Portugal é grande quando abre horizontes

05
Ago 19

Os ultraradicais brancos que apoiam o Presidente dos Estados Unidos têm estado em campanha contra Emmanuel Macron e Angela Merkel. No essencial, acusam estes dirigentes europeus de estarem empenhados no enfraquecimento da NATO, na promoção da imigração de gentes de fé islâmica e de colaboração com a Rússia e o Irão.

Estas acusações são meras armas de arremesso e de tentativa de divisão da liderança política europeia. No fundo, existem por esses dois dirigentes não se alinharem acefalemente com as posições que o Presidente Trump vem tomando, nessas e noutras áreas.

A verdade é que a Europa tem interesses estratégicos distintos dos americanos. Por outro lado, não pode seguir de modo acrítico políticas em que não acredita e que poderão levar a graves crises internacionais.

 

 

publicado por victorangelo às 22:54

01
Jul 19

O Conselho Europeu de ontem, que se prolongou até à madrugada de hoje, não conseguiu chegar a um acordo sobre quem deverá assegurar o bastão de comando da Comissão Europeia, no final do mandato de Jean-Claude Juncker. Havia outros lugares de topo em jogo, mas o bloqueio começa com a essa nomeação. Uma vez resolvida, será mais fácil encontrar consensos sobre quem irá ocupar os outros cargos.

Foi uma cimeira de fracturas. As posições defendidas por uns e pelos outros – falo dos Chefes de Estado e de Governo, que são quem se senta no Conselho Europeu – não eram apenas divergentes. Assentavam em todo um complexo conjunto de razões, que impediam a convergência. Eram questões políticas e pessoais.

Angela Merkel saiu da reunião com a postura de Estado que se impunha. Disse fundamentalmente que as discussões continuariam e que seria encontrada uma solução. Normal. Uma decisão a 28 não é fácil de tomar, sobretudo quando não há uma família política que tenha os votos necessários para fazer passar a sua agenda. Sem esquecer que há sensibilidades geopolíticas distintas, bem como visões do futuro da Europa que andam há procura de uma plataforma comum.

Compreendo a dificuldade.

Mas não compreendo os que saíram da reunião a queixar-se dos outros. O Conselho não pode funcionar assim, com sarcasmos, ataques frontais e arrogantes contra alguns dos seus membros. O Presidente francês precisam que lhe digam isso. E o Primeiro-Ministro de Portugal também.

Em política, e nomeadamente em política europeia, é preciso mostrar respeito e paciência. Cada país deve sentir que conta e que as suas preocupações são ouvidas com atenção.

publicado por victorangelo às 19:59

26
Jun 19

Numa altura em que continua a não haver visibilidade sobre quem será o sucessor de Jean-Claude Juncker, noto que a questão está a abrir um fosso muito grande entre duas nações pilares da União Europeia, a França e a Alemanha. É uma situação inédita e muito séria. A opinião política alemã e certos meios de comunicação social vêem o desacordo como um ataque frontal do Presidente francês contra Angela Merkel e a sua possível herdeira na chefia do partido CDU/CSU, Annegret Kramp-Karrenbauer. Para além, claro de Manfred Weber, o candidato do centro-direita à chefia da Comissão Europeia.

A verdade é que Emmanuel Macron não tem sido prudente na maneira de comentar a candidatura de Manfred Weber. Nem mesmo na observação sardónica que fez sobre o Presidente do Bundesbank, o Banco Central alemão. Macron tem que ser menos arrogante em vários dos comentários que faz. A arrogância dá maus resultados políticos.

Neste caso, abriu uma crise com a Alemanha. Espero que entenda que vai ser necessário um gesto público da sua parte para a ultrapassar. A União Europeia precisa de consensos. Precisa, igualmente, de um Presidente francês que os saiba construir.

publicado por victorangelo às 20:40

10
Abr 19

Os líderes europeus decidirão, dentro de horas, que resposta dar ao pedido de Theresa May, que solicitou um breve adiamento da data de saída do seu país da União Europeia. O pedido formal da Primeira Ministra propõe 30 de Junho como o novo prazo para o Brexit.

Reconheço, como muitos outros, que esta é uma questão profundamente complexa. Aconselho, no entanto, que não se complique ainda mais o que já está desesperadamente enrolado.

Também, para evitar novas acusações de humilhação, os líderes deveriam aceitar a proposta britânica. É verdade que a Primeira Ministra está numa situação de grande fraqueza política. Não aceitar o seu pedido aumentará a sua fragilidade.

Uma extensão longa – que tem muitas hipóteses de ser a resposta que a noite irá dar –, e flexível, não me parece ser a mais acertada. Multiplica de modo significativo os riscos de instabilidade, do lado da UE. Só deveria ser aceite se do lado britânico houvesse abertura para um novo referendo.

publicado por victorangelo às 17:09

11
Mar 19

Na Alemanha, 67% dos eleitores querem que Angela Merkel vá até ao fim da presente legislatura. É uma percentagem apreciável, sobretudo se se tiver em conta que a Chanceler está no poder desde 2005 e que deixou, no final do ano passado, de ocupar a liderança do seu partido, a CDU. Mas a situação da coligação que dirige é frágil, sobretudo com o outro lado, o partido Social-democrata, a perder apoio eleitoral. Se esse declínio se confirmar nas eleições regionais que terão lugar no próximo semestre, nos “landers” do leste, é muito possível que os sociais-democratas saiam da coligação e que o governo de Merkel seja forçado a fazer as malas.

Quando Merkel sair, deverá entrar a actual líder do seu partido, Annegret Kramp-Karrenbauer (AKK). Esta senhora tem uma boa base de apoio dentro da CDU. Além disso, poderá conquistar votos à direita, incluindo junto dos eleitores que agora se aproximam da extrema-direita, do partido Alternativa Para a Alemanha (AfD). São votos que Merkel perdeu, sobretudo depois da crise migratória de 2015, mas que Kramp-Karrenbauer deverá saber recuperar.

AKK é uma líder mais directa, mais pão, pão, queijo, queijo. Mostrou-o agora, ao responder à mensagem que o Presidente francês enviara aos europeus na semana passada. Sem demoras, e sem rodeios, AKK veio dizer-nos que não está de acordo com Emmanuel Macron. E, nalgumas matérias, entrou mesmo em choque. Assim aconteceu com a questão de um assento permanente para a Europa no Conselho de Segurança das Nações Unidas. AKK quer que o lugar que corresponde à França passe a ser utilizado colectivamente, em nome da UE. Sabe que esta proposta nunca será aceite em Paris, nem pouco mais ou menos, mas não hesitou em fazê-la. É uma maneira de marcar posição. E servirá como travão. Cada vez que a França propuser algo que desagrade à Alemanha, Berlim voltará a pôr esta ideia em cima da mesa. E outras semelhantes, como por exemplo, acabar com a sede do Parlamento Europeu em Estrasburgo, uma proposta com lógica, mas que deixa os franceses com uma dor aguda do lado do coração patriótico.

As declarações de um lado e do outro mostram que há uma divergência importante entre os dois principais países motores da construção europeia. E, sabendo o que sei, vai ser a posição de Berlim que vai pesar de facto em Bruxelas.

 

publicado por victorangelo às 21:04

28
Fev 17

Os meus comentários de hoje, no programa semanal da Rádio Macau "Magazine Europa", têm como focos as tomadas de posição do Parlamento Europeu sobre a reforma das instituições e o futuro da UE, a Áustria, o seu Chanceler e a sua economia,  e, por fim, Martin Schulz como competição a sério, que poderá impedir um quarto mandato de Angela Merkel, após as eleições gerais de Setembro.

O link para o programa é o seguinte:

Magazine Europa (28 de Fevereiro de 2017)

 

publicado por victorangelo às 17:35

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