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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Lisboa, uma cidade de ricos e pobres

No meu dia a dia, Lisboa reduz-se a uma parte da freguesia de Belém. É cada vez mais raro ir além desse limite, quando se trata de deslocações dentro da cidade. Mas hoje fiz algo que já não fazia há muito. Peguei no carro e andei às voltas por Lisboa. Ficaram-me duas ou três impressões. Por um lado, que a animação voltou ao centro da cidade e aos lugares turísticos. Por outro, que há muita habitação a cair de podre, muitos prédios que precisariam de uma renovação a sério. E que a Câmara Municipal não poda as árvores ao longo das vias públicas. Certas ruas e avenidas têm árvores que tapam a luz do dia aos moradores. Nesses prédios deve ser necessário ter as luzes acesas durante o dia todo.

Também tive a oportunidade de observar a ciclovia da Almirante Reis. Ocupa um bom espaço, na subida e na descida da avenida. São vias largas. Mas sem ciclistas, sem uso, pelo menos nesta tarde de domingo.

No final da volta, e tendo em conta os números que saíram das eleições autárquicas em Lisboa, perguntei a mim próprio como vai ser possível tratar desta cidade que bem precisa de uma gestão a sério. A vitória de Carlos Moedas pode facilmente ser transformada numa vitória de Pirro.

Ainda sobre a eleição em Lisboa

Um erro frequente em política é o de subestimar os adversários. Dir-se-ia que Fernando Medina cometeu esse erro, nestas eleições autárquicas. Ter-se-á deixado embalar pelas sondagens, que o davam largamente vencedor.

Não se percebe bem como foi possível ter sondagens com resultados tão enganadores, mas aconteceu. E o presidente cessante deve ter acreditado nelas, como aliás seria de esperar.

Temos aqui uma segunda lição, para além da que se refere ao erro de subestimar a competição. Essa segunda lição é que não se deve dar demasiado crédito às sondagens. Mesmo sabendo que a maioria das sondagens são hoje feitas com base em técnicas comprovadas, é fundamental continuar a lutar por cada voto, procurar convencer cada eleitor, mostrar que não se acredita em favas contadas.

Uma terceira lição diz respeito à arrogância. Cada candidato deve mostrar que se sente à vontade, que não se deixa levar em ondas de entusiasmo, que está ali para ser eleito e não para ser consagrado. A arrogância, verdadeira ou vista como tal, faz perder votos. É muito mal-aceite pelos cidadãos. Nos tempos da sociedade digital e do individualismo que daí nasce, cada eleitor vê-se como igual aos outros, incluindo aos candidatos. Não quer ver e não apoia quem se sente acima do cidadão lambda, do cidadão comum, do meio da escala.

As autárquicas são o que são

As eleições autárquicas têm uma dinâmica própria. Dependem de vários factores locais, das personalidades dos candidatos e da imagem que projectam em termos de eficiência. Essas são dimensões importantes, pelo menos tão relevantes como a identificação partidária. Nalguns casos, são mesmo mais determinantes. Por isso as pessoas votam por Santana Lopes, Isaltino Morais, Fernando Ruas, Rui Moreira e tantos outros.

Lisboa é, no entanto, um caso diferente. Trata-se do município mais visível. A eleição ganha facilmente um significado que extravasa a dimensão local. Foi o que agora aconteceu. O presidente cessante está muito identificado com o primeiro-ministro, António Costa. Por isso, houve quem votasse contra a renovação do seu mandato para mostrar desagrado em relação ao primeiro-ministro. Ou para garantir um certo equilíbrio de poderes, numa visão que preferiria ver como presidente da capital alguém da oposição, para que não fosse tudo da mesma panela.

Mas essa é apenas uma parte da verdade.

De qualquer modo, o resultado da eleição em Lisboa é difícil de ler. Trata-se certamente de uma grande surpresa. Dizer que Lisboa é terra de ricos e por isso vota como votou, é uma maneira simplória de apresentar a coisa. Seria mais fácil falar da personalidade dos dois candidatos, que são na realidade diferentes e contrastantes.

Agora o que interessa é que os eleitos, provenientes de vários partidos, possam trabalhar em conjunto, de modo construtivo. É aí que se verá a maturidade de cada um. A cidade tem imensos problemas, alguns próprios, outros semelhantes ao que acontece actualmente nas grandes urbes. Perante isso, só posso desejar que os eleitos se mostrem à altura. Tentar bloquear o novo presidente, ou uma parte da equipa, acabaria por prejudicar os habitantes de Lisboa. Espero que isso não aconteça.

 

 

 

Um candidato que se acha superior ao cidadão de todos os dias

“Acredita, Lisboa pode ser muito mais do imaginas.” Vi este slogan em vários sítios da cidade e senti-me incomodado. O autor do slogan, um candidato à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, está a dizer-me que não tenho imaginação suficiente para poder pensar numa cidade mais limpa, mais bem urbanizada, mais segura, mais acessível, e assim por diante. Di-lo a mim e a todos os vivem na capital e acham que é possível fazer muito mais por Lisboa do que aquilo que não tem sido feito.

Peço desculpa, mas acho o slogan infeliz e arrogante.

Juncker conhece bem o tabuleiro

Transcrevo abixo o texto que hoje publico na Visão. 

 

 

Juncker: um osso duro de roer

Victor Ângelo

 

 

 

 

Jean-Claude Juncker está a começar bem como Presidente-eleito da Comissão Europeia. Conseguiu, pelo menos nesta fase inicial, inverter a tendência dos últimos anos de enfraquecimento do executivo da união. Depois de um Barroso cansado, sem gás, que deixara os governos nacionais marginalizar a Comissão, Juncker aparece como um líder politicamente astuto e determinado. Com uma longa experiência no tabuleiro dos jogos europeus, percebeu que era importante ter à sua volta um grupo de vice-presidentes que lhe sirvam de filtro e de para-choques. Fica, assim, com espaço para as questões estratégicas e para se manter conectado com os dirigentes dos estados membros e os principais tenores no Parlamento Europeu. É aí, na qualidade dessa ligação, que a coisa vai ou racha. O Presidente da Comissão tem que ter tempo para manter um contacto contínuo e bem pensado com os que contam. Não se pode falar com os leões que são os chefes de estado e de governo, nem com as raposas do Parlamento, com base em improvisações ou apontamentos mal digeridos.

 

Uma outra nota sobre a mudança de caras em Bruxelas: o poder deslocou-se para o nordeste da Europa. É verdade que Juncker é, por cultura política, um homem do centro, uma ponte entre os preconceitos do norte e do sul da Europa. Mas a maneira como distribuiu as pastas favorizou claramente a Holanda, a Finlândia e os países bálticos. O nordeste. Deu responsabilidades acrescidas a uma nova geração de políticos desses países, todos eles inspirados numa interpretação estrita de disciplina na área financeira e de liberalismo, em matéria económica. Sem contar que do outro lado da rua vamos ter outro homem forte vindo também do Leste, Donald Tusk, o primeiro-ministro polaco cessante. Um político que se integra bem no quadro que acabo de descrever. Passa agora a existir um núcleo decisivo em Bruxelas que, em matéria de governo, é conservador e, na área das relações internacionais, é marcadamente pró-americano e muito desconfiado no que respeita ao relacionamento com a Rússia. Isto numa altura em que existem perigos evidentes de derrapagens e de confrontação a Leste. Há, por isso, que estar atento e exigir à nova equipa que ponha o pragmatismo e os interesses da paz e da prosperidade na Europa acima dos velhos fantasmas vindos de outros tempos.

 

A voz de Portugal, no seio desta equipa, pertence a alguém que é visto por Juncker e pelos pesos-pesados como um júnior. Um jovem de boas maneiras e ar limpo, é verdade, mas um peso-pluma. Num conjunto em que a senioridade política é a marca definidora – seis antigos primeiros-ministros passarão a estar à frente das instituições europeias – a escolha do governo português parece estar fora de contexto. Enviámos um suplente para jogar numa equipa de campeões. Um secretário de Estado ainda um pouco verde. Carlos Moedas tem desafios enormes pela frente. Terá que convencer o resto da companhia que tem maturidade e coragem políticas, para além de ideias e capacidade para obter resultados. Deverá, igualmente, prestar uma atenção especial à maneira de comunicar e de saber estar. Vai precisar de uma assessoria de imagem experiente, para além do apoio científico que lhe faz falta. Se mostrar, no início, que anda perdido pelos corredores do Berlaymont, a dizer umas coisas ocas, o prestígio necessário ao bom desempenho da função que lhe foi atribuída ficará seriamente afetado. Numa equipa de lobos, poderá rapidamente esgotar-se a paciência para capuchinhos cor-de-laranja. Fora isso, e em nome dos interesses da inovação científica, só lhe posso desejar os maiores êxitos.

Moedas incertas

A escolha, pelo Primeiro-ministro de Portugal, de Carlos Moedas para integrar o colégio de Comissários da Comissão Europeia, veio chamar-nos a atenção para vários factos.

 

Primeiro, as nomeações feitas pelos estados membros têm sido em geral de políticos de segunda linha. Nota-se, uma vez mais, como aconteceu nos colégios que Durão Barroso presidiu, a tendência para enviar para Bruxelas políticos em perda de velocidade, ou então, num ou noutro caso, jovens num processo de ascensão, mas sem grande experiência, que vão continuar a sua aprendizagem na Europa, antes de voltarem, já com mais calo, às lides políticas dos seus países de origem.

 

Segundo, Juncker está a revelar-se um osso duro de roer. Não tem aberto o jogo de quem vai ser nomeado para que pasta, nem parece ceder às pressões vindas dos líderes nacionais. Hollande e Cameron, por exemplo, tentaram negociar a atribuição de funções importantes para os seus, mas aparentemente sem grande resultado. O mesmo terá acontecido com Passos Coelho, embora neste caso o peso de Portugal fosse à partida um handicap. Para mais, depois de dez anos de presidência, há uma espécie de acordo tácito em Bruxelas que a pessoa enviada por Portugal acabará por ter uma pasta de valor marginal.

 

Terceiro, não tem havido um número suficiente de mulheres propostas para Comissários. Assim, é muito provável que a Presidência do Conselho Europeu e o lugar de Alto Representante para a política Externa venham a ser atribuídos, respectivamente, à Primeira-ministra da Dinamarca e à ministra dos Negócios Estrangeiros da Itália. A dinamarquesa tem alguma experiência, embora os seus cinco minutos de fama se devam à “selfie” que tirou, na galhofa, no funeral de Nelson Mandela, ao lado de Obama e de Cameron. A italiana é uma jovem diplomata, muito verde. A sua nomeação para substituir a Baronesa Ashton, se acontecer, seria mais um salto no desconhecido e numa política externa europeia às apalpadelas.

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