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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Passar por Olhão e ver o desastre que é

A zona de Olhão deve ser um dos municípios mais feios e urbanisticamente caóticos do Algarve. É um espelho da falta de cuidado, do deixar andar, da especulação imobiliária e da incompetência de muitos de nós. Faz pensar no terceiro mundo. Uma vergonha, numa terra que tinha todas as condições para ser uma terra bonita e atractiva.

 

Uma política sem água

O Público de hoje tem um texto muito bom sobre o problema da água no Algarve. Escreve nomeadamente sobre a enorme pressão que novos tipos de agricultura comercial e o novo campo de golf de Tavira exercem sobre os recursos hídricos, numa região cada vez mais seca. Esses são apenas exemplos do descuido e dos erros que por aí existem. Mas o pior é que a política da água não está na agenda dos partidos políticos. É um cegueira completa, que só mostra a incompetência e a falta de visão estratégica de quem anda pelas nossas ruas da política.

Tancos

As armas e as munições, em quantidades que mostram que a coisa foi organizada a sério, foram roubadas de um paiol do Exército. Inacreditável!

O tipo de armamento levado pelos ladrões permite praticar actos terroristas de grande impacto. Preocupante!

As autoridades do país onde isto aconteceu limitaram-se, até agora, três ou quatro dias depois do acontecimento, a exonerar uns coronéis. Patético!

Os principais responsáveis políticos, os do lado da governação, mantêm-se calados. Incompreensível!

Do outro lado, os da oposição, diz-se umas baboseiras inconsequentes e pela rama. Incompetência!

Parece que haverá uma audição parlamentar do ministro da pasta. A resposta habitual!

Como também será de prever, dentro do que é a nossa normalidade irresponsável, que da audição não resulte nada de estrutural, para além do ruído a que já estamos habituados. Portugal!

 

Cobardias e demissões

Como se pode achar normal que o PM de Portugal não seja convidado para a tomada de posse do novo Governo Regional da Madeira?

 

Que se passa com o Estado portuguees? 

 

Com as instituições da República?

 

Que aconteceu aos nossos dirigentes, que aceitam isto como se de nada se tratasse?

 

Este país precisa, na verdade, de levar uma grande volta.

Vamos no sentido errado

Continua a haver pouca serenidade no debate público sobre o Orçamento 2012. É, para mim, uma grande preocupação, num momento em que Portugal está sem dinheiro. O que é dito é inflamatório, está a aumentar a confusão junto das pessoas e vai levar ao caos social. E, igualmente, à deterioração da credibilidade externa do nosso país. Ou seja, torná-lo num país a evitar.

 

O governo continua a perder terreno, na frente de batalha da informação pública, sem conseguir explicar o que deveria ser simples de explicar: neste momento, Portugal não pode passar sem o financiamento exterior do Estado. E essas verbas não se tornarão disponíveis se o programa de estabilização não for aplicado, com resultados tangíveis.

 

A oposicao, em vez de preparar propostas alternativas, apenas faz ruído. 

 

O Presidente da República veio agora aumentar o volume desse ruído, com declarações ambíguas e difíceis de entender. Qual será o seu objectivo? Quando uma empresa do sector privado não consegue pagar os salários, deve-se obrigar todas as empresas do sector a proceder da mesma maneira?

 

Entretanto as centrais sindicais convocaram uma greve geral para 24 de Novembro. Têm todo o direito de o fazer. Mas será essa a melhor resposta, numa altura de falência como a actual? O responsável de uma dessas centrais falou dos "agiotas internacionais". Estaria a referir-se ao BCE, à CE e ao FMI?

 

 

 

 

O parque do desordenamento

O Parque Natural Sintra-Cascais e' um desalento, um caos, um conjunto de povoados feios e pobres, sujos e mal enjorcados, uma graçola ridícula cheia de construções, fábricas, pedreiras, ferro-velho e dunas destruídas pelas motos de quatro rodas. E' mais um triste exemplo do faz-de-conta em que o país se transformou.

 

Afinal, andamos a enganar quem?

Com a corrente, a toda a demagogia

Passei muitos anos a ver e acompanhar a política dos outros, em vários cantos dos buracos do mundo. Tenho, agora, um pouco mais de disponibilidade para seguir a política da nossa terra. Há dias em que fico alarmado, como será possível que o país esteja a ser dirigido, no governo e na oposição, por gente assim. Mais. Que grande confusão vai nessas cabeças. E que demagogia, meus senhores e minhas senhoras. Estão todos a chutar para baixo, uma loucura de populismo sem princípios nem elevação.

 

Um deputado ilustre, homem bem preparado tecnicamente, embora não tenha muito jeito para a política de massas e de jogos de corredor, dizia-me ontem, com a sinceridade que vem de anos de amizade, que nem ele entende o que os dirigentes do seu grande partido querem.

Pensar no Extremo Ocidente

As minhas viagens devoraram hoje cerca de 850 quilos de estrada. E' muito alcatrão. Mas finalmente cheguei aquele sítio que os mapas chineses de agora designam como o Extremo Ocidente.

 

E, 'a medida que avançava para o extremo ia pensando que sem confiança não há politica, não existe liderança que sirva nem investimento que se veja. Fica tudo enlameado, nas areias movediças da discórdia baixa e sem sentido. Andam todos ao barulho, como se fossem crianças da escola básica. Sem confiança nada funciona, as sociedades tornam-se selvas. Quando a confiança se perde, recupera-la e' praticamente impossível. A partir desse momento, quando mais rápida for a mudança, melhor sera' para todos. Não se pode hesitar.

Os especialistas do caos

Crise nas Coreias. Uma questão muito séria em matéria de política internacional e de estabilidade no Extremo Oriente. Um desafio à autoridade da lei internacional.

 

O euro a baixar novamente, reflectindo a perda de confiança no espaço económico europeu, que, de repente, parece a todos que nunca foi verdadeiramente um espaço económico, apenas um grande mercado.

 

O FMI a aconselhar a Espanha, para que torne menos restritivas as leis laborais e a contratação colectiva, diminua as indemnizações aos que são despedidos. E a lembrar a Madrid que os bancos estão com a saúde abalada. Precisam de proceder a fusões, reestruturar-se, recuperar a solidez.

 

Em Lisboa, continuamos a viver a mesma confusão a que já nos fomos habituando. Os dirigentes metem os pés pelas mãos, parecem que andam às aranhas, dizem coisas que ninguém aceita nem crê, perdem crédito e pontos quotidianamente. Não é bem uma crise. É o caos em auto-gestão.

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