Portugal é grande quando abre horizontes

25
Ago 16

O burkini tapa muita coisa

Victor Ângelo 

 

            A interdição do uso do chamado burkini, em várias praias de França, é uma medida bastante controversa. A favor, encontramos uma boa parte da classe política francesa, incluindo ao mais alto nível, segundo se percebeu ao ler as declarações recentes de Manuel Valls, o primeiro-ministro. Argumentam, no essencial, que se trata de uma maneira de vestir que traz, de modo ostensivo e provocatório, a militância religiosa extremista para um espaço comum de lazer, criando assim situações que podem perturbar a ordem pública. Este argumento vale o que vale. Mas a verdade é que a legalidade da interdição acaba de ser aceite pelo Tribunal Administrativo de Nice. Contra, estão a Liga dos Direitos Humanos e certas organizações islâmicas, que veem na proibição um ato discriminatório e contrário à liberdade individual. E no meio da polémica surge a questão dos direitos das mulheres, sem que a sua voz seja particularmente ouvida.

            Em Portugal e noutros países da Europa com uma proporção pouco expressiva de muçulmanos residentes, não se entende o que está em causa em França. Como também o não compreendem os britânicos, apesar do peso das comunidades islâmicas no quotidiano do Reino Unido. Nesse país, o alheamento perante o que é diferente e a segregação informal criaram um equilíbrio social entre mundos paralelos, que vivem à parte e fingem ignorar-se.

            Voltando à França, a contenda esconde questões muito sérias. Na minha leitura, estamos perante mensagens políticas de um novo tipo e sinais de uma crise de sociedade que se anuncia. O que os políticos parecem querer dizer é que esperam dos muçulmanos de França um comportamento que mostre que estão dispostos a integrar-se mais e melhor na cultura do país, tal como esta é entendida pela maioria da população. O burkini poderá ser uma solução no Norte de África ou no Médio Oriente. Não cabe, no entanto, na maneira laica, moderna e sem preconceitos de estar na vida que se pratica no Ocidente e em particular nos areais do Mediterrâneo da Côte d´Azur. Mais ainda, a sua introdução é vista como mais uma bandeira de uma campanha que certos sectores radicais pretendem promover, com vista a ganhar importância política através de uma militância de cariz religioso extremo. 

            Tudo isto reflete as novas inquietudes que se vive em França – e noutros países da vizinhança. Uma parte da França ficou traumatizada com a ocorrência sucessiva de atentados. É igualmente revelador de um conflito latente entre comunidades nacionais, que só espera que surjam faíscas, como as dos burquinis, para que se acendam os ânimos e se extremem as posições.

            Terá sido atingido o limite de tolerância em relação à diversidade cultural e étnica, em sociedades como a francesa? Iremos entrar numa fase de conflitos abertos e de discriminação deliberada contra quem é diferente? Veremos certos grupos minoritários, mas convencidos da sua superioridade religiosa e da força da sua determinação, começar a pôr em causa os valores do secularismo, da igualdade entre os homens e as mulheres, da liberdade de escolhas, incluindo a possibilidade de não se acreditar no além? Grupos que procurarão impor um modo de estar na vida que nada tem que ver com as práticas europeias de hoje?

            Haverá certamente motivos para se estar ansioso em relação ao futuro. Há, no entanto, que debater estas questões com serenidade. Mas, para já, devemos ficar preocupados por ver que os autores dos atentados estão, em certa medida, a conseguir realizar dois objetivos importantes. Dividir a sociedade, por um lado. Por outro, levar os políticos e a opinião pública a concentrarem a sua atenção em questões que não deveriam ser mais do que assuntos marginais no grande espectro de problemas que a França e alguns dos seus vizinhos têm pela frente. Incluindo nós, enquanto parceiros no mesmo espaço geopolítico.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

publicado por victorangelo às 17:58

Que eu saiba aqui na França sempre comi carne de porco na escola porque é que as coisas onde mudar.
Nao sao eles que vieram para cà, entao que se adapem! Que é o que muitos de vocês dizem nos vossos comentarios ao terem estado num desses paises musulmanos, tiveram que se adapterem.
E para quém nunca saiu de Portugal eu nasci em França onde vivi até aos meus 13 anos, fui para portugal até fazer a tropa. Voltei para França dos 22 até os 27 e voltei para portugal porque queria uma mulher Portuguesa de Portugal e vivi em Portugal até os meus 42 anos e tive que voltar a emigrar devido a crise que se vive no pais. Hoje tenho 48 anos e posso dizer que as coisas aqui nao se amelhoraram em nada, bem pelo contrario trabalho com musulmanos e posso dizer que nao respeitam em nada os nossos habitos e muito menos em quanto pessoa, sempre tive que fazer os trabalhos mais sujos e duros e todos os Portuguese que me viam diziam que eles gozavam comigo. Até que um dia um deles pega numa bandeira Portuguesa que era duma das senhoras da limpeza e que estava arrumada e começa a dizer: "Caralh...sta fod...! e mais nao digo! Calei-me por saber que era so provocaçao até eu dizer para puxar o cabo que tinhamos como missao de trazer até aqule local. Ai eu explodi e disse-lhe algumas verdades e ele começo a amiaçar-me com uma navalha que tinha no bolso e eu so lhe disse que a puxa-se para fora que eu fazia-lhe a engolir! E nessa altura disse-lhe tudo o que me veio a cabeça e quando viu que nao tinha medo dele começo a respeitar-me porque impus-me e o problema esta ai as pessoas tém medo deles que seja num comboi, num autocarro ou noutro lugar publico eles querem sentirem-se senhores e donos de tudo! E claro depois ouço dizer que as pessoas em frança sao racistas; Racistas sao eles que nao fazem nada para se adaptarem e ainda sao de uma violencia gratuita que nao fazem ideia e como ex. tenho um primo que pediu a 3 rapazes onde ficava determinado sitio para onde ia dormir porque se tinha perdido e que frequentava a universidade que ficava ali ao lado, levaram-no para traz de um dos prédios e deram-lhe uma sova que cause o matava e nao bastando roubaram-lhe tudo e deixaram no em cuecas em estado de coma entre a vida e a morta. Teve que ser operado varias vezes e mesmo assim tém sequelas tal a violencia e querem saber de que origens eram, musulmanos acho que dà para compreender! Um pouco como esses irmaos gemeos que deram uma sova e deixaram-no por morto e eles vêm dizer que luvaram porada e marcas aonde estam de terem sidos agredidos, mais uma vez a historia esta mal contada. Filhos de um embaixador que supostamente deveriam ter alguma cultura e inteligencia mas pelos visto nao!
loureiro ferreira paul a 27 de Agosto de 2016 às 22:09

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