Portugal é grande quando abre horizontes

16
Set 19

O Público de hoje tem um texto muito bom sobre o problema da água no Algarve. Escreve nomeadamente sobre a enorme pressão que novos tipos de agricultura comercial e o novo campo de golf de Tavira exercem sobre os recursos hídricos, numa região cada vez mais seca. Esses são apenas exemplos do descuido e dos erros que por aí existem. Mas o pior é que a política da água não está na agenda dos partidos políticos. É um cegueira completa, que só mostra a incompetência e a falta de visão estratégica de quem anda pelas nossas ruas da política.

publicado por victorangelo às 20:53

09
Set 19

Passei um par de dias a conduzir pelas zonas fronteiriças que separam o Baixo Alentejo e o Algarve da província espanhola de Huelva. Ambos os lados estão a fazer um uso intensivo das reservas de água disponíveis. Não parece haver regras, nem uma visão sustentável da gestão do recurso. Primam os olivais, os laranjais, os diversos pomares, as vinhas e outras culturas, bem como uma utilização desenfreada da água para alimentar uma proliferação de piscinas e de jardins privados. As reservas freáticas e os lençóis em profundidade, que se formaram ao longo de milhões de anos, estão sob pressão frenética, por motivos comerciais e porque os novos-ricos querem que as suas residências secundárias se assemelhem às vivendas das estrelas de Hollywood. O próprio Alqueva está a ser chupado a toda a velocidade, para regar centenas de milhares de pés de oliveiras, campos de milho a perder de vista – sim, em pleno Verão, milho nas securas do Baixo Alentejo, mas que aberração – e uvas e mais uvas. A floresta tradicional, menos exigente em água, mais adaptada ao clima e às condições do solo, só sobrevive nas zonas de serra e onde se cria o porco ibérico.

A água será, nestas regiões, e noutras da Península, uma das grandes questões do futuro. E poderá vir a ser, à volta do Guadiana, uma fonte de tensão entre os dois países vizinhos. É um tema essencialmente político, que é totalmente ignorado pelos anões políticos que por aí andam.

publicado por victorangelo às 21:28

25
Ago 14

Já aqui o disse há dois anos e volto a escrevê-lo hoje, com outras palavras mas com o mesmo sentido. Percorrer a Nacional 125, no Algarve, é como arranhar os olhos contra cactos selvagens e poeirentos. As bermas da estrada mostram a paisagem de um Algarve caótico, sujo, confrangedor na sua pobreza. Sem contar com os comércios às moscas, o trânsito intenso nesta altura do ano e as rotundas mal sinalizadas e perigosas.  

publicado por victorangelo às 22:49

22
Ago 14

Estou há cerca de uma semana no coração de Vilamoura. Sem sair muito da casa onde passo duas semanas de férias, fico com a impressão de estar num outro país. As ruas e as vivendas desta zona têm muito pouco que ver com o resto do Algarve. A própria marina de Vilamoura é um mundo à parte. Só lá fui uma vez, há uns dias, e ficou claro que por ali há dinheiro e gente de fora.

 

Felizmente que as poucas excursões que até agora fiz fora desta área me levaram, de cada vez, ao mercado da Quarteira. A Quarteira está pegada a Vilamoura, do mesmo modo que a noite se segue ao dia. O mercado é, no entanto, uma experiência agradável. Ir às compras é voltar a um Portugal descontraído e simples, ao peixe fresco, caro, e às hortaliças e frutas, em conta.

 

Esse Portugal é bem melhor do que o outro que permite a dois ex-administradores, que de um modo ou de outro, tiveram a responsabilidade de levar o BES à ruína, voltar agora a prestar serviços no Novo Banco. O banco pode ser novo, mas as manhas ou as incompetências desses senhores são velhas e conhecidas. A sua nomeação não deveria fazer parte do Portugal de hoje. Mas faz. O que não augura um futuro brilhante para a equipa de Vítor Bento.

São sinais destes que mostram qual poderá ser o futuro.

 

 

publicado por victorangelo às 22:29

17
Ago 14

O contraste é ainda maior quando se vem directamente da Noruega para o Algarve. É como passar de um jardim bem tratado a um mato sujo, caótico, em que o luxo e a merda vivem lado a lado.

publicado por victorangelo às 22:22

07
Jul 14

Pedi cherne grelhado ao almoço em Olhão, com um acompanhamento de legumes salteados. Tudo sem sal, para que não houvesse a tentação, como é hábito no Portugal profundo, de salgar tudo.

 

O restaurante estava localizado em frente do mercado do peixe, no passeio oposto, uma questão de vinte metros ou coisa assim.

 

O cherne veio grelhado, mas moído, pois já teria conhecido dias mais frescos, salgado até dizer já chega, e os legumes haviam sido cozidos em água. Se saltaram na frigideira, deve ter sido um salto virtual.

 

Não valeu a pena insistir. As duas jovens que serviam à mesa tinham uma excelente apresentação. Mas quanto a experiência profissional, ou ideia do que é a restauração, enfim, com muito favor, dava-lhes um zero à esquerda.

 

Isto de pensar que qualquer cara bonita pode servir à mesa...

 

publicado por victorangelo às 22:10

28
Ago 13

Pronto. As duas semanas de férias acabaram. Volto às lides. E é como um voltar a Portugal, depois de uns tempos na Aldeia das Açoteias, em Albufeira, no Algarve. Rodeados de ingleses por todos os lados, na véspera do regresso a Lisboa alguém da família disse, saiu assim, e é bem verdade que o disse, “a que horas saímos amanhã para Portugal”?

publicado por victorangelo às 18:45

23
Jun 13

O Público de hoje informa-nos que apartamentos de luxo, novos, junto da Marina de Vilamoura e dos campos de golfe, foram ontem a leilão, a metade do preço e mesmo assim não encontraram comprador. O que teria custado 215 mil euros, no caso de um T2, esteve à venda por pouco mais de 100 mil e acabou por ser retirado do mercado.

 

Esta notícia terá passado despercebida a muitos. Para mim, enquadra-se bem no que escrevi ontem sobre as consequências que advêm de se falar repetida e estouvadamente da possível saída de Portugal do Euro.  

publicado por victorangelo às 20:44

08
Abr 12

 

 

Copyright V. Ângelo

 

O comentário que o leitor P escreveu hoje, relativo ao meu texto sobre o estado de abandono do Algarve, do lado do Sotavento, tem toda a razão de ser. Uma parte importante da economia agrícola da região está em ruínas. 

 

Já ontem o leitor Nação Valente fizera um comentário sobre o mesmo assunto, também muito certeiro. Fez, igualmente, referência à situação muito diferente que se vive do outro lado da fronteira, onde tudo está mais cuidado, cultivado ou aproveitado.

 

E o Tito partilhou a sua opinião sobre Tavira. Uma aldeia grande, sem vida para além do Verão. 

 

Por falar em Tavira, um conhecido meu é proprietário de uma das quintas mais produtivas dos arredores da cidade. Investiu conhecimento - é agrónomo - e dinheiro na propriedade. Produz uvas e laranjas de qualidade. Que não consegue vender. Quando aparece um intermediário, é para oferecer um preço ridículo, que, na maioria dos casos, ficará a dever ao produtor. 

 

Assim, não há economia agrícola que possa funcionar. 

 

Como também é muito difícil ter um rasgo de optimismo.

 

Sem esquecer que a confiança nos concidadãos é fundamental para o progresso social. Sem honestidade nem princípios morais nada funciona. 

 

Entretanto, os Ministérios da Agricultura e da Economia andam aos papéis, sem que ninguém lhe reconheça algum...

 

publicado por victorangelo às 21:45

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