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A semana na Europa

Transmitido todas as terças-feiras pela Rádio TDM de Macau, o Magazine Europa tem um bom número de ouvintes. Também é verdade que as horas a que é transmitido ajudam, pois apanham os residentes desse território especial da China em movimento, a andar de carro de casa para o emprego e depois, à tarde, na altura do regresso. Ora, hoje ouve-se rádio quando se está no carro. E vinte minutos é um trajecto médio em Macau.

Mas é igualmente verdade que muitos ouvintes consideram que se trata de um programa de qualidade. E têm razão, graças ao trabalho de coordenação e direcção do Rui Flores, um académico que sabe fazer rádio, e de programação e escrita da jornalista Sofia Jesus. Os comentários cabem-me a mim.

Esta semana comento sobre a Cimeira de Roma, Marine Le Pen, terrorismo e Jeroen Dijsselbloem.

O link para o programa é o seguinte:

 Magazine Europa (28 de Março de 2017)

Macau interessa-se pela Europa

O programa desta semana do Magazine Europa, que hoje foi difundido pela Rádio Macau, interessa-se pelos 60 anos do projecto europeu. Faz referência à cimeira queterá lugar em Roma dentro de dias, a 25 de março, para marcar a efeméride. E entrevista a representante da UE para Hong Kong e Macau, a cidadã espanhola Carmen Cano.

Desta vez, os meus comentários abordam o futuro do projecto comum, numa altura de balanços e celebrações.

O link para o programa de hoje é o seguinte:

 

Magazine Europa (21 de Março de 2017)

 

Um governo low cost

O populismo simplista que se apoderou da vida política portuguesa e da opinião pública levou o primeiro-ministro a optar por uma low-cost, no sábado, quando se deslocou a Bruxelas. Chegou com três ou quatro horas de atraso à cimeira europeia.

 

O leitor mais malandreco dirá que isso não trouxe mal algum ao país. Que os nossos líderes pouco ou nada pesam em Bruxelas.

 

Não sei. Sei apenas que um primeiro-ministro não pode estar sujeito às vicissitudes dos voos comerciais, sobretudo dos low cost, quando se trata de representar o país. É assim que se faz política internacional. É assim, também assim, que um país se dá ao respeito.

Mais cimeira, menos união

Voltando à entrevista de Francois Hollande sobre a Europa, recomendo que seja lida. É um bom apanhado da posição francesa. Mostra, por outro lado, que o tandem franco-alemão não está a funcionar. Com subtileza, Hollande tenta passar a responsabilidade para o lado de Merkel. Mas a verdade é que, neste momento, ninguém parece pronto para uma maior integração política, nem para uma melhor coordenação económica e fiscal. 

 

Por outro lado, em Bruxelas, Van Rompuy tenta pintar uma Europa cor-de-rosa. Continua a afirmar, quando fala em público, que as coisas estão bem encaminhadas. Não sei se haverá alguém que acredite no que ele proclama. Para mais, Van Rompuy fala de um modo que poucos entendem. Não sabe utilizar uma linguagem directa. Mas tem algum peso, nas capitais que contam. 

 

Quanto a Barroso, está cada vez mais invisível. É pena, porque até diz, mais vezes agora, coisas que fazem algum sentido. Só que ninguém parece interessado em ouvi-lo. 

 

 

A cimeira dos espelhos e jogos de sombras

 

Em Bruxelas, está a decorrer a cimeira dos ilusionistas. A minha maneira de ver é muito simples: remar contra a maré não leva a parte alguma. Há que reconhecer o estado a que as coisas chegaram.

 

Também não estou de acordo com Barroso, que disse que esta cimeira representava um momento decisivo, a expressão inglesa que utilizou...a defining moment...é inapropriada. Ainda não estamos lá. Continuamos a adiar a solução dos problemas. 

Comunicar faz parte do negócio

O PM de Portugal deveria explicar ao país a posição que defende, no que respeita ao que foi decidido na cimeira da UE.

 

Esse seria um sinal inequívoco de liderança e uma atitude de consideração pela democracia. Seria igualmente um esclarecimento necessário, face a tudo o que se tem dito e escrito nos últimos dois dias, sobre a reunião de Bruxelas.

 

A população precisa de ouvir os dois lados da medalha. Caso contrário, ficamo-nos pelas narrativas que dizem que não, sem se entender as razões de quem diz que sim. 

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