Portugal é grande quando abre horizontes

11
Jan 17

Creio existir um certo cansaço perante o debate oco e barulhento que tem ocorrido à volta da questão do Brexit.

Reconheço, por outro lado, que o apoio popular ao projecto europeu cresceu depois da decisão britânica. Hoje, segundo os dados mais recentes de que disponho – provenientes da Fundação alemã Bertelsmann – cerca de 62% dos europeus são marcadamente favoráveis à continuação do seu próprio país na UE. Apenas 26% dos cidadãos da Europa afirmam ser partidários da saída.

A oposição à UE é, no entanto, particularmente forte na Itália. Mais de 40% dos italianos pensam que a saída seria a melhor solução. Esta percentagem explica a força que os partidos antieuropeus têm nesse país. Para quem acredita no futuro comum da Europa, a situação italiana é um motivo de preocupação muito sério.

 

publicado por victorangelo às 22:04

11
Dez 16

O papel do governo deve ser o de simplificar a vida dos cidadãos. Ora, aquilo a que assistimos vai no sentido contrário. Todas as semanas aparecem novas burocracias, regras e formalidades que nada acrescentam em termos de crescimento económico ou de bem-estar social. São meras invenções para justificar mais impostos, mais despesas, mais funcionários, mais arbitrariedades, para emperrar ainda mais a máquina administrativa, que já é pouco eficiente. É a política do tempo perdido, que nos faz perder tempo e dinheiro. É igualmente a atitude mesquinha de quem tem o poder, que vê os cidadãos como seres menores e irresponsáveis.

É essa maneira de exercer o poder que explica a “grande” ideia de obrigar os cidadãos com idade superior aos 65 anos a seguir uma “formação” – paga, claro –, se quiserem renovar a carta de condução. Isto, sem esquecer, que a maioria dos acidentes é provocada por gente jovem, de cabeça no ar e pé ligeiro. Tal e qual como os nossos políticos: cabeça no ar e mente acelerada pela cegueira estúpida de quem pensa que tem poder.

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:07

25
Abr 16

Quarenta e dois anos depois, 25 de abril continua a ser uma data muito especial. Em particular para os mais velhos, que ainda se lembram do que era Portugal antes desse dia.

Mas, para além da memória que é preciso conservar e celebrar, há o futuro que tem que ser construído a cada momento, cada dia, por cada um de nós. A liberdade passa pela aceitação da diversidade e também pela luta individual e de todos pelo progresso económico e social. O bem-estar é uma dimensão importante da liberdade. Dá-nos a segurança que nos permite uma cidadania mais completa e mais respeitadora de cada indivíduo e da sua maneira de pensar e de ser.

publicado por victorangelo às 16:09

08
Jan 16

As acções criminosas que tiveram lugar em Colónia, e em menor escala, noutras cidades europeias, na noite de passagem de ano, vão inevitavelmente influenciar de modo significativo o debate europeu sobre os refugiados e as migrações. Acrescentaram medo ao medo que já existia.

Ainda hoje tive a oportunidade de o notar, numa primeira discussão com gente que vive em Berlim. Mesmo quem não quer dramatizar acaba por levantar um novo grau de objeções à chegada dos imigrantes. Ao risco do terrorismo, junta-se agora o da violência contra as mulheres. E, acrescentam de imediato alguns, outros riscos de violência, contra os cidadãos mais idosos, contra a propriedade, e contra as regras de uma cidadania disciplinada e tolerante.

Ver as imagens de famílias a atravessar o frio dos Balcãs e saber, por outro lado, que umas dezenas ou mesmo centenas de criminosos tornaram mais difícil a aceitação dessas famílias, deixa-nos angustiados. Também nos lembra que não podemos deixar que esses criminosos influenciem a maneira como a Europa irá acolher quem precisa de refúgio. Devemos manter separado o que separado deve estar. Os criminosos de Colónia e os seus correligionários noutros locais devem ser tratados como tal e expulsos do espaço europeu sem grande demora, com firmeza e clareza. Mas com respeito pelos procedimentos legais em vigor.

 

 

publicado por victorangelo às 20:32

28
Dez 15

As festas do Natal já passaram. Como de costume, houve embrulhos e papel de prendas por todos os lados. Nestas paragens não há Natal sem grandes manifestações de consumo. Mas o que mais me agrada é poder andar nas ruas do meu bairro e não ver lixo amontoado, caixas vazias das prendas recebidas, embalagens de todo o tipo, espalhadas por tudo o que possa ser sítio próximo de contentores. As ruas estão limpas, não há nenhum sinal da orgia de compras que definiram os últimos dias. Não existem, aliás, contentores nas ruas.

No bairro onde vivo, o papel é recolhido todos os quinze dias. São duas sextas-feiras por mês. Enquanto não chega o dia, o papel e o cartão é guardado em casa, fica à espera. Chama-se a isto civismo. Educação cidadã.

Imagino que os apartamentos e as casas estarão cheios de papel à espera do camião, no dia certo.

publicado por victorangelo às 20:23

16
Jun 15

No seguimento da decisão anunciada sobre a possível presença de militares em situação de reserva nos recreios e outros recintos das escolas, é evidente que não cabe aos elementos das forças armadas prestar serviços de segurança interna, dentro da normalidade constitucional. Há pouco que discutir sobre isso.

O que me parece extremamente preocupante é a situação a que se chegou em muitas das escolas públicas. A indisciplina, a violência entre os alunos, a destruição de equipamentos, as ameaças à integridade física dos professores, dos trabalhadores escolares e dos colegas, tudo isto está mais ou menos fora de controlo. Só assim se compreende que tenha aparecido a ideia de trazer os reservistas para os estabelecimentos de ensino. Esta resposta, que não é nem pode ser solução, mostra bem que temos um enorme problema de respeito pelas pessoas e pelas práticas de cidadania nas escolas.

Um país que não consegue resolver este tipo de problemas é um país com um futuro muito triste. Ou estarei enganado?

publicado por victorangelo às 20:19

28
Mai 15

A frequência das minhas viagens – combinada com a idade, claro – tem um impacto sobre a regularidade e a inspiração da minha escrita. Mas também é verdade que as viagens são uma fonte de inspiração. Têm o condão, além disso, de nos permitir ter uma visão mais objectiva da nossa realidade nacional.

Ontem depois do jantar servi de guia a quem estava comigo em Stavanger, pessoa pública vinda de Portugal, alguém muito conhecido no nosso país. Demos uma volta a pé por um dos bairros residenciais dessa cidade norueguesa. O meu acompanhante teve a oportunidade de ver a maneira absolutamente impecável de manter as casas, os jardins privados, as ruas, os veículos e os parques municipais. E de notar que ali ninguém buzina, ninguém conduz à maluca e que os jovens não fazem escabeche nos lugares públicos.

Não sei se, depois disso, essa personalidade irá cortar a erva do seu jardim, quando voltar a Portugal. Falou-me várias vezes no descuido em que o jardim se encontra. Disse-o, no entanto, com um certo grau de fatalismo, como se a sina dos portugueses fosse a de viver numa bandalheira colectiva e num desleixo individual.

publicado por victorangelo às 20:27

19
Jan 15

Os tempos de espera nas urgências hospitalares, para já não falar dos casos de morte, mostram que o Sistema Nacional de Saúde está a enfrentar problemas muito sérios. É preciso ver as coisas como elas são e resolvê-las sem mais conversa nem desculpas.

Situações dessas, com esperas de muitas horas, são inaceitáveis num país da UE. São uma discriminação social contra os cidadãos mais pobres. Trata-se da negação de um direito básico a quem não tem meios para pagar cuidados privados.

Nos tempos de hoje, em sociedades como a nossa, uma das principais funções da governação tem que ver com a prestação de serviços de saúde com um mínimo de qualidade e na base do respeito pelas pessoas. O dinheiro público pode ser escasso. Mas, a saúde tem que ser vista como uma prioridade. E a atitude do pessoal médico e paramédico tem que estar inspirada na dedicação e no apreço pelo bem-estar físico e mental das pessoas. De todos.

publicado por victorangelo às 20:20

23
Dez 14

Um banco – ING, parece-me importante dizer qual é o banco, sem que isso seja entendido como qualquer tipo de publicidade disfarçada – interrogou estes dias os seus clientes, na Bélgica, sobre a crise económica. A sondagem pode não ser perfeita, do ponto de vista técnico. Mas é claramente indicativa da opinião dominante num país da UE que tem um nível de vida acima da média. Assim, 82% dos respondentes disseram pensar que a crise ainda vai durar dois anos, no mínimo. Isto revela que quase todos pensam que até agora não há luz ao fundo do túnel. Manifestam, por isso, uma preocupação de longo termo, para uma situação que já dura há mais ou menos seis anos. Apenas 12% acredita que a crise estará ultrapassada dentro de dois anos. E, mais interessante, só 4% dos inquiridos vê a crise como já estando resolvida, neste momento em que vivemos.

Estes números deveriam guiar o discurso político. Quer ao nível nacional quer ao nível europeu. Penso, no entanto, que as mensagens vindas dos dirigentes partidários e das instituições estão muito longe de responder à inquietação de mais 80 e tal por cento dos cidadãos. Os discursos vão num sentido e o desassossego dos eleitores vai noutro.

publicado por victorangelo às 20:33

11
Dez 14

Não é do domínio público a substância do que foi discutido na longa reunião de hoje entre António Costa e Passos Coelho. Mas o que ficou claro é que foi um encontro entre dois líderes que se sentem à vontade nos papéis que desempenham. Por isso, decorreu com cordialidade. A imagem que fica é positiva. Para além das diferenças, das opções políticas diferentes, os líderes devem mostrar, sobretudo nos momentos de crise e de incerteza, que são capazes de trocar pontos de vista com serenidade.

publicado por victorangelo às 18:02

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