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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Ai Weiwei: arte e política

Está a decorrer na Cordoaria Nacional, em Lisboa, uma exposição de trabalhos de Ai Weiwei. Vale a pena visitar.

Ai é um artista multifacetado e, ao mesmo tempo, um militante por uma China democrática. Uma boa parte das suas obras tem um profundo significado político. Um segmento da exposição é constituído por caixas totalmente fechadas, que ilustram várias cenas da sua detenção pela polícia chinesa. Cada caixa tem apenas duas pequenas janelas, que permitem visualizar o que acontece a um preso político no regime comunista chinês. O realismo desses trabalhos é absoluto. E a originalidade está garantida. 

Alguns dos meus amigos artistas portugueses não conseguem digerir a mensagem política que a criatividade de Ai Weiwei transmite. Apesar de serem artistas plásticos, são acima de tudo umas pessoas obcecadas ideologicamente. E a sua obsessão ideológica fá-los dizer cobras e lagartos sobre o trabalho do colega chinês. Vejo essa atitude como uma burrice intelectual, que seria um perigo, se alguma vez as ideias e as organizações que esses portugueses defendem chegassem ao controlo do poder.

Na minha visão, um dos papéis da arte é ser um desafio. Ai Weiwei é certamente um desafio para os líderes chineses e para os nossos ditadorezinhos de ideias fechadas.

 

Um triângulo divergente

https://www.dn.pt/opiniao/a-europa-a-china-e-os-eua-um-triangulo-turbulento-13942450.html

Este é o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. No que respeita à China, a Europa deve ter a sua própria política. Não pode ir a reboque dos Estados Unidos. A posição americana aposta no confronto. A europeia tem de se basear na reciprocidade de tratamento e no diálogo inteligente e estratégico com a China. 

Cito um extracto do meu texto. 

"Qualquer importador europeu que necessite de bens ou componentes made-in-China para manter as suas atividades produtivas poderá bem explicar a importância de um relacionamento comercial sem entraves desnecessários. Os mais informados sublinharão ainda a necessidade de se evitar um agravamento das tensões em Taiwan e no Mar do Sul da China. Isto também se aplica ao lado chinês, que não deve continuar a apostar numa escalada de ações ofensivas nessas zonas tão sensíveis."

 

Reflectir sobre a China

Alguns dados sobre a China:

  • Metais raros: produz 58% da produção mundial.
  • Alumínio: 50% da produção mundial.
  • Aço: 60% da produção mundial tem lugar na China.
  • Contentores: 85% da produção mundial.
  • Construção naval: em termos de tonelagem, representa 45% da construção mundial.
  • Trigo: 1º produtor mundial – 21% da produção mundial.
  • Arroz: 1º produtor – 30% da produção mundial.

Uma crise que está longe do fim

Meio ano já passou e a quase totalidade da população residente nos países economicamente menos desenvolvidos ainda não foi vacinada contra a covid-19. As promessas de ajuda feitas têm uma materialização muito lenta – faltam as vacinas e a infra-estrutura sanitária. Ora, sem um progresso considerável dos programas de vacinação nesses países, o risco de novas variantes continuará a ser uma realidade para todos, ricos e pobres. Por outro lado, o isolamento dessas partes do mundo continuará a ser um facto, o que levará ao um empobrecimento ainda maior. Também irá dar azo à consolidação de certos interesses, como por exemplo, os da China, em detrimento de relações económicas mais diversificadas.

É preciso voltar a sublinhar a urgência da cooperação internacional no combate à pandemia. E voltar a ver o mundo como um todo interdependente. Essa deve ser, aliás, uma das lições a retirar da crise sanitária.

A nossa fragilidade estratégica

https://www.dn.pt/opiniao/taiwan-aqui-tao-perto--13895355.html

Aqui fica o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. E também fica um parágrafo desse texto. É o parágrafo de abertura, que só por si, diz muito. 

"Taiwan faz parte do nosso quotidiano. Assim acontece porque a empresa que produz a quase totalidade dos chips ao nível mundial, usados em tudo o que é electrónica, telemóveis, autómatos e veículos automóveis, é a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC). Um colosso omnipresente, mas discreto, que vale na bolsa duas vezes o PIB de Portugal. E que convém lembrar, nesta semana em que se fala tanto da China."

Taiwan e a competição sino-americana

A administração Biden percebeu que não se pode ir para a guerra se as balas são fabricadas no país adversário. E é isso que se passa com sectores estratégicos da economia americana: a produção é feita além-fronteiras, na China e não só. Por isso, Biden está a preparar uma Política Industrial – um conceito que havia desaparecido do debate económico há décadas.

Um dos elementos mais importantes do plano diz respeito à produção nos Estados Unidos de semicondutores (chips). Cerca de 50 mil milhões de dólares serão investidos nessa área. Actualmente, a fabricação de chips está concentrada em Taiwan. A China, entretanto, começou a investir forte e feio nesse mesmo sector.

Com a automatização em ritmo acelerado, os chips serão um produto estratégico. Mas atenção. O avanço que Taiwan ganhou é imenso. E montar essa indústria nos EUA – ou mesmo na China, demora cerca de dez anos. Ao ritmo a que as coisas vão e o agravamento da competição entre os EUA e a China fazem-me dizer que dez anos é uma eternidade. Controlar Taiwan talvez seja mais fácil. Quem irá ganhar esse controlo?

Jogos geoestratégicos

Não vi o jogo de Portugal contra a Hungria. Mas pessoa amiga foi-me mantendo ao corrente. E lembrava-me, cada vez que me enviava uma mensagem, que o futebol é de facto um grande aglutinador. E os adversários são tratados como se fossem inimigos vitais. Perante isso, e face à insistência com que Joe Biden falou sobre a China, pensei que seria uma excelente iniciativa tratar dessa rivalidade entre os dois gigantes num campo de futebol. E os adeptos teriam assim a oportunidade de se insultar mutuamente. O problema é que os americanos não são grandes praticantes da modalidade e os chineses estão apenas agora a descobrir – e a investir a sério – nesse desporto. Dantes foi o ping-pong que aproximou essas duas grandes nações. Agora poderia ser a bola.

Se assim fosse, ficaria menos preocupado.

Nós e a China

Trazer a rivalidade com a China para o campo militar é um erro. Se há críticas a fazer, que sejam feitas nas áreas dos direitos humanos e da liberdade, bem como em matérias de competição comercial desleal. Ou ainda, quando a China leva certos países a um endividamento excessivo, com investimentos em infraestruturas que servem, acima de tudo, os seus próprios interesses.  

Uma primeira conclusão sobre a cimeira do G7

A Cimeira do G7 terminou esta tarde. De uma maneira geral, a atmosfera e a retórica foram positivas. Mas genéricas, mais promessas do que verdadeiros compromissos. O único pacto concreto foi o das vacinas, a disponibilização de mil milhões de vacinas para serem aplicadas nos países mais pobres até finais de 2022. É, no entanto, uma decisão insuficiente. A OMS estima que seria necessário disponibilizar cerca de 11 mil milhões, para que a humanidade possa de facto vencer a pandemia. Estar longe desse número e demorar muito tempo até se atingir uma percentagem global de 70% de vacinados, quererá dizer que a saída da crise não acontecerá num futuro próximo. As variantes irão continuar a aparecer. E o mundo viverá, durante um longo período de tempo, em bolhas isoladas, de um lado países com a maioria da população vacinada e do outro, vários agrupamentos, segundo o avanço dos programas de vacinação. Ou seja, uns a avançar e outros a ficar para trás.

A segunda grande prioridade deveria ter sido sobre a protecção do ambiente. Esta é uma área de grande urgência. Os líderes deveriam ter indicado quais são as grandes linhas que irão defender na conferência de Glasgow sobre o clima, no final do ano. Essa indicação teria permitido uma maior focalização dos trabalhos preparatórios. As promessas feitas hoje são pouco claras e insuficientes em termos financeiros. É verdade que os diferentes líderes mostraram compreender a importância e a urgência da matéria. Isso já não é mau. É, porém, necessário agir, criar parcerias, definir melhor os planos de acção e financiar.

Estas e outras medidas foram profundamente influenciadas pela posição norte-americana em relação à China. O Canadá e o Reino Unido seguiram sem hesitações a linha americana. Já do lado europeu, houve muitas reticências. Com o tempo, a brecha entre as duas partes irá ficar mais clara. E a própria China irá adoptar contra-medidas que agravarão a fractura.

Estamos perante uma dinâmica nova, foi o que ficou claro com este encontro do G7. Mais do que nunca, é preciso muito cálculo e muita prudência.

 

Cooperar com África

Hoje falo para uma audiência lusófona sobre África, a cooperação e o futuro. É um tema delicado, quando o orador não é um africano. Mesmo no meu caso, que passei 29 anos da minha carreira nesse continente ou a tratar de assuntos com ele directamente relacionados. É ainda mais delicado por causa da guerra de ideias que existe entre os chamados afro-pessimistas e os optimistas. Mesmo falando de dados concretos, é fácil cair-se nos enredos que essa discussão encerra.

É, no entanto, uma polémica que deve considerar que cada país tem os seus problemas e as suas potencialidades. Comparar o Gana com o vizinho Burkina Faso, ou o Ruanda com o país irmão que é o Burundi, seria comparar o dia e a noite.

Procurarei abordar seis temas. O que deve ser a cooperação nesta década. A diversidade do continente africano e os desafios que cada região enfrenta. As mudanças estruturais necessárias, o impacto da pandemia da Covid-19 e a questão das lideranças. A União Europeia e a China: dois grande actores externos. A integração regional. África no sistema multilateral, incluindo numa futura reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Na realidade, os temas são sobretudo interrogações. Nos dias de hoje, há muitas. O debate mostrará se temos ideias claras. E, certamente, irá continuar.

 

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