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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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A ambição africana de Espanha

https://www.dn.pt/opiniao/a-espanha-quer-correr-em-africa-em-pista-propria-13573789.html

O link acima abre o meu texto de hoje no Diário de Notícias. Nessa crónica faço uma breve análise da ambição espanhola relativa a África. 

Cito, de seguida, um parágrafo desse texto, como sendo um convite à leitura completa da crónica.

"A visita a Angola deixou claro que se trata de ocupar o maior espaço económico possível, da agricultura e pescas aos transportes e à energia. Existem mais de 80 projetos de investimento espanhol já em curso ou em fase de arranque. Parece haver igualmente a intenção de contar com Luanda para ajudar Madrid na normalização das relações com a Guiné Equatorial, que foi a única colónia que Espanha teve ao sul do Saará e que agora faz parte da CPLP. À primeira vista, estas diligências parecem estar em competição direta com os interesses de Portugal. Ora, o conhecimento das complexidades de Angola e da Guiné Equatorial aconselhariam a um esforço conjunto por parte dos dois Estados ibéricos."

Ainda sobre a política migratória da União Europeia

No meu texto de opinião de ontem, sobre a falta de coerência da política europeia de migrações, https://www.dn.pt/opiniao/a-europa-a-deriva-no-mar-das-migracoes--13473410.html, digo claramente que os países europeus não querem, de modo algum, passar novamente pela experiência que viveram em 2015, quando mais de um milhão de imigrantes e candidatos ao estatuto de refugiado chegaram em massa. Este é o grande receio europeu, no que diz respeito à imigração. Todas as medidas avulsas que vão sendo tomadas têm como objectivo evitar uma nova onda migratória. E cada país olha para a questão com base nas suas preocupações nacionais. Não há Europa, ou há muito pouco em comum, quando se trata de travar as migrações vindas de diversas partes do mundo. Por isso, a aposta continua a ser a de uma guarda costeira e fronteiriça forte bem como a ajuda às forças de polícia e militares nos países de origem dos migrantes e nos de trânsito. Aqui, a realidade é igualmente muito complexa. Os países fazem o jogo, como se estivessem a colaborar no controlo migratório, mas, na verdade, ficam satisfeitos quando vêem uma parte dos seus jovens sair à procura de um futuro melhor. As migrações são vistas por esses países como algo de positivo para as suas economias e para a estabilidade política. Assim se explica que, em geral, não colaborem com a União Europeia quando esta procura devolver aos países de origem os imigrantes que não são aceites, que não obtêm a legalização na Europa.

Ver para além da soleira da porta

O meu texto sobre o Sahel levou alguns leitores a consultar a internet, para perceberem melhor que região é essa. Fico contente por ter despertado essa curiosidade. Mas queria acrescentar algo sobre as populações do Sahel. São, em geral, gentes com um grande sentido de dignidade e uma enorme capacidade para sobreviver em condições bastante adversas. Viver em zonas áridas, no limite do grande deserto do Saará não é fácil. Mas as pessoas desenvolveram, ao longo de muitos séculos, estratégias de sobrevivência. Vivem com imensas dificuldades, mas vivem. Não podem, no entanto, sobreviver se os líderes políticos e militares forem corruptos e se a violência dos bandos armados não for controlada. Essa era uma das mensagens do meu texto.

Uma outra mensagem é para lembrar que temos de ter um conhecimento maior do mundo que está ao pé da nossa porta. Não podemos concentrar a nossa atenção apenas no que se passa na nossa paróquia. Temos interesses que vão muito além desse território limitado que é o que os nossos olhos vêem todos os dias. Outros europeus agem assim. Nós não podemos ficar para trás.

Sobre o Mali

O meu texto desta semana no Diário de Notícias, publicado da edição em papel de hoje, aborda a situação no Mali. É verdade que não se pode falar do Mali, sem mencionar o resto da região em que se insere, ou seja, o Sahel. Por isso, faço igualmente uma referência ao Sahel, aos problemas do crescimento muito rápido da população, à falta de perspectivas para os jovens, como também à corrupção e à ausência da presença da administração do estado em largos segmentos das terras da região. Uma outra preocupação foi a de mostrar que estes países não devem ser tratados com os preconceitos que são comuns quando se fala de África. E há mais, no meu escrito. A minha preocupação é a de apresentar uma visão de águia, ampla contextual, de cada assunto que trato. Outros acrescentarão visões mais pormenorizadas e mais terra-a-terra. Assim se enriquece o debate.

Logo que o texto esteja disponível – agora é “premium”, só para assinantes – colocarei o link neste blog.

Confusão no Mali

No seguimento da rebelião militar que está a ocorrer no Mali, falei este serão com colegas que estão em Bamako e no norte do país. A situação continua confusa. O Presidente Ibrahim Boubacar Keita e o Primeiro-Ministro continuam detidos num importante campo militar a cerca de 15 quilómetros da capital. O mesmo acontece a outros ministros e algumas altas patentes das Forças Armadas. No centro de Bamako houve algumas pilhagens e distúrbios. O resto da capital e as províncias mantém-se calmas.

Esta insurreição acontece num país que beneficia de um forte apoio da França, da União Europeia e das Nações Unidas. Esses apoios têm fechado os olhos, para não ver que a política do governo do Presidente Keita não vai no sentido da paz, da inclusão étnica e do combate à corrupção. Tem havido, isso sim, um alinhamento com que está no poder. Essa opção dos parceiros externos não tem ajudado o país a sair da crise em que se encontra desde há uma dezena de anos. Ora, o país tem gente muito bem formada que com o apoio certo teriam podido endireitar a situação e combater a pobreza e todos os tipos de tráficos que entretanto se foram enraizando.

Para a ONU, a continuação da crise no Mali deveria levantar uma série de questões muito sérias. Agradar à França não é certamente a opção política mais acertada. A imparcialidade não pode ser uma palavra vazia de conteúdo.

Guiné-Bissau

A situação política na Guiné-Bissau está muito complicada e tensa. Parece-me fundamental – e urgente – organizar uma mediação exterior que possa ajudar os dirigentes políticos nacionais na procura de uma solução negociada. A resolução do confronto em curso pode ser facilitada por quem venha de fora e não tenha nenhuma sardinha no lume. Quem vai tomar a iniciativa?

A Alemanha, a Europa e África

Ontem passei uma parte da tarde a discutir a situação explosiva que se vive no Sahel e que alastra agora a outras partes da África Ocidental e Central. O objectivo era o de procurar novas pistas de intervenção, para além das respostas de segurança e de desenvolvimento. Estas duas áreas já provaram que não são suficientes para tratar da crise. Continuam, no entanto, a ser as principais apostas, quer dos governos locais quer ainda dos actores exteriores, como por exemplo a União Europeia. Por razões que têm muito mais que ver com os interesses das elites locais e com a predominância da visão securitária que prevalece em França e em certos círculos europeus.

Hoje, ao percorrer o programa da Conferência de Munique sobre a Segurança, cuja versão anual decorre até domingo, notei que o Sahel e a África em geral não estão na agenda. Apenas a Líbia fará parte das discussões. Como a agenda reflecte as preocupações dos dirigentes alemães, fiquei a pensar que Berlim ainda não entendeu o que se passa na metade de África que fica mais vizinha da Europa. Se assim for, temos aqui uma grande falha de apreciação.

A Europa e África: preparar uma nova fase

Defendo que nova política da União Europeia em relação a África esteja intimamente ligada à resolução de três grandes questões.

Primeira questão: a segurança e a estabilização da zona do Sahel e da África Ocidental. Numa fase inicial, tratar-se de travar a tendência actual, que vai no sentido da deterioração. Em simultâneo, será necessário criar uma capacidade de resposta endógena, que neste momento não existe. Na fase seguinte, o foco da atenção deve estar numa resposta integrada, que veja a segurança pela perspectiva dos cidadãos e não apenas dos Estados.

Segunda questão: regularizar o fenómeno migratório, em particular o que se dirige para o Continente Europeu. A pressão demográfica continuará a alimentar os movimentos migratórios, quer no interior do Continente Africano quer para o exterior, sobretudo na direcção da Europa. Por várias razões, é fundamental estabelecer mecanismos que tenham em conta a estabilidade dos recebedores de migrantes bem como os direitos de quem procura uma vida melhor.

Terceira questão: a promoção de uma governação legítima e responsável. A democracia e a luta contra a corrupção no seio das estruturas oficiais são dois aspectos marcantes nesta área. Necessitam de um diálogo franco, de incentivos e condicionalismos.

Estes temas são centrais para que a agenda de cooperação possa ter um impacto transformador. Permitirão focalizar as acções de cooperação entre as partes, definir as prioridades programáticas e justificar, perante a opinião pública europeia, os recursos e a atenção que será dada, nos próximos anos, a África.

Para além da concentração temática, é essencial procurar sinergias entre as intervenções europeias e as provenientes de outras partes do mundo, incluindo da China. Poderá não ser uma tarefa fácil, mas isso não será razão para a deixar de lado. Também haverá que estabelecer parcerias especiais com os países do Continente Africano que têm um poder de alavanca no desenvolvimento de outros.

 

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