Portugal é grande quando abre horizontes

19
Set 14

Há 15 dias escrevi na Visão que o voto pela independência da Escócia seria um erro, por várias razões, incluindo por constituir um encorajamento aos diversos populismos e nacionalismos bacocos e retrógrados que estão a aparecer em vários cantos da Europa. Previ, nessa altura, que o “não” ganharia de maneira clara e sem apelo. Alguns amigos meus pensaram então que a minha opinião era pouco prudente, pois o “sim” parecia estar de vento em popa. Acharam mesmo que eu me arriscava a perder alguma credibilidade em matéria de análise de política internacional.

 

O resultado do referendo, hoje conhecido, traduziu-se numa estrondosa vitória dos que se opõem à independência. A minha previsão bateu certa. E as ambições dos que querem fragmentar ainda mais uma Europa que precisa de estar unida sofreram uma derrota bem significativa.

 

Agora, como escrevi na altura, vai surgir o verdadeiro problema para a Grã-Bretanha: o que fazer em relação à União Europeia. Essa é a questão em cima da mesa. Essa é a questão existencial. Cameron não estará à altura de a resolver. Como também não esteve à altura do desafio escocês. Se não fosse a ajuda dos Trabalhistas, em particular de Gordon Brown, Cameron teria sido confrontado com enormes dificuldades perante a consulta popular escocesa.

 

Um número importante de ingleses irá votar, se houver um referendo sobre a Europa, contra a União. Com a Escócia dentro do Reino Unido, uma parte dos votos contra a Europa será anulada por votos a favor da Europa, vindos do lado escocês. Mas isso não será suficiente.

 

E, infelizmente, não creio que os Trabalhistas de Ed Miliband consigam chegar ao poder antes do referendo.

 

A satisfação de hoje não nos pode fazer esquecer os problemas que se avizinham. E os riscos que um primeiro-ministro fraco acarreta.

publicado por victorangelo às 18:20

Um povo bem civilizado e avançado.

Apesar das inúmeras riquezas de que dispõem naturalmente, nomeadamente o petróleo, não embarcaram na conversa fácil do isolamento.

Se fosse por cá e nas mesmas condições de recursos naturais... teríamos seguramente uma fronteira de betão à volta e a zona do país que tivesse o petróleo teria já uma facção separatista.

Digo eu, claro.

Quem discordou da previsão de VA provavelmente estaria demasiado subjectivado com a nossa realidade (ou outras afins).

Uma vitória para a Europa.

Fico feliz por eles, por serem como são.
VascoB. a 19 de Setembro de 2014 às 19:19

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