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Crescemos quando abrimos horizontes

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Guterres em Kyiv

A deslocação de António Guterres à Ucrânia foi positiva. Permite-lhe espaço para um papel mais interveniente e visível. A visibilidade no mundo de hoje é algo de muito importante. A guerra – e a construção de uma alternativa de paz – passa-se em frente dos nossos olhos. O secretário-geral não pode ignorar esse facto.

Vladimir Putin lançou hoje uns mísseis sobre Kyiv, coisa que não fazia há tempos. Ao fazê-lo no dia em que Guterres estava na cidade quis claramente enviar uma mensagem: quem decide o futuro sou eu! Foi uma mensagem muito negativa, que mostrou sem equívocos que ele, Putin, só reconhece a lei da força.

Fiz vários comentários para a comunicação social sobre a missão de Guterres. Não vou agora aqui repeti-los. Mas irei retomar alguns dos pontos que levantei nos próximos posts.

António Guterres em Moscovo

António Guterres passou o dia em Moscovo, para um encontro de trabalho com Sergey Lavrov e uma audiência com Vladimir Putin. À hora a que escrevo, a reunião com Putin ainda não teve lugar.

Tudo deixava prever que seria um dia difícil para o Secretário-geral da ONU. Mas não havia outra saída, para além desta deslocação. Era preciso fazê-la e iniciar, com a sua realização, um outro tipo de protagonismo para o secretariado-geral das Nações Unidas.

Guterres não parece ter conseguido nenhuma promessa concreta. Os dirigentes russos continuam a apostar na via militar. Por isso, a ideia inicial do Secretário-geral – batalhar por um cessar-fogo – não foi avante. Guterres teve apenas a oportunidade de repetir – e isso foi muito positivo – que a acção russa era uma invasão, aos olhos dos Estados-membros da ONU. E de insistir na prioridade humanitária, a de salvar vidas e evitar o sofrimento humano em larga escala.

Em resumo, continuou a associar o secretariado das Nações Unidas à dimensão humanitária. Parece-me insuficiente. Falta sublinhar a missão política que cabe ao secretariado e ao seu Secretário-geral. No entanto, no conjunto, António Guterres foi corajoso e disse claramente que a Rússia havia violado e continua a violar a Carta das Nações Unidas. 

Escrever a António Guterres

A carta que cerca de 250 antigos funcionários superiores das Nações Unidas, incluindo vários ao nível mais elevado da carreira, nos quais me incluo, enviaram a António Guterres resulta da nossa preocupação com o impacto que a crise actual poderá ter sobre a organização, se esta não for mais arrojada em termos políticos. Existe um desafio “existencial”, afirmamos, que pode pôr em causa o futuro da organização, enquanto expoente máximo na defesa da paz e da segurança internacionais. Sem entrar em pormenores, a carta é acima de tudo um apelo para que o Secretário-Geral “apareça” politicamente.

A revolução climática é possível

https://www.dn.pt/opiniao/mais-paineis-solares-e-menos-ogivas-nucleares-14287952.html

Este é o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. É uma escrita com várias mensagens, mas quero aqui destacar duas. Primeiro, que a cooperação entre as grandes potências é fundamental para o futuro da humanidade. Segundo, que existem meios para acelerar a transição climática, como existem meios para investir em todo o tipo de armamentos sofisticados. É tudo uma questão de confiança entre os grandes e de vontade política. 

A mediação é a melhor solução

https://www.dn.pt/opiniao/mais-e-melhor-mediacao-em-tempos-de-conflitos-14219425.html

Deixo acima o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. 

O texto procura transmitir duas mensagens. Uma, sobre o poder. Convém negociar com quem tem na verdade poder. A segunda, é sobre o mediador. A mediação só pode dar resultado se o mediador for credível. Menciono quatro características que, se existirem, permitem ao mediador ter credibilidade.

Transcrevo, se seguida, o último parágrafo do texto. 

"Um outro aspeto crítico diz respeito à autoridade do mediador. A credibilidade em política resulta da combinação de quatro características primordiais: espírito de missão, realismo político, equilíbrio de opiniões e confiança em si próprio. Vários mediadores nomeados nos últimos anos pelas Nações Unidas têm mostrado não possuir esse conjunto de qualidades. Por tendência, Nova Iorque presta mais atenção aos jogos regionais, à obtenção de apoios políticos em certos quadrantes, no Conselho de Segurança ou junto de Chefes de Estado influentes na região em causa, do que à experiência e personalidade dos nomeados. Daqui resulta uma certa marginalização da ONU e um esbater da sua imagem.  Durante o segundo mandato, António Guterres deverá empenhar-se na resolução desta debilidade. O reforço da capacidade de mediação deve ser uma das áreas prioritárias de um tempo que se advinha fértil em conflitos. Assim o clamam, diariamente, muitos milhões de pessoas vítimas de violências políticas ou à beira da ravina."

Afeganistão: e agora?

https://www.dn.pt/opiniao/nao-podemos-varrer-o-afeganistao-para-debaixo-do-tapete-14196999.html

Este é o link para o meu texto desta semana, hoje publicado no Diário de Notícias. 

Trata-se de reflexão prospectiva sobre o futuro a curto prazo do regime talibã. Abordo a urgência humanitária, a situação económica e a questão do reconhecimento diplomático do novo regime. 

"O reconhecimento do novo regime, incluindo a sua representação na ONU, vai depender da posição que cada membro do G20 vier a adoptar. Acontecimentos recentes mostram uma tendência para o estabelecimento de contactos pontuais, enquanto ao nível político se continuará a falar de valores, de direitos humanos, da inclusão nacional ou do combate ao terrorismo. E a mostrar muita desconfiança para com a governação talibã. Com o passar do tempo, se não surgir uma crise migratória extrema ou um atentado terrorista que afecte o mundo ocidental, o novo regime afegão, reconhecido ou não, poderá ser apenas mais um a engrossar a lista dos estados repressivos, falhados e esquecidos."
Este parágrafo fecha o meu texto. 

Joe Biden na ONU

Tive a oportunidade de ver o vídeo da intervenção do Presidente Joe Biden na Assembleia Geral das Nações Unidas. Foi um discurso forte, bem articulado e positivo. Agora a questão é traduzir as palavras em acções concretas e convincentes.

Saliento de seguida uma série de pontos extraídos da sua comunicação ou resumindo algumas das ideias principais.

Este é um momento de viragem na história. Estamos mais interconectados do que nunca. As novas tecnologias podem dar mais poder às pessoas ou serem utilizadas para as reprimir. Por toda a parte, pode ouvir-se um apelo ao respeito pela dignidade humana. Não queremos uma nova Guerra Fria. Os EUA estão prontos para aprofundar a ajuda ao desenvolvimento e humanitária. É preciso desenvolver as infraestruturas nos países em desenvolvimento. Apoio à acção contra o aquecimento global. Mais solidariedade americana no que respeita ao combate contra a Covid-19. A questão palestina passa pela criação de dois Estados na região. Os direitos das pessoas devem estar no centro dos sistemas políticos. As intervenções militares são um último recurso, as políticas devem ter a primazia.

Imagino que António Guterres gostou do que ouviu. Eu gostei. Mas sou um optimista moderado e desconfiado.

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