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Crescemos quando abrimos horizontes

22
Jan 20

A radicalização de posições faz mal à política. Um país, Portugal, por exemplo, tem sempre um tecido social diverso, por muito forte que seja a identidade nacional. Aliás, o próprio conceito de identidade nacional, em vários dos Estados da Europa Ocidental, é cada vez mais difícil de definir. Voltarei a essa reflexão um destes dias. Agora, concentro-me na diversidade de interesses e de opiniões que existe em cada sociedade. E que deve ser respeitada.

O papel dos actores políticos só pode ser o de tentar encontrar áreas de entendimento entre os diferentes segmentos da sociedade.  Nenhum país medra se passa o tempo em guerra civil consigo próprio. Apostar na divisão e no ataque sistemático contra os que pensam de outra maneira é má política, é coisa do passado. Liderar é saber construir consensos, erguer as bandeiras que contam para a maioria e ter a coragem de propor plataformas abrangentes. Liderar é unir e garantir o progresso colectivo.

Este blog não se cansará de repetir a mensagem da convergência. Como também não deixará de criticar os radicais que andam nas praças públicas e que se acham senhores da verdade. Infelizmente, temos uma boa colecção deles. E vemos, com preocupação, que fazem mais ruído e captam mais atenção do que lhes seria devido. Mas não há razões para hesitar nem para que nos deixemos atemorizar.

Um radical é um simples de espírito, uma pessoa de uma ideia só. Não creio que seja difícil demonstrar que essa simplificação do argumento não é resposta que se possa aceitar.

publicado por victorangelo às 20:19

28
Dez 19

Estamos agora na ponta final deste ano. É a altura de fazer as contas, de proceder ao balanço dos últimos doze meses. Ora, balanços há muitos e cada um fará o seu.

Aqui, em Portugal, em matéria política, 2019 foi um ano de viragem. Um período de rearranjo do xadrez partidário.

O PS manteve a dianteira, acima de tudo porque as pessoas não querem grandes alterações nem querem ouvir falar de austeridade. Não entusiasma o povo, mas também não faz ondas. Deixa andar e mantém a fachada. António Costa é, acima de tudo, um gestor de efeitos luminosos. À sua esquerda, temos um PC que envelhece. Convence apenas os convencidos, que não são muitos. O tempo fará o resto. Os amanhãs que cantam estão agora arrumados nos livros de história que ninguém lê. O BE termina o ano à procura de si mesmo, como um fantasma perdido nos corredores de um emaranhado de ilusões. É, cada vez mais, o partido do irrealismo, dos líricos e dos frustrados sociais.

À direita, o CDS termina o ano em estado de coma. Não sabe para que serve. Sem liderança e sem bandeiras, apertado entre o PSD e a nova direita – liberal ou populista – o CDS é agora sinónimo de irrelevância. Quanto ao PSD, as divisões internas, as ambições das diferentes facções, o cinzento da sua liderança, tudo contribui para que o partido se reduza aos que não querem votar PS e também não querem ir para os extremos. É um escanzelado político, com fome de poder, mas sem forças nem artes para chegar à gamela. Fecha o ano com uma corrida à liderança interna que faz pensar numa caldeirada de peixe que já perdeu a frescura.

Temos ainda as novas representações. Aqui, quem irá marcar pontos, aglutinar a direita e o sentimento anti-PS, poderá ser o Chega. O problema é que se trata de uma banda de um só solista. Quem anda só, pode acabar por se perder. Dizem que o Chega é da extrema-direita. Eu vejo-o mais como uma agremiação populista e oportunista, radical, claro, como um possível viveiro de todo o tipo de direitistas frustrados e combativos. Quanto o Livre, é uma botija de gás que se esvazia rapidamente. Não tem pernas políticas capazes de criar um movimento de apoio suficiente. Durou quatro ou cinco semanas, e já está.

No meio de tudo isto, continua a faltar um movimento de cidadania que marque pontos. Temos, nas associações de cidadania, gente com cabeça. Mas não conseguem ultrapassar as audiências de grupos de amigos. Esta é uma área que vejo, com pena, arrastar os pés e não ser capaz de mobilizar mais energias.

E assim vamos chegando ao final da etapa 2019.  

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 22:18

17
Dez 19

Quando saí de casa, às três da tarde, a temperatura exterior era de 17 graus centígrados. Tive que olhar duas vezes para o termómetro, para poder acreditar. 17 graus, no dia 17 de Dezembro, em Bruxelas, só dava para ficar com os olhos esbugalhados. Uma temperatura absolutamente inacreditável, nesta altura do ano, nesta cidade.

Já ontem se tinha falado, na comunicação social, dos 15 graus registados em várias partes da cidade.

O clima anda maluco. Só não o vê quem não quer. Ou, então, é político e acha que que o melhor é deixar andar. Essa é, aliás, a maneira de pensar de muitos políticos. Deixar andar, fingir que não há problema, tratar do imediato e não fazer ondas.

 

publicado por victorangelo às 21:36

07
Dez 19

Ontem, a paisagem dos 70 anos de idade abriu-se à minha frente. À partida, o horizonte oferece os tons próprios desta estação da vida, com cores que são hoje mais vivas do que aquelas encontradas pelas gerações que nos precederam.

Recebi muitas mensagens, por todos os meios, de muitas pessoas amigas e conhecidas. A todos agradeço. Como agradeço muito especialmente ao casal de amigos que se deslocou propositadamente a Bruxelas, para poder passar umas horas comigo. E, claro, à família mais chegada.

Um dos meus “afilhados”, gente mais jovem que trabalhou em determinado momento da minha vida internacional comigo, mandou-me uma mensagem de Bujumbura, a capital do Burundi, o seu país de nacionalidade. Foi uma mensagem diferente, de um Africano jovem, com uma família ainda a crescer. A mensagem desejava-me, com todas as letras, “uma velhice feliz”. É o tradicional respeito pelos velhotes.

Fora isso, a luta continua, como diziam lá para os lados de Luanda.

publicado por victorangelo às 19:14

13
Nov 19

Tenho muito que receio que o acordo entre o PSOE – os Socialistas espanhóis – e Podemos não tenha a consistência necessária para ser governo. Até agora ainda não apareceu ninguém na fila a querer juntar-se aos dois signatários. Sem que isso aconteça, não há maioria suficiente nas Cortes. Poderá haver um governo que passe, mas passará apenas enquanto o resto dos deputados o entenderem. Ora, a extrema-direita e a direita estão a cavalgar uma onda nacionalista, que o PSOE e o Podemos não poderão acompanhar. Estão em maré crescente, enquanto os dois partidos da esquerda e da extrema-esquerda estão numa situação de estagnação política e de indefinição quanto a uma questão tão fundamental em Espanha, a questão das nacionalidades.

Na minha opinião, a Espanha está hoje numa crise política profunda. E assim irá continuar, a não ser que me engane. Bem gostaria, neste caso, de estar enganado. Por causa da estabilidade dos nossos vizinhos e por causa do impacto que a situação espanhola pode ter na nossa economia.

publicado por victorangelo às 19:17

16
Out 19

No campo das ideias, uma das grandes frentes de batalha actuais é a luta contra os charlatães. Eles andam por aí. Na política, na vida académica, na comunicação social, nas redes sociais. São os “Narcisos” de agora. Têm sempre uma solução para tudo e mais alguma coisa. Alguns, inventam estatísticas e factos, para dar mais credibilidade às suas teorias e discursatas. Impressionam pela mentira e pelo teatro. Enchem plateias, porque existe sempre gente disponível para acompanhar a exibição e fazer parte do show.

Por isso, o espaço para o contraditório tem que ser garantido. Em todas as áreas que importam para a vida pública. Através do comentário honesto e informado. Também, por meio de colunas e rubricas de detecção de mentiras. Os jornais de referência têm aqui uma responsabilidade especial: devem ajudar os leitores na identificação de mentiras e dados falsos. Esta é uma nova área de jornalismo, numa altura em que as “notícias falsas” passaram a ser moeda corrente.

publicado por victorangelo às 15:52

29
Set 19

Hoje, mais do que nunca, é fundamental mostrar boa-fé, quando se faz política. Os eleitores têm acesso a muitas e diversas fontes de informação. Alguns poderão ter imensas dificuldades perante tanta informação. Mas uma grande parte acaba por formar uma opinião ou ver o seu ponto de vista confirmado. E uma das características que procuram nos políticos de agora, depois de tantas decepções e enganos, é a da sinceridade.

A lisura de intenções dá votos. Por isso, se eu fosse conselheiro de algum político dir-lhe-ia que, acima de tudo, é necessário mostrar que se anda na política e em campanha pelo bem comum. Porque se acredita na causa pública, no projecto que se defende, numa maneira positiva e altruísta de governar o que é de todos.

A imagem e a narrativa devem reforçar o sentimento de franqueza e de verdade que procuramos transmitir. Está aí o segredo do apoio popular.

Creio dever lembrar isto, agora que estamos todos em campanha, uns activamente, outros por tabela e porque não conseguimos fechar os olhos à realidade que nos cerca.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 14:41

26
Ago 19

Advogo o reforço da autoridade do Estado. Acrescento, porém, que seria um erro confundir a ideia de um Estado forte com a promoção da burocracia. Sou contra a burocracia inútil e tentacular, omnipresente e burra. O excesso de regras e regulamentos, de actos administrativos absurdos, consome recursos, complica a vida dos cidadãos, favorece as práticas corruptas e desvia o Estado do seu papel estratégico que é o de criar as condições para que a criatividade e o progresso floresçam.

Sou a favor de um Estado eficaz naquilo que devem ser as suas funções estratégicas de ordenação e protecção da vida da nação bem como na defesa dos interesses colectivos na arena internacional. Um Estado capaz de proteger cada cidadão dos diabos que sempre existem, de promover a igualdade de oportunidades e de projectar uma imagem positiva daquilo que somos enquanto povo.

Não se trata de uma deriva autoritária. Nem a defesa de um regime centralizador. Antes pelo contrário, na minha concepção, o reforço do Estado passa pela descentralização da autoridade administrativa, pela transferência de competições para níveis próximos do quotidiano das pessoas, pelo reforço do poder autárquico e pela criação de espaço e poder para as organizações de cidadania, para a sociedade civil. Sem esquecer, claro, o empreendimento económico e empresarial.

Também sou contra a apropriação do poder do Estado por um partido político, por mais hábil que o seu grupo dirigente possa ser. A “mexicanização” da vida política, com um partido a ganhar sucessiva eleições, leva, sempre, à corrupção, ao nepotismo, às teias de familiares e amigos que passam a controlar vastas áreas da governação, ao descrédito da acção política. A alternância partidária faz parte do reforço do Estado. Quando a oposição anda anos e anos pelas ruas da amargura, à procura do tempo perdido, em nítido desnorte, fico profundamente preocupado. Apetece-me, então, gritar que sem partidos à altura não pode haver um Estado como deve ser.

 

publicado por victorangelo às 16:02

21
Ago 19

O SAPO anda por aí a perguntar a certas pessoas qual seria a sua prioridade número um, se fossem o próximo Primeiro-Ministro, após as eleições legislativas de Outubro. Acho que é uma boa iniciativa. Mais ainda, creio que cada português – homens e mulheres – se deveria interrogar da mesma maneira. Daí resultaria, certamente, um sentido mais apurado do que falta fazer no nosso país. Todos ganharíamos com esse exercício.

publicado por victorangelo às 21:00

17
Ago 19

Leonídio Paulo Ferreira é um dos jornalistas mais seniores do Diário de Notícias. E o Leonídio, com a experiência que tem, consegue fazer milagres. Sou prova disso. Publica hoje no DN uma entrevista que me fez. No final das nossas perguntas e respostas, fiquei a pensar que a coisa não tinha corrido bem. Que as minhas respostas, sobre temas que conheço de trás para a frente e com os quais continuo a conviver diariamente, poderiam ter saído com mais garras.

Ao ler o texto hoje publicado, fiquei mais tranquilo.

Só posso agradecer ao Leonídio, sem esquecer o fotógrafo, Pedro Rocha, que me apanhou ao natural, acompanhado pela estatueta gigante que defende a minha sala de estar – a minha neta baptizou esse guarda de madeira do Zimbabwe de Jorge, que isto de dar nome a um ser estranho ajuda a vencer os preconceitos e o medo.

Quanto ao resto, todos os dias há muito que dizer sobre o mundo em que vivemos. O problema é transformar a abundância de informação numa leitura que interprete o sentido das coisas e sugira soluções. A informação sem interpretação leva à confusão e ao simplismo.

publicado por victorangelo às 21:29

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