A primeira paragem, depois da entrada em Portugal, foi na área de serviço do Fundão, na A23, a caminho de Lisboa. Estava quase deserta, fora três rapazolas, espetados no exterior, à entrada da loja. Pelo aspecto, fiquei a pensar que deveriam ser de etnia cigana. Pena.
Fui logo abordado, com a insistência que visa intimidar. Queriam que lhes comprasse um dos i-phones, telemóveis de topo, novos em folha mas que visivelmente haviam conhecido uma outra vida, no estabelecimento comercial donde haviam sido muito provavelmente furtados.
Um casal belga, no carro que vinha atrás de mim, foi o centro de atenção seguinte. Atemorizados pelos jovens, voltaram de imediato a entrar no seu automóvel e arrancaram a toda a pressa.
Tinham tido a sua primeira experiência como turistas em Portugal.
Ontem, ao fim da tarde, no centro da velha e linda cidade de Lovaina, fui abordado por uma jovem vestida ao modo tradicional cigano, como é costume na Europa do Leste. Pediu-me, em flamengo, que Lovaina está na Flandres, umas moedas, uma espécie de gesto de ano novo. Respondi-lhe com duas palavras em péssimo flamengo e mais umas em inglês. Depois continuei a falar com as pessoas que me acompanhavam, num espanhol que já conheceu melhores dias… A jovem virou-se, de novo, para mim, e perguntou-me, em castelhano, se eu vinha de Espanha. Disse-lhe, Portugal! E ela começou então uma conversa em português, uma língua onde também se sentia à vontade.
Falámos assim um par de minutos. Nomeadamente sobre a Roménia, o seu país natal.
Depois fiquei a pensar. Esta é a Europa de hoje. Para que se possa ter um mínimo de sucesso, mesmo sendo pedinte de rua, é melhor falar várias línguas.
O Presidente francês continua a fazer das suas. É a política dos movimentos repentinos. Tudo muito de improviso, sem que se entenda o plano director, a não ser a preocupação de fazer coisas e de confundir iniciativas com estratégia.
Hoje soube-se que convocou, para 6 de Setembro e à margem das instituicoes comunitárias e dos princípios que regem as relações entre os Estados membros da UE, um encontro de alguns ministros europeus do interior sobre questões da imigração.
Não se conhece agenda ou programa para o encontro, a maioria dos países da União não foi convidada, a própria Bélgica, que assegura a presidência este semestre, só foi acrescentada depois dos outros, o Canadá foi incluído, sabe-se lá por que razão, Bruxelas não foi informada, enfim, um espectáculo sem nexo.
Pensar-se-ia que a Roménia e a Bulgária, por causa dos problemas recentes com os seus cidadãos ciganos, também deveriam estar à volta da mesa. Não. Não foram convidadas.