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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A ofensiva de Assad, uma aposta militar

Bashar al-Assad aprendeu com os seus amigos russos que a solução é esmagar o adversário. Foi isso que aconteceu há anos, na Chechénia, uma república do Cáucaso que pertence à Federação Russa. É isso que está agora a ocorrer em Idlib, na fronteira da Síria com o Sudeste da Turquia.

Aprendeu também que uma vitória militar tem custos humanos terríveis, mas que isso é o preço a pagar. É uma atitude profundamente bárbara, que não se importa com o sofrimento das populações civis. Mas Assad é assim, não tem coração, tem armas, aliados e interesses a defender.

O sofrimento das populações de Idlib é imenso. Cerca de 900 000 pessoas estão deslocadas, a tentar fugir aos bombardeamentos de Assad e dos russos, mas não têm para onde ir. Estão encurraladas, à mercê do frio e da neve e à mão de semear dos ataques das tropas governamentais.

A ONU pediu uma trégua limitada, para poder dar ajuda humanitária aos deslocados. O Conselho de Segurança discutiu a questão hoje e não chegou a um acordo. A ofensiva militar vai continuar.

Para além do aspecto humanitário, existe igualmente um risco de confrontação entre as tropas de Assad e as de Erdogan. Já estivemos mais longe desse perigo.

A Síria vai continuar a dar que falar.

O ciclone Idai interpela-nos

O ciclone Idai deixou a maioria das infra-estruturas da cidade da Beira, em Moçambique, destruídas, para além de ter morto um milhar ou mais de pessoas. Foi um enorme desastre natural. Trouxe desafios inimagináveis para as famílias e para as autoridades.

A solidariedade internacional, e a ajuda de emergência, chegou primeiro da África do Sul, um país que tem capacidade para responder a este tipo de crises. Outros se seguirão, assim o espero. Portugal deveria responder também, na medida dos meios possíveis. E a população portuguesa precisa de mostrar que não fica indiferente quando algo desta gravidade acontece num país a que a história e o passado recente nos ligam.

 

Mais uma semana na UE

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=10359

O link para o meu programa desta semana na Rádio de Macau, um trabalho semanal de equipa com Hélder Beja, um homem de letras, e a jornalista Catarina Domingues. Ambos vivem em Macau há vários anos.

A questão humanitária e as nossas indiferenças

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Ajuda Humanitária. Uma data que nos lembra, acima de tudo, os enormes sacrifícios por que passam muitos dos trabalhadores humanitários no seu quotidiano. E que serve também para recordar os milhões de pessoas que vivem situações desesperadas e que precisam de ser ajudadas. Para a vasta maioria deles, é uma questão imediata de vida ou de morte. E é isso que define o trabalho humanitário e que o distingue dos programas de luta contra a pobreza: a urgência e os riscos imediatos de morte.

Na política internacional, o trabalho humanitário não tem o mesmo prestígio que o serviço político ou as questões de guerra e paz. Nem todos entenderão isso, mas a verdade é que assim é. Por isso, é importante que se fale mais, alto e bom som, sobre os esforços que muitos e muitos indivíduos fazem no desempenho das suas funções humanitárias.

Assim, hoje poderia ter sido um bom momento para contar umas histórias pessoais de portugueses que se têm distinguido nas acções humanitárias, em situações de extrema dificuldade, de grande stress físico e mental, de profunda insegurança. Infelizmente, a comunicação social passou ao lado. E sem caras, sem casos concretos, tudo isto parece distante e acaba por nos deixar indiferente.

 

 

MSF e a UE: visões divergentes

Médecins Sans Frontières (MSF) critica abertamente a actual política europeia em matéria de acolhimento de refugiados. E, por essa razão, acaba de resolver que não aceitará novos financiamentos vindos das instituições da UE bem como dos governos dos Estados membros. Em termos monetários e contando por baixo, a decisão provoca uma quebra nas finanças anuais de MSF na ordem dos 56 milhões de euros. É uma importância significativa, embora represente menos de 10% do orçamento anual da organização. Mas é acima de tudo um posicionamento político claro. Pode ser discutível. E é-o, certamente, que estas coisas das questões humanitárias não devem ser vistas apenas através de um único prisma. Mas para além da apreciação que se possa fazer e do mérito que MSF conquista todos os dias – sou um doador anual desta organização, o que mostra a minha opinião sobre o trabalho de MSF – a verdade é que a decisão agora tomada não vai alterar a política europeia. A intenção da Europa é, antes de mais, travar e mesmo parar a chegada em massa de novos candidatos ao refúgio. E, ao ir por essa via, estará cada vez mais longe da maneira de ver dos que pensam como MSF pensa.

 

 

 

 

Reflexões iniciais sobre a Cimeira Humanitária

A Cimeira Humanitária, que tem lugar hoje e amanhã em Istanbul, tem o grande mérito de chamar a atenção de muitos para os enormes desafios humanitários que actualmente existem, em várias partes do mundo. Só por isso, já vale a pena.

Levanta, no entanto, várias questões de ordem política e de princípio. Espero poder desenvolver e discutir esses temas em breve. Mas deixo, de imediato, algumas pistas.

Politicamente, é uma cimeira que não conseguiu atrair mais do que uma mão cheia de chefes de Estado e de Governo. Faltam muitos e dos mais importantes, a começar pelos EUA e a Rússia, bem como os mais importantes líderes europeus, com a excepção de Angela Merkel. E os discursos que foram pronunciados hoje deixam muito a desejar e contêm grandes zonas de sombra conceptual e prática.

É igualmente uma cimeira confusa, pois junta governos, ONGs internacionais, agências de desenvolvimento e associações humanitárias locais, como se coubessem todos no mesmo saco. Em matéria humanitária, a responsabilidade primeira pertence aos governos, a começar pelos governos dos países onde a crise humanitária está a acontecer. Por outro lado, qualquer tentativa de ligar a ajuda humanitária às questões do desenvolvimento e da resolução de conflitos deve ser feita com muito cuidado. Há aqui várias agendas encobertas, que pouco têm que ver com as necessidades urgentes das pessoas em risco. A função primeira da resposta humanitária é a de salvar vidas, responder a necessidades imediatas. Deve ocorrer sem qualquer tipo de agenda política. Não faz parte de um processo político, a não ser muito nas margens.

Por outro lado, uma das questões mais urgentes tem que ver com a proteção dos trabalhadores humanitários. Os bombardeamentos de hospitais, os raptos de agentes das ONGs e das Nações Unidas, a insegurança e a falta de acesso aos que precisam de ajuda são crimes inaceitáveis e, em muitos casos, serão mesmo crimes de guerra. A tendência, nos últimos anos, tem sido para o aumento da insegurança, para o ataque directo aos humanitários, impossibilitando-se assim a ajuda humanitária. Ora, isto é de uma importância capital. A Cimeira não pode passar por este problema com pé ligeiro.

 

70 anos de parabéns

No dia em que as Nações Unidas celebram os seus 70 anos de vida, aqui fica uma palavra grande de parabéns.


Neste dia, as mentes pequenas falam dos falhanços da organização. Os espíritos progressistas sublinham os aspectos positivos e exprimem votos para que a ONU desempenhe, no futuro que agora começa, um papel ainda mais central em matérias de paz, de direitos humanos, de desenvolvimento e de cooperação entre todos, incluindo na área do ambiente e da ajuda humanitária.

Uma Europa que se fecha

Fica registado que na reunião de hoje dos ministros dos Negócios Estrangeiros da UE, que decorreu em Bruxelas, não houve acordo sobre a maneira de distribuir pelos estados-membros 40 000 dos muitos e muitos refugiados e imigrantes que estão actualmente na Itália ou na Grécia.

Ninguém queria mais do que uma meia dúzia…

Humanitários portugueses

Fernando Nobre, o fundador da Assistência Médica Internacional (AMI), é indiscutivelmente um português que conta, em matéria de trabalho humanitário internacional. Tem uma longa experiência, em várias partes do mundo. Quando se pensa nele, deve ter-se em conta essa vivência e não a aventura política em que se meteu há já quase cinco anos. Assim se fará justiça ao papel que desempenha há décadas.

A acção humanitária e a política portuguesa são duas áreas bem distantes uma da outra. Qualquer tentativa de as misturar só pode levar a um grande fiasco.

Tive, esta tarde e vou ter, nos próximos dois dias, a oportunidade de estar com ele numa reunião em Stavanger, na costa ocidental da Noruega. Entretanto fiquei contente por ver que a sua organização tem uma imagem positiva. E gostei de o ver, no final do dia, a jogar aos matraquilhos com uma das técnicas da parte militar da conferência em que estamos empenhados.

Nesta mesma reunião temos mais dois jovens portugueses, filhos da emigração e hoje funcionários de organizações humanitárias da ONU. Um, é franco-português e trabalha com a ONU-OCHA (Office for the Coordination of Humanitarian Affairs), em Genebra. A outra é luso-canadense, está ao serviço do Programa Mundial de Alimentação das Nações Unidas, em Roma. Em breve, estará baseada na cidade do Cairo. Ocupar-se-á então do Norte de África, do Médio Oriente e da Ucrânia. Ou seja, será mais uma portuguesa com uma posição de relevo na resposta às crises humanitárias nessas regiões, que são particularmente problemáticas.

 

 

A solidariedade

Aqui está o link para a crónica que público hoje na Visão:

 

http://tinyurl.com/npup3km

 

E, se seguida, o texto, a partir do original submetido para publicação:

 

 

 

Combater a indiferença

Victor Ângelo

 

 

 

Nos últimos dias de Novembro de 1984, um grupo de artistas lançou, a partir de Londres, uma canção e um movimento de solidariedade a favor das vítimas da fome na Etiópia. Assim surgiu um dos maiores sucessos de ajuda popular, que ficou conhecido como “Live Aid”. Bob Geldof e Bono, do grupo U2, foram, entre muitos outros músicos e cantores, os grandes patrocinadores da iniciativa que teve um impacto mundial e se transformou num marco significativo da história da cooperação internacional. Lembro-me que uma década mais tarde, quando Geldof e Bono apareciam em Nova Iorque, eram recebidos na ONU como figuras lendárias, humanistas a quem se devia respeito e admiração.


Passados quase trinta anos e perante as tragédias da Síria às Filipinas, sem esquecer a situação de pré-genocídio que se vive na muito esquecida República Centro-africana, não me parece descabido levantar uma questão muito directa: somos hoje menos solidários? No fundo, trata-se de questionar a indiferença que agora define a nossa atitude perante o sofrimento em larga escala de muitos dos nossos contemporâneos.


Tenho sublinhado publicamente esta pergunta, nos últimos tempos, sempre que a ocasião o permite. Faço-o por estar convencido que a indiferença diante da desgraça dos outros tem hoje mais peso que o sentido de fraternidade. As imagens televisivas banalizaram a dor alheia. Transformaram os infortúnios em estereótipos. Habituaram-nos a ver os Africanos como gente que vive na miséria e em situações de conflito, os Filipinos como um povo que está sempre inundado e à deriva, os refugiados como pessoas acostumadas à infelicidade e aos afogamentos. E assim por diante. Por outro lado, a crise e o desemprego nos países desenvolvidos têm tirado espaço e força às campanhas que procuram promover a solidariedade com povos distantes. Assim, nos países ocidentais e em Bruxelas, nomeadamente, as instituições oficiais que se ocupam da cooperação para o desenvolvimento e da ajuda humanitária têm estado a perder peso político.


Por outro lado, a opinião pública tem sido subtilmente influenciada pela ideia que o mundo para além das nossas fronteiras nos é hostil. Certos líderes de opinião tentam meter-nos na cabeça que os outros povos apenas pretendem roubar-nos empregos, através da globalização, ou imigrar para as nossas cidades e submergir os nossos valores e tradições. Quando se tem essa visão do estrangeiro, não é fácil aceitar a premência de um sistema de relações internacionais que seja mais justo e mais generoso.


Nas minhas funções internacionais invoquei muitas vezes o princípio da solidariedade entre os povos, quando precisava de mobilizar recursos para responder a desastres humanitários ou para evitar o regresso à violência e a crises civis. Nos últimos anos tive, no entanto, que acrescentar progressivamente mais umas frases, para tentar demonstrar que, para além da solidariedade, estavam também em jogo os interesses nacionais dos doadores. Apenas a combinação destes dois argumentos permitia mover as burocracias e soltar os cordões à bolsa. Hoje, até este entendimento é mais curto. Os interesses nacionais, para as maiorias que nos governam, têm apenas que ver com os resultados que irão sair das próximas eleições.


Num contexto assim, é fundamental apoiar os esforços dos cidadãos e das associações que estejam genuinamente empenhados em tarefas altruísticas. Também é essencial que se continue a falar destas coisas. Para combater a indiferença e lembrar que a solidariedade é um valor humano que nos permite estar mais vivos na vida que nos rodeia.

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