Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

O Presidente anda fora dos eixos

O Presidente da República admoestou publicamente, esta manhã, a ministra da Coesão Territorial, sobre a execução do PRR – Plano de Recuperação e Resiliência. Fê-lo em termos arrogantes e sobre uma matéria que não é da sua competência. Se tem alguma observação a fazer sobre o assunto, e tendo presente o seu papel institucional, deve fazê-lo através do primeiro-ministro. Mas parece que tem medo de António Costa. E assim, ataca o PM através de uma ministra que não tem a possibilidade de retorquir publicamente ao Presidente.

São este tipo de actuações que mostram a fraqueza política a que se chegou. E que indicam claramente que os políticos não sabem aproveitar as funções que desempenham para tratar daquilo que lhe caberia tratar. No caso do Presidente, uma das suas funções é a discutir com o PM aquilo que pensa que não está a ir bem e perguntar ao PM como pensa resolver o assunto.

Já ontem, no encerramento do Web Summit deste ano, Marcelo Rebelo de Sousa havia tratado de maneira disparatada o organizador do evento, puxando-o com toda a força contra ele, e pronunciado uma enxurrada de incoerências. Quem esteve na sessão, sobretudo os estrangeiros, deve ter achado que temos um Chefe de Estado bizarro.

 

Um pacote de ilusões

O pacote anti-inflação aprovado pelo governo está a cair muito mal na opinião pública. O Primeiro-ministro fez uma bela jogada de espelhos e miragens. Passado o momento, os cidadãos começaram a perceber que o pouco que vão ganhar em outubro é mesmo pouco e será perdido em 2023 e nos anos seguintes. Os pensionistas estão especialmente preocupados com os cortes previstos já a partir de janeiro de 2023.

E o que era de facto importante para as famílias – cortar e reduzir as taxas e o IVA relativos ao consumo de gás e de electricidade, que neste momento pesam mais de 35% do valor total das facturas – não foi feito. Era aí que, sem mais complicações, que as medidas deveriam ter incidido. Seria claro, fácil de entender e teria um impacto imediato nos orçamentos familiares e no bem-estar dos cidadãos. Considero um erro político e uma injustiça social que tal não tenha sido decidido.

Do lado das empresas, era fundamental prever um esquema que ajudasse as que dependem fortemente do consumo de energia. Sem essa ajuda, a viabilidade de muitas dessas empresas estará em risco, já que o aumento dos custos de produção e de funcionamento não poderá ser absorvido pelo preço junto dos consumidores, por muito elevada que seja a inflação. Também teria sido relevante criar um imposto excepcional sobre os lucros inesperados das companhias petrolíferas e energéticas.

O pacote veio também mostrar que o ministro das Finanças não passa bem junto da população. Não tem credibilidade suficiente para o cargo que exerce. Projecta a imagem de quem anda às aranhas. Só existe politicamente por ter o apadrinhamento pessoal de António Costa.

A crise que se avoluma na Europa – e por cá também – exige medidas à altura. Para a enfrentar, não chega ser muito hábil em malabarismos políticos.

Um Primeiro-ministro que serve apenas para proteger os seus

No seguimento da trapalhada de ontem sobre o futuro do aeroporto de Lisboa, trapalhada da responsabilidade do Ministro das Infra-estruturas, Pedro Nuno Santos, o Primeiro-ministro anulou a decisão tomada pelo ministro. Mas não o demitiu, nem lhe pediu que apresentasse o seu pedido de demissão. Esse teria sido o desfecho normal, num país normal e com um chefe de governo a sério. O caos político causado pelo ministro pôs em causa a autoridade do governo, o respeito devido ao Presidente da República e ignorou o dever de consultar a oposição. Que mais seria preciso para António Costa se afirmar como um Primeiro-ministro responsável e correr com o Santos da casa, que não faz milagres?

Um governo ausente

Estou a ficar com a impressão que o governo já entrou na pausa do verão. Nada se resolve, não há resposta para questões fundamentais, da saúde aos aeroportos, da segurança interna ao arranque do Plano de Reabilitação e Resiliência, das dificuldades de funcionamento das Forças Armadas à falta de controlo das despesas irresponsáveis e corruptas de certas autarquias. Ou então, o governo quer imitar a oposição e mostrar que consegue ser tão falho de ideias quanto eles são.

O novo governo

Hoje tomou posse o XXIII governo constitucional. Tenho dúvidas muito sérias sobre a competência de alguns dos empossados. Nalguns casos, só lhes conheço facilidade de conversa, mas sem experiência nem substância que se veja. Mas não vou entrar no jogo dos que criticam antes de ver os resultados. Por isso, nesta fase, a única coisa que me parece razoável é desejar os maiores sucessos à nova equipa. 

Tanta conversa sobre as eleições

Passados oito dias, os jornais continuam cheios de comentários sobre o resultado das legislativas. Na verdade, já cansa.

As eleições revelaram um Portugal que mudou e que continua em mudança bem como um dirigente político que inspira confiança, realismo e moderação a uma parte significativa do eleitorado português. Quanto ao resto, será preciso esperar pela formação do novo governo, para que se possa perceber quais foram as lições que António Costa tirou dos resultados eleitorais. A composição do governo, o discurso de tomada de posse e as primeiras intervenções na nova Assembleia da República serão os momentos mais importantes dos próximos tempos. A partir daí será possível comentar com mais fundamento o que o novo ciclo político nos anuncia.

Para já, o que se diz e escreve serve apenas para encher horas de emissão e páginas de jornais. Só segue essas matérias quem não tem mais nada para fazer. Ou então, quem ganha a vida a especular, a criar factos políticos e a atacar ou repetir o que outros já disseram. Pessoalmente, não tenho nem tempo nem paciência para essas coisas. Sobretudo agora, quando a Europa se encontra numa encruzilhada perante um grupo dirigente russo que é um verdadeiro desafio à estabilidade e à segurança do nosso continente.

 

 

O dia seguinte às eleições

Os resultados eleitorais mostraram um elevado grau de maturidade dos cidadãos. Houve empenho em participar, apesar da situação pandémica, e uma votação útil à esquerda, onde a única opção razoável, para a maioria, era um voto no PS. À direita, houve uma dispersão, por uma razão que me parece clara: a alternativa de direita, que era encabeçada por Rui Rio, não convenceu. Rio mostrou não ter o carisma nem uma imagem de estadista que fossem suficientes para captar eleitores. Apareceu, aos olhos de muitos, com demasiada ligeireza, que não convencia as pessoas que havia ali um dirigente de um futuro governo. Faltou-lhe gravidade, no sentido de solenidade de maneiras e tratamento profundo das questões.

O grande vencedor foi, na verdade, António Costa. Conseguiu fazer passar uma mensagem de seriedade política, de estabilidade e equilíbrio. Tem todo o mérito. Até porque não foram umas eleições fáceis. Uma parte do eleitorado que desta vez disse não à abstenção veio para votar à direita. Mas Costa soube manter a sua base de apoio e captar os que haviam anteriormente votado comunista ou pelo Bloco.

Uma maioria absoluta é muito melhor do que uma geringonça a cair aos bocados. Sobretudo uma geringonça com um partido do passado e outro de irrealistas românticos, incapazes de compreender como cresce um país e que alianças externas deve ter. O fim desse estranho arranjo político é talvez o ponto mais positivo desta eleição.

A dúzia de deputados do Chega irá fazer algum barulho na Assembleia da República. Mas como diria o saudoso Almirante Pinheiro de Azevedo, se ainda estivesse entre nós, será só fumaça. O povo mostrou, acrescentaria, ser sereno.

O resto é democracia.

Noite eleitoral

Parabéns a António Costa pela sua vitória eleitoral.

E igualmente aos eleitores, que apesar da pandemia, votaram e fizeram diminuir a percentagem da abstenção.

Quando ao resto, ainda é cedo para tirar conclusões, excepto que Rui Rio não convence o eleitorado e que os comunistas e os bloquistas pagaram a factura relativa à queda do governo. E que o CDS-PP desapareceu do mapa político.

Um outro ponto a ter em conta: continuar a observar o que significa o crescimento da Iniciativa Liberal. O do Chega, sabemos o que é.

Combater a boçalidade na política partidária

A directora do Jornal de Notícias (JN) escreve hoje sobre “a boçalidade no espaço público”. Vale a pena ler esse texto. Deixo o link no final deste post.

Inês Cardoso baseia a sua escrita no que aconteceu em Beja com a líder do PAN, que foi insultada por um grupo de primários ligados à tauromaquia, bem como na expressão “nazizinho”. Esta última foi utilizada num pequeno encontro, aberto à comunicação social, de personalidades públicas com o líder do Partido Socialista, sem que este tivesse reagido, de imediato, para dizer que insultos desse tipo não são aceitáveis na luta política em Portugal, muito especialmente quando o visado é o dirigente do segundo maior partido.

Uma reacção clara e imediata de António Costa teria contribuído bastante para tornar a política portuguesa menos boçal. Serviria igualmente para enviar um recado a personalidades públicas que não vale tudo em política, nem mesmo durante as campanhas eleitorais. O combate à radicalização da palavra tem de começar pelos dirigentes políticos, sobretudo por aqueles que são mais ouvidos e mais representativos da sociedade portuguesa.

https://www.jn.pt/opiniao/ines-cardoso/a-bocalidade-no-espaco-publico-14518117.html

 

 

 

 

Os debates que nada me dizem

Vi o debate entre António Costa e Rui Rio durante um minuto. Não tive paciência para mais. Mas admiro os 3,3 milhões de portugueses que assistiram ao duelo. Sim, porque na verdade tudo isto não passa de duelos ao vivo, de espectáculos para mostrar que se é mais arguto que o adversário.

É preciso fazer política de outra maneira. O meu texto de ontem no Diário de Notícias era sobre isso, a necessidade de construir plataformas políticas e de alargar a governação, de modo a torná-la tão próxima e representativa quanto possível do mosaico social que é a nação portuguesa.

Não se pode fazer política com base na hostilidade e na exclusão de largos sectores da sociedade. Sobretudo num país como o nosso, que precisa de uma mobilização cívica que permita ultrapassar o subdesenvolvimento, a pobreza de muitos e as disparidades sociais e regionais.

Acredito ser necessário proceder a uma mudança profunda dos valores, dos comportamentos e das prioridades para conseguir acelerar o desenvolvimento económico e social e diminuir o fosso que nos separa das médias europeias.

A minha mensagem é simples: tem de se fazer política de outra maneira. Com serenidade, com prioridades bem definidas, com o empenho público e privado, em associação com os poderes locais e as associações de cidadãos, e também com objectivos concretos que possam ser avaliados.

É isso que falta nos debates. Continuamos a agir como sempre fizemos, com ideologias ultrapassadas, incapazes de nos guiarem na transformação do país

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2022
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2021
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2020
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2019
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2018
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2017
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2016
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2015
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2014
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2013
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2012
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2011
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2010
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2009
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D
  183. 2008
  184. J
  185. F
  186. M
  187. A
  188. M
  189. J
  190. J
  191. A
  192. S
  193. O
  194. N
  195. D