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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Conspirações e mentes distorcidas

A cegueira partidária manifesta-se frequentemente. A seguir às autárquicas, houve quem dissesse “o meu partido perdeu votos, mas está cada vez mais forte”. Agora, que o ministro da Defesa parece ter metido os pés e pelas mãos, e depois do responsável pela associação de oficiais no activo ter dito que Cravinho é arrogante e não ouve ninguém, apareceu gente a dizer que a embrulhada foi uma conspiração do pessoal da Armada para embaraçar o governo e criar divisões entre António Costa e o Presidente da República. A querela pública entre o ministro das infraestruturas e o das finanças também deve ser uma conspiração. Só que não se percebe quem poderá ser o autor, a não ser que seja o António Costa para atrapalhar o primeiro-ministro. Tudo é possível, sobretudo nas mentes inventivas dos teóricos das conspirações.

Ainda sobre a eleição em Lisboa

Um erro frequente em política é o de subestimar os adversários. Dir-se-ia que Fernando Medina cometeu esse erro, nestas eleições autárquicas. Ter-se-á deixado embalar pelas sondagens, que o davam largamente vencedor.

Não se percebe bem como foi possível ter sondagens com resultados tão enganadores, mas aconteceu. E o presidente cessante deve ter acreditado nelas, como aliás seria de esperar.

Temos aqui uma segunda lição, para além da que se refere ao erro de subestimar a competição. Essa segunda lição é que não se deve dar demasiado crédito às sondagens. Mesmo sabendo que a maioria das sondagens são hoje feitas com base em técnicas comprovadas, é fundamental continuar a lutar por cada voto, procurar convencer cada eleitor, mostrar que não se acredita em favas contadas.

Uma terceira lição diz respeito à arrogância. Cada candidato deve mostrar que se sente à vontade, que não se deixa levar em ondas de entusiasmo, que está ali para ser eleito e não para ser consagrado. A arrogância, verdadeira ou vista como tal, faz perder votos. É muito mal-aceite pelos cidadãos. Nos tempos da sociedade digital e do individualismo que daí nasce, cada eleitor vê-se como igual aos outros, incluindo aos candidatos. Não quer ver e não apoia quem se sente acima do cidadão lambda, do cidadão comum, do meio da escala.

Um congresso morno, em finais de Agosto

O Congresso do Partido Socialista confirmou o total controlo que António Costa tem sobre a organização. É ele quem manda, quem distribui lugares e quem segura os que fazem asneiras, mas lhe são fiéis. Falar na sucessão, nesta altura, é altamente prematuro. Há vários políticos que têm os olhos no prémio, mas vão que ter de esperar o tempo que Costa queira. E, no final, vai ser ele quem irá escolher o sucessor. Não vai deixar o partido, um dia, nas mãos de quem o possa deitar a perder.

Entretanto, irão chegar fundos vindos da União Europeia. O controlo desses fundos é essencial para manter os pequenos caciques do PS satisfeitos. E a melhor maneira é criar novas entidades públicas, ou parapúblicas, mais funcionários, mais projectos de utilidade duvidosa, etc.

Mas não há nenhum problema. Do lado oposto, ao nível do PSD, a trapalhada é enorme. A imagem que projecta não passa, não mobiliza. O PSD não se consegue afirmar como oposição, muito menos ainda como alternativa.

O resto é para esquecer.

O que aí se escreve e diz

O analista que conta, que acrescenta valor, é o que consegue ver a árvore para além dos ramos e das folhas e, depois, procede à inserção da árvore na paisagem. Quem não compreende a árvore e a paisagem, incluindo a que está para além do horizonte, não acrescenta nada de útil. Está apenas a discorrer sobre o que parece óbvio, mas que não é necessariamente a essência da matéria. Em política, a intenção esconde-se muitas vezes na ramagem dos factos e na repetição de narrativas que tocam apenas na superfície das coisas.

Um questão de moralidade e não só

O acidente com o veículo do ministro Cabrita continua a ser um caso político. Quem diz que é imoral explorar politicamente o que aconteceu esquece-se de várias coisas: da questão da velocidade, que ainda não está esclarecida; do ministro ser responsável pelo cumprimento da lei sobre o excesso de velocidade, cabendo-lhe a ele dizer ao motorista, se assim fosse o caso, para conduzir dentro dos limites; do comunicado que o ministro emitiu, logo a seguir ao acidente, pondo as culpas na vítima, sem qualquer tipo de consideração pelo inquérito que estava em curso; do facto do ministro não ter apresentado pessoalmente as suas condolências à viúva, refugiando-se por detrás da sua chefe de gabinete; da utilização de um veículo que não é propriedade do Estado para conduzir um membro do governo; e da patente falta de entendimento político que o ministro tem mostrado.

Quem hoje disse que falar destas coisas é imoral tem na realidade pouca autoridade moral, como todos sabem.

O tribalismo não tem miolos

A luta de classes morreu num estádio de futebol, ao que dizem. Já não se trata de capitalistas e proletários, mas sim de sportinguistas contra benfiquistas, portistas contra todos os outros. É uma luta sem tréguas nem fim. E como noutras guerras, não há dó nem piedade. Também não há juízo, como vimos esta semana. É fervor irracional.

As filas que ignoram a pandemia

Hoje, às 04:00 da tarde, fiquei com a impressão de que a população de Lisboa, da Amadora e arredores estava toda na loja gigantesca que uma marca internacional de quinquilharia e tudo o resto tem em Alfragide. Estacionar, apesar de ser possível nos seus imensos parques, requeria quase tanta sorte como acertar na aposta ganhadora. Lá dentro, havia gente por todos os cantos. E, no final, as filas para as caixas de pagamento eram um outro exercício de espera e paciência. Distância entre as pessoas era coisa que ninguém parecia saber o que significa. E os carros de compras, de uma boa maioria dos clientes, davam a impressão de que o confinamento transformou os cidadãos em artesãos nas suas próprias casas. Também faziam pensar que as famílias andam todas em remodelações, obras e pinturas. O casal à minha frente comprara duas instalações de sanitas completas, com autoclismos incorporados e tudo o mais.

E convenci-me que, na verdade, mudámos muito nestes últimos meses, pelo menos em termos de habilidade para fazer biscates pessoais e passar uma parte da tarde de trabalho à procura da prateleira dos parafusos, do verniz para a madeira ou da lixa forte.

 

Vidas em crise

O jovem motorista de táxi, que me levou de Belém até cerca da Praça de Espanha, disse-me que faz 14 horas por dia, para um ganho insignificante. Quando entrei no seu carro, estava estacionado há mais de duas horas, sem que tivesse aparecido qualquer tipo de serviço. Num longo dia de trabalho faz, em média, entre seis e oito viagens. Acrescentou que vários colegas já estão há bastante tempo a recorrer aos bancos alimentares. E rematou, com um ar resignado, que as perspectivas que vê, para os próximos meses, não são animadoras.

Andam a distrair a nossa atenção

Na verdade, dizia-me um amigo esta tarde, andamos todos muito distraídos a discutir guerrinhas sem interesse, distrações, Padrões dos Descobrimentos e outras touradas. E quem está no poder, esfrega as mãos de contente. As atenções estão muito longe dos verdadeiros problemas da governação, como por exemplo, as falhas na ajuda às pequenas empresas, as prioridades do plano de recuperação e do futuro ou ainda a navegação à vista, no que respeita às questões da TAP, da administração de justiça, da luta contra a corrupção, da campanha de vacinação que não anda nem desanda ou do nosso posicionamento no espaço europeu. Neste último ponto, a presidência europeia continua na obscuridade, sem nada que possa ser associado, para já, a iniciativas vindas de Lisboa

O horizonte está enevoado

Vamos continuar confinados mais um mês e tal. Ou seja, quando houver algum pequeno alívio, o primeiro trimestre do ano estará a terminar. Entretanto, já nos estão a avisar que o programa de vacinação irá demorar, sofrer atrasos. Dizem-nos que talvez só lá para finais do ano estaremos vacinados em número suficiente. O problema é que haverá, muito provavelmente, que iniciar então uma nova ronda de vacinação. Uma boa parte da população dos países de baixos rendimentos não deverá estar protegida. Aí poderão surgir novas variantes do coronavírus. Se assim acontecer, a dita luz no fundo do túnel será apenas uma miragem. Estaremos nisto por uns largos tempos, dir-se-ia. É bom ser optimista, verdade. Mas ter ilusões não é prova de optimismo.

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