partes do mundo, desde que essas operações tenham a cobertura legal da ONU. Isto é particularmente relevante, numa altura em que que a batalha da opinião pública europeia parece estar em riscos de ser perdida pelos militares, fora uma ou duas excepções. Embora nos custe reconhecer o facto, a verdade é que muitos cidadãos deixaram de entender para que servem os militares, excepto nalguns domínios muito concretos e no que respeita à simbologia ligada aos atributos da soberania. É pouco. É preciso propor novos grandes desígnios. Contribuir para a paz, a democracia, a dignidade e a acção humanitária é certamente um deles. 


Boa leitura. 

Portugal e a Síria

Após a aprovação, ontem, no Conselho de Segurança da ONU, de uma resolução que estabelece uma missão de observação na Síria, penso que Portugal deveria disponibilizar um grupo de 5 a 7 oficiais do Exército, que viesse a integrar o conjunto dos observadores internacionais. Os oficiais devem ter a patente de major ou tenente-coronel, de preferência.

 

Esta seria uma boa oportunidade para Portugal ganhar peso político e um bom conhecimento de uma região que é importante para os interesses europeus. Assim se aposta no futuro. Assim se constrói uma rede de saber. E quase sem custos, pois as despesas com os observadores correm por conta das Nações Unidas. 

Armas e mais armas

Convido os leitores a ler e comentar o meu texto de hoje na Visão. Está disponível no site: 

 

http://aeiou.visao.pt/da-paz-ou-da-guerra=f642290 

 

Faço uma análise sucinta, mas realista, da nova estratégia de defesa dos Estados Unidos. 

 

Além de muitas outras coisas, fica bem evidente, para quem tiver a paciência de me ler, que os americanos têm um nível total de despesas militares que mais ninguém consegue ter. Além disso, as indústrias bélicas e a investigação com elas relacionadas são dos sectores mais importantes da economia do país.

 

Convém ler estas coisas com serenidade, para que possamos compreender em que mundo nos estão a meter.

 

 

Velhas obsessões e novas pistas

Continuo em Montreux, a meio dúzia de metros do Lago, entre uma delegação russa e gente da NATO e de outras instituições do Ocidente.  O tema é sobre a resolução de crises e a manutenção da paz. A Ásia Central e o Afeganistão ocupam uma parte importante da agenda.

 

De vez em quando, aparecem umas tiradas à antiga, inspiradas pela incompreensão e o antagonismo. O mais interessante é ver a obsessão dos Russos em relação às intenções do Ocidente, enquanto o lado de cá tem sobretudo uma tendência bem marcada para não prestar atenção suficiente aos Russos.

 

Na realidade, continua a haver um défice de diálogo entre os dois lados.

Vidas que se perdem

As primeiras informações vindas de Mazar-El-Sharif, no Norte do Afeganistão, dizem que oito membros do pessoal da ONU foram mortos pelos manifestantes que atacaram o condomínio da missão das Nações Unidas nessa cidade. 

 

Após as orações de Sexta-feira, uma multidão dirigiu-se para a sede local da Organização, para protestar contra algo que acontecera na Florida, nos EUA, há várias semanas: a ameaça feita pelo Rev. Jones, um fanático, de queimar um exemplar do Corão. 

 

A situação acabou por ficar fora de controlo. Soldados da ONU, de origem nepalesa, e funcionários civis acabaram por perder a vida.

 

O incidente revelou, uma vez mais, que os soldados das operações de manutenção de paz nem sempre têm o treino e a preparação suficientes para lidar com manifestações de massa, pacíficas ou violentas. Acabam por responder de modo inadequado, o que leva ao agravamento das tensões.

 

Esta é uma das matérias pelas quais me tenho batido. Mas a maneira de ver do secretariado da ONU ainda não evoluiu. Continua a pensar que os militares podem fazer o que deveria caber a unidades do tipo guarda republicana ou polícia do corpo de intervenção. 

 

Infelizmente, assim se perdem vidas humanas.

 

Convém acrescentar que os acontecimentos de hoje são inaceitáveis. As multidões têm que respeitar os obreiros da paz.

S. Nicolau, as compras e a Costa do Marfim

A crise na Costa do Marfim ganhou visibilidade internacional.

 

Mas Bruxelas e as capitais europeias ainda andam à procura de um mapa-mundo, para depois localizarem Abidjan e, mais tarde, dar forma a uma declaração pública sobre a situação e instruir a delegação da União Europeia na Costa do Marfim , sobre o que deve pensar, dizer e fazer.

 

É evidente que estas crises não deveriam acontecer ao fim-de-semana, na altura das compras do Natal. E ainda mais, quando em Bruxelas está tudo preocupado com as prendas de São Nicolau, a data é 6 de Dezembro, já na Segunda-feira, dia de dar presentes às crianças, nos sapatinhos bem aconchegados de uma Europa que não sabe bem onde o fica o resto do Universo.

Rio das armas

A experiência adquirida pelos militares brasileiros no Haiti, no quadro da missão da ONU, tem sido muito útil para o combate ao crime urbano no Rio de Janeiro. E tem havido uma excelente articulação entre eles e a polícia. Agora, há que levar o trabalho até ao fim.

 

Entretanto, lembro que a experiencia trazida do Haiti foi a do combate ao crime organizado. Gangues de vários tipos, mas todos muito violentos, dominavam sectores importantes de Port-au-Prince. As forças da lei e da ordem pública não podiam entrar nesses bairros. A ofensiva, lançada pelos capacetes azuis, demorou meses e causou muitas perdas, com muitos bandidos mortos de armas na mão.

 

Também aconteceram estórias do arco-da-velha.

 

A determinada altura, a secção de informações da missão da ONU descobriu aquilo que lhe parecia ser o quartel-geral dos criminosos. Era uma espécie de bunker, num dos bairros mais centrais e mais perigosos do centro da cidade. Havia entradas e saídas de gente, a todo o momento, assim o mostravam as fotografias tiradas, a uma certa altitude, dos helicópteros. E parecia mesmo ter fossas subterrâneas, provavelmente para que os bandidos pudessem dispor dos que eram sentenciados.

 

O ataque demorou semanas a ser preparado. Tudo muito secreto. Teve, finalmente, lugar, numa madrugada feia. Foi uma operação estranha. Não houve resistência por parte dos ocupantes. E o bunker era afinal um edifício de latrinas públicas, construído por um consórcio de ONGs. Acabou por ser, na verdade, uma operação de caca.

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