Portugal é grande quando abre horizontes

21
Nov 19

Ontem escrevi sobre a indisciplina em muitas das escolas públicas. E sobre o impacto profundamente negativo que essa indisciplina tem sobre o futuro da nossa sociedade. Acrescentei que se trata de uma questão da maior importância e, em relação à qual, tem existido, ao longo dos anos, uma demissão inaceitável da nossa classe política. Políticos oportunistas têm estado a transformar o amanhã de Portugal num caos e num grande problema. Nesta área, a da educação, como noutras. Entre as quais coloco a questão da língua portuguesa.

A língua é um dos principais trunfos de que dispomos. E não o temos sabido defender. Não é apenas o facto de se falar e escrever mal, de não se aprender a língua correctamente nas nossas escolas. Também é isso, evidentemente. Uma boa maioria dos nossos jovens é incapaz de se exprimir, de se explicar e de redigir num português decente. Isso acontece mesmo ao nível de quem tem formação superior. Basta ler certas teses de mestrado para se entender que os autores não entendem como manejar a língua, os conceitos, as subtilezas, e por aí fora. Escrevem coisas quase que incompreensíveis.

Mas é acima de tudo o ter-se aceite um acordo ortográfico que dá honras de salão ao português de quem não teve educação escolar suficiente. Quis-se agradar, acima de tudo ao Brasil de alguns, quando se sabe e bem, que no Brasil o que muita gente fala é uma salgalhada simplificada e primária da língua.

O acordo ortográfico baixou a qualidade da língua, reduziu a sua gramática e a sua qualidade expressiva. Não unificou nada de especial com o Brasil, que continua a falar e a escrever como muito bem lhe parece, mas aviltou um dos tesouros nacionais, pois a língua que partilhamos com outros em África e noutras partes do mundo é na verdade um tesouro que deveria ser polido. Foi trabalhado, isso sim, a martelo, com a fraqueza própria de todos os que apenas pensam nos seus interesses, e ficámos a perder.

Uma vez mais, a responsabilidade deve ser atribuída a quem nos governou e nos deixou ir por essa ribanceira. O sentimento que fica é de que o oportunismo e a falta de visão desses políticos tem um sabor amargo, muito próximo da traição ao que são os interesses de Portugal. Uma tragédia, mais uma.

 

 

publicado por victorangelo às 19:59

18
Mar 17

Para os que se preocupam com questões relativas à nossa soberania, quero lembrar que a língua é um instrumento chave em matéria de soberania, de afirmação nacional. Mais ainda no nosso caso, que falamos uma língua que é partilhada por outros povos. É um instrumento que convém proteger com unhas e dentes. E modernizar com inteligência e de modo proactivo. A língua é uma frente de batalha por excelência.

Ora, temos deixado aviltar este instrumento essencial da nossa afirmação no mundo, nomeadamente ao aceitar um Acordo Ortográfico que dá um prémio aos semiletrados que julgam que falam e escrevem a nossa língua. E também, quando permitimos que o nosso sistema educativo trate a aprendizagem do português por cima da burra.

Esta perca de soberania não tem nada que ver com a nossa pertença à EU nem com a globalização. Resulta, isso sim, de uma visão estratégica de Portugal sem asas e preguiçosa, uma incapacidade de lutar a sério pelos nossos interesses fundamentais.

publicado por victorangelo às 20:58

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