Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

O que aí se escreve e diz

O analista que conta, que acrescenta valor, é o que consegue ver a árvore para além dos ramos e das folhas e, depois, procede à inserção da árvore na paisagem. Quem não compreende a árvore e a paisagem, incluindo a que está para além do horizonte, não acrescenta nada de útil. Está apenas a discorrer sobre o que parece óbvio, mas que não é necessariamente a essência da matéria. Em política, a intenção esconde-se muitas vezes na ramagem dos factos e na repetição de narrativas que tocam apenas na superfície das coisas.

Um questão de moralidade e não só

O acidente com o veículo do ministro Cabrita continua a ser um caso político. Quem diz que é imoral explorar politicamente o que aconteceu esquece-se de várias coisas: da questão da velocidade, que ainda não está esclarecida; do ministro ser responsável pelo cumprimento da lei sobre o excesso de velocidade, cabendo-lhe a ele dizer ao motorista, se assim fosse o caso, para conduzir dentro dos limites; do comunicado que o ministro emitiu, logo a seguir ao acidente, pondo as culpas na vítima, sem qualquer tipo de consideração pelo inquérito que estava em curso; do facto do ministro não ter apresentado pessoalmente as suas condolências à viúva, refugiando-se por detrás da sua chefe de gabinete; da utilização de um veículo que não é propriedade do Estado para conduzir um membro do governo; e da patente falta de entendimento político que o ministro tem mostrado.

Quem hoje disse que falar destas coisas é imoral tem na realidade pouca autoridade moral, como todos sabem.

O tribalismo não tem miolos

A luta de classes morreu num estádio de futebol, ao que dizem. Já não se trata de capitalistas e proletários, mas sim de sportinguistas contra benfiquistas, portistas contra todos os outros. É uma luta sem tréguas nem fim. E como noutras guerras, não há dó nem piedade. Também não há juízo, como vimos esta semana. É fervor irracional.

As filas que ignoram a pandemia

Hoje, às 04:00 da tarde, fiquei com a impressão de que a população de Lisboa, da Amadora e arredores estava toda na loja gigantesca que uma marca internacional de quinquilharia e tudo o resto tem em Alfragide. Estacionar, apesar de ser possível nos seus imensos parques, requeria quase tanta sorte como acertar na aposta ganhadora. Lá dentro, havia gente por todos os cantos. E, no final, as filas para as caixas de pagamento eram um outro exercício de espera e paciência. Distância entre as pessoas era coisa que ninguém parecia saber o que significa. E os carros de compras, de uma boa maioria dos clientes, davam a impressão de que o confinamento transformou os cidadãos em artesãos nas suas próprias casas. Também faziam pensar que as famílias andam todas em remodelações, obras e pinturas. O casal à minha frente comprara duas instalações de sanitas completas, com autoclismos incorporados e tudo o mais.

E convenci-me que, na verdade, mudámos muito nestes últimos meses, pelo menos em termos de habilidade para fazer biscates pessoais e passar uma parte da tarde de trabalho à procura da prateleira dos parafusos, do verniz para a madeira ou da lixa forte.

 

Vidas em crise

O jovem motorista de táxi, que me levou de Belém até cerca da Praça de Espanha, disse-me que faz 14 horas por dia, para um ganho insignificante. Quando entrei no seu carro, estava estacionado há mais de duas horas, sem que tivesse aparecido qualquer tipo de serviço. Num longo dia de trabalho faz, em média, entre seis e oito viagens. Acrescentou que vários colegas já estão há bastante tempo a recorrer aos bancos alimentares. E rematou, com um ar resignado, que as perspectivas que vê, para os próximos meses, não são animadoras.

Andam a distrair a nossa atenção

Na verdade, dizia-me um amigo esta tarde, andamos todos muito distraídos a discutir guerrinhas sem interesse, distrações, Padrões dos Descobrimentos e outras touradas. E quem está no poder, esfrega as mãos de contente. As atenções estão muito longe dos verdadeiros problemas da governação, como por exemplo, as falhas na ajuda às pequenas empresas, as prioridades do plano de recuperação e do futuro ou ainda a navegação à vista, no que respeita às questões da TAP, da administração de justiça, da luta contra a corrupção, da campanha de vacinação que não anda nem desanda ou do nosso posicionamento no espaço europeu. Neste último ponto, a presidência europeia continua na obscuridade, sem nada que possa ser associado, para já, a iniciativas vindas de Lisboa

O horizonte está enevoado

Vamos continuar confinados mais um mês e tal. Ou seja, quando houver algum pequeno alívio, o primeiro trimestre do ano estará a terminar. Entretanto, já nos estão a avisar que o programa de vacinação irá demorar, sofrer atrasos. Dizem-nos que talvez só lá para finais do ano estaremos vacinados em número suficiente. O problema é que haverá, muito provavelmente, que iniciar então uma nova ronda de vacinação. Uma boa parte da população dos países de baixos rendimentos não deverá estar protegida. Aí poderão surgir novas variantes do coronavírus. Se assim acontecer, a dita luz no fundo do túnel será apenas uma miragem. Estaremos nisto por uns largos tempos, dir-se-ia. É bom ser optimista, verdade. Mas ter ilusões não é prova de optimismo.

A prioridade absoluta

Dois, um, oito, ou seja, 218. Este é número de óbitos por Covid, nas últimas 24 horas, em Portugal. A este número assustador, temos infelizmente de acrescentar, no mesmo período, mais 10 455 casos positivos de infecção pelo novo coronavírus. Estes valores são simplesmente alarmantes, tendo em conta a dimensão populacional do nosso país. Deveriam servir de toque de clarim, que chamasse a atenção de todos para a gravidade do momento que estamos a viver. Isto já não é uma questão sobre se se pode vender, ou não, cafés ao postigo dos bares e restaurantes. É uma catástrofe nacional que exige liderança, uma liderança que mobilize cada cidadão, cada responsável, seja a que nível de autoridade for, para que haja consciência que o comportamento de cada um conta enormemente.

Hoje, ao começo do dia, tinha uma videoconferência internacional. Eu era o único português nos ecrãs. Antes de se entrar no assunto da conferência, a primeira pergunta vinda de outros mundos foi para expressar preocupação pelas notícias que estão a chegar, relativas ao Portugal da pandemia. Perguntaram-me se estava resguardado.

E um participante disse-me que em Bruxelas muitos não entendem a razão que levou o Primeiro Ministro português a insistir, nesta passada sexta-feira, numa reunião presencial, em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, com a Presidente e vários Comissários europeus. O PM sabia, já nessa altura, que o risco de contágio era elevadíssimo. Que o ministro das Finanças e outros estavam positivos, ou seja, que o vírus andava a circular nas esferas da governação, aqui em Lisboa. Mesmo assim, insistiu no convite, quis que fizessem a viagem de Bruxelas até Belém. No seguimento, três Comissários ficaram de quarentena, mais um punhado de funcionários europeus. Imaginam os comentários que isto provocou.

Neste momento, só há uma urgência absoluta, aqui em Portugal: achatar a curva. O resto deve ficar para depois.

 

A passo de caracol, com resignação

Uma das minhas vizinhas contou-me hoje que a sua mãe faleceu na semana passada por causa da pandemia. Faria 79 anos por estes dias. Esteve internada um pouco mais de uma semana no hospital aqui do bairro, o S. Francisco de Xavier. Internada é uma maneira de falar, pois passou mais tempo num dos corredores do que na enfermaria, por razões de sobrelotação.

Vi na maneira de me contar o acontecimento um certo grau de fatalidade. Aconteceu. Foi a covid-19. E pronto, como se morrer tivesse passado a fazer parte dos dias de agora.

A verdade é que os números diários são assustadores. E que a campanha de vacinação não é campanha nenhuma. 82 mil vacinados até agora faz pensar num ritmo de caracol. Como se isso não fosse a tarefa mais urgente que o serviço público deveria ter pela frente.

Os próprios candidatos à presidência passam ao lado desta urgência. Parecem não ter entendido que o nosso mundo mudou.

A mentira da Justiça

O que aconteceu e continua a acontecer no nosso Ministério da Justiça, sobre as falsidades que oficialmente foram transmitidas a Bruxelas sobre o procurador europeu, não deve ser classificado como uma trapalhada. É bem mais do que isso. E muito grave. É um abuso do poder, por parte de um grupo de governantes que pensa estar de pé e cal na mó de cima. Olham à volta e não vêem oposição que lhes faça medo. Sentem-se seguros e, por isso, seguem o velho princípio do quero, posso e mando, ao qual juntam o igualmente velho hábito da política portuguesa, o compadrio.

Dito de outra maneira, é uma política sem ética. Corrupta até ao tutano. Sim, que a justiça faz parte do âmago do Estado. É uma função essencial de soberania que se mostra tão desvirtuada como muitas outras.

A Ministra não se demite e o Primeiro-Ministro não se manifesta. Estamos bem entregues.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D