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Crescemos quando abrimos horizontes

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Afeganistão: e agora?

https://www.dn.pt/opiniao/nao-podemos-varrer-o-afeganistao-para-debaixo-do-tapete-14196999.html

Este é o link para o meu texto desta semana, hoje publicado no Diário de Notícias. 

Trata-se de reflexão prospectiva sobre o futuro a curto prazo do regime talibã. Abordo a urgência humanitária, a situação económica e a questão do reconhecimento diplomático do novo regime. 

"O reconhecimento do novo regime, incluindo a sua representação na ONU, vai depender da posição que cada membro do G20 vier a adoptar. Acontecimentos recentes mostram uma tendência para o estabelecimento de contactos pontuais, enquanto ao nível político se continuará a falar de valores, de direitos humanos, da inclusão nacional ou do combate ao terrorismo. E a mostrar muita desconfiança para com a governação talibã. Com o passar do tempo, se não surgir uma crise migratória extrema ou um atentado terrorista que afecte o mundo ocidental, o novo regime afegão, reconhecido ou não, poderá ser apenas mais um a engrossar a lista dos estados repressivos, falhados e esquecidos."
Este parágrafo fecha o meu texto. 

As mulheres de Cabul

Participei hoje num longo debate, organizado pelo Clube de Lisboa, sobre as perspectivas a curto e médio prazo do Afeganistão. Existe um vídeo disponível.

O webinar mostrou a coragem das mulheres afegãs, representadas pela antiga deputada Shukria Barakzai. Continua em Cabul, falou a partir de lá e foi directa na sua critica do poder talibã.

 A sua intervenção lembrou-nos que o Afeganistão de hoje é muito diferente, nas cidades pelo menos, do que existia há vinte anos. Muitos cidadãos, homens e mulheres, estão prontos para defender um país mais moderno, uma sociedade diferente da imaginada pelos talibãs. E nessa luta, as mulheres de Cabul desempenham um papel mais activo que os homens. São mais combativas.

A Europa perante a possibilidade de uma nova onda migratória

https://www.dn.pt/opiniao/migracoes-e-temores-europeus-14103681.html

O link acima abre o meu texto desta semana no Diário de Notícias. Publicada ontem, esta crónica olha para os possíveis movimentos migratórios que a nova situação afegã pode originar, tendo sempre presente a perspectiva europeia e a acção política.

Cito, de seguida, um extracto da minha crónica. É um parágrafo final, que resume uma parte importante da questão.

"Os diferentes estados europeus estão dispostos a acolher quem trabalhou diretamente com as suas forças militares. Mas não têm a intenção de ir mais além. Aos habituais Viktor Orbán e companhia, junta-se agora uma nova vedeta, o Chanceler austríaco Sebastian Kurz. E as redes sociais já estão cheias de teorias catastróficas sobre o impacto que adviria de um aumento da proporção de muçulmanos em terras europeias. Sem esquecer, dizem, os possíveis perigos de atentados terroristas. A realidade é que aqui, na UE, como noutras partes do mundo, as questões de identidade cultural estão cada vez mais no centro da agenda política."

O nosso pequeno talibã e os grandes do Afeganistão

O tuite vergonhoso do deputado do PS e a versão que se seguiu – foi tão má a emenda como o soneto – é uma das razões que me levam a escrever sobre a coragem das mulheres afegãs em vez de perder palavras com a maioria dos políticos portugueses. Essa coragem deixa muitos dos observadores totalmente surpresos. Os talibãs são uns selvagens armados até aos dentes. Ter a coragem de lhes dizer na cara que há direitos humanos que é preciso respeitar e que o Afeganistão de hoje não comparável ao que existia há 20 anos, merece a nossa admiração total.

Entretanto, o governo que foi anunciado em Cabul, e que por desleixo não incluiu o tal deputado entre os seus membros, anuncia uma governação retrógrada, feita de mulás e de gente que aprendeu a vida a praticar actos de terrorismo. É certamente uma péssima indicação do que está para vir.  

Notícias do Afeganistão

Grupos de mulheres vieram para a rua em Cabul e numa ou outra cidade de província para lembrar aos talibãs os seus direitos. Registo e admiro a coragem que mostraram ter.

Também noto que a formação do novo governo, no seguimento da tomada do poder pelos talibãs há quase três semanas, continua a ser negociada. Isso quererá dizer que há mais divergências entre eles do que aquilo que se possa pensar. E que os equilíbrios de poder não estão a ser fáceis.

Entretanto, a economia e a situação humanitária continuam em queda livre. Chegou alguma ajuda alimentar vinda do Golfo (Qatar) e do Paquistão. São gotas de água, mas são bem-vindas. E o Secretário-Geral-Adjunto da ONU para a Coordenação Humanitária esteve hoje em Doha, para consultas com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar. Foi uma boa iniciativa.

O medo dos movimentos migratórios

A questão migratória está de novo no centro das discussões europeias. Num contexto internacional profundamente alterado, a única preocupação para muitos dos dirigentes europeus é a de evitar movimentos de massa de pessoas vindas do Afeganistão. Estão prontos para gastar o que for preciso para conter os refugiados e os migrantes afegãos nos países vizinhos, no Paquistão e mesmo no Irão.

O receio dos movimentos migratórios deveria fazer os europeus pensar duas vezes antes de enviar expedições militares para países longínquos, fora de um mandato internacional aprovado pelas Nações Unidas.

Duas abstenções no Conselho de Segurança

A resolução sobre o Afeganistão, que foi tema do meu blog de ontem, foi aprovada por 13 dos 15 estados que compõem o Conselho de Segurança da ONU. A China e a Rússia abstiveram-se, apesar do texto ter sido trabalhado de modo a torná-lo menos imperativo e mais respeitador da nova autoridade que controla o Afeganistão.

No caso da China, ficou pouco claro qual foi a razão da abstenção. Quanto à Rússia, tratou-se, para já, de um favor feito à China, pois o representante russo disse que a abstenção se justificava por não haver no projecto de resolução uma qualquer referência ao Movimento Islâmico do Turquestão Oriental, um grupo moribundo que a China acusa de levar a cabo acções terroristas na província uigur de Xinjiang. A verdade é que esse grupo está inactivo há já algum tempo.

A Rússia precisa da China. E a China olha para o Afeganistão com grande interesse. Ambos querem estabelecer boas relações com o poder talibã. Nessa competição, ganhará a China.

 

O Afeganistão e o Conselho de Segurança da ONU

Neste dia em que o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução frouxa, para pedir aos talibãs que respeitem a promessa que fizeram de deixar sair do país quem tiver os documentos de viagem necessários, é preciso lembrar as realidades que a população está a viver.

Assassinatos sumários de membros das forças militares e de segurança, especialmente de mulheres com postos de responsabilidade no aparelho securitário que foi derrubado. Esses assassinatos estão a acontecer um pouco por toda a parte, sobretudo nos centros urbanos.

Repressão das mulheres e raparigas. Impedidas de ir trabalhar, de voltar às salas de aula. E os dirigentes confirmaram hoje à UNICEF que as raparigas só poderão frequentar o ensino primário.

Uma crise económica muito profunda. Não há dinheiro disponível, uma parte da economia não funciona e o país atravessa um período de seca muito grave, que provoca uma quebra significativa da produção alimentar. À crise económica seguir-se-á uma crise humanitária massiva.

Medo generalizado. As pessoas sabem o que significa uma governação talibã.

Ansiedade na região, que teme ver chegar um número impressionante de refugiados e um acréscimo do terrorismo, com grupos a operar a partir do Afeganistão.

Essas são as realidades. A resolução do Conselho de Segurança pouco mais é do que um tiro de pólvora seca. A França havia proposto uma resolução um pouco mais enérgica, embora fundamentalmente ligada às questões da evacuação e da ajuda humanitária, mas não conseguiu construir um consenso, que permitisse a sua aprovação. A atitude no Conselho é de esperar para ver. Ou seja, não agir quando o deveria fazer.

 

Os amigos portugueses dos talibãs

Anda por aí gente que, na sua ânsia de atacar os americanos e a NATO, até pintam os talibãs com umas tintas moderadas. E acrescentam que os ocidentais foram para o Afeganistão por causa das riquezas minerais do país, quando na realidade as poucas explorações mineiras que funcionam estão ligadas ao mercado chinês. E pagam aos talibãs para poderem continuar a operar.

 

Um novo e complexo desafio chamado Talibã

https://www.dn.pt/opiniao/um-novo-capitulo-nas-relacoes-internacionais-14063658.html

Este é o link para o meu texto de hoje, no Diário de Notícias. 

O texto centra-se em duas mensagens. A primeira, para sublinhar que a política internacional deve dar a primazia aos direitos e à dignidade das pessoas. A segunda, para defender que a nova situação no Afeganistão é um desafio regional e internacional muito importante. Por isso, exige um novo tipo de diplomacia, que procure sentar à mesma mesa o G7, a Rússia e a China.

Cito um parágrafo do texto que escrevi:

"O G7 deveria mostrar-se especialmente inquieto com o tipo de governação que os talibãs vão impor. A Rússia está consciente dos riscos para a estabilidade dos seus aliados na Ásia Central. A China está preocupada com a defesa dos seus interesses no Paquistão – os chineses não excluem um cenário em que terroristas paquistaneses e outros possam atuar, no futuro, a partir do Afeganistão e ameaçar o corredor económico que une a China ao porto de Gwadar, no Oceano Índico. Quer a China quer a Rússia teriam certamente muito interesse em participar nessa discussão com os países do G7. Assim se transformaria uma crise numa oportunidade de aproximação entre potências rivais. Ganhariam todos com esse tipo de diálogo, a começar pelos cidadãos do Afeganistão."

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