Portugal é grande quando abre horizontes

03
Out 16

Passei o dia a discutir alguns dos grandes desafios que a Ásia Central – as cinco antigas repúblicas soviéticas – tem pela frente. E já no final do dia, um jornalista conhecido telefonou-me de Lisboa, a perguntar qual era a minha opinião sobre a prestação de Kristalina Georgieva nas Nações Unidas. A verdade é que estava muito longe desse assunto. Disse-lhe que ainda não tinha informações sobre a matéria. E lembrei que neste momento há muitos especialistas em questões onusianas no panorama intelectual lisboeta. Talvez fosse melhor perguntar-lhes a opinião, sobretudo aos do costume.

E esperar por quarta-feira, pela próxima volta, no Conselho de Segurança.

Já depois disso, soube duas ou três coisas. Que o embaixador do Quénia junto da ONU, o meu antigo colega Macharia Kamau, que também desempenha as funções de presidente do Fundo das Nações Unidas para a Consolidação da Paz, o que lhe dá uma voz grossa, achou que Georgieva pode ter aparecido à última hora, mas ainda “apareceu a tempo e no tempo preciso”. Interessante. E mais. Que os Nórdicos estão a fazer campanha pela nova candidata. Consideraram que a senhora teve um desempenho de qualidade e que é a altura de ter uma mulher no cargo. Uma mulher bastante competente, acrescentam. Finalmente, que os russos acharam bem que ela se exprimisse na sua língua, ao fazer as suas intervenções.

A isto junta-se a geopolítica – o Leste europeu – e o género.

Do outro lado, temos António Guterres. Um candidato que toda a gente sabe que é muito forte.

Veremos o que acontece depois de amanhã.

publicado por victorangelo às 21:10

17
Set 16

 

DSC01498.JPG

Copyright V. Ângelo

 

Na semana passada estive aqui, na fronteira entre o Quirguistão e o Usbequistão. A foto mostra a vedação de arame farpado que os usbeques construíram ao longo das centenas de quilómetros de fronteira. Do outro lado, do lado das árvores, temos o Usbequistão e os seus guardas-fronteiriços. Têm ordem para disparar a matar, caso alguém tente passar a linha de separação ilegalmente. Aqui não há estados de alma, nem questões de imigração clandestina, nem aceitação de refugiados. É uma outra realidade, neste mundo pós-soviético.

 

 

publicado por victorangelo às 20:56

06
Set 16

O meu motorista em Bichkek é um cidadão “etnicamente russo”, como diz o seu bilhete de identificação nacional. Um homem que deve estar na casa dos sessenta, mais ano menos ano. Em 1991, na altura da independência do estado quirguize, resolveu ficar e adoptar a nacionalidade do país para onde a União Soviética o havia trazido, tinha ele seis meses de vida. Os seus filhos, hoje maiores, resolveram emigrar para a Rússia, tal como aconteceu com a grande maioria dos russos nesta parte do mundo. Ele e a mulher sentem-se bem no Quirguistão.

Hoje, deu-me uma lição de ética profissional.

Estava eu no carro, com um colega, no banco de trás e íamos encetar uma conversa sobre um dos encontros que acabáramos de ter. Uma conversa que seria um pouco mais delicada que o habitual. Ele, que até então só precisara de falar russo, interrompeu-nos de imediato, em inglês, para nos alertar que entendia bem a língua inglesa e que, por isso, achava que era bom que estivéssemos a par dessa sua competência.

Foi exemplar.

E passámos a vê-lo não apenas como motorista mas como um guia que conhece bem as ruas e as histórias de Bichkek.

 

 

publicado por victorangelo às 13:33

03
Set 16

Estou a voar em direcção à Ásia Central. Quando digo Bishkek, Batken ou Osh, os meus próximos destinos, ninguém me entende. Na verdade, neste lado da Europa pouco ou nada se sabe sobre o que está a acontecer nos países que há 25 anos deixaram de fazer parte do mundo soviético. Um mundo que cessou mas que se mantém presente, mais ou menos, nas práticas políticas dessas bandas. E que ainda parece ter alguns fervorosos adeptos nas nossas ruas e becos políticos.

publicado por victorangelo às 17:58

26
Ago 16

O meu escrito de ontem sobre o burkini atraiu muita atenção e suscitou muitos comentários.

A minha reflexão procurava ser uma leitura política da proibição do uso do burquini. Não tinha a ambição de acrescentar uma linha que fosse ao debate religioso nem queria entrar em polémicas sobre a aceitação ou a rejeição de populações que vieram ou têm raízes fora da Europa, e muito particularmente em países de cultura islâmica.

Enquanto escrito político, levantava uma série de questões sobre as relações entre culturas muito distintas, quando estas coabitam no mesmo espaço nacional. Questões sobre a tolerância do outro, a integração, a militância protagonizada por um lado e o outro, bem como sobre a estabilidade política em sociedades muito diversas.

Estas são algumas das pistas de debate a que não poderemos fugir, sobretudo nos países com uma proporção significativa de pessoas que vêem a vida em sociedade por prismas que não são os tradicionais da Europa.

As reacções que tive mostram que se trata de um tema que interessa a muitos portugueses, apesar de não termos aqui situações semelhantes às que se verificam em Marselha, em Molenbeek ou em Berlim. Mostram igualmente que se trata de um assunto que é facilmente explosivo. Mas isso não deve impedir que se fale e se escreva sobre ele.

Curiosamente, um dos comentários aconselha-me a que levante o rabo do meu “confortável” cadeirão e que vá viajar por França, para entender o que se passa nesse país, em que os autocarros estão cheios de muçulmanos, e assim sucessivamente. É a primeira vez que alguém me diz que vá viajar. Como passei e continuo a passar a vida a andar por muitos e variados sítios, e não como turista apenas, mas sim por outras razões, o que normalmente me perguntam é quando vou parar de andar por esse mundo fora.

A resposta é que não será de imediato. Aliás, a próxima viagem levar-me-á à Ásia Central e curiosamente, estará relacionada com o crescente radicalismo religioso que tem estado a ocorrer nessa região. Um assunto que preocupa as autoridades e as organizações internacionais, e que não tem encontrado uma maneira eficaz de ser tratado

Mas, como podemos constatar, em Portugal também temos muitas vistas radicais e não serão mesmo nada de inspiração religiosa…

 

 

publicado por victorangelo às 18:05

09
Mar 10

 

Os países a montante dos grandes rios da região, têm recursos aquíferos abundantes. Mas não têm electricidade em quantidade suficiente. Os que se encontram a jusante, têm gás e petróleo.  Sofrem, contudo, de falta de água. Outrora membros da União Soviética, hoje não se entendem. Esta é a sina dos Estados da Ásia Central, do Casaquistão, Quirguistão, Tadjiquistão, Turcomenistão e Uzbequistão. Quatro milhões quilómetros quadrados, 61 milhões de habitantes, vastas estepes, montanhas a furar os céus, temperaturas extremas.

 

Está em curso uma tentativa, por parte das Nações Unidas, para criar condições de confiança política entre estes vizinhos, que são também paredes meias com o Afeganistão, a China, situam-se nas paragens do Paquistão e dos fundamentalismos, e estão na rota do ópio.

 

Esta parte do globo está a tornar-se uma zona estratégica importante. É, além disso, uma zona fascinante, berço de grandes culturas, belezas naturais únicas, e de um grande exotismo. Estive em contacto com Asgabate, a capital do Turcomenistão. Um longa conversa. A tentar perceber o que se pode fazer nesse mundo. Nada fácil, que a zona continua muito influenciada pela maneira de encarar as coisas que era própria dos anos de Estaline. Será possível mudar as mentalidades e promover a cooperação política que a região precisa?

 

Entretanto o Mar Aral vai desaparecendo, os glaciares estão a derreter-se, o meio ambiente a degradar-se. A vida dos cidadãos é cada vez mais difícil. Os ditadores fecham-se nos seus palácios, rodeados por cortes de homens-eco. 

publicado por victorangelo às 20:48

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