Portugal é grande quando abre horizontes

07
Dez 19

Ontem, a paisagem dos 70 anos de idade abriu-se à minha frente. À partida, o horizonte oferece os tons próprios desta estação da vida, com cores que são hoje mais vivas do que aquelas encontradas pelas gerações que nos precederam.

Recebi muitas mensagens, por todos os meios, de muitas pessoas amigas e conhecidas. A todos agradeço. Como agradeço muito especialmente ao casal de amigos que se deslocou propositadamente a Bruxelas, para poder passar umas horas comigo. E, claro, à família mais chegada.

Um dos meus “afilhados”, gente mais jovem que trabalhou em determinado momento da minha vida internacional comigo, mandou-me uma mensagem de Bujumbura, a capital do Burundi, o seu país de nacionalidade. Foi uma mensagem diferente, de um Africano jovem, com uma família ainda a crescer. A mensagem desejava-me, com todas as letras, “uma velhice feliz”. É o tradicional respeito pelos velhotes.

Fora isso, a luta continua, como diziam lá para os lados de Luanda.

publicado por victorangelo às 19:14

13
Nov 19

Tenho muito que receio que o acordo entre o PSOE – os Socialistas espanhóis – e Podemos não tenha a consistência necessária para ser governo. Até agora ainda não apareceu ninguém na fila a querer juntar-se aos dois signatários. Sem que isso aconteça, não há maioria suficiente nas Cortes. Poderá haver um governo que passe, mas passará apenas enquanto o resto dos deputados o entenderem. Ora, a extrema-direita e a direita estão a cavalgar uma onda nacionalista, que o PSOE e o Podemos não poderão acompanhar. Estão em maré crescente, enquanto os dois partidos da esquerda e da extrema-esquerda estão numa situação de estagnação política e de indefinição quanto a uma questão tão fundamental em Espanha, a questão das nacionalidades.

Na minha opinião, a Espanha está hoje numa crise política profunda. E assim irá continuar, a não ser que me engane. Bem gostaria, neste caso, de estar enganado. Por causa da estabilidade dos nossos vizinhos e por causa do impacto que a situação espanhola pode ter na nossa economia.

publicado por victorangelo às 19:17

16
Out 19

No campo das ideias, uma das grandes frentes de batalha actuais é a luta contra os charlatães. Eles andam por aí. Na política, na vida académica, na comunicação social, nas redes sociais. São os “Narcisos” de agora. Têm sempre uma solução para tudo e mais alguma coisa. Alguns, inventam estatísticas e factos, para dar mais credibilidade às suas teorias e discursatas. Impressionam pela mentira e pelo teatro. Enchem plateias, porque existe sempre gente disponível para acompanhar a exibição e fazer parte do show.

Por isso, o espaço para o contraditório tem que ser garantido. Em todas as áreas que importam para a vida pública. Através do comentário honesto e informado. Também, por meio de colunas e rubricas de detecção de mentiras. Os jornais de referência têm aqui uma responsabilidade especial: devem ajudar os leitores na identificação de mentiras e dados falsos. Esta é uma nova área de jornalismo, numa altura em que as “notícias falsas” passaram a ser moeda corrente.

publicado por victorangelo às 15:52

29
Set 19

Hoje, mais do que nunca, é fundamental mostrar boa-fé, quando se faz política. Os eleitores têm acesso a muitas e diversas fontes de informação. Alguns poderão ter imensas dificuldades perante tanta informação. Mas uma grande parte acaba por formar uma opinião ou ver o seu ponto de vista confirmado. E uma das características que procuram nos políticos de agora, depois de tantas decepções e enganos, é a da sinceridade.

A lisura de intenções dá votos. Por isso, se eu fosse conselheiro de algum político dir-lhe-ia que, acima de tudo, é necessário mostrar que se anda na política e em campanha pelo bem comum. Porque se acredita na causa pública, no projecto que se defende, numa maneira positiva e altruísta de governar o que é de todos.

A imagem e a narrativa devem reforçar o sentimento de franqueza e de verdade que procuramos transmitir. Está aí o segredo do apoio popular.

Creio dever lembrar isto, agora que estamos todos em campanha, uns activamente, outros por tabela e porque não conseguimos fechar os olhos à realidade que nos cerca.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 14:41

26
Ago 19

Advogo o reforço da autoridade do Estado. Acrescento, porém, que seria um erro confundir a ideia de um Estado forte com a promoção da burocracia. Sou contra a burocracia inútil e tentacular, omnipresente e burra. O excesso de regras e regulamentos, de actos administrativos absurdos, consome recursos, complica a vida dos cidadãos, favorece as práticas corruptas e desvia o Estado do seu papel estratégico que é o de criar as condições para que a criatividade e o progresso floresçam.

Sou a favor de um Estado eficaz naquilo que devem ser as suas funções estratégicas de ordenação e protecção da vida da nação bem como na defesa dos interesses colectivos na arena internacional. Um Estado capaz de proteger cada cidadão dos diabos que sempre existem, de promover a igualdade de oportunidades e de projectar uma imagem positiva daquilo que somos enquanto povo.

Não se trata de uma deriva autoritária. Nem a defesa de um regime centralizador. Antes pelo contrário, na minha concepção, o reforço do Estado passa pela descentralização da autoridade administrativa, pela transferência de competições para níveis próximos do quotidiano das pessoas, pelo reforço do poder autárquico e pela criação de espaço e poder para as organizações de cidadania, para a sociedade civil. Sem esquecer, claro, o empreendimento económico e empresarial.

Também sou contra a apropriação do poder do Estado por um partido político, por mais hábil que o seu grupo dirigente possa ser. A “mexicanização” da vida política, com um partido a ganhar sucessiva eleições, leva, sempre, à corrupção, ao nepotismo, às teias de familiares e amigos que passam a controlar vastas áreas da governação, ao descrédito da acção política. A alternância partidária faz parte do reforço do Estado. Quando a oposição anda anos e anos pelas ruas da amargura, à procura do tempo perdido, em nítido desnorte, fico profundamente preocupado. Apetece-me, então, gritar que sem partidos à altura não pode haver um Estado como deve ser.

 

publicado por victorangelo às 16:02

21
Ago 19

O SAPO anda por aí a perguntar a certas pessoas qual seria a sua prioridade número um, se fossem o próximo Primeiro-Ministro, após as eleições legislativas de Outubro. Acho que é uma boa iniciativa. Mais ainda, creio que cada português – homens e mulheres – se deveria interrogar da mesma maneira. Daí resultaria, certamente, um sentido mais apurado do que falta fazer no nosso país. Todos ganharíamos com esse exercício.

publicado por victorangelo às 21:00

17
Ago 19

Leonídio Paulo Ferreira é um dos jornalistas mais seniores do Diário de Notícias. E o Leonídio, com a experiência que tem, consegue fazer milagres. Sou prova disso. Publica hoje no DN uma entrevista que me fez. No final das nossas perguntas e respostas, fiquei a pensar que a coisa não tinha corrido bem. Que as minhas respostas, sobre temas que conheço de trás para a frente e com os quais continuo a conviver diariamente, poderiam ter saído com mais garras.

Ao ler o texto hoje publicado, fiquei mais tranquilo.

Só posso agradecer ao Leonídio, sem esquecer o fotógrafo, Pedro Rocha, que me apanhou ao natural, acompanhado pela estatueta gigante que defende a minha sala de estar – a minha neta baptizou esse guarda de madeira do Zimbabwe de Jorge, que isto de dar nome a um ser estranho ajuda a vencer os preconceitos e o medo.

Quanto ao resto, todos os dias há muito que dizer sobre o mundo em que vivemos. O problema é transformar a abundância de informação numa leitura que interprete o sentido das coisas e sugira soluções. A informação sem interpretação leva à confusão e ao simplismo.

publicado por victorangelo às 21:29

09
Ago 19

Não sei se já tentou explicar ao seu gato que, num Estado democrático e com um governo constitucionalmente legitimo, é essencial reconhecer a autoridade do governo. Claro que não é fácil convencer o bicho, mas há que insistir, repetir e não perder a paciência. Se o seu gato lhe falar do 25 de Abril e da liberdade, diga que sim. São aspectos determinantes da nossa vida. Mas repita que sem um Estado forte, a agir dentro da lei, não há sociedade que se entenda nem respeito pelos interesses de todos, que são mais importantes que os interesses específicos do seu gato e dos seus companheiros de goteira.

Caso não tenha gato, experimente falar com um pássaro, um pardal, por exemplo. Há muitos, por aí.

 

publicado por victorangelo às 20:58

13
Mai 19

Hoje baixei a bolinha perante Joe Berardo. Foi assim. Preparava-me para lhe enviar uma mensagem, a pedir que me respeitasse, pois eu sou mais graduado na hierarquia da Ordem do Infante D. Henrique. Ele é “apenas” Comendador e eu, Grande Oficial, uma categoria acima. Felizmente alguém me lembrou que Joe fora feito Comendador por Ramalho Eanes, em 1985, verdade. Mas que fora elevado à dignidade de Grã-Cruz por Jorge Sampaio, em 2004. Por coincidência, no mesmo ano que Sampaio me condecorou como Grande Oficial. Ora, se o homem é Grã-Cruz, o nível mais alto da Ordem, eu só posso fazer uma reverência. Joe ganha sempre.

publicado por victorangelo às 20:00

29
Mar 17

http://visao.sapo.pt/opiniao/opiniao_victorangelo/2017-03-29-Terrorismo-e-nao-so

O link acima leva ao texto que este serão publico na Visão on line sobre o terrorismo e outros desafios que enfrentamos, enquanto cidadãos da UE. Procuro contextualizar a questão do terrorismo e alertar para o perigo que existe de amplificar os crimes cometidos por marginais nas margens das nossas vidas.

publicado por victorangelo às 19:46

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