Portugal é grande quando abre horizontes

15
Abr 19

O chefe do partido da extrema-direita “Verdadeiros Finlandeses”, Jussi Halla-aho, é eurodeputado, apesar de ter sido condenado em 2012 pelo crime de incitação ao ódio racial. O seu agrupamento obteve, nas eleições gerais de ontem, 17,5% dos votos, ficando a duas décimas do partido mais votado, o social-democrata. Foi, mais uma vez, uma prova que os radicais ultra-nacionalistas têm um peso crescente no panorama político europeu.

Halla-aho não se esconde por detrás de palavras diplomáticas e de frases ambíguas. Diz claramente ao que vem. É contra a imigração, contra os muçulmanos e contra a União Europeia. “Verdadeiros Finlandeses” exclui quem não é etnicamente lá da terra, incluindo os finlandeses de origem sueca. Sim, na Finlândia, há discriminação em relação aos cidadãos que têm raízes suecas. “Verdadeiros Finlandeses” representa a xenofobia e o racismo com todas as letras.

Votaram nele quem se sente socialmente mais frágil, bem como os que vivem com medo dos outros, dos que são diferentes. E como a paisagem política está muito fragmentada, havendo toda uma série de pequenos partidos, os 17,5% pesam muito. Mas, ao contrário do que se passou recentemente na vizinha Estónia, ou anteriormente na Áustria, o mais provável é que a nova coligação governamental exclua o partido extremista. Se assim for, do mal, o menos.

 

publicado por victorangelo às 21:15

16
Out 17

Na Áustria, ontem foi dia de eleições legislativas. Parece-me oportuno fazer dois ou três comentários sobre o assunto.

Primeiro, a maneira como decorreu a campanha eleitoral demonstrou-nos que colocar o enfoque num tema central e depois, repeti-lo a torto e a direito, é uma técnica que dá resultados. Trata-se de escolher uma questão que toque numa boa parte do eleitorado. De seguida, faz-se bandeira do tema, exagera-se a sua importância e batalha-se por ele até ao fim. Cria-se um papão e depois ataca-se incansavelmente o perigo assim inventado.

Segundo, ficou claro que a política da repulsa, da negação do outro, da desumanização de uma certa categoria de pessoas, produz melhores resultados do que um programa político que procure combater as desigualdades e que assente nos pilares tradicionais da boa governação.

Terceiro, uma campanha que promoveu o nacionalismo primário, a xenofobia, que se baseou na promoção da personalidade do líder do partido, e nos ataques pessoais, num vale tudo menos tirar olhos, faz pensar que estamos perante um novo modelo de fazer política eleitoral. Um modelo que pegou, na Áustria, e que irá provavelmente pegar noutros sítios.

E já agora, vamos ver o que acontecerá em termos da formação da coligação governativa.

publicado por victorangelo às 17:35

28
Fev 17

Os meus comentários de hoje, no programa semanal da Rádio Macau "Magazine Europa", têm como focos as tomadas de posição do Parlamento Europeu sobre a reforma das instituições e o futuro da UE, a Áustria, o seu Chanceler e a sua economia,  e, por fim, Martin Schulz como competição a sério, que poderá impedir um quarto mandato de Angela Merkel, após as eleições gerais de Setembro.

O link para o programa é o seguinte:

Magazine Europa (28 de Fevereiro de 2017)

 

publicado por victorangelo às 17:35

01
Mar 16

Imigração e refugiados

Cimeira da Áustria sobre o corredor dos Balcãs 23/2; Países do Visegrado não foram convidados, nem a CE, nem a Alemanha e a Grécia. O governo austríaco tem medo das próximas eleições gerais. Estabeleceu um regime de quotas que limita de modo drástico o número de refugiados.

Cimeira com a Turquia: 07/3. Viktor Orban é contra o acordo

Calais: o campo está a ser demolido. Impacto sobre a Bélgica

A imigração para o Reino Unido em 2015: resultado líquido de 320 000 novos imigrantes

Sem solidariedade europeia não haverá solução comum. Sem solução comum não há solução. Ora, a verdade é que cada vez há menos solidariedade.

Não se pode falar em “desorientação”, não há desnorteamento. Vários países dão uma resposta nacional e não acreditam pura e simplesmente numa solução comunitária, europeia. É visto como um problema nacional, com fortes implicações eleitorais.

Para muitos, ou se tomam medidas limitadoras ou então a extrema-direita ganha o poder. Será assim?

Noutras épocas históricas uma situação tão grave como esta já teria levado a confrontações armadas entre os países europeus, entre estados vizinhos.

Schengen tem agora 20 anos de aplicação. Esta é a sua maior crise existencial

Que respostas são possíveis? Têm que ser várias e combinadas:

            Mudar a narrativa e torná-la mais positiva, incluindo na narrativa respostas aos receios colectivos?

            Suspender Schengen por dois anos? Não

            Estabelecer os hotspots na Grécia? Ou noutro país?

            Cooperar com a Turquia?

            Criar uma Agência Europeia de Fronteiras e de Guarda-Marinha?

            Responder às questões de segurança e de luta contra o terrorismo de modo conjugado?

            Criar um mini-Schengen?

            Sanções contra os Estados que não cooperam? Cortar parte dos subsídios? Será possível?

publicado por victorangelo às 20:30

28
Out 15

Três dias depois da minicimeira sobre o corredor humano dos Balcãs, eis que a Alemanha acusa a Áustria de empurrar ondas de imigrantes através da fronteira, passando assim a batata quente para o lado alemão. Ambos os países estiveram na cimeira, onde ficou combinado que nada seria feito por um Estado sem informar o vizinho das possíveis consequências.

Na realidade, a reunião de domingo foi coisa pouca para um problema tão vasto. A Alemanha continua a receber uma média de 10 000 novos candidatos ao refúgio por dia e os Balcãs, por seu turno, não sabem o que fazer perante os milhares que passam por lá.

O frio já começou a apertar. Mas mesmo assim, não há sinais de abrandamento dos movimentos migratórios. Tal só virá a acontecer mais tarde, quando o Outono estiver perto do Inverno e se tornar claro que o percurso é demasiado arriscado. O tempo frio nos Balcãs mete respeito.

Esse afrouxamento da pressão dará alguma margem de manobra aos países europeus para preparar uma resposta mais consentânea com a gravidade da situação. Dará sobretudo tempo para que se procure encontrar o que até agora não aconteceu, ou seja, uma resposta europeia a um problema que é de todos. Há que entender, de facto, que o problema toca a todos, directa ou indirectamente, e que a solução deve estar baseada num compromisso comum.

publicado por victorangelo às 17:42

05
Dez 11

A agencia de notação Standard & Poor's anunciou ao fim do dia que encara baixar a classificação da Alemanha, da França, Holanda, Áustria e Luxemburgo, de AAA para AA+. Esta é uma má notícia num mau momento.

 

O Reino Unido, que está em crise profunda, manteria a nota AAA. Como se, além do mais, um agravamento da crise na zona euro não viesse complicar ainda mais a situação económica britânica. Estranho me parece tudo isto. 

 

A baixa da notação das principais economias europeias agravaria a posição financeira da zona euro. Teria consequências directas na capacidade de mobilizar novos recursos financeiros, incluindo os necessários para a sustentação dos pacotes gregos, portugueses e outros.  

 

Espera-se, entretanto, que os mercados reajam com serenidade perante esta ameaça.

 

A cimeira de Paris, esta tarde, serviu para dar alguns sinais positivos. Houve vontade de ver o lado mais brilhante da iniciativa, sem sublinhar as zonas de sombra. Reconheço, no entanto, que a conjuntura continua muito instável. À hora a que escrevo, a meio do serão, as primeiras indicações são de que o euro vai voltar a perder algum valor, face ao dólar, nas próximas horas. Esse é um importante indicador de confiança, embora não seja o único.

 

É preciso continuar atento. 

 

Em Portugal, a comunidade opinativa tem, no entanto, outras preocupações. 

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:29

14
Set 10

O Governo espanhol terá pago 8 milhões de euros ao grupo terrorista que afirma ser uma filial magrebina da Al-Qaida. Assim conseguiu obter a libertação de dois cidadãos espanhóis que se encontravam reféns, nas mãos dos criminosos. Já em Maio deste ano, a Itália havia pago ao mesmo grupo 3,6 milhões, também para obter o resgate de dois italianos. E a Áustria teria, em Abril de 2009, desembolsado 2,5 milhões, por motivos similares.

 

A França e o Reino Unido, apanhados em situações idênticas, resolveram não pactuar. Em ambos os casos, os raptados foram executados pelos terroristas.

 

A regra é que não se pague. Não se deve recompensar os actos terroristas. Nem deixar que o rapto se converta numa actividade rentável.

publicado por victorangelo às 12:51

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