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A minha intervenção de hoje na CNN P.
Tempos de viragem. Convém estar muito atento.
Dizem-me que nas minhas intervenções públicas mais recentes falo repetidamente de escalada, que o conflito está a ficar mais intenso à medida que o tempo passa. Infelizmente, assim o vejo. E quando digo escalada, quero sublinhar que Vladimir Putin está cada vez mais perigoso, mais próximo do abismo. Também quero frisar que tudo o que possa ser feito para o conter, deve na verdade ser feito.
No seguimento do que escrevi ontem e perante a inteligência estratégica e operacional da liderança político-militar ucraniana e a coragem das suas tropas, penso ser altura de lembrar que cerca de 50% do armamento e do apoio logístico prometido pelos países ocidentais ainda não chegou à Ucrânia. Agora, uma vez mais, é claro que essas promessas devem ser cumpridas com toda a celeridade.
Os invasores estão surpreendidos, para já, com a capacidade ofensiva ucraniana. Mas não irão ficar quietos. Para além de recuarem – em pânico e não por questões de reagrupamento táctico – irão intensificar os ataques aéreos e com mísseis de longo alcance, lançados nomeadamente dos seus navios em operação no Mar Negro. É preciso armar a parte ucraniana para que se possa proteger desses bombardeamentos e, ao mesmo tempo, continuar a infligir uma pressão enorme sobre as forças invasoras, de modo a sapar o moral dessas tropas e a criar o máximo de problemas políticos a Vladimir Putin.
Os indícios que chegam ao ocidente mostram que há um certo nível de desentendimentos políticos no seio das elites políticas e militares russas. Uma das tarefas é a de contribuir para o agravamento dessas fracturas. É aí que está a solução para este conflito.
A questão da Crimeia será um dos aspectos mais sensíveis do conflito. Os planos futuros passam pela desestabilização das autoridades russas nesse território ocupado.
Entretanto, os nossos comentadores putinistas andam todos torcidos na comunicação social, a tentar propagandear, como de costume, a linha do Kremlin. Também eles falam de reagrupamento, quando todos os factos mostram debandada. Noto, no entanto, que um ou outro começa a tentar ser mais subtil e a falar numa possível reviravolta da situação, a favor da Ucrânia. Também aqui há o exagero a que nos habituaram. É precoce falar de uma reviravolta definitiva. Mas que há um elemento novo, que se traduz num golpe profundo na imagem das forças armadas russas e na qualidade dos seus dirigentes, há. E isso, se continuar, pode acabar por ser muito significativo.
Durante a entrevista que esta noite dei à RTP3 foi repetido, pelo outro interveniente, que que aquilo que se passa na Ucrânia é uma guerra entre a Rússia e os Estados Unidos, combatida em território ucraniano. Como se tratava de duas entrevistas paralelas, não quis contestar essa afirmação errada. Mas da próxima vez terei de o fazer. Essa leitura dos acontecimentos está muito fora da caixa e esconde a agressão da Rússia contra a Ucrânia.
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