Malandrices e o que eu sei sobre você
No meu país, que se chama Riumuito, uma jovem ministra, sem qualquer tipo de experiência excepto as malandrices que aprendeu com o pai, que foi também ele ministro, noutros tempos, na chamada Época dos Compadres, resolveu recrutar mais um conselheiro político. Escolheu um jovem sem qualquer tipo de qualificações ou experiência, para evitar estar a recrutar gente com vícios adquiridos noutros sítios, um meio diplomado, ainda com muito por estudar, mas já com 21 de idade. E ofereceu-lhe um bom salário, quando comparado ao que se paga em Riumuito.
Muita gente ficou surpreendida, ao ver que o senhor primeiro-ministro não se meteu no assunto, tendo deixado fazer ou fingindo que não via. E essa gente interrogava-se sobre o silêncio de sua excelência. Apareceram as teorias mais fantasiosas sobre as razões para esse deixar fazer.
Em Riumuito, a política é assim. Sua excelência deve saber que o pai da ministra sabe umas coisas passadas sobre o comportamento de sua excelência. O que será, não sei. Mas deve ser suficiente para que sua excelência baixe a bolinha. Pior ainda. Deve ser tão interessante, que sua excelência colocou essa ministra sem experiência nem qualificações no topo da hierarquia do seu governo. É verdade que estar no topo não significa grande coisa, pois o resto também não vale muito.
Em Riumuito não se brinca com quem tem o poder. E ter o poder significa saber que malandrices os outros fizeram no passado.
O meu amigo Giuseppe diz-me que em Nápoles e arredores também se faz política assim.