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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Combater algumas ideias simplistas

            Contra as ideias tragicamente estreitas

            Victor Ângelo

 

 

            Dentro de dias, teremos provavelmente um extremista de direita como Chefe de Estado, num país da UE. Isso poderá acontecer a 22 de maio, se Norbert Hofer, que as sondagens dão como favorito, ganhar a segunda volta das eleições presidenciais na Áustria. Hofer, que nasceu em 1971 e é formado em engenharia aeronáutica, personifica uma parte da Europa que é qualificada, próspera, altaneira, no sentido de desdém por quem não venceu na vida, conhecedora do mundo e ainda jovem, mas capaz de se refugiar nos velhos preconceitos de um nacionalismo puro e duro, quando se sente ameaçada. E desta vez, na Áustria e noutros países europeus, a ameaça assume o rosto tisnado do estrangeiro.

            A chegada massiva de candidatos à imigração e ao asilo alimenta os medos coletivos, em vários cantos da Europa, e dá azo a uma bandeira eleitoral demagógica, de alinhamento fácil para muitos cidadãos. Não apenas na Áustria ou noutras nações da Europa Central, como a Polónia, a Hungria, a Eslováquia e agora também a Croácia, mas igualmente em sociedades mais habituadas ao pluralismo cultural, como a Holanda ou a França. A problemática da imigração constitui de igual modo o argumento central dos que fazem campanha pelo Brexit. Aí, no Reino Unido, vai-se mesmo mais longe. Não se trata apenas de recusar o imigrante árabe ou africano, o refugiado sírio ou eritreu. Quer-se até mesmo fechar as portas aos cidadãos provenientes de outros países da UE.

            Temos assistido a uma série de esforços para responder à questão da imigração descontrolada. É no entanto claro que não existe uma posição comum. Querem-nos fazer acreditar que esta é uma ameaça que pode ser resolvida se cada país cuidar de si. Na verdade, não existe o sentimento de um perigo partilhado e, por isso, não parece necessário unir as forças. E também não há solidariedade entre os estados, por muito que se fale nesse princípio, que sempre foi apresentado como basilar da construção europeia, e que afinal tão pouco pesa. Muitos políticos resolveram que era vantajosos ignorar os valores e as normas internacionais que durante décadas serviram de emblema europeu. Os sucessivos barcos de refugiados e imigrantes vieram pôr a nu a Europa dos interesses estreitos, fundamentalmente de base nacional. Partiu-se o verniz e surgiram de novo as manchas aterradoras dos preconceitos xenófobos de outrora.

            Expuseram igualmente a falta de sentido estratégico das lideranças de hoje. Ao receber o Prémio Carlos Magno deste ano, o Papa Francisco perguntou, e bem, onde está “…a Europa humanista, paladina dos direitos humanos, da democracia e da liberdade”? Poderia também ter inquirido para que serviu atribuir o Nobel da Paz à UE em 2012. E mais, aproveitando as presenças no Vaticano, tentar saber por que razão certos líderes europeus atuais, como Martin Schulz e Jean-Claude Juncker, entre outros, não deixam passar uma oportunidade para criticar a Europa e o caminho que as coisas estão a seguir. Dando assim uma imagem de impotência e de desastre iminente, ajudam afinal os que andam a pintar um quadro de fracasso e pessimismo. E assim lavam as mãos, como se não tivessem uma quota da responsabilidade pela indecisão e fraturas que agora existem, eles que andam há décadas a ocupar posições de liderança na cena europeia.

            No fundo, tudo isto mostra a fragilidade extrema que hoje caracteriza o projeto comum.

            A essa fragilidade ter-se-á de responder com clareza política. As épocas de crise profunda impõem que se clarifique as posições, os princípios e as prioridades. A ambiguidade serve apenas para agravar a situação. Há que ser verdadeiro, incisivo e corajoso, sublinho. E ter presente que o maior inimigo da paz e da prosperidade na Europa reside no nacionalismo extremista. A resposta tem que ser antes de mais política e capaz de falar às pessoas, e de se fazer entender por elas. O apelo lançado por um grupo de personalidades europeias a 9 de maio, intitulado “Um Roteiro para um Novo Renascimento Europeu” (disponível no site www.m9m.eu/L201) é demasiado abrangente, por isso desfocado, e excessivamente institucional e burocrático. O combate atual tem que se centrar como um raio laser na luta contra a xenofobia, o racismo, a exclusão e os nacionalismos bacocos. E também na necessidade de lembrar a todos que apesar dos méritos da multiculturalidade, a integração é uma rua estreita mas com dois sentidos. Exige tanto de nós europeus como de quem por estes dias demanda um recomeço de vida nas nossas terras.

 

(Texto escrito no começo da semana e hoje publicado on line na Visão)

           

                       

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