Portugal é grande quando abre horizontes

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Out 14

A imprensa portuguesa continua muito interessada nos caças russos que vão aparecendo nos céus sem os meios de comunicação ligados nem informação prévia sobre as suas missões de treino. Treino, sim, esta é a palavra que sugiro que seja utilizada. É uma palavra mais neutra que outras. Só que este ano os exercícios de treino das forças armadas russas têm sido mais frequentes e intensos que nos anos precedentes. E têm decorrido junto das linhas de separação com as zonas da NATO, como que para mostrar que o treino visa o nosso lado, que o perigo para a segurança russa viria destas bandas.

A questão fundamental é a de tentar perceber qual é a mensagem que Vladimir Putine está a tentar fazer chegar ao Ocidente.

Não se trata, como dizia hoje à tarde a um correspondente dos media que me interrogou, de mostrar apenas irritação perante a política ocidental na Ucrânia. Nem a Ucrânia é o cerne da questão. Há mais. Putine e o círculo que define a estratégia de segurança da Rússia querem concessões políticas. Querem uma relação com o Ocidente que se assemelhe à que existia no período da União Soviética. É esse o modelo de relações internacionais e europeias que têm em mente. Foi isso que já ficara claro em 2011, quando estive na Suíça num “seminário” com próximos de Putine.

Só que a União Soviética e o mundo dos anos oitenta do século passado já não existem. Hoje a correlação de forças é outra. E, na verdade, agora e a prazo, não é favorável à Rússia. O país tem problemas estruturais profundos que o enfraquecem, quer internamente quer na frente externa. Uma confrontação aberta com o Ocidente está, por isso, fora de questão, embora nunca nos possamos esquecer que as guerras tiveram sempre na sua base uma grande dose de loucura e de mania das grandezas.

Ao fazer voar os seus aviões perto das nossas áreas de interesse estratégico, Putine está apenas a tentar dizer-nos que tem uma capacidade bélica superior às suas fraquezas estruturais. E que é preciso que nós, do nosso lado, nos sentemos à mesa das negociações e lhe ofereçamos um determinado tipo de concessões. Os aviões procuram servir uma política. Mas estão, na realidade, a voar num sentido que nos afasta da mesa das conversas…

 

 

 

publicado por victorangelo às 19:27

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