Portugal é grande quando abre horizontes

14
Fev 19

Ainda não percebi a surpresa que muitos têm manifestado perante a afirmação que um grupo de dissidentes do Bloco de Esquerda (BE) fez esta semana, sobre a falta de democracia interna e o clima de perseguição que impera no interior desse partido da extrema-esquerda.

A natureza autocrática dos principais partidos portugueses faz parte dos seus genes. Os nossos partidos são ditaduras envernizadas de democracia. Manda quem, por portas e travessas, chega ao topo da estrutura. Os outros, obedecem. Seguem a linha que vem de cima, de preferência com uma fidelidade de fazer inveja a muitos cachorros. Quando começam a opinar e a defender opções diferentes das decididas pela direcção da agremiação, passam a ser vistos com desconfiança e, nalguns casos, serão mesmo tidos como potenciais traidores. Então, a máquina inicia o processo estalinista – sim, que nisto de exigir uma obediência acéfala, encontramos os estalinistas em ambos os lados, nos partidos à esquerda e à direita – de isolamento e de exclusão desses militantes.

O que não falta por aí serão exemplos que poderão confirmar esta maneira de proceder. E antigos militantes amargurados.

Isto faz-me lembrar o que alguém – deputado desde sempre na Assembleia da República, por saber remar com a maré, seja ela qual for – sempre me disse sobre as lideranças partidárias. Para chegar à chefia, é preciso ser-se mestre na arte da intriga. Para manter a posição de chefia, a arte indispensável é a da coação.

publicado por victorangelo às 16:20

05
Fev 19

O Presidente da República visitou ontem o problemático Bairro da Jamaica, no Seixal. Foi uma visita inapropriada e errada.

O Presidente tem o direito de visitar o que entende. Mas, enquanto Chefe de Estado, todas as visitas têm uma leitura política. E mais ainda esta, que pareceu dirigida contra o Governo, em particular contra as declarações do Primeiro-Ministro na Assembleia da República sobre os incidentes que ocorreram nesse bairro, e contra a ordem pública, representada pela PSP.

O Presidente tem que saber encontrar um equilíbrio entre a proximidade com os cidadãos e o respeito pelos pilares institucionais da República. Não pode, de modo algum, alinhar-se de um lado sem ouvir, de preferência em simultâneo, o outro. Tem que ouvir com as duas orelhas e manter o cérebro no meio.

É verdade que, entretanto, teve o apoio verbal de um radical da extrema-esquerda. Mas isso é pouco. Pode mesmo ser visto como um certo tipo de infantilismo a apoiar um outro tipo de infantilismo. Tudo sem sentido de Estado.

Será certamente lembrado quando a próxima campanha eleitoral para as presidenciais tiver lugar.

publicado por victorangelo às 16:32

25
Jan 19

A referência feita pelo Primeiro-Ministro António Costa “à cor da sua pele”, insinuando assim que a líder do CDS estaria a mostrar um comportamento racista em relação à sua pessoa, foi injustificada e muito infeliz. Não é para repetir.

Assunção Cristas, quer se goste muito ou nada dela, tinha todo o direito de pedir a António Costa que esclarecesse se apoia ou não a actuação da PSP. Era um pergunta legítima e de actualidade. A resposta deveria ser dada com calma. E de modo inequívoco, expressando claramente que é preciso respeitar a Polícia, quando esta está a cumprir a sua missão dentro dos parâmetros da lei.

Perder as estribeiras, quando se é Primeiro-Ministro, e quando não há razão para tal, acaba por ser visto como um sinal de fraqueza. Ou, pelo menos, de cansaço, de quem anda a precisar de descanso e de mudar de vida. Em ambos os casos, fica uma imagem tremida.

 

 

publicado por victorangelo às 21:30

21
Jan 19

Os nossos radicais estão em campanha. Uma das mensagens que pretendem passar tornou-se bem clara: que não são populistas! Nem extremistas! Ou seja, tentam vender gato por lebre.

A comunicação social tem mostrado que gosta da conversa e dá-lhes espaço. Com bonitas fotografias, para reforçar o recado. Apresenta, assim, como positivo o que mais não é do que infantilismo político. Perigoso, aliás, para além das imagens dos sorrisos.

Digo infantilismo por reconhecer que certas propostas apresentadas pelos nossos extremistas têm a graça da idade da inocência.

Quem não tem ido na conversa é o eleitor português. Dirigir uma nação, inserir-se no xadrez europeu e internacional, lutar por um projecto de sociedade, tudo isso pede mais do que ingenuidade, ideias estreitas e falta de realismo. E isso continua a ser claro para a maioria dos que votam no futuro de Portugal. O eleitor português tem mostrado maturidade. E assim deverá acontecer também este ano, quer em Maio quer em Outubro.

 

publicado por victorangelo às 16:58

04
Jan 19

O Público de hoje inclui um texto arrasador de Teresa Morais. A deputada do PSD escreve sobre a liderança actual do seu partido. Revela, de uma maneira serena e corajosa, a incompetência de Rui Rio, enquanto cabeça nacional de um partido que representa uma boa parte da opinião democrática portuguesa. Diz que Rio não ouve, não aceita opiniões críticas e não é capaz de definir uma política clara, que possa servir como contraponto às escolhas do governo actual.

Sendo assim, não deverá sobreviver para além das eleições legislativas deste ano, que se anunciam como uma derrocada para o PSD que dirige.

O que Teresa Morais não disse, é que Rui Rio deveria sair antes das eleições de 2019. Não o disse porque essa opção não está em cima da mesa. Ninguém parece disposto a iniciar um movimento interno que leve à contestação do líder.

Teremos, deste modo, um PSD que continuará em crise, mesmo depois da saída de cena de Rui Rio. O novo ou a nova líder encontrar-se-á numa situação complexa, com um grupo de deputados escolhidos de entre os fiéis de Rio. O costume, aqui como nos outros partidos, quando se trata de deputados: tudo a mandado do líder que estava no poder antes das eleições. De qualquer modo, parêntesis à parte, podemos esperar um cenário pós-eleitoral de conflito entre esses deputados e a nova liderança. Ou seja, o PSD, ou leva uma grande volta, ou está condenado a uma longa travessia do deserto.

 

publicado por victorangelo às 18:07

20
Jan 18

Não se pode proceder à reforma do Estado sem se fazer primeiro a reforma da representação política. Governos formados com base em partidos que não representam o que há de melhor, de mais criativo e dedicado no povo português não fazem reformas. Executam apenas o que as conveniências ditam. Inspiram-se no curto prazo, no oportunismo dos momentos que se seguem. Não têm uma visão estratégica de Portugal.

publicado por victorangelo às 20:46

20
Jul 17

O ruído político à volta das declarações proferidas por um candidato à autarquia de Loures destina-se apenas a ganhar pontos. Faz parte do arremesso a que os partidos se habituaram e do comentário pela rama, que caracteriza a nossa maneira de tratar a opinião pública. As referências a valores fazem parte do ritual.

A verdade é outra. Sabe-se muito pouco sobre o quotidiano e as práticas das nossas comunidades ciganas, para além do preconceito e dos estereótipos.

Os políticos, de maior ou menor dimensão, mas todos de talha baixa, falam sobre os nossos concidadãos ciganos sem terem ideia alguma do que estão a falar. Nem saber sobre o assunto lhes interessa de sobremaneira. Se houvesse de facto uma preocupação a sério sobre essa categoria de portugueses já teriam sido feitos estudos oficiais, até mesmo, criados grupos de trabalho parlamentar. E teriam existido debates de fundo, que o tema é complexo e deve ser visto sob várias dimensões.

Mas esses cidadãos são pura e simplesmente ignorados. Ninguém que ver o problema de frente. Agitam-se umas bandeiras e procura-se, assim, enganar a realidade.

 

publicado por victorangelo às 21:38

01
Jul 17

As armas e as munições, em quantidades que mostram que a coisa foi organizada a sério, foram roubadas de um paiol do Exército. Inacreditável!

O tipo de armamento levado pelos ladrões permite praticar actos terroristas de grande impacto. Preocupante!

As autoridades do país onde isto aconteceu limitaram-se, até agora, três ou quatro dias depois do acontecimento, a exonerar uns coronéis. Patético!

Os principais responsáveis políticos, os do lado da governação, mantêm-se calados. Incompreensível!

Do outro lado, os da oposição, diz-se umas baboseiras inconsequentes e pela rama. Incompetência!

Parece que haverá uma audição parlamentar do ministro da pasta. A resposta habitual!

Como também será de prever, dentro do que é a nossa normalidade irresponsável, que da audição não resulte nada de estrutural, para além do ruído a que já estamos habituados. Portugal!

 

publicado por victorangelo às 22:22

25
Abr 17

Para celebrar o dia, publiquei esta manhã um tweet em que afirmava que “a liberdade e a seriedade do diálogo são as pedras angulares na construção de país próspero e justo”.

Assim o creio.

É fundamental que os cidadãos vivam num clima político e social que lhes permita expressar livremente os seus pontos de vista e, quando necessário, lutar pelas opções colectivas que lhes pareçam mais apropriadas para o bem comum. Tudo isto sem receios, sem outros limites que os da tolerância e da decência.

A opressão é a principal inimiga da natureza humana.

Portugal é hoje um país livre de totalitarismos. E assim deve continuar.

Por outro lado, uma sociedade moderna deve necessariamente assentar no diálogo entre as várias correntes de interesses. Não há nações monolíticas. Nem se aceitam vanguardas iluminadas. A unanimidade não constitui um valor desejável. A força e o dinamismo de um país provêm da confrontação pacífica das ideias e do bom funcionamento das instituições representativas.

Nestes domínios do debate de ideias e das instituições ainda temos muito caminho para percorrer, apesar dos progressos alcançados. Não o reconhecer significaria que não se aproveitou o dia para reflectir sobre o que somos e o que temos que continuar a construir.

 

publicado por victorangelo às 20:08

21
Abr 17

A Comissão Nacional de Proteção de Dados (CNPD) deu um parecer negativo sobre o projecto de lei relativo ao acesso a dados de tráfego de localização e outros dados provenientes das telecomunicações dos cidadãos.

Priva, assim, os nossos serviços de informações de um instrumento de trabalho de investigação que se tem revelado particularmente importante, noutros países do nosso espaço europeu, no combate ao terrorismo.

Uma vez mais, Portugal surge perante os parceiros exteriores, como o elo fraco em matéria de informações de segurança.

A CNPD tem uma sensibilidade “democrática” que não entendo. Parece estar congelada no tempo, há trinta ou quarenta anos atrás.

publicado por victorangelo às 17:46

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