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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A situação continua a ser muito grave

Os números de infectados pela pandemia estão de novo a subir, em vários países europeus. Estes surtos têm levado à adopção de medidas de controlo e a decisões sobre quarentenas que não estão a ser bem recebidas pelas populações. No Reino Unido, por exemplo, as alterações de um dia para o outro, no que diz respeito à necessidade de quarentenas, tem baralhado as pessoas, afectado os mercados financeiros e criado novas dificuldades para áreas importantes da economia. Também provocam tensões políticas entre Londres e outras capitais europeias.

A verdade é que a pandemia continua activa e que a prudência deve ser a linha mestra a guiar a actuação de cada um de nós. É igualmente verdade que os impactos ao nível económico e psicológico são enormes. Estamos a entrar num processo de ruína, para muitas empresas. A duração da crise torna a recuperação muito mais difícil. E acabará por ter uma influência muito negativa nas finanças públicas e na solvabilidade do sistema bancário. Os bancos estão a acumular créditos incobráveis. As garantias desses créditos são projectos inacabados e impossíveis de transformar em dinheiro.  

Ao nível psicológico, preocupa-me sobremaneira as crianças que não podem ir à escola e que estão isoladas nas suas habitações, com pouco ou nenhum contacto com outras crianças das suas idades.

Temos que estar cientes que o choque é enorme e que vai demorar um tempo longo para poder ser absorvido. Assim, quanto mais responsáveis e cuidadosos formos no nosso dia a dia e nas nossas actividades sociais melhor. É a contribuição que se espera de cada um.

O Apocalipse com limão

Foi mais um dia agitado, como têm sido os dias dos últimos dois meses. Passei o tempo a correr atrás dos “Cavaleiros do Apocalipse” dos tempos modernos, como repetia um dos intervenientes do debate que tive a responsabilidade de coordenar – uma discussão sobre o que aí vem, após a confusão em que vivemos – e a compra de sorvete de limão, que se tornara imperiosa, no fim de um almoço de magras costeletas de borrego.

O interveniente sobre os cavaleiros – que na tradição bíblica representam a peste, a guerra, a fome e, no final, seria de esperar, a morte,  – discorreu longamente sobre os quatro de agora. Ou seja, segundo ele, as desigualdades sociais ligadas às precariedades de todos os tipos; a catástrofe climática; o esboroamento das democracias, graças à maneira de fazer política de certos chefões democraticamente eleitos e que rapidamente se transformam em abusadores do poder; e o quarto cavaleiro, representando a imigração em massa de populações em fuga, por várias razões, e à procura de céus mais favoráveis.

Devo confessar que a referência ao tema bíblico e aos homens a cavalo me apanhou desprevenido. Há muito tempo que não ando por essas leituras. Mas a síntese dos temas a ter em conta, na Europa desenvolvida que a Bélgica representa, ficou a trotar na minha cabeça. Há muita gente a pensar no futuro, depois do choque pandémico. Cada vez aparecem mais obras e clubes de pensadores sobre as mudanças que deveriam ter lugar e o mundo que aí vem. Curiosamente, os intelectuais falam da necessidade de mudança e os políticos focalizam-se na reposição do que havia em janeiro ou fevereiro deste ano. Uma vez mais, a política e a intelectualidade andam a girar em rodas diferentes. Os cavaleiros e os fulanos dos BMWs da política movimentam-se em pradarias distintas.

Entretanto, chegou a hora do almoço. Que nos veio lembrar que estamos dependentes da globalização da produção alimentar e do resto. As costeletas, cortadas todas por igual, com o mesmo formato e peso, vinham da Nova Zelândia, que é um país que não fica aqui ao pé da porta.

Este é o mundo em que estamos, antes e, provavelmente, depois da crise. Como o meu pessoal é exigente, o que resta de uma dose de três costeletas de borrego, depois de retirada a parte da gordura e os ossos, que a casa não rói essas coisas, é pouco. E surgiu então um novo cavaleiro do infortúnio, um drama doméstico – não havia sorvete de limão no frigorífico, que era a sobremesa que os bichos exigiam, salvo seja. E lá fui eu a correr ao supermercado que se situa duas ou três ruas mais ao lado, e que é o único aqui na zona que tem sorvete artesanal italiano, para comprar o que o borrego pedia.

Pensei que assim andamos, sempre a passar do global e da produção de massa ao artesanato sofisticado e exclusivo. Na verdade, o cavaleiro da precariedade, de que o académico falava esta manhã, é mais e acima de tudo, um mensageiro das disparidades sociais e das incongruências que nos animam. E que o sorvete, ao preço que custa, nos ajuda a lembrar, para além de fazer desaparecer o gosto da globalização.

 

A economia dos outros e do meu barbeiro

Hoje, neste país que é a Bélgica, as barbearias voltaram a abrir. E eu lá estive, que bem precisava. Vim quase rapado, que o barbeiro não tinha mãos a medir nem tempo para grandes fantasias. Foi um cortar a eito.

Esteve, como todos os outros, dois meses e meio fechado. Perguntei-lhe quanto recebera como subsídio, por parte do governo. Disse-me, com um tom resmungão, que uns dias depois de ter fechado o salão, lhe deram 1200 euros, com a promessa de que a 4 de maio receberia um complemento. E recebeu, nesse dia, sem mais, 4000 euros. Ou seja, a subvenção total, a fundo perdido, por oito ou nove semanas de inactividade, chegou aos 5200 euros, sujeitos a impostos e às contribuições para a segurança social e para o fundo de pensões. Nada mal, pensei eu, para um empresário a título individual. Mas não lhe disse o que pensava, pois percebi que achou que foi pouco. E também, para não prolongar a conversa, o que faria correr o risco de acabar com um corte à soldado raso. 

Perdido no Mar da Net

Ontem à hora do jantar, pedi à companhia belga que me fornece os serviços de telecomunicações que procedesse à rescisão do meu contracto no final deste mês. A funcionária, do outro lado da linha, foi de uma eficácia que me deixou os cabelos em pé e à beira do colapso mental. Ou seja, cortou tudo, de imediato, sem esperar pelo primeiro de Junho. Num instante, fiquei náufrago no oceano da internet, desconectado do mundo. Senti-me como um Robinson Crusoe dos tempos modernos.

Notei o erro sem demoras. Telefonei de volta, através de um número que está fora desse circuito, mas já era tarde. A partir das 20:00 horas não há resposta a questões comerciais. Com a ajuda da minha filha e depois de muitas tentativas, consegui chegar a um chefe de serviço, por volta das 21:00. Disse-me que sim, que estava a ver o erro, que iria providenciar para que fosse reparado sem demoras. Nestes tempos de Covid e de mudança, não se pode estar sem comunicações, sem internet, acima de tudo. Foi muito rápido, no que respeita à factura dos custos da reposição do serviço. Cinco minutos depois, a conta já estava na minha caixa de correio. Mas nada de reposição do serviço. O mundo para lá do horizonte pareceu ainda mais distante, inteiramente fora do alcance do novo Robinson.  

Hoje, logo pela manhã, voltei a telefonar. Disseram-me que sim, que tinha sido bom que eu os tivesse contactado tão prontamente, ontem à noite, antes que o corte se tornasse final. Fiquei feliz com a informação, mas profundamente infeliz quando acrescentaram que a ligação seria estabelecida entre hoje e amanhã. O que havia demorado uns segundos a desligar, iria demorar dois dias a ligar. Robinson Crusoe diria que Proximus ainda não chegou ao ano 2020 e à época do Covid.

Um dia estranho num momento estranho

Dia de aniversário. E de confinamento. Por isso, a celebração foi por videoconferência, cada segmento da família no seu refúgio. Assim são os tempos que vivemos. As regras são para se cumprir. E para fazer cumprir. Assumimos a nossa parte e queremos que os outros sejam responsáveis pela sua. O fundamental é que todos entendam a gravidade da situação actual. E nalguns sítios, parece que esse entendimento custa a fazer-se entender.

Aqui, não se pode ir de uma localidade para outra sem uma justificação de força maior. Quem o tenta fazer, leva com uma multa das grandes. Em França ou em Espanha, as restrições são ainda maiores. Quem tem dificuldades de compreensão do que está em jogo, paga e paga bem.

Os meus amigos orientais, chineses, japoneses e malaios, dizem-me que estão surpreendidos com o comportamento indisciplinado de alguns europeus, aqui nesta nossa Europa. Também não entendem a discussão sobre as liberdades individuais, numa altura em que o bem colectivo está seriamente ameaçado. É uma outra maneira de ver as coisas. Mas a verdade é que estamos a viver uma calamidade de proporções alarmantes. Ninguém sabe como isto irá evoluir.

Entretanto, assisti a um dia de confusão nos Estados Unidos. Há um nível de caos e uma atmosfera de desorientação que são preocupantes. Começar a semana assim é muito mau. Muito, mesmo. Ora, isto precisava de notícias mais encorajadoras

Vamos ter paciência. E insistir no que está ao nosso alcance, que é a adopção de comportamentos responsáveis.

Mau tempo

Neste domingo de Carnaval, olho pela janela e fico horrorizado. Está um dia de tempestade, aqui na minha rua de Bruxelas. É o terceiro fim-de-semana seguido de mau tempo. Tudo muito feio e sem movimento.

Depois, ponho os olhos nas notícias e vejo que o surto de coronavírus está a pôr a Lombardia, o Veneto e certas localidades do Norte da Itália em estado de alerta. Esta é uma péssima notícia para a Europa e não só. Tal como na China e na Coreia do Sul, a erupção na Itália mostra-nos a gravidade da epidemia e as consequências multidimensionais que acarreta. Uma dessas consequências, a anulação das festividades de celebração do Carnaval de Veneza, é altamente simbólica.

Professores e professores

Os professores estão no centro das atenções, uma vez mais.

A política portuguesa tem tido imensas dificuldades em tratar a questão do ensino, da sua modernização e o estatuto dos professores. É um problema que vem de muito longe e que tem repercussões profundas, quer no presente quer no futuro do país. Em vez de estratégia, tem-se sistematicamente recorrido ao oportunismo e ao tacticismo.

Temos aqui um dos problemas mais graves a que Portugal não tem sabido responder de modo equitativo e duradouro. Esta é uma das áreas da governação que necessitaria de uma reviravolta completa. E de muita coragem política bem como de um diálogo com a nação.

Entretanto, e apenas a título de curiosidade e de comparação, partilho alguns números relativos aos salários médios dos professores do ensino secundário na Bélgica. Trata-se de valores pagos a quem tem todas as qualificações académicas para ser professor. E deve notar-se que o custo de vida na Bélgica é mais elevado do que em Portugal.

Assim, ao fim de dez anos de serviço e com um horário completo que são 22 horas de aulas por semana, um professor recebe como salário mensal líquido – 12 vezes ao ano, não existe um 13º mês – entre 2410 e 2600 euros.

Completados trinta anos de carreira, esses valores mensais oscilam entre os 3120 e 3650 euros líquidos, segundo a região do país e o estatuto da escola. Na Flandres, os valores são em geral mais elevados.

Em termos de férias escolares, a média é 71 dias por ano civil.

Uma carreira completa, em termos de direito à reforma, exige 41 anos e 3 meses. Isto significa que a idade legalmente prevista para a reforma andará nos 63 anos, no mínimo. Mas há bonificações que podem reduzir um pouco esse patamar etário. O montante da pensão de reforma anda à volta dos 2000 euros líquidos por mês (12 vezes por ano). Mas atenção, existe um valor máximo de pensão oficial que um casal pode acumular, que não chega aos 3000 euros por mês, para a soma das duas pensões. Pensões acima desse valor correspondem ao somatório dos esquemas oficiais com sistemas privados. A preocupação fundamental é a de garantir a sustentabilidade do regime oficial de pensões.

 

 

O que é ser europeu?

Na semana que passou, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos aprovou de modo unânime uma sentença que reconheceu ao governo da Bélgica a legitimidade para proibir o Niqab – o véu que cobre a cara e só deixa ver os olhos das mulheres que o utilizam – nos lugares públicos.

A argumentação teve em conta questões de segurança, de igualdade entre os homens e as mulheres e o imperativo da integração de cada pessoa na sociedade a que pertence. Se a sociedade não aceita, como é o caso da Bélgica, o Niqab, o Tribunal achou que haveria que ter esse facto em linha de conta.

A decisão procurou assim fazer o equilíbrio entre os direitos individuais e as exigências que decorrem da vida em sociedade. E deu, em grande medida, muita importância à questão do “viver com os outros”.

Estamos perante um contributo importante para a questão da diversidade de culturas na Europa. Esse assunto precisa, cada vez mais, de ser encarado de modo aprofundado, nas suas diferentes facetas e tendo em conta o que significa, nos dias de hoje, pertencer a uma nacionalidade europeia.

Imigração e integração

Muitos imigrantes de origem turca residentes na Bélgica têm dupla nacionalidade. São simultaneamente belgas e turcos. Mesmo os mais jovens, já nascidos e criados nas terras da Flandres, da Valónia ou em Bruxelas, acabam por optar pelo exercício e os direitos das duas cidadanias.

Por isso, todos puderam votar no referendo de ontem.

Agora, sabido o resultado, veio o choque. Sim, 75% dos belgo-turcos votaram a favor das propostas antidemocráticas de Erdogan. Uma percentagem muito elevada, bem acima de outras comparáveis.

E isso está a levantar sérias dúvidas sobre o grau de integração destas pessoas numa sociedade pluralista e tolerante como a da Bélgica. Dá, além disso, aos nacionalistas belgas de várias estirpes mais pano para mangas e mais argumentos contra a imigração.

 

Novos apontamentos sobre a crise migratória

Imigração e refugiados

Cimeira da Áustria sobre o corredor dos Balcãs 23/2; Países do Visegrado não foram convidados, nem a CE, nem a Alemanha e a Grécia. O governo austríaco tem medo das próximas eleições gerais. Estabeleceu um regime de quotas que limita de modo drástico o número de refugiados.

Cimeira com a Turquia: 07/3. Viktor Orban é contra o acordo

Calais: o campo está a ser demolido. Impacto sobre a Bélgica

A imigração para o Reino Unido em 2015: resultado líquido de 320 000 novos imigrantes

Sem solidariedade europeia não haverá solução comum. Sem solução comum não há solução. Ora, a verdade é que cada vez há menos solidariedade.

Não se pode falar em “desorientação”, não há desnorteamento. Vários países dão uma resposta nacional e não acreditam pura e simplesmente numa solução comunitária, europeia. É visto como um problema nacional, com fortes implicações eleitorais.

Para muitos, ou se tomam medidas limitadoras ou então a extrema-direita ganha o poder. Será assim?

Noutras épocas históricas uma situação tão grave como esta já teria levado a confrontações armadas entre os países europeus, entre estados vizinhos.

Schengen tem agora 20 anos de aplicação. Esta é a sua maior crise existencial

Que respostas são possíveis? Têm que ser várias e combinadas:

            Mudar a narrativa e torná-la mais positiva, incluindo na narrativa respostas aos receios colectivos?

            Suspender Schengen por dois anos? Não

            Estabelecer os hotspots na Grécia? Ou noutro país?

            Cooperar com a Turquia?

            Criar uma Agência Europeia de Fronteiras e de Guarda-Marinha?

            Responder às questões de segurança e de luta contra o terrorismo de modo conjugado?

            Criar um mini-Schengen?

            Sanções contra os Estados que não cooperam? Cortar parte dos subsídios? Será possível?

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