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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Uma mensagem clara

 

A mensagem de Ano Novo do Presidente da República é equilibrada, fácil de entender e certeira.

 

Estamos, de facto, concordo plenamente, "perante uma das encruzilhadas mais decisivas da nossa história recente". Também penso que os "entendimentos partidários" são indispensáveis para que possamos ultrapassar a grave situação em que Portugal se encontra.

 

A economia e a protecção dos mais vulneráveis são as duas grandes prioridades.

 

Os valores éticos, numa sociedade onde há muita gente que perdeu a vergonha e está disposta a praticar todas as sacanices, têm que voltar a ser os padrões da nossa conduta.

 

Só que enquanto houver impunidade para os mais fortes, porque o sistema de justiça continua propositadamente ineficaz, a ética será apenas uma palavra sem conteúdo, com pouco mais valor do que o serve para polir as aparências.

Os fumos cinzentos de Bangui

 

Ao chegarmos a Bangui, não havia visibilidade. As queimadas nos arredores da cidade enchiam o horizonte de fumo. Não deixavam fazer a aproximação ao aeroporto. Andámos cerca de vinte cinco minutos às voltas. A paisagem é linda, mesmo tendo em conta que a floresta equatorial já está muito desbastada.

 

Tínhamos que encontrar uma abertura. Era importante ter as reuniões que haviam sido programadas para o dia.

 

Os pilotos sabiam que esta era uma missão decidida à última hora, necessária devido à gravidade da situação junto da fronteira. Acabaram por conseguir pôr as rodas na pista.

 

Começámos com a representante de Guterres em Bangui. Uma senhora senegalesa muito decidida. Tinha estado em contacto com Genebra e preparado a nossa visita com o ministro centro-africano que se ocupa da matéria. Vamos mudar o campo de sítio, transpor os mais de três mil refugiados ainda mais para o interior do país? Não significa isso ceder à chantagem de um grupo armado influente? Enfim, uma discussão a sério sobre questões muito sérias.

 

Depois, foi a vez das ONGs que têm sido mais atacadas na região. Uma delas tem dois dos seus funcionários raptados há mais de um mês. Assuntos relacionados com sequestros são muito delicados. Mas concluímos que há esperança.

 

Fomos para o Ministério da Defesa. O ministro é filho do Presidente. Como de costume, recebeu-nos bem, mas com uma conversa muito vaga. Fora do assunto principal. Um longo discurso, sobre um tema que não estava em cima da mesa. Penso que queria reservar o diálogo para a discussão que iríamos ter, de seguida, com o seu pai.

 

A Presidência cheirava a férias de Natal. Não havia a azáfama habitual. Os conselheiros, gente de idade muito acima do respeitável, não andavam pelos corredores, como é habitual. Tivemos uma reunião muito pormenorizada. O Presidente Bozizé quis percorrer cada assunto com tempo. Uma digressão. O essencial é que as mensagens que tinha pensado transmitir-lhe foram dadas, repetidas, e sublinhadas. Houve tempo e ambiente para se ser claro.

 

Nestas coisas, cada um tem as suas responsabilidades. Cada um responde pelas suas. Fiz a minha parte.

 

Antes de voltarmos para o aeroporto ainda houve tempo para ver o técnico que se ocupa do programa de desmobilização dos combatentes irregulares. Rebeldes, diria o leitor. Um velho coronel francês, que já viu muitas. Veremos se consegue ver esta, que é bem complicada. Há homens armados por todos os cantos desta casa grande, fumarenta e de pouca visibilidade.

 

O voo de regresso a N'Djaména foi um martírio. O céu estava limpo, mas correntes de ar quente abanavam o nosso Learjet. Parecia que estávamos na turbulência da política portuguesa.

 

Claro que depois disso, só se pode estar cansado e com uma dor de cabeça.

Moagem manual

 

Copyright V. Ângelo

 

 

Uma das aquisições mais importantes, no campo de refugiados, é o moinho de grão. É um pequeno engenho manual, de custos insignificantes, mas que muda a vida das mulheres. Um pequeno nada que faz a felicidade da família que o possui. Serve para transformar o sorgo e outros grãos de zonas áridas em farinha, que depois constitui a base da refeição diária.

 

Estamos bem longe das vidas complicadas que nos desorientam a sina, aqui por estas bandas da Europa.

 

Portugal ao lado da Itália

 

Com o caso Freeport a ganhar, cada dia que passa, novos contornos, a cheirar a corrupção de alto nível, fica-se com a impressão que a política portuguesa esta' cada vez mais próxima da italiana. O senhor da Itália, Sílvio para as damas, esta' em vias de se sentir menos só, nas reuniões europeias. Podera' passar a ter um par. A não ser que as coisas se esclareçam sem demoras.

A comunidade bloguista portuguesa

 

 

Tem sido uma surpresa agradável descobrir que existem tantos talentos, tantas ideias, prosas de grande qualidade, muita criação e muita graça, e também excelente informação no espaço bloguista português. Vale a pena explorar este mundo, viajar neste espaço, descobrir novas ideias. Há muita gente a pensar Portugal. O desafio consiste em procurar juntar todas estas contribuições e transforma’-las numa aposta no futuro do país.

 

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