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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Vamos a eleições

O Presidente Marcelo Rebelo de Sousa anunciou a data das eleições, depois de ter explicado o raciocínio político que seguiu para chegar à conclusão que se justificava dissolver a Assembleia da República. Fechou, assim, dois capítulos: o referente à queda do governo e a discussão sobre a data das eleições.

Agora, cabe aos partidos prepararem-se para convencer os eleitores, aqueles que ainda podem ser convencidos. Sim, porque uma parte do eleitorado vota sistematicamente pelo seu partido, como se tratasse de uma relação de fidelidade absoluta. Mas há os outros, que votam consoante as circunstâncias e as personalidades em cena. É essa parte do eleitorado que precisa de ser ganha. Cada partido deve fazer uma análise aprofundada do eleitorado que poderá captar, para além dos fiéis. E dirigir toda a sua campanha nesse sentido. Deve, igualmente, entender claramente quais são as razões ou temas que poderão levar à perda de votos. E falar deles, responder à desconfiança ou às críticas, esclarecer.

Claro que cada partido deve ter um programa de governação. Mas o mais importante é saber dirigir-se aos potenciais eleitores, aos cidadãos que poderão potencialmente acrescentar o seu voto aos votos dos fiéis.

Este blog não promove nenhum partido. Mas não fica indiferente perante uma campanha eleitoral.

 

 

16 de janeiro?

O Presidente da República teve hoje uma série mini-encontros com os partidos políticos representados na Assembleia da República. O assunto era a data das eleições legislativas antecipadas. Ouvir os partidos foi claramente uma formalidade, exigida pela Constituição, mas sem qualquer outra substância. Tratou-se de uma etapa, e nada mais.

No essencial, ficou visível que a data preferida seria 16 de Janeiro. Essa preferência tem toda a lógica. Não estraga o Natal e o Ano Novo de muitas famílias e permite começar o novo ano com alguma clareza. A não ser que não haja um resultado suficientemente claro. O povo é quem mais ordena, mas são os líderes políticos que na realidade mandam no sistema. O povo vota e os chefes interpretam a vontade popular. Cada um puxando a brasa para o seu lado.

De qualquer modo, se é para ir a votos, que se vá tão depressa quanto possível. Cabe a cada partido arrumar a casa antes, se puder. Se o não fizer, irá para a campanha numa situação de confusão e debilidade. Isto é especialmente verdade no caso do PSD. Esse partido está fragmentado e vai ter muitas dificuldades para colar os cacos a tempo.

Quanto ao CDS, não há problema. O resultado eleitoral servirá para confirmar o seu apagamento do mapa político nacional.

Os selvagens negacionistas

Os insultos e as ameaças proferidos contra o Presidente da Assembleia da República devem ser inequivocamente condenados e objecto de procedimento criminal. Não sei se os diferentes partidos políticos se pronunciaram sobre o que aconteceu. Espero que o tenham feito e sem qualquer tipo de ambiguidades. Isto não é uma questão partidária. Trata-se de salvaguardar o respeito por quem exerce funções públicas. Ferro Rodrigues não será o político mais arguto ou mais simpático ou tolerante na colecção que temos. Mas é o segundo magistrado da nação e como tal deve ser tratado.

Por outro lado, os tresloucados que cometeram os crimes contra Ferro Rodrigues são gente que não dá para entender. Mas a sua falta de inteligência é uma coisa. A violência que revelaram é outra. Essa é pura e simplesmente inaceitável.

Entretanto, ainda não percebi se Fernando Nobre tinha ou não discursado perante estes energúmenos. Esta é uma questão menor. No entanto, precisa de resposta. O próprio deverá esclarecer se sim ou não e, caso tenha botado palavra, explicar publicamente aquilo que lhes disse.

Numa nota mais geral, sempre achei um erro misturar acção humanitária com combate político. São duas coisas completamente diferentes. Quem anda numa não se deve meter na outra.  

O demolidor

O senhor deputado das asneiras demolidoras é membro da Comissão Política do Partido Socialista, além de estar sentado na Assembleia da República há várias legislaturas. Foi secretário de Estado repetidas vezes. Ou seja, é uma personalidade dentro do seu partido. Uma personalidade que tem sempre vivido da política. Por isso, vejo com muita pena o dano que o confinamento lhe fez à cabeça. E partilho aqui, com o líder do seu partido, a mágoa de ver o senhor deputado desnorteado. Acrescento que compreendo o embaraço que o líder do partido deve sentir

A mentira da Justiça

O que aconteceu e continua a acontecer no nosso Ministério da Justiça, sobre as falsidades que oficialmente foram transmitidas a Bruxelas sobre o procurador europeu, não deve ser classificado como uma trapalhada. É bem mais do que isso. E muito grave. É um abuso do poder, por parte de um grupo de governantes que pensa estar de pé e cal na mó de cima. Olham à volta e não vêem oposição que lhes faça medo. Sentem-se seguros e, por isso, seguem o velho princípio do quero, posso e mando, ao qual juntam o igualmente velho hábito da política portuguesa, o compadrio.

Dito de outra maneira, é uma política sem ética. Corrupta até ao tutano. Sim, que a justiça faz parte do âmago do Estado. É uma função essencial de soberania que se mostra tão desvirtuada como muitas outras.

A Ministra não se demite e o Primeiro-Ministro não se manifesta. Estamos bem entregues.

Ignorar um problema essencial não é boa política

A Comissão Europeia, ao apresentar hoje uma proposta para uma nova política de imigração e asilo, veio lembrar-nos que este é um dos temas mais delicados para uma boa parte dos Estados-membros. Farei aqui uma análise das propostas, em tempo oportuno. Agora só queria referir que nenhum chefe de governo pode recusar um debate no seu parlamento nacional sobre esta questão, escondendo-se por detrás da desculpa que se trata de uma questão europeia e não meramente nacional. Este é um problema central, para cada um dos países. E é certamente um assunto que não pode ser ignorado em Portugal. Não se trata apenas da nova rota vinda de Marrocos para o Algarve. Há muito mais matéria em causa. Tem que haver uma política clara e uma implementação eficaz dessa política. Tenho a impressão que nada disso existe, que se continua a varrer para debaixo do tapete.

Um orçamento de retalhos

O novo Orçamento Geral do Estado, este orçamento de 2020 agora em processo de aprovação, está a ficar muito complexo, com um número exagerado de adendas e de novas exigências. Parece uma manta de retalhos, que quer tapar todos os buracos. Vai ficar cheio de incoerências.

Nestas coisas de orçamentos de Estado, o ideal é chegar a um acordo prévio, entre partidos com vistas similares, de modo a garantir o essencial e a integridade do documento. Caso contrário, vai para a Assembleia da República e fica a flutuar, na confusão dos ventos vindos de todas as direcções.

A maçada do orçamento

Não quero estar a maçar nenhum dos meus leitores com mais conversa sobre o Orçamento de Estado. Hoje, como nos últimos dias, não se tem falado de outra matéria. Creio que estamos todos cansados de ouvir uns a dizer bem, que sim, e outros a responder cobras e lagartos. Ou vice-versa, que a confusão nestas alturas é espessa.

Em coisas de orçamentos do Estado, o cidadão quer acima de tudo saber se vai ou não pagar mais impostos, se a burocracia vai funcionar melhor ou não, se haverá incentivos em termos de investimentos e se os serviços públicos essenciais – a saúde, a educação, a segurança das pessoas e a justiça – vão responder mais eficazmente.

O resto é conversa de deputados chatos.

A verdade é que se paga proporcionalmente muito e se obtém pouco, de fraca qualidade e a más horas. Se eu fosse Primeiro-Ministro abriria o meu discurso de apresentação do novo orçamento com uma explicação concreta sobre o que faria este ano para termos um Estado mais competente, mais perto das pessoas e mais poupado. Esse, sim, é o compromisso que se espera do Chefe.  

Os tolos e os espertos

Estão a dar gás ao fulano. E ele e os seus aproveitam-se dessa estupidez. Pouco a pouco, irão tentar ser a personificação de tudo o que é oposição da velha direita ao Partido Socialista, da raiva que sempre existe contra quem parece não querer largar o poleiro político. Procurarão ser vistos, por uma parte dos eleitores, como a única réplica corajosa e ousada a António Costa e aos seus. Tentarão marcar a agenda mediática. Não são tolos. Antes pelo contrário, estão a crescer e a marcar pontos.

Assim crescem os movimentos políticos desse género.

A nossa maneira intolerante de fazer política

A luta política portuguesa ainda está debaixo da influência de escolas de pensamento totalitárias. Em ambos os lados, à esquerda e à direita, não estamos preparados para aceitar outros pontos de vista, para ver qualquer tipo de mérito nas opiniões de outras famílias políticas.

A maioria dos defensores das ideias de esquerda vê as outras correntes de opinião como inimigas do povo. Só eles é que têm razão, cada um na sua capela ideológica e entre os seus fiéis amigos. Se tivessem o poder, um poder absoluto, praticariam aquilo que Estaline e outros praticaram, quando se tratava de lidar com pessoas com um pensar diferente. Talvez a uma escala menor, que nós somos uns meia-tigelas, mas o princípio seria o mesmo: esmagar quem não pertence à nossa família política.

À direita, também se faz política assim. Os adversários são vistos como inimigos e os inimigos só podem ter um destino.

A intolerância e a incapacidade de dialogar e de chegar a compromissos têm muitos adeptos entre nós. Fomos formatados pelo fascismo e pelo outro lado da medalha, pelas ditaduras que invocavam em vão a classe operária e o proletariado. Ou seja, a nossa cultura política é uma cultura que procura excluir e derrotar, em vez de construir e harmonizar. É uma maneira de ver que não deixa espaço para um equilíbrio de interesses e para uma inclusão inteligente dos cidadãos, sobretudo daqueles que menos sabem de política e que, por isso, andam mais indefesos.

Toda esta intolerância revela uma grande imaturidade política. Sobretudo, ao nível de quem manda na política, dentro ou fora do governo, nos jornais, nas assembleias, na praça pública. Os actores políticos são infantis, apenas pensam na imagem da sua pessoa e na maneira de bater nos outros, forte e feio.

Há aqui uma revolução cultural que precisa de ser levada a cabo. O problema é que não vejo como se pode iniciar o processo.

 

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