Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

A Europa e as vacinas que não chegam

Durante a minha tele-conferência desta tarde com gente de Beijing, China, fiquei a saber que aí o critério da vacinação contra a covid-19 é o do sector de residência. Cada zona da cidade é designada, em determinado momento, como área de vacinação e todos os habitantes que aí residem são vacinados, independentemente da idade. Assim se criam perímetros de imunização, que se vão expandido à medida que os dias avançam.

Parece-me uma boa lógica. Sobretudo porque a vacinação progride rapidamente. Não há espaço para que uns se sintam mais privilegiados que os outros.

Mais tarde recebi notícias dos meus amigos americanos em Riade, na Arábia Saudita. É um casal no grupo etário dos 40-49 anos. Foram hoje inoculados com a primeira dose da vacina. E disseram-me que o sistema funciona bem.

Entretanto, os meus antigos colegas que residem no Estado de Nova Iorque já foram todos vacinados.

Na União Europeia andamos todos à procura do tempo que não chega.

 

Joe Biden e o Príncipe saudita

A administração Biden, no seguimento do relatório da CIA sobre o assassinato do jornalista Jamal Khashoggi, decidiu esta sexta-feira banir 76 adjuntos do Príncipe Herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salman, proibindo-os de entrar nos Estados Unidos. Mas não tomou nenhuma medida contra o Príncipe, embora tenha ficado claramente estabelecido que o crime foi cometido por ordem sua. Esta decisão pode ter uma explicação geopolítica e espero escrever sobre ela nos próximos dias. Mas tem um custo político enorme no que respeita à credibilidade do Presidente Biden. Precisa de ser vista desse ponto de vista também. Como também deve ser considerada sob o prisma da ética e dos direitos humanos.

Na realidade, o comportamento criminoso de bin Salman é apenas uma dimensão de um regime que é inaceitável – como vários outros – no mundo actual. Esta é uma discussão que continua em aberto: como tratar regimes anacrónicos, violentos e desumanos.

Dizem-nos que amanhã haverá uma comunicação complementar sobre o caso. Veremos o que Washington nos irá dizer. Será certamente algo que merecerá uma reflexão a sério.  

Joe Biden e a sua política externa

Disse agora à Antena 1 que o discurso sobre política externa do Presidente Biden foi excelente. Define claramente quais são as grandes linhas, com uma referência especial às questões da democracia, da resolução de conflitos por via de negociações, à promoção dos direitos humanos. Também é claro em relação à China, à Rússia e, ao suspender o apoio à ofensiva militar da Arábia Saudita contra o Iémen, abre a porta às negociações e permite a ajuda humanitária que tanta falta faz.

As ditaduras saudita e chinesa

Como o tenho escrito várias e repetidas vezes, considero o respeito e a protecção dos direitos humanos de cada cidadão uma obrigação fundamental de um Estado democrático. Para mim, esta questão é uma prioridade política.

Por isso, sinto-me profundamente indignado com as sentenças que foram hoje decretadas contra duas mulheres excepcionalmente corajosas.

Na Arábia Saudita, a activista dos direitos humanos Loujain al-Hathloul, uma jovem de 31 anos de idade, foi hoje arbitrariamente condenada a cerca de seis anos de prisão efectiva. Tem sido uma voz incómoda e o regime não perdoa.

Na China, Zhang Zhan, de 37 anos, jornalista independente, recebeu uma sentença que a fechará quatro anos numa prisão, por ter feito reportagens sobre o início da pandemia em Wuhan, sem passar pelos canais da censura oficial.

Já sabíamos, é claro, que ambos os regimes são ditatoriais. Mas isso não deve ser uma desculpa para que fiquemos silenciosos. É essencial reagir perante cada novo caso. Cada violação da liberdade individual, de cada um de nós, é um drama.

Um jogo no tabuleiro do Irão

O assassinato do cérebro da energia nuclear iraniana foi executado de um modo profissional. Li várias descrições do que poderá ter acontecido porque existem diferentes versões da maneira como a emboscada foi executada. E de quantos veículos, motas e agentes estariam envolvidos. Mas não tenho dúvidas que foi uma operação de forças especiais. Exigiu meios, informações e executantes bastante sofisticados e perfeitamente treinados. Daqui é fácil de concluir que o assassinato foi planeado, organizado e levado a cabo por um Estado hostil ao Irão.

O principal motivo poderá ser distinto daquele que é mais óbvio, o de desferir um golpe importante que atrase o avanço do programa nuclear iraniano. Esse programa está numa fase que já não depende apenas de um cientista-chefe. O Irão tem várias equipas especializadas em matéria nuclear, incluindo no domínio da transformação do nuclear para fins bélicos. O verdadeiro motivo será outro. O estado promotor deste acto sabe o que pretende. O assassinato foi uma aposta muito grande, feita na esperança de atingir o objectivo principal.

Escrever sobre o Líbano

A minha coluna desta semana no Diário de Notícias (edição em papel, mas disponível no site do jornal amanhã ou segunda-feira) trata da situação no Líbano, mas numa perspectiva diferente dos comentários que têm sido publicados. O meu texto parte do princípio que o leitor conhece os factos mais marcantes. E convida a reflectir sobre a resposta internacional. A ideia de base é que a situação política interna é muito complexa e resulta do jogo de várias forças políticas. Em geral, essas forças têm tirado proveito da situação e não querem que ela mude. Ou seja, estamos perante uma crise estrutural, que está para durar. Quando isso acontece, a reacção da comunidade internacional é a de pôr de lado o problema. Sem o solucionar, esperando apenas que as tensões baixem. E que os estragos possam ser controlados.

Uma crise de grande complexidade

A gravíssima crise internacional nas áreas da saúde pública e da economia teve hoje uma expansão significativa, acompanhada pela introdução de novos factores negativos e de grande impacto. De entre eles, sublinho as perdas vastíssimas nas áreas financeiras, com um impacto enorme nos fundos de pensões e na capitalização das empresas, a concorrência para o abismo no que respeita aos produtores de petróleo e o agravamento da situação político-militar no Afeganistão. Sublinharia igualmente as tensões entre a Turquia e os seus vizinhos, incluindo os vizinhos europeus.

Estamos agora numa situação de grande complexidade. As variáveis são muitas e o nível de incerteza é bastante alto. Isso explica o pânico que existe em certos círculos. E exige muita clareza e uma grande dose de serenidade por parte de quem tem o poder. É um desafio de liderança, a todos os níveis, como não há memória nos últimos setenta e cinco anos.

 

Ainda sobre o Irão e nós

O meu amigo A. é visceralmente anti-americano. Todas as suas análises dos factos correntes assentam nesse sentimento, desde que hajam americanos metidos ao barulho. E as suas entranhas ainda ficam mais vulcânicas se a notícia tiver que ver com o Presidente Donald Trump.

Assim, os seus comentários sobre o assassinato do general iraniano Qassem Soleimani – um assunto sobre o qual escrevi longamente – eram previsíveis. Demoliam, forte e feio, o Presidente dos Estados Unidos. E davam os líderes iranianos como os bons da fita. Ou, menos menos, não havia uma sombra de uma crítica sobre eles.

Eu também não estou de acordo com a decisão tomada por Donald Trump. O meu texto de ontem menciona as principais razões, que são de ordem política e moral. E chamo a atenção para os riscos de agravamento dos conflitos numa região do globo que já está em crise profunda, com várias populações a sofrerem as maiores tragédias há anos. Toda e qualquer acção que leve a uma escalada da miséria e dos confrontos existentes só pode ser condenada. Sem equívocos.

Mas também é de condenar o regime que o Gen. Soleimani defendia. O Irão é um inferno político gerido em nome de Deus. É uma ditadura de religiosos com ideias dos tempos das ténebras, sem qualquer tipo de espaço para a liberdade e para os direitos humanos. É uma aberração histórica, vizinho de outros desvarios semelhantes e de inspiração semelhante, como por exemplo, a Arábia Saudita. O meu amigo A. não conseguiria respirar qualquer pontinha de democracia no Irão. Nem seria aceite, por ser visto ou como cristão ou como ateu, duas condições inaceitáveis nas terras dos religiosos do fanatismo.

Perante isto, que fazer, que papel poderemos desempenhar, enquanto europeus?

Modestamente, aqui ficam duas ideias.

Por um lado, procurar atenuar o confronto entre os Estados Unidos e o Irão, bem com os conflitos entre este último e os seus vizinhos sunitas. A mediação é a via. É isso que a França, em ligação com o Japão, têm tentado fazer, de modo confidencial, nos últimos meses. Não se fala no assunto, os contactos têm sido altamente secretos, mas existe uma tentativa de mediação. É evidente que esse processo ficou seriamente afectado com a decisão de matar, tomada pelo Presidente americano. Também é verdade que Donald Trump não acredita nas possibilidades de êxito dessa iniciativa. Na sua maneira de ver, a força é quem mais ordena. Mas as mediações são assim, têm primeiro que ganhar a confiança das partes. Mediar exige que se tenha a paciência de caminhar num labirinto.

Por outro lado, cabe-nos continuar a falar de democracia, do direito das populações em decidir que regime e dirigentes políticos querem, insistir na liberdade e na tolerância religiosas, enfim, nos valores que definem o mundo deste tempo que é o nosso. Temos, porém, que o fazer com coerência, evitando a duplicidade que tantas vezes nos caracteriza.

 

 

Sobre o Irão

O Irão: que estratégia?

Victor Ângelo

 

 

Os ataques recentes, com drones e mísseis, contra as instalações petrolíferas sauditas continuam a ser uma das grandes preocupações internacionais. Sobretudo agora, quando os líderes da maioria dos países membros da ONU convergem para Nova Iorque, para participar na abertura da Assembleia Geral deste ano. A gravidade do que aconteceu e o impacto que esses actos de guerra possam ter, no despoletar das tensões à volta do Irão e da região, não podem ser ignorados.

Para além de muitas outras, nomeadamente sobre a eficácia dos sistemas de defesa da Arábia Saudita – um país que, em 2018, gastou 70 mil milhões de dólares americanos na compra de novos armamentos – há uma grande questão, que tem ocupado os mais diversos analistas. Trata-se de tentar perceber o que está por detrás desses actos, ou seja, qual é a jogada estratégica que o Irão está a seguir. Esta pergunta assenta no pressuposto, como é óbvio, que os dirigentes iranianos estarão na origem do que aconteceu. É uma hipótese plausível, se se tiver em conta o nível de complexidade técnica que os ataques exigiram e se se proceder a uma reflexão sobre os países e actores político-militares que, na região, podem dispor desse tipo de sofisticação.

A verdade é que o Irão e os rebeldes Houthis, no Iémen, estão em sintonia e coordenam as suas intervenções, incluindo as iniciativas diplomáticas. Por isso, de imediato, após os ataques, o porta-voz dos Houthis veio à praça pública para os reivindicar. A pressa poderá ter várias justificações, mas uma delas será certamente a de introduzir confusão no debate sobre a autoria do que acabara de acontecer. Essa é uma velha receita, muito usada pelo Irão e por outros, no Médio Oriente.

Agora, neste início de semana, quer o Irão quer a liderança rebelde no Iémen falam da possibilidade de um arrefecimento das hostilidades com a Arábia Saudita e, mesmo, de propostas de alguma forma de conversações. Ao mesmo tempo, Teerão organiza paradas militares e demonstrações públicas de força armada, tudo acompanhado por uma retórica ultra-patrótica e guerreira. A mão direita oferece diplomacia e a esquerda cerra o punho.

Os dirigentes iranianos pensam que estão numa posição de força. Os ataques contra as instalações sauditas vieram reforçar essa convicção, ou seja, que o Irão pode danificar infra-estruturas vitais num país fortemente armado. Mais ainda, que consegue atacar um país que é um aliado íntimo e protegido pelos Estados Unidos. Os clérigos que mandam em Teerão querem assim mostrar uma capacidade militar de ponta. E que, por isso, é melhor negociar com eles do que pensar em retaliações militares, que levariam à guerra e provocariam caos e miséria em toda a região e teriam efeitos profundos sobre a estabilidade da economia internacional. É essa a mensagem que pensam ter enviado aos vizinhos e sobretudo a Washington.

Essa lógica tem um ponto fraco, que é o relativo isolamento do país na cena internacional. O Irão tem poucos amigos. Os Europeus, a começar pelo Presidente Emmanuel Macron, nada conseguem fazer. Estão reféns da política definida em Washington. Outros países, preferem manter-se afastados do conflito, pois não querem abrir novas frentes de desacordo com os Estados Unidos. De qualquer modo, se tivessem que escolher entre Riade e Teerão, apostariam de preferência no primeiro. E, para completar as dificuldades internacionais do Irão, existem agora as sanções americanas, que são extremamente restritivas, quer do ponto de vista comercial quer financeiro – o país está sem acesso ao sistema bancário internacional, não pode pagar nem receber. As sanções acabarão por arruinar a economia do Irão, criar imensas dificuldades ao quotidiano dos cidadãos e expandir o clima de oposição ao poder dos aiatolas.

Na minha opinião, a única escolha possível é a do diálogo construtivo. Há que fazer renascer a esperança que surgira durante a reunião do G7 em Biarritz. Ataques e demonstrações de força, venham donde vierem, são e continuarão a ser um erro que pode ter consequências catastróficas. Nessa linha, vejo o ataque contra as instalações sauditas como um erro de cálculo muito grave. Pode ser uma vitória táctica mas, em termos de estratégia, abre a porta ao desastre.

(Texto que publiquei no Diário de Notícias on line)

 

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2020
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2019
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2018
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2017
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2016
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2015
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2014
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2013
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2012
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2011
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2010
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2009
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2008
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D