Portugal é grande quando abre horizontes

27
Mai 19

De um modo geral, a percentagem de votantes nas eleições europeias aumentou. Esse dado e os resultados globais mostram que os cidadãos perceberam melhor o que estava em jogo e acharam que deviam participar. O apoio ao projecto comum saiu vencedor destas eleições, embora com matizes diversas, o que dá azo a um Parlamento Europeu com uma composição política equilibrada de uma outra forma.

Mas, no conjunto, estamos perante uma eleição que reforça a Europa.

Em Portugal, os cabeças de lista, com excepção da candidata do Bloco de Esquerda, tinham tanto carisma como uns troncos de árvores secas. Assim se justifica uma parte importante da abstenção. E também o sucesso relativo do Bloco.

Na política de hoje, feita nas televisões, nos jornais, nas redes sociais, a imagem que o candidato projecta é um factor de decisão fundamental. Uma imagem monótona, sem entusiasmo, sem garra, sem elegância e humanismo, tipo cassete monocórdica, passa mal. Transmite falta de nível, alguém que não está à altura do desafio. E os eleitores não se vão incomodar para ir votar num sorumbático ou num mono.

publicado por victorangelo às 20:26

01
Mar 19

Esta de apelidar o Bloco de Esquerda de “social-democrata” não lembraria a todos. Lembrou, no entanto, à editorialista do Público de hoje. Diz, em resumo, que “…o que Bloco quer fazer são reformas à boa maneira social-democrata…”

Deve ser por esse motivo que o mesmo Bloco quer a estatização de uma série actividades económicas, e outras coisas radicais, aqui em Portugal. E que na frente externa, se alinha com os extremistas da ultra-esquerda europeia, como o partido de Jean-Luc Mélanchon, em França, ou o Unidos Podemos de Pablo Iglesias, ou ainda Die Linke, na Alemanha, o partido que renasceu das cinzas do comunismo da antiga RDA.

Isto só dá para que a agenda social-democrata pareça ainda mais confusa.

Ou será que a intenção da editorialista é outra?

publicado por victorangelo às 15:53

14
Fev 19

Ainda não percebi a surpresa que muitos têm manifestado perante a afirmação que um grupo de dissidentes do Bloco de Esquerda (BE) fez esta semana, sobre a falta de democracia interna e o clima de perseguição que impera no interior desse partido da extrema-esquerda.

A natureza autocrática dos principais partidos portugueses faz parte dos seus genes. Os nossos partidos são ditaduras envernizadas de democracia. Manda quem, por portas e travessas, chega ao topo da estrutura. Os outros, obedecem. Seguem a linha que vem de cima, de preferência com uma fidelidade de fazer inveja a muitos cachorros. Quando começam a opinar e a defender opções diferentes das decididas pela direcção da agremiação, passam a ser vistos com desconfiança e, nalguns casos, serão mesmo tidos como potenciais traidores. Então, a máquina inicia o processo estalinista – sim, que nisto de exigir uma obediência acéfala, encontramos os estalinistas em ambos os lados, nos partidos à esquerda e à direita – de isolamento e de exclusão desses militantes.

O que não falta por aí serão exemplos que poderão confirmar esta maneira de proceder. E antigos militantes amargurados.

Isto faz-me lembrar o que alguém – deputado desde sempre na Assembleia da República, por saber remar com a maré, seja ela qual for – sempre me disse sobre as lideranças partidárias. Para chegar à chefia, é preciso ser-se mestre na arte da intriga. Para manter a posição de chefia, a arte indispensável é a da coação.

publicado por victorangelo às 16:20

27
Jun 16

Os próximos dias dirão se me engano, mas não acredito que a Comissão Europeia recomende ao Conselho Europeu qualquer tipo de multa a Portugal e Espanha por razões de défice excessivo na execução orçamental de 2015. Também não penso que opte por uma suspensão temporária dos fundos comunitários destinados a ambos os países. A minha opinião assenta no facto de que este não é o momento para abrir novas brechas na coesão da UE. A atenção de Bruxelas está agora noutras matérias, bem mais prementes.

Isto não quer dizer, no entanto, que não haja um sancionamento formal. Esse deverá existir. Mas ficará suspenso e terá sobretudo um valor político, mas não financeiro.

A Espanha estará, nos próximos tempos, à procura de uma solução governativa. E nada deve ser feito que possa complicar esse processo. Uma admoestação vinda de Bruxelas será mais do que suficiente. Irá influenciar, de modo aberto ou tacitamente, o acordo que possa resultar das discussões interpartidárias.

Quanto a Portugal, o governo que agora temos precisa de algum tempo ainda para dar provas orçamentais. No entanto, tem mostrado até agora um nível de prudência que convirá encorajar.

Finalmente, a referência este fim-de-semana, num evento partidário, a um possível referendo em Portugal, no caso de sanções, não é mais do que um fait divers. E como tal deve ser tratado. Ou seja, sem que se preste algum tipo de atenção, para além da curiosidade passageira que essas patetices teatrais sempre despertam.

 

 

publicado por victorangelo às 17:53

26
Fev 16

Conheci os Pais de Catarina em São Tomé. Ambos, Pai e Mãe, eram cooperantes portugueses no liceu nacional de São Tomé, nos tempos já distantes de 1998 ou 1999. A Catarina teria nessa altura mais ou menos cinco anos. Os Pais eram boa gente, um professor de matemática e outro, a Mãe, já não me lembro do quê. Era o tempo da cooperação idealista e ambos entravam bem nesse modelo. Ser cooperante em São Tomé, pouco depois da independência, não era fácil. Do outro lado da rua da cooperação encontrávamos os cooperantes cubanos e a relação nem sempre era das melhores. Mas os idealistas portugueses passavam bem entre as gotas das suspeitas.

 

publicado por victorangelo às 21:07

22
Out 15

O Presidente da República, ao indigitar como primeiro-ministro o líder do partido com maior número de deputados, tomou a decisão mais previsível, neste momento em que ainda não há acordo de legislatura entre o Partido Socialista e os outros partidos.


Foi, no entanto, mais longe, ao dizer claramente que os dois partidos que estão a negociar com o PS são estruturalmente contra alguns dos tratados fundamentais de que Portugal é subscritor. Esta afirmação deixa entender que só muito dificilmente viria a dar posse a um governo cuja base de sustentação dependesse de modo definitivo do apoio continuado desses partidos.


Estamos, assim, perante uma posição muito categórica que poderá, em breve, ser um sapo gigante que terá que ser engolido.

publicado por victorangelo às 20:58

01
Fev 15

Podemos é um movimento popular bem mais genuíno que o Syriza. Nasceu das manifestações espontâneas dos últimos dois anos.

Não é, como a contraparte grega, uma salada russa de pequenos partidos e grupos anarquistas, das mais variadas obediências.

E nisso, o Syriza parece-se mais, na sua génese, com o que está a acontecer em Portugal, em que uma salganhada de personalidades mais ou menos inexperientes e pouco convincentes anda a reunir-se e à procura de uma dinâmica política que teima em continuar nas mãos ineptas dos partidos tradicionais.

Uma vez mais, a Espanha aqui ao lado parece ser uma terra bem distante.

publicado por victorangelo às 20:21

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