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Crescemos quando abrimos horizontes

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Cuba e os EUA: um erro americano

A Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou hoje mais uma resolução sobre a necessidade de pôr termo ao embargo económico, comercial e financeiro que os EUA têm em vigor contra Cuba. 185 países votaram a favor da resolução, incluindo todos os Estados membros da União Europeia. Apenas os EUA e Israel votaram contra a resolução. O Brasil e a Ucrânia abstiveram-se.

Há 30 anos que a AG pede o fim do bloqueio. Mas Washington não ouve a comunidade internacional, quando se trata de Cuba.

A votação na Assembleia Geral da ONU

A resolução que defende a integridade territorial e a soberania da Ucrânia, e condena as farsas que a Rússia organizou chamando-lhes referendos, foi aprovada por 143 Estados membros da ONU. Cinco países votaram contra, ou seja, ao lado da Rússia – a ditadura que é a Bielorrússia, a célebre Coreia do Norte, a desgraçada Síria, o palhaço da Nicarágua, bem como a Rússia, claro. As abstenções somaram 35 e incluem Moçambique.

Foi uma enorme vitória para a Ucrânia, do ponto de vista político. Não tem, no entanto, efeitos vinculativos. Mas mesmo assim, mostra claramente a condenação geral da Rússia e da sua agressão.

 

Sobre a Assembleia Geral da ONU deste ano

https://www.dn.pt/opiniao/putin-procurou-sequestrar-a-agenda-da-assembleia-geral-15188428.html

Este é o link para o meu texto de hoje/desta semana no Diário de Notícias. 

Cito umas linhas, como já é habitual: "Este segmento da Assembleia Geral (AG) trouxe a Nova Iorque um grande número de chefes de Estado, de governo e de ministros dos negócios estrangeiros. Não vieram apenas por esta ser a primeira assembleia inteiramente presencial, depois das restrições impostas pela pandemia do coronavírus nos dois anos anteriores. Vejo na grande afluência deste ano, e na azáfama diplomática que decorre em simultâneo com o plenário, indicadores claros da importância que muitos países continuam a atribuir ao pilar político das Nações Unidas."

Inquietações

A Assembleia Geral da ONU deste ano tem estado a despertar uma atenção mediática muito superior ao que é habitual. Será por estarmos no meio de uma crise bem complexa, ao nível internacional, e assim, de repente, as pessoas apercebem-se de que o sistema das Nações Unidas é um ponto de encontro que poderá abrir vias de saída para a crise? Não sei. Mas a verdade é que existe uma inquietação muito séria sobre o futuro imediato. Aquilo a que António Guterres chamou “um inverno de descontentamento”.

Joe Biden na ONU

Tive a oportunidade de ver o vídeo da intervenção do Presidente Joe Biden na Assembleia Geral das Nações Unidas. Foi um discurso forte, bem articulado e positivo. Agora a questão é traduzir as palavras em acções concretas e convincentes.

Saliento de seguida uma série de pontos extraídos da sua comunicação ou resumindo algumas das ideias principais.

Este é um momento de viragem na história. Estamos mais interconectados do que nunca. As novas tecnologias podem dar mais poder às pessoas ou serem utilizadas para as reprimir. Por toda a parte, pode ouvir-se um apelo ao respeito pela dignidade humana. Não queremos uma nova Guerra Fria. Os EUA estão prontos para aprofundar a ajuda ao desenvolvimento e humanitária. É preciso desenvolver as infraestruturas nos países em desenvolvimento. Apoio à acção contra o aquecimento global. Mais solidariedade americana no que respeita ao combate contra a Covid-19. A questão palestina passa pela criação de dois Estados na região. Os direitos das pessoas devem estar no centro dos sistemas políticos. As intervenções militares são um último recurso, as políticas devem ter a primazia.

Imagino que António Guterres gostou do que ouviu. Eu gostei. Mas sou um optimista moderado e desconfiado.

Sobre a 76ª Assembleia-Geral da ONU

Começa amanhã a 76ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Uma boa parte das comunicações serão por via digital. Mesmo assim, teremos alguns líderes em Nova Iorque, para além de Joe Biden. A União Europeia estará representada em excesso, dirão alguns – Ursula von der Leyen, Charles Michel e Josep Borrell. De qualquer modo, a mensagem vinda de Bruxelas é clara: a UE quer aprofundar o seu relacionamento com o sistema das Nações Unidas e apoia a agenda do Secretário-Geral. Sobretudo no que diz respeito à expansão das campanhas de vacinação aos países mais pobres e na área do clima. Em ambos os casos, a equipa que lidera as instituições europeias tem tido um comportamento bastante construtivo.

Emmanuel Macron não estará em Nova Iorque. Trata-se de uma decisão anterior à crise actual à volta dos submarinos. Mas calha bem. Seria difícil ter um encontro pessoal com Joe Biden, neste momento. A França sente-se profundamente ofendida com o que aconteceu e a maneira como aconteceu. Está prevista, para um dia desta semana que ainda não parece definido, uma conversa telefónica entre os dois presidentes. É melhor começar o tratamento da questão desse modo. Veremos, no entanto, o que será dito durante esse telefonema.

Uma jornalista do Diário de Notícias, Susete Francisco, uma profissional por quem tenho muito apreço, perguntava-me hoje que mais-valia tem o discurso do Presidente Rebelo de Sousa na Assembleia-Geral. Sublinhei que sim, que existe uma mais-valia. É importante ver o Chefe do Estado donde provém o Secretário-Geral apoiar a agenda que este propõe. Nestas coisas, o simbolismo conta, mesmo quando não passa de um eco. O eco amplia a mensagem.

A situação internacional está bastante complicada. A tendência é para que se complique ainda mais. Nestas circunstâncias, é preciso lembrar a todos o papel que as Nações Unidas podem desempenhar. E não apenas no domínio humanitário. A organização existe para resolver questões políticas e para salvaguardar os direitos de cada pessoa. É a partir daí que se deve construir a agenda internacional.

O presidente ao ataque

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/26-set-2020/o-presidente-trump-e-as-nacoes-unidas-12759543.html

Este é o link para o meu texto desta semana no Diário de Notícias, edição em papel que sai aos sábados. Convido a que façam comentários no sítio aprpopriado do DN. Obrigado. 

Donald Trump e a diplomacia do cacete

A minha coluna de opinião desta semana, hoje publicada no Diário de Notícias, tem como tema o discurso que Donald Trump dirigiu à Assembleia Geral das Nações Unidas. Esse discurso tinha as seguintes mensagens: a China como estado hostil; Trump como um líder de paz; o auto-elogio como uma arma de campanha eleitoral; e uma referência às áreas de trabalho das Nações Unidas, segundo a visão de Washington. Foi mau em relação à China e razoável, no que respeita à ONU. O resto, foi conversa eleitoral e a ambição de ganhar o Prémio Nobel da Paz. Trump sonha com esse prémio. Não compreende como foi possível que Obama o obtivesse e ele ainda não.

Entretanto, o embaixador que colocou em Lisboa disse-nos hoje que Portugal tem que escolher entre a China e os Estados Unidos. O embaixador deve ter aprendido diplomacia na mesma escola que o seu chefe frequentou.  

 

Quem fala muito acaba por não ser ouvido

A intervenção do Presidente francês perante a Assembleia Geral da ONU foi exageradamente longa. Emmanuel Macron falou durante mais de cinquenta minutos, quando outros falaram cinco vezes menos. Teve a preocupação de definir uma agenda pormenorizada do que deveria ser, no seu entendimento, o trabalho das Nações Unidas e da comunidade internacional nos próximos tempos. Definiu cinco áreas prioritárias, cada uma delas com toda uma série de pontos e acções para levar a cabo. No final, ficou apenas uma ideia: falou demasiado, perdeu a atenção de quem o queria ouvir e a sua intervenção foi considerada como sendo uma manifestação de arrogância.

Já várias vezes disse que o Presidente Macron fala demasiado, faz intervenções demasiado extensas e com detalhes a mais. É um mau hábito e uma falta de cortesia. Acaba por irritar os seus pares, que acham que o francês pensa que é mais esperto do que eles.

Fazer longos discursos, na vida política de agora, é um erro.

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