Portugal é grande quando abre horizontes

14
Jun 19

Nesta coisa da opinião pública, há quem critique os que se lamentam. E rematam, dizendo que essas pessoas deveriam, isso sim, ter uma postura positiva e propor soluções.

Discordo dessas críticas. Queixar-se faz parte da vida em sociedade. É uma manifestação de desagrado, senão mesmo de desespero e de revolta. As redes sociais desempenham, então, um papel importante de veículo dessas frustrações. Ainda bem que existem.

publicado por victorangelo às 16:56

01
Jun 19

O respeito e o amor pelos animais tornam-nos mais humanos, mais sensíveis ao valor da vida, dos outros e da natureza.

publicado por victorangelo às 10:55

28
Mai 19

É preciso compreender as razões que estão por detrás de uma taxa de abstenção eleitoral tão elevada como foi a deste domingo.

A abstenção é, em grande medida, um acto político. Mesmo quando se trata de indiferença. Por isso, é fundamental olhar para essa questão com seriedade e objectividade. Um referência ligeira, sem profundidade, apenas crítica, não nos leva muito longe. Não contribui para dar resposta ao problema.

E o comentário jocoso é pura parvoíce.

Existem várias pistas que devem ser exploradas. A falta de credibilidade dos dirigentes políticos. A qualidade dos cabeças de lista e dos candidatos em geral. O nível dos debates e a escolha de temas que estão longe das preocupações das pessoas. O sentimento que muitos têm que a sua voz não conta, que os políticos não lhes prestam atenção. A falta de clareza sobre o que significa, para cada um de nós, a União Europeia.

Também haverá que ver se as listas eleitorais estão actualizadas.

A democracia constrói-se com todos. A participação é essencial. Quando falha, há que entender os motivos.

publicado por victorangelo às 20:43

14
Mai 19

Na parte francófona da Bélgica, 53% dos inquiridos responderam que seriam a favor de um cartão de cidadão europeu, em vez do nacional. Contra, pronunciaram-se 42%.

Esta questão faz parte de um conjunto mais vasto de interrogações e de reflexões sobre a promoção da cidadania europeia. Pessoalmente, penso que se trata de um debate saudável. O futuro da Europa só fará sentido se for vivido, no essencial, de modo partilhado. E debater estas coisas não retira nada da personalidade cultural e histórica de cada nação. O passado conta e fez de cada país europeu o que ele hoje é. Mas o futuro conta ainda mais e esse tem toda a vantagem em ser construído em cooperação.

publicado por victorangelo às 20:59

09
Mai 19

Neste dia em que se celebra a União Europeia, reconheço os enormes progressos que o projecto comum já conseguiu realizar. Não é uma questão de querer ser convenientemente positivo ou politicamente correcto. É saber ver.

Não será entendido assim por muitos. Os dirigentes europeus não têm sabido explicar o trabalho, os grandes projectos e os sucessos da UE. Incluindo, os grandes constrangimentos, que a medalha tem sempre duas faces.

A Comissão Europeia não têm uma estratégia clara de comunicação. Confunde porta-vozes e conferências de imprensa com comunicação estratégica. Toma os meios e as técnicas como se fossem os resultados. Como se houvesse uma correlação entre comunicados e comunicação política.

Se há algo que precisa de levar uma grande volta, é esta área da comunicação com os cidadãos europeus. Para começar, deveria haver um Comissário com uma pasta dedicada à comunicação estratégica e à informação dos cidadãos europeus.

publicado por victorangelo às 17:27

05
Mar 19

A mensagem – sim, penso que mensagem é a palavra que melhor descreve aquilo que outros chamaram de tribuna ou declaração – que o Presidente Emmanuel Macron agora enviou aos europeus é para ler com atenção. O que escreveu, desta vez lê-se bem, vai directo ao assunto e apresenta propostas concretas.

Porém, não gosto do título. Renascença? Parece-me um pouco exagerado. A União Europeia não está moribunda, não tem estado parada. Poderá justificar-se falar de um novo empenho, de um plano para a nova década, de uma união que se consolida. Mas, não me parece ser necessário renascer. Nem das cinzas, nem do pessimismo.

Há, isso sim, que ser claro quanto aos desafios que estão à nossa frente, mostrar as cartas e propor as respostas, falar da cidadania europeia. Tudo pela positiva.

Sublinhar o pessimismo, dar crédito aos derrotistas, dramatizar, falar de crise quando há ideias e projectos, são maneiras erradas de encarar o futuro. Não aconselho.

 

publicado por victorangelo às 21:06

22
Fev 19

As pessoas que podemos considerar como pertencendo às elites gostam de repetir que vivemos numa época muito interessante e estimulante. Os que vivem de rendimentos dos sectores financeiros, ou estão ligados às actividades das grandes multinacionais, dizem-no ainda com mais entusiasmo. É aí que encontramos os grandes defensores da internacionalização das economias e da liberalização do comércio mundial. E da revolução digital, que traz ao seus mundos ganhos de eficiência, de flexibilidade e de tempo.

As elites são gente que sorri.

Na sua euforia, esquecem-se dos outros. De quem não tem as qualificações necessárias para acompanhar as transformações científicas e tecnológicas. Dos que ficam para trás. Dos que olham para o presente e antevêem o futuro com imensa preocupação e uma grande dose de pessimismo.

Os outros. As pessoas que perdem, ou sobrevivem, apenas. Gente que quando ouve globalização lhes soa a exclusão. Gente com dúvidas e muito medo.

Cabe aos líderes políticos responder a esses receios. Ou seja, encontrar o equilíbrio entre um mundo mais aberto, e em renovação acelerada, e a salvaguarda dos interesses e da dignidade de todos os cidadãos. Em particular os que a vida, por uma variedade de razões, foi deixando à beira do caminho do futuro.

O ponto de partida, para os políticos, deve ser simples. Dito em poucas palavras, isso significa ter claro, nas suas mentes, que a transformação tecnológica da economia, a inovação acelerada com base na Inteligência Artificial e a abertura ao mundo não podem ser feitas à custa da marginalização de camadas significativas das nossas populações europeias. O discurso político e os planos de acção, aos níveis nacional e europeu, têm que se concentrar nas questões de inclusão. Para além da educação e da formação contínua, e da informação inteligente, as políticas devem promover novas formas de estar em sociedade, de se ser socialmente respeitado. Tem que se ganhar um novo entendimento do que significa ser-se socialmente útil. Isto inclui o engenho de novas maneiras de assegurar um mínimo de rendimento mensal aos que possam ter mais dificuldade em inserirem-se no mundo novo.

Tudo isto, sem tirar a cada pessoa a responsabilidade individual, que é sua, perante o seu destino.

A ideia é clara. O futuro constrói-se à força de braços, indivíduo a indivíduo, família a família, mas não só. Precisa de um quadro político que tenha em conta as variáveis do mundo de agora. Aí, entram as lideranças políticas e os seus deveres.

 

 

publicado por victorangelo às 11:51

12
Fev 19

Escrita com dentes, capaz de morder os adversários e de atrair leitores, não falta nas nossas colunas de opinião.

O que falta, e muito, é juntar aos dentes uma boa dose de miolos. Morde-se a torto e a direito, mas sem a reflexão necessária. Sem a profundidade e os prismas de análise que os temas exigiriam. Como se cada questão não devesse ser tida em conta a partir de vários ângulos, esquecendo-se deste modo que a vida é mais complexa do que umas dentadas no adversário. E do que umas penadas no assunto.

Assim temos estado a criar uma opinião pública que se baseia apenas em sobressaltos emocionais e preconceitos.

Que pobreza.

 

 

publicado por victorangelo às 17:25

08
Fev 19

A impressão que fica da classe política portuguesa é negativa. A imagem que persiste é que os políticos não se interessam pelos problemas que preenchem o quotidiano da maioria das pessoas, que não têm a base moral necessária para se ocuparem do bem comum. E os poucos que procuram ir mais além do que os seus interesses pessoais fazem-no de uma maneira superficial, sem ouvir os cidadãos nem ter em conta as diversas dimensões que definem as questões de agora. Falta à nossa elite política algo que é fundamental na vida: a credibilidade.

publicado por victorangelo às 17:27

27
Jan 19

O racismo é uma questão muito delicada. Por isso, não pode ser tratada nem com ligeireza nem com alvoroço.

E, para além dos aspectos legais e institucionais, deve igualmente constituir uma interrogação pessoal: será que eu também tenho comportamentos racistas? Quando, por exemplo, comento a reacção de Serena Williams face à decisão do árbitro, como aconteceu há uns meses, caio no comentário racista? Quando me rio de uma piada que goza com a fisionomia e o aspecto físico de outros povos, estou a ultrapassar o risco? Quando oiço um amigo negro dizer que não foi recrutado para um emprego por ser preto, e eu deixo passar a afirmação, sem mais discussão, estou a ser rigoroso com a verdade ou a deixar-me simplesmente ir na onda?

E assim sucessivamente, que o combate contra o racismo começa em casa e por mim, pela minha coragem, pela minha tomada de consciência e pela minha abertura de espírito. O que torna a questão bem difícil de resolver, porque normalmente são os outros que têm as culpas.

publicado por victorangelo às 15:51

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