Estou a pensar no meu próximo texto – esta semana – para a Visão.
Vou tentar fazer um balanço rápido das Primaveras Árabes.
E a questões que se põem são as seguintes. Primeiro, que papel pode a Europa desempenhar nesses diferentes processos de transformação política? Segundo, devemos ser optimistas ou pessimistas em relação ao que se está a passar no mundo árabe?
Se conseguir dar alguma resposta a estas duas interrogações penso que terei contribuído para o debate que não pode deixar de ser feito.
Passei o dia no Centro Ismaelita de Lisboa, um edifício construído de raiz, num estilo islâmico moderno, magnífico, mas onde, nesta altura do ano, faz um frio de rachar. Os delegados vindos dos países árabes e os participantes vindos do Norte da Europa, gelavam pelos cantos das grandes salas e corredores. Assim é Portugal no Inverno.
Era o primeiro dia do encontro anual do Centro Norte-Sul do Conselho da Europa, desta vez com o objectivo de tentar fazer um balanço das Primaveras Árabes. Algumas dessas “Primaveras” mais se parecem com as salas do Centro, estão a atravessar um “Inverno” rigoroso. Sobretudo quando se trata dos direitos das mulheres. Um pouco por toda a parte, a Sul do Mediterrâneo, de Marrocos ao Egipto, esses direitos estão a ser cerceados. Este é um dos desafios que não pode ser ignorado.
Só que alguém disse que a UE não está a ajudar. Uma delegação europeia de alto nível, que esteve recentemente na Tunísia, colocou em cima da mesa várias condições políticas. Nenhuma delas se relacionava com a defesa dos direitos das mulheres tunisinas.