Portugal é grande quando abre horizontes

06
Out 19

É uma parvoíce intelectual, para além de ser um chavão frequentemente repetido, falar na “desintegração do Ocidente”. Qual desintegração, qual carapuça! E o Ocidente, fica aonde? Começa após o quintal de Vladimir Putin e termina à porta de Donald Trump? E passa ao lado das ruas sem flores onde moram Marine Le Pen ou Matteo Salvini?

“Ocidente” é um conceito impreciso e ultrapassado.

O que se passa, isso sim, é a afirmação da pluralidade das culturas humanas. Passámos a reconhecer que estamos agora num mundo em que a diversidade é reconhecida, se afirma e ganha força. E somos convidados a aceitar que o percurso para o futuro não deverá ser feito com base numa perspectiva imperial, que tentaria impor uma certa maneira de estar e de ver a vida. Também não poderá assentar num confronto entre civilizações.

A afirmação de outras culturas é o resultado de um desenvolvimento mais equilibrado do mundo. A sua pujança traduz, na melhor das hipóteses, optimismo e vitalidade económica, noutras, um certo tipo de revanchismo ou, simplesmente, desagravo, depois de uma longa história de humilhações e de escárnio. De uma maneira ou outra, trata-se de uma realidade que deve ser vista como positiva e enriquecedora.

Olhemos em frente, é o que também gosto de sugerir. O futuro só terá paz e progresso se for construído a partir do entendimento, da compreensão entre as várias culturas e da cooperação entre sistemas de valores que poderão ser divergentes em vários aspectos mas que deverão coincidir quando se tratar de questões fundamentais. Destas, sublinho duas, que considero prioritárias e deverão ser os pilares da nossa casa comum: o respeito pela dignidade de cada indivíduo e o esforço comum pela conservação da natureza e do meio ambiente.

 

publicado por victorangelo às 16:41

23
Set 19

O discurso que Greta Thunberg pronunciou hoje nas Nações Unidas, na Cimeira sobre o Clima, vai ficar na história. Foi uma intervenção curta, profundamente humana, sentida, verdadeira e directa. É impossível ficar indiferente perante o que disse e a maneira como o disse.

Mas os líderes políticos têm como uma das suas características o ficar indiferente. É isso que se viu, em grande medida, ao longo da cimeira. Em vez de falarem do que é possível, da sequência das acções que poderiam ser levadas a cabo, prometem financiamentos que não se realizam, fundos de compensação em que ninguém acredita, prazos que estão para lá do razoável, com metas prometidas para daqui a 20 ou 30 anos.

A verdade é que há urgência. Essa é a mensagem que fica, quando se ouve Greta e os outros jovens que estiveram ontem e hoje em Nova Iorque. E fica igualmente uma réstia de esperança, quando se vê que esta nova geração milita de modo determinado pelas mudanças que se impõem mas que os políticos de agora preferem ignorar ou tratar com paninhos quentes e muita conversa.

Greta merecerá o Prémio Nobel da Paz deste ano. Mas merece ainda mais: que a tratemos com respeito e que respondamos com medidas concretas e estruturantes aos desafios que nos lança.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:39

22
Set 19

Passei os últimos dias na estrada. E vi partes do Alto Alentejo, das Beiras (Alta e Baixa) bastante secas. Bem mais secas este ano do que nos anos anteriores, quando, na mesma altura do ano, fiz percursos idênticos. Lembrei-me, mais uma vez, que a gestão das águas de superfície e subterrâneas vai ser uma das grandes questões que teremos de enfrentar. Não me parece, no entanto, que o assunto esteja presente no ecrã dos nossos políticos. Parecem não ver ou então, acham que é complicado e passam ao lado.

Como também haveria necessidade de definir uma política e um plano de reflorestação das terras e das serras, algo que é igualmente ignorado.

Quando me dizem que não há nada de novo na política, penso no muito que vi por fazer durante esta viagem. E na urgência de trazer para a agenda política dos próximos anos a água, as florestas e o reordenamento do território. Só que para isso, é preciso ter-se uma visão do país que alcance para além do imediato.

 

publicado por victorangelo às 20:41

17
Set 19

Na minha opinião, o debate político das próximas semanas deveria opor os que apenas procuram gerir a situação, com mais ou menos folgas, mais ou menos simpatia e sorrisos, aos que poderiam ter um projecto para Portugal. Um projecto que nos levasse além da mediocridade, do deixar andar e do salve-se quem puder. Que pensasse no futuro, nas bases de uma economia mais moderna e sustentável, na protecção dos recursos naturais e do ambiente, num povo melhor preparado e com maior capacidade de intervenção cidadã, numa língua portuguesa que não fosse aviltada por uma incapacidade de a defender, num país mais seguro e mais amigo dos mais fracos. Também, um país mais capaz de contribuir para o fortalecimento da União Europeia e para o reforço da cooperação e da harmonia internacionais.

Só que isso parece um sonho. O debate político continua a ser entre gestores de contas correntes.

 

 

publicado por victorangelo às 21:10

09
Set 19

Passei um par de dias a conduzir pelas zonas fronteiriças que separam o Baixo Alentejo e o Algarve da província espanhola de Huelva. Ambos os lados estão a fazer um uso intensivo das reservas de água disponíveis. Não parece haver regras, nem uma visão sustentável da gestão do recurso. Primam os olivais, os laranjais, os diversos pomares, as vinhas e outras culturas, bem como uma utilização desenfreada da água para alimentar uma proliferação de piscinas e de jardins privados. As reservas freáticas e os lençóis em profundidade, que se formaram ao longo de milhões de anos, estão sob pressão frenética, por motivos comerciais e porque os novos-ricos querem que as suas residências secundárias se assemelhem às vivendas das estrelas de Hollywood. O próprio Alqueva está a ser chupado a toda a velocidade, para regar centenas de milhares de pés de oliveiras, campos de milho a perder de vista – sim, em pleno Verão, milho nas securas do Baixo Alentejo, mas que aberração – e uvas e mais uvas. A floresta tradicional, menos exigente em água, mais adaptada ao clima e às condições do solo, só sobrevive nas zonas de serra e onde se cria o porco ibérico.

A água será, nestas regiões, e noutras da Península, uma das grandes questões do futuro. E poderá vir a ser, à volta do Guadiana, uma fonte de tensão entre os dois países vizinhos. É um tema essencialmente político, que é totalmente ignorado pelos anões políticos que por aí andam.

publicado por victorangelo às 21:28

19
Ago 19

Greta Thunberg está algures no Atlântico, a navegar em direcção à cidade de Nova Iorque. A travessia é acompanhada por um simbolismo muito forte. O veleiro que a transporta é neutro no que respeita à emissão de carbono. As grandes causas precisam de símbolos fortes. Greta sabe-o.

Falar de Greta Thunberg permite-me acrescentar que a nova geração, os mais novos, poderão mudar muitas coisas e transformar o mundo que nós construímos de modo insustentável, embora convencidos que estávamos no bom caminho. Tenho falado com vários jovens e vejo que são diferentes, mais generosos e menos egoístas do que nós. E isso dá-me uma certa esperança.

Para além de Greta, temos Emma Gonzalez nos Estados Unidos, Joshua Wong em Hong Kong, Malala Yousafzai no Paquistão e um pouco por toda a parte, Aruna De Wever na Bélgica, Trisha Shetty na Índia, a pró-democracia activista Lyubov Sobol na Rússia e tantos outros jovens que, através de movimentos de cidadania, estão na frente de combate por um mundo melhor.

Neste dia em que se celebra a causa humanitária, lembrar o papel dos jovens é refrescante e animador.

publicado por victorangelo às 22:14

04
Ago 19

Uma das zonas do globo que mais sofre com as mudanças climáticas, em particular com o aumento da temperatura média, é a Sibéria. O que aí acontece tem proporções gigantescas, como tudo o que se passa nessa parte da Rússia. O chefe do bureau moscovita do New York Times, Neil MacFarquhar, passou recentemente dez dias na região. Dessa visita, resultou um texto que o jornal nova-iorquino agora publica e que vale a pena ler. O endereço é o seguinte:

https://www.nytimes.com/2019/08/04/world/europe/russia-siberia-yakutia-permafrost-global-warming.html?action=click&module=Top%20Stories&pgtype=Homepage

publicado por victorangelo às 23:18

16
Jul 19

O Primeiro-Ministro de Portugal, António Costa, apoiou de maneira clara a candidatura da nova Presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Foi uma decisão politicamente correcta, que lhe dá força no seio da UE e que favorece a posição de Portugal. Ainda bem.

Sou dos que acreditam que a nova Presidente poderá desempenhar um papel positivo, à frente da Comissão, bem como ser uma promotora de novos equilíbrios entre as diferentes famílias políticas representadas no Parlamento Europeu. Isso é fundamental, numa altura em que existe uma grande fragmentação política ao nível europeu.

Lamento que o Grupo dos Verdes, no PE, não se tenha abstido, na votação desta tarde. O discurso que Von der Leyen pronunciara, antes da votação, continha elementos e promessas ambientais suficientes, capazes de justificar a abstenção. Ao votar contra, Os Verdes mostraram falta de maturidade política, dando a primazia ao não sobre o talvez, à hostilidade sobre a dúvida positiva e que possa encorajar. Veremos se assim vão continuar. Espero que não.

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:41

27
Jun 19

A agenda do próximo Presidente da Comissão Europeia deveria dar uma importância maior às questões do meio ambiente e do clima, da paz e da segurança nas diferentes vizinhanças da UE, bem como ao desenvolvimento económico e social dos Estados membros e à segurança dos cidadãos.

Isso passaria por um esforço mais intenso, quer internamente quer no exterior, na aplicação do acordo de Paris sobre o clima. Também significaria um aprofundamento da diplomacia comum. Igualmente, tratar-se-ia de conseguir chegar a mercado único, no espaço europeu, em matérias de telecomunicações, banca e transportes, incluindo a ferrovia. E, finalmente, a prossecução passo a passo de um programa de defesa e de segurança.

Tratar-se-ia de uma agenda ambiciosa, mas realista e suficientemente clara. Mostrar-se-ia, assim, aos cidadãos europeus o que significa uma União Europeia. A qual, a título simbólico, porém altamente significativo, deveria pôr em cima da mesa a possibilidade de um passaporte único, que reconhecesse as várias nações, mas que investiria na criação de uma cidadania comum e partilhada.

 

publicado por victorangelo às 10:51

01
Jun 19

O respeito e o amor pelos animais tornam-nos mais humanos, mais sensíveis ao valor da vida, dos outros e da natureza.

publicado por victorangelo às 10:55

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