Portugal é grande quando abre horizontes

26
Ago 19

Advogo o reforço da autoridade do Estado. Acrescento, porém, que seria um erro confundir a ideia de um Estado forte com a promoção da burocracia. Sou contra a burocracia inútil e tentacular, omnipresente e burra. O excesso de regras e regulamentos, de actos administrativos absurdos, consome recursos, complica a vida dos cidadãos, favorece as práticas corruptas e desvia o Estado do seu papel estratégico que é o de criar as condições para que a criatividade e o progresso floresçam.

Sou a favor de um Estado eficaz naquilo que devem ser as suas funções estratégicas de ordenação e protecção da vida da nação bem como na defesa dos interesses colectivos na arena internacional. Um Estado capaz de proteger cada cidadão dos diabos que sempre existem, de promover a igualdade de oportunidades e de projectar uma imagem positiva daquilo que somos enquanto povo.

Não se trata de uma deriva autoritária. Nem a defesa de um regime centralizador. Antes pelo contrário, na minha concepção, o reforço do Estado passa pela descentralização da autoridade administrativa, pela transferência de competições para níveis próximos do quotidiano das pessoas, pelo reforço do poder autárquico e pela criação de espaço e poder para as organizações de cidadania, para a sociedade civil. Sem esquecer, claro, o empreendimento económico e empresarial.

Também sou contra a apropriação do poder do Estado por um partido político, por mais hábil que o seu grupo dirigente possa ser. A “mexicanização” da vida política, com um partido a ganhar sucessiva eleições, leva, sempre, à corrupção, ao nepotismo, às teias de familiares e amigos que passam a controlar vastas áreas da governação, ao descrédito da acção política. A alternância partidária faz parte do reforço do Estado. Quando a oposição anda anos e anos pelas ruas da amargura, à procura do tempo perdido, em nítido desnorte, fico profundamente preocupado. Apetece-me, então, gritar que sem partidos à altura não pode haver um Estado como deve ser.

 

publicado por victorangelo às 16:02

13
Jul 19

Numa sondagem de opinião que hoje veio para os jornais, fica claro que a direita tradicional portuguesa está em crise. Representada pelo PSD e CDS, não conseguiria hoje mais do que 28% dos votos. 23% para o PSD e o resto para o CDS, que sofre uma queda acentuada. A agremiação de A. Cristas anda mais às aranhas do que a de Rui Rio, o que é muito significativo.

Estes resultados mostram que não há uma mensagem política à direita que cative. Não há fôlego nem bandeiras.

É evidente que a responsabilidade cai, acima de tudo, nos ombros dos líderes primeiros desses dois partidos. Num mundo a sério, ambos deveriam reconhecer que não têm garras para a música que se lhes pede que toquem. Isto é ainda mais evidente se se tiver em conta o desgaste político que caracteriza o governo de António Costa.

Do outro lado, quem aproveita são o BE e PAN. As razões serão motivo para outra conversa.

publicado por victorangelo às 18:05

25
Jan 19

A referência feita pelo Primeiro-Ministro António Costa “à cor da sua pele”, insinuando assim que a líder do CDS estaria a mostrar um comportamento racista em relação à sua pessoa, foi injustificada e muito infeliz. Não é para repetir.

Assunção Cristas, quer se goste muito ou nada dela, tinha todo o direito de pedir a António Costa que esclarecesse se apoia ou não a actuação da PSP. Era um pergunta legítima e de actualidade. A resposta deveria ser dada com calma. E de modo inequívoco, expressando claramente que é preciso respeitar a Polícia, quando esta está a cumprir a sua missão dentro dos parâmetros da lei.

Perder as estribeiras, quando se é Primeiro-Ministro, e quando não há razão para tal, acaba por ser visto como um sinal de fraqueza. Ou, pelo menos, de cansaço, de quem anda a precisar de descanso e de mudar de vida. Em ambos os casos, fica uma imagem tremida.

 

 

publicado por victorangelo às 21:30

15
Mar 18

Vi num jornal impresso, não vale a pena lembrar-me em qual, uma fotografia da dirigente do CDS, tirada na altura do encerramento do congresso do seu partido. Os comentários que acompanhavam a foto ilustravam bem a palermice a que se chegou, no terreno fértil da política à portuguesa.

Cada peça do vestuário dessa senhora tinha uma seta a apontar o preço, da blusa aos sapatos. Os valores seriam vistos, na maior parte dos países europeus, como moderados. Em Bruxelas, mereceriam a epígrafe de baratos. Ora, o autor da proeza construiu a imagem de modo a que se pensasse em extravagâncias, em exageros de quem tem muito para gastar.

Não sou apoiante de Assunção Cristas. E muito menos das ideias retrógradas que constituem a genética política e o sistema de valores do seu partido.

Mas quero fazer duas ou três observações.

Primeiro, creio que o jornalista não teria produzido o mesmo tipo de observações se o líder fosse um homem. Vejo aqui, francamente, mais um exemplo de discriminação contra as mulheres que ousam fazer política. Pode ter sido um erro inconsciente, mas não deixa de ser um vestígio claro de subalternização das mulheres e da difícil aceitação de lideranças femininas.

Segundo, é verdade que na política parece valer tudo. Todavia, no jornalismo responsável não deve ser assim. Sublinhar o trivial não é aceitável na comunicação social responsável.

Finalmente, em terceiro lugar, publicações assim acabam por contribuir para a expansão das vistas populistas e demagogas. Muito mau. O populismo é inimigo da democracia e do futuro.

 

 

publicado por victorangelo às 17:31

29
Jun 17

A oposição política a qualquer governo é um aspecto essencial da democracia. Uma oposição forte, bem articulada e com substância enriquece o sistema democrático e faz progredir as nações.

O contrário também é verdade. Quando a oposição é taralhouca, perdemos todos. Incluindo quem está no poder. Um governo que não é espicaçado de modo inteligente acaba por cair no facilitismo. Passa a preocupar-se apenas com os efeitos mediáticos e a superficialidade das coisas fáceis.

publicado por victorangelo às 22:21

12
Out 15

Depois de duas longas ausências, duas viagens por países imaginários, que é assim que se discutem as questões estratégicas de defesa, eis-me de regresso a Lisboa, por uns dias. Depois, será a migração do Outono, a caminho do centro da Europa.


Encontrei um país à espera. E uma situação curiosa. O político que a maioria dos portugueses achou que não tinha perfil para primeiro-ministro encontra-se agora no centro das iniciativas. É uma jogada inteligente. Na nossa ordem constitucional, o que conta é reunir uma maioria de deputados na Assembleia da República. E na realidade da nossa precariedade económica e social, o que interessa é a estabilidade governativa. As diferenças programáticas, quando ninguém tem a maioria, terão tendência para se esbaterem. É tempo de compromissos. Para todos os lados, enquanto se procura uma solução.


Noutros horizontes, teríamos aquilo que muitos apelidam de uma “grande coligação”. Por aqui, os enredos são outros. Veremos. Com serenidade, que o mundo não acaba hoje ao fim do dia.

publicado por victorangelo às 17:25

17
Mai 15

Vale a pena ver com atenção a sondagem que o Correio da Manhã divulga na sua edição deste domingo e que compara a imagem pública de Passos Coelho com a de António Costa. Como é sabido, nestas coisas da liderança política e do combate eleitoral, a imagem projectada pelos líderes tem muito peso junto do eleitorado.

A comparação é, no seu todo, francamente vantajosa para o líder do Partido Socialista. Há, no entanto, um ou outro aspecto que António Costa terá que ter em consideração. Penso, sobretudo, na questão da indecisão. Esta percepção negativa pode muito facilmente ser explorada pelos seus oponentes.

Quanto a Passos Coelho, os resultados mostram que existe um grande risco de rejeição por desgaste de imagem após quatro anos de governação em clima de crise. Para além das políticas adoptadas, fica a certeza que a máquina de informação e propaganda do seu partido e da sua governação não funcionou bem. Fica ainda uma certeza maior que diz respeito à falta de sensibilidade do Primeiro-Ministro em relação a certos aspectos marcantes da opinião pública portuguesa – a recente menção ambígua de Dias Loureiro é apenas um exemplo ainda fresco. Não se pode tratar o eleitorado com opiniões ligeiras e superficialidade. Uma das principais funções de um líder político é a de manter o contacto e a sintonia com os cidadãos.

O líder deve passar uma boa parte do seu tempo a cultivar a ligação com as pessoas. Essa é, para além de dar direcção à acção política, a principal tarefa de um bom líder. É assim que se deve exercer a liderança no mundo de agora. Curiosamente, esta verdade tão óbvia não entra na cabeça dos nossos dirigentes.

 

publicado por victorangelo às 17:49

05
Abr 15

Uma das características marcantes da Esquerda portuguesa é a sua fragmentação. As divisões resultam de uma notória falta de liderança combinada com a inexistência de um projecto credível e agregador. No meio de tudo isso, existe um Partido Socialista às aranhas e um Partido Comunista amarrado a uma visão impraticável da sociedade e das relações de Portugal com os seus parceiros naturais.

Por isso vamos ter, nos próximos meses, no que respeita às eleições presidenciais do próximo ano, mais candidaturas à esquerda.

Tudo isto favorece claramente a Direita.

publicado por victorangelo às 20:19

17
Mai 14

Neste dia em que formalmente termina o programa financeiro assinado entre Portugal e a Troika, parece-me absurdo andar a discutir quem teve a culpa de levar o país a assinar esse acordo. Olhando para os factos, e sem entrar nas raízes da crise, a verdade é que o governo socialista deixara de ter, em 2011, as condições políticas para conseguir algum tipo de apoio por parte dos outros partidos com representação parlamentar. Por isso, como acontece em democracia, caiu, foi votado contra pelos outros. E daí fomos a eleições, e o eleitorado escolheu. Bem ou mal, foi a decisão da altura.

O que precisamos é de gente – sobretudo de uma oposição – que olhe para a frente. Precisamos de construir o futuro. Preferimos, no entanto, passar o tempo a reconstruir o passado.

 

É uma actividade própria de medíocres.

 

Mas assim não vamos lá.

publicado por victorangelo às 16:38

28
Out 13

Quando a SEDES sai ao terreiro e critica de modo arrasador a política do governo, como o fez num documento que ontem publicou, há motivo para dizer que esta governação tem os dias contados. Assim foi no passado. E creio que ainda assim é. A crítica da SEDES é, em grande medida, representativa da elite urbana do centro e do centro-direita e de vastos sectores mais liberais dentro da Igreja Católica. A sua tomada de posição parece revelar que sectores que são chave para o apoio a um governo PSD-CDS estão agora na oposição. Este facto novo vai aumentar ainda mais a confusão e as incertezas nas hostes governamentais.

 

publicado por victorangelo às 20:49

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