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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Migrações, geopolítica e humanismo

https://www.dn.pt/opiniao/uma-europa-para-alem-do-arame-farpado-14330677.html

O link acima permite a leitura do meu texto de hoje no Diário de Notícias. 

"As migrações em massa do Sul para o Norte serão um dos fenómenos mais marcantes desta e das décadas seguintes. A UE não pode fingir que não vê a tendência. É inaceitável deixar uma matéria dessa importância ao critério de cada Estado-membro. A questão deve ser tratada em comum. E o assunto tem de se tornar numa das principais linhas de debate da Conferência sobre o Futuro da Europa."

Esta é uma citação do aí escrevo. 

A fronteira dos horrores

A crise na fronteira entre a Bielorrússia e a Polónia tem várias dimensões. A mais imediata é de natureza humanitária, com milhares pessoas, incluindo crianças, a passar fome, frio e humilhações constantes. Algumas já morreram congeladas. 

Mais ainda, não se sabe quantos milhares de pessoas estão encurraladas entre os guardas de um lado e do outro. Mas sabe-se que são tratadas com violência extrema por ambos os lados. E essa é uma questão central, que toca directamente no cerne dos valores europeus, do respeito pelas pessoas e da protecção dos mais frágeis. 

Alexander Lukashenko está claramente a aproveitar-se da miséria de certos povos. Mas o nosso lado não pode ficar indiferente perante o sofrimento de quem se deixou manipular, gente que vive em contextos tão complicados que qualquer promessa, por mais ilusória que possa ser, traz sempre um fio de esperança.

 

Zapad 2021: mostrar os músculos ao inimigo

As forças armadas russas estão a levar a cabo o exercício Zapad 2021. Este exercício militar decorre junto das fronteiras da União Europeia. Tem lugar todos os quatro anos. O de agora é o maior exercício realizado na Europa nos últimos 40 anos. Participam nele cerca de 200 mil militares, alguns deles vindos da Bielorrússia. Segundo as normas em vigor, deveria ter observadores da NATO. Mas os russos declararam que o exercício só mobilizaria 13 mil efectivos, uma mentira que lhes permite furar a obrigação de convidar observadores ocidentais.  

No essencial, trata-se de simular uma invasão do território russo por tropas ocidentais e, em seguida, treinar a resposta e expulsar os invasores. Para isso, o exercício integra cerca de 80 aviões e helicópteros, 300 tanques e 15 navios. Uma parte da simulação passa-se no Árctico, que é um novo foco de possíveis tensões entre a Rússia e o Ocidente.

É um exercício convencional, como se as guerras de amanhã fossem como as de ontem. Os russos sabem que assim não é. São, aliás, especialistas em novos tipos de agressões, híbridas e aquém do limiar que provocaria uma declaração de guerra. Mesmo assim, fazem um exercício clássico, para mostrar a todos, incluindo à sua população, que a Rússia tem poder militar para dar e vender. É uma exibição de força, tradicional mas efectiva.

 

 

Vladimir e o seu amigo Alexander

O meu texto desta sexta-feira, no Diário de Notícias, despertou muita atenção, não apenas porque Lukashenko continua a ser um vilão actual, mas também por ter mostrado que vários regimes têm uma política de perseguição dos seus oponentes residentes no estrangeiro. Um dos casos pouco conhecidos é o do Ruanda. O Presidente Paul Kagame, a quem reconheço o mérito de haver unificado e desenvolvido o país, persegue activamente os seus inimigos, dentro e fora de portas. Incluindo os pobres refugiados ruandeses que vivem em campos no vizinho Uganda.

O texto também fez surgir algumas objecções. Particularmente dos meus amigos que olham para Lukashenko e vêem nele o que ele não é, uma espécie de sobrevivente dos ideais comunistas. Parece impossível, mas é verdade, um crente é um crente e vê aparições da sua fé mesmo nos bigodes de Lukashenko. Por isso, uma crónica como a minha é vista com umas lentes especiais, que fazem ler o que lá não está escrito. A prosa era sobre a democracia e sobre os direitos e as liberdades fundamentais. Também sobre o respeito pelas normas internacionais. Ou seja, uma série de coisas que o ditador viola sistematicamente, para a grande infelicidade do povo da Bielorrússia.

Entretanto, o neofascista da velha guarda foi passar o fim-de-semana a Sochi, na estância balnear que é tanto do agrado do seu amigo Vladimir Putin. E seguiu-se uma série de imagens de ambos, a andar de barco, a conviver, a mostrar a paixão que os anima. A mensagem fundamental de tudo isso é clara: Lukashenko tem a protecção de Putin, não pensem em tocar-lhe.   

 

 

Atacar a oposição sem limites nem fronteiras

https://www.dn.pt/opiniao/lukashenko-em-voo-picado-13775380.html

Este é o link que permite ler o meu texto de hoje no Diário de Notícias. E que abre a polémica...

Cito, de seguida, o primeiro parágrafo desse texto. 

"Para alguns Estados, a repressão dos dissidentes não conhece nem limites nem fronteiras. Vale tudo, quando alguém é considerado inimigo do regime. Mesmo quando vive no estrangeiro, convencido que está mais seguro. Pode, todavia, não estar, se for considerado pelos criminosos que controlam o poder no seu país de origem como um alvo a abater. Certas ditaduras têm um braço repressivo muito longo. Não têm pejo de agir em terra alheia e de praticar assassinatos, raptos, ou proceder a acusações frívolas ou sem fundamento, de modo a forçar a Interpol a emitir avisos internacionais de captura e repatriamento. Noutros casos, intimidam brutalmente os membros da família que ficaram no país, com o objetivo de calar o opositor que se encontra noutras latitudes."

Um regime criminoso chefiado por Lukashenko

O regime de Alexander Lukashenko é um governo dirigido por um criminoso e administrado pela clique que ainda não saiu da mentalidade soviética. Ontem, Lukashenko deu mais um passo na direcção do abismo, ao organizar uma operação de pirataria aérea contra um voo civil, que viajava entre duas capitais da União Europeia. Foi um passo de gigante, um acto de terrorismo de Estado, inadmissível.

A resposta dos líderes da UE tem de ser tão forte e clara quanto possível. Uma reacção fraca e confusa seria um tiro nos pés, para os europeus, e um incentivo para praticar mais crimes, por parte de Lukashenko. E já começou, este serão, com a proibição de voos para a Europa da companhia oficial da Bielorrússia, e com a interdição, para as companhias aéreas da UE de sobrevoar o espaço desse país.

Mas é preciso mais e sem demoras. Devem ser adoptadas medidas políticas, diplomáticas e económicas. E a companhia aérea visada deve introduzir uma queixa formal, num tribunal europeu – em Vilnius, por exemplo – contra Lukashenko e o chefe das operações de controlo aéreo da Bielorrússia. É fundamental que eles saibam que são considerados suspeitos de crimes contra a segurança de um avião civil e de desvio – hijacking – de uma aeronave.

O criminoso que manda na Bielorrússia desafiou os líderes europeus. Estes têm de saber responder ao desafio.

 

Prémio Sakharov 2020

O Prémio Sakharov para a Liberdade de pensamento foi hoje atribuído pelo Parlamento Europeu à oposição bielorrussa. Apoio a decisão. A população bielorrussa tem sido de uma coragem e de um civismo exemplar na sua campanha contra o ditador Alexander Lukashenko.

E agora uma nota lateral sobre o assunto: a imprensa portuguesa de referência deixou passar o assunto esta tarde, nas suas páginas digitais. Apenas o Expresso e, em menor medida, o Público deram alguma atenção à atribuição do prémio.

A leitura das imagens políticas

Os analistas políticos passam muito tempo a estudar as imagens que as reuniões de líderes produzem. Sobretudo quando se trata de um tête-à-tête, como hoje aconteceu em Sochi entre Vladimir Putin e Alexander Lukashenko. A análise dessas fotos diz muito, a quem sabe destas coisas, sobre o estado de espírito dos protagonistas. As da reunião de hoje mostraram que o dirigente russo teve pouca paciência para as longas conversas de Lukashenko. A agitação das pernas e as expressões do rosto revelaram essa impaciência. Dir-se-ia que considera o bielorrusso como um perdedor, que mais tarde ou mais cedo terá que ser substituído.

A minha experiência de contactos com ditadores ensinou-me que não gostam de líderes que deixam escapar o poder. As ruas de Minsk mostram isso mesmo. Lukashenko perdeu o controlo da rua. Como também perdeu o controlo da propaganda, algo que um político arguto como Putin considera um erro muito sério.  

A minha coluna desta semana no DN

Para além do veneno

Victor Ângelo

 

O relacionamento político da União Europeia com a Federação Russa continua muito nebuloso e tenso. Voltou a explodir esta semana, depois do anúncio alemão de que Alexei Navalny havia sido envenenado com uma composição química, banida pela lei internacional, mas disponível no arsenal do estado russo.

Para além de Navalny, o impasse na Bielorrússia, o renovar da pressão norte-americana contra o gasoduto Nord Stream 2, as recentes declarações da Suécia sobre as ameaças militares no Mar Báltico, a detenção de um oficial superior francês, acusado de colaborar com a espionagem russa, tudo isto nos lembrou, nos últimos dias, que a definição de uma política europeia em relação ao regime de Vladimir Putin é uma matéria urgente e complexa. Tem de ir mais além do atual pacote de sanções económicas, que foi aprovado no seguimento da invasão da Crimeia, em 2014. Essas sanções, agora em vigor até 2021, dizem sobretudo respeito a transações financeiras e à exportação de material que possa ser utilizado na produção e exploração de petróleo ou nas áreas militares. Estão estritamente ligadas à evolução de intervenção russa na Ucrânia, incluindo a Crimeia, e não à questão mais ampla, de como encarar e lidar com a Rússia de hoje.

Reconheço que o assunto tem sido muito debatido e que continua na ordem do dia. Josep Borrell, ao lançar recentemente um processo de reflexão sobre a segurança e a defesa, a que deu o nome de “Bússola Estratégica”, tinha essa questão em mente. O problema é que a Rússia é vista de modo diferente pelos distintos países membros da UE. Nos Bálticos ou na Polónia, é considerada como a grande ameaça externa. Essa opinião esbate-se à medida que caminhamos na direção do Atlântico e nos afastamos do Leste e dos traumas dos tempos soviéticos.

O debate avivou com o regresso de Vladimir Putin à presidência, em 2012. Nos dois anos anteriores, na NATO e nas instituições europeias ainda havia alguma esperança de uma relação construtiva e cooperante entre as duas partes. Oficiais generais russos chegaram a ser convidados, nessa altura, a participar em exercícios de comando operacional de alto nível da Aliança Atlântica. Também houve outras tentativas de definição de uma nova política de vizinhança. Falo por experiência própria. Numa delas, em que participei como facilitador, por iniciativa suíça, ficou claro que o orgulho nacionalista russo havia sido irresponsavelmente maltratado, nos anos seguintes ao fim da Guerra Fria, e que a agenda de Vladimir Putin seria a de restaurar a presença internacional do país e apresentar a conta aos Ocidentais. Um projeto revanchista.

A crise da Ucrânia e a subsequente anexação da Crimeia faziam parte do ajuste de contas. Desde então, as relações entraram numa fase de ziguezagues, com tendência crescente para confrontações políticas e diplomáticas. Passou a ser claro que Vladimir Putin queria minar a UE por dentro, através de uma diplomacia seletiva e de ações de desinformação, propaganda e apoio a partidos políticos de extrema-direita, desde que tivessem como bandeira a desagregação do projeto europeu. A ilusão de um “restauro” da cooperação foi sol de pouca dura. Mas nem todos querem ver a realidade dessa maneira. A Bulgária, a Chéquia, bem como a Grécia e a Hungria têm, dentro da EU, uma atitude relativamente favorável às posições do Kremlin. Outros serão, em certa medida, neutros e estarão disponíveis para um desanuviamento, como será o caso português.  

A definição de uma política comum passa por um entendimento claro e partilhado das intenções de Vladimir Putin, dos seus interesses estratégicos e pessoais. Começa por se entender que a Rússia é diferente da China. Esta é um competidor, em muitas áreas, e precisa de uma resposta concorrencial adequada. A Rússia sob Putin é um estado hostil e deve ser tratada como tal. Ninguém quer entrar em conflito com um vizinho poderoso e belicoso. Mas, ignorá-lo seria um erro. Por isso, há que lhe lembrar repetidamente quais são as regras e os valores que é preciso respeitar, limitar a interação ao mínimo e sancionar, pessoalmente, os principais dirigentes do país. É preciso mostrar à população europeia e, acima de tudo, à russa, que se considera os seus dirigentes como gente malcomportada, à luz das práticas democráticas e da lei internacional.

O poder da cidadania

Uma vez mais, numa longa lista de vezes desde a falcatrua eleitoral de inícios de agosto, o povo bielorrusso esteve na rua, para pedir a demissão de Alexander Lukashenko. A mobilização popular na capital foi impressionante, quer pela multidão que reuniu quer ainda pela participação em massa de de mulheres e homens jovens. As imagens do dia destroem qualquer teoria conspiratória que queira apresentar estas manifestações cidadãs como o resultado de manobras exteriores, organizadas por poderes ocidentais. A oposição ao ditador é genuína e generalizada. Creio que, mais tarde ou mais cedo, os que ainda o apoiam nos serviços de segurança e na administração pública acabarão por compreender que Lukashenko é um homem do passado. O povo quer um futuro diferente.  

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