Portugal é grande quando abre horizontes

12
Nov 16

Paris lembra hoje os atentados terroristas que sofreu há um ano atrás. Ao mesmo tempo, os expoentes mais significativos da sua classe política continuam a interrogar-se sobre as maneiras mais eficazes de proteger os cidadãos e impedir novos ataques.

É um debate sem fim. Mas muito útil.

Infelizmente para nós, é uma discussão que tem estado ausente em Portugal. Teríamos muito a ganhar se houvesse uma reflexão a sério sobre a nossa segurança interna. Nestas coisas, não é prova de boa inteligência política pensar que estes atentados só acontecem noutros sítios.

publicado por victorangelo às 20:39

29
Jul 16

Começou na Europa o fim-de-semana mais movimentado do ano. É a altura de partida de férias de muitos milhões de cidadãos europeus. E os próximos quinze dias são um período de afrouxamento da actividade económica. Esta é a normalidade de agora. E que não deverá ser destruída. Está profundamente enraizada na Europa, ao fim de cinco ou seis décadas de prática generalizada das férias pagas.

O Papa Francisco também anda em viagem. Por terras da Polónia. Mostra um ar muito cansado e preocupado. Os últimos tempos parecem ter pesado muito. Precisaria também de parar um pouco.

Quem deveria também ir de férias é quem anda a escrever asneiras sobre asneiras sobre as ameaças à nossa civilização ocidental. Não é um tresloucado de faca na mão que porá em causa a nossa maneira de viver, marcadamente laica e que não aceita que a política e a religião se misturem.

Aliás, depois das férias, talvez fosse bom voltar ao velho debate sobre a vocação ateísta e temporal de uma boa parte das populações europeias do presente. É uma tema que perdera a importância de outrora. Mas penso que está a necessitar de voltar à discussão pública.

Entretanto, boas férias…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 18:04

21
Jun 16

Bruxelas, uma cidade cosmopolita, que mistura nacionais com gentes das mais diversas origens e crenças, foi alvo de atentados terroristas a 22 de março. Desde então, os seus residentes têm assistido a toda uma série de operações de polícia, algumas bastantes espectaculares e susceptíveis de criar medo, de detenções e mesmo de falsos alertas, como aconteceu hoje na zona comercial mais importante do centro da cidade.

Perante tudo isto, perguntam-me frequentemente, quando me desloco ao estrangeiro, se os residentes de Bruxelas vivem na ansiedade de novos atentados. A minha resposta habitual é clara. Refiro que a vida voltou às rotinas habituais, que as pessoas não passam o tempo a olhar por cima dos ombros, numa atitude de desconfiança de tudo e de todos. Mais ainda. Quem costumava andar de lenço atado à volta da cabeça e com indumentária associada à religião que alguns praticam – são aliás muitos os que seguem essa prática, nesta terra tão diversa – continua a fazê-lo, sem hesitações e também sem sofrer qualquer tipo de intimidação ou de comentário mal-intencionado.

Hoje o diário La Libre, um dos grandes jornais de Bruxelas, inquiriu os seus leitores sobre se “as ameaças terroristas provocam angústias no nosso quotidiano”. Curiosamente, cerca de 1 em cada 4 respondeu que sim. Que se sente menos seguro, quando se encontra em lugares públicos.

Afinal, estas coisas deixam traumas e marcas na população. E será por isso que certos partidos e movimentos de opinião procuram aproveitar esses temores colectivos em benefício das suas causas. O medo tem um valor político. Tal como a normalidade. Mas são valores de tipo diferente.

 

 

publicado por victorangelo às 18:06

16
Nov 15

Ao chegar esta manhã a Addis Ababa tive tempo para ver o que se escreveu nos jornais portugueses, como comentário e opinião, sobre Paris e os crimes brutais e cegos de sexta-feira. E tempo também para concluir que a opinião de certas figuras públicas portuguesas está cada vez mais a percorrer as ruas da amargura. Num dos exemplos, o opinante, autor de uma extensa página, achava que era altura de convocar uma reunião da NATO sobre os atentados, a pedido da França e com base no Artigo 5º do Tratado do Atlântico Norte.

Um exagero.

O Artigo 5º só se aplica no caso de uma ameaça exterior, de natureza militar, contra um Estado membro da Aliança. Em princípio, destina-se a preparar uma resposta de defesa colectiva quando a soberania nacional de um dos Estados está ameaçada.

Certos países da Aliança Atlântica já desempenham um papel na Síria e no Iraque. Em coligação com Estados da região. Isso deve continuar, sem que seja necessário dramatizar com o recurso incorrecto ao dito Artigo.

O que se passou em Paris e o seguimento desses dramáticos acontecimentos exigem, isso sim, respostas que pertencem às polícias e às autoridades judiciais, bem como soluções políticas. E tudo isto deve ser feito em coordenação com as autoridades dos países vizinhos e de outros, segundo as necessidades das investigações e as conclusões políticas que venham a ser tiradas. Mas, como dizia ontem aqui mesmo, o que tiver que ser feito deve ser feito num quadro que combine o nacional com o europeu, com serenidade, para não dar lugar a histerias políticas, a medos colectivos, para que o nosso espaço de direito e de tolerância possa ser salvaguardado.

publicado por victorangelo às 13:11

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