Portugal é grande quando abre horizontes

17
Abr 19

O meu modelo de análise geopolítica inclui o seguimento apurado do comportamento dos investidores. Estudo as decisões de investimento que fazem, nos mercados globais ou nas economias cuja situação política estou a observar. As escolhas que os grandes fundos ou os intervenientes individuais adoptam, em termos de aplicação das suas poupanças e capitais disponíveis, dão-me uma indicação do sentimento colectivo, face às grandes incertezas políticas.

Neste momento, apesar da evolução positiva das principais bolsas, a prudência continua a ser o factor determinante na tomada de decisão de quem tem meios financeiros acima da média. Por isso, nos primeiros meses de 2019, os investimentos em obrigações e títulos semelhantes – instrumentos que oferecem a garantia que o capital inicial não será perdido – continuam a ter a preferência dos mercados. Mesmo sabendo-se que os juros e os rendimentos dessas obrigações são insignificantes. Desde Janeiro, foram aplicados assim, ao nível global, 112 mil milhões de dólares americanos. No mesmo período, os investidores retiraram do mercado de acções cerca de 90 mil milhões de dólares.

Estes números traduzem bem o clima de instabilidade geopolítica que caracteriza as relações internacionais nos dias de hoje. Quer se queira aceitar quer não, um dos factores de instabilidade deriva da imprevisibilidade da governação de Donald Trump. O outro tem que ver com as ameaças económicas que resultariam de um Brexit sem acordo. O Reino Unido é a quinta economia do globo. O grau do terramoto ligado ao Brexit terá um impacto significativo, nesse país e na União Europeia. Uma terceira dimensão tem que ver com a instabilidade existente em várias economias emergentes, produtoras de petróleo – como a Venezuela, a Líbia , a Argélia, ou os países do Golfo da Guiné – ou não. Neste último caso, o que se passa no Brasil, na África do Sul e na Turquia pesa. Como também pesa o modo como a economia chinesa irá evoluir no ano em curso.

Assim vai a geopolítica.

 

 

 

publicado por victorangelo às 16:51

14
Jun 15

O Presidente do Sudão, Omar al-Bashir, encontra-se na África do Sul, para participar na cimeira anual da União Africana. Em 2008, estava eu junto da fronteira com o seu país e de prevenção, o Tribunal Penal Internacional (TPI) emitiu um mandato de captura contra Bashir, por alegados crimes praticados no Darfur, uma vasta região sudanesa, que faz extrema com o Chade e a República Centro-africana.

Foi um alvoroço. Ninguém sabia como o Presidente iria reagir. E, na verdade, havia muito receio que essa reação pudesse ser violenta, nomeadamente contra a presença das Nações Unidas no seu país. Bashir acabou por expulsar umas tantas ONGs e, à sua maneira bem astuciosa, continuou a fazer a vida impossível à missão da ONU no Darfur.

Desde então, cada vez que viaja ao estrangeiro, o TPI faz pressão sobre os países que o acolhem, para lembrar que existe a obrigação de o deter e despachar para a Haia. Mas Bashir é um velho rato do deserto, muito sabido. Tem conseguido, com o tempo, não só continuar a deslocar-se em África, embora com muita prudência, mas também tratou de virar a opinião das elites africanas contra o TPI. O argumento é que o TPI está sobretudo vocacionado para perseguir líderes africanos.

Hoje, um tribunal sul-africano decidiu que Bashir não pode sair da África do Sul enquanto não for decidido se deve ser ou não capturado. Esta decisão preliminar é extremamente embaraçosa para o governo de Pretória. Todavia, o desfecho imediato é muito previsível. Amanhã, quando terminar a cimeira da UA, o homem pega no seu avião e regressa a Cartum. Pretória irá invocar que o Presidente do Sudão tinha imunidade diplomática, ao abrigo do protocolo que rege as cimeiras da UA e outras similares.

Nisto, quem acabará por perder, para além do TPI, que uma vez mais vê a sua autoridade ser posta em cheque, será a liderança da África do Sul. O caso vai dar mais alguns argumentos a quem se opõe à presidência de Jacob Zuma.

 

publicado por victorangelo às 20:01

08
Dez 13

Dir-se-ia que estamos a ficar com a memória curta. Vivemos fechados no gulag do imediato, prisioneiros que somos da actualidade que nos é imposta e nos deixa sem espaço mental nem curiosidade suficiente para colocar os acontecimentos importantes numa perspectiva de longo prazo, numa linha que deveria ligar o passado ao presente e ao futuro. A informação disponível é muita, os factos invadem-nos o quotidiano, vertiginosamente. E saem também com rapidez, expulsos por outras notícias. Não obstante, creio ser inquestionável afirmar que o nome de Nelson Mandela ficará na História.

publicado por victorangelo às 11:15

06
Dez 13

A minha homenagem a Madiba, na Visão on line deste fim de tarde.

 

http://visao.sapo.pt/nelson-mandela-um-homem-magnanimo=f760586

 

Agradeço todos os likes e dislikes, bem como os comentários que queiram fazer.

publicado por victorangelo às 18:47

01
Abr 13

O texto que publico na Visão desta semana está agora disponível no site da revista:

 

http://visao.sapo.pt/brics-com-fraco-cimento=f720616

 

A minha tese fundamental é que os BRICS constituem, entre si, uma aliança pouco sólida. Os diferentes países têm interesses estratégicos muito distintos.

publicado por victorangelo às 16:42

27
Mar 13

A cimeira dos BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul – teve lugar ontem e hoje em Durban, a cidade sul-africana que vive virada para o Oceano Índico. Também hoje escrevoo um texto na Visão que saiu ao público e está nas bancas deste esta manhã.

 

O texto ainda não está publicado on-line. Mas pode ser lido através do seguinte link:

 

  http://tinyurl.com/d58f8u8

 

Aconselho a leitura. 

publicado por victorangelo às 20:35

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