Portugal é grande quando abre horizontes

25
Set 19

O meu escrito sobre Greta Thunberg bateu o recorde de visualizações. E provocou vários tipos de reacções. Não estranhei, por ter visto nos jornais de hoje, um pouco por vários países, o tipo de comentários que Greta suscita. A verdade é que a jovem activista não deixa ninguém indiferente. Nem todos os comentários serão positivos. Alguns são mesmo cínicos e ofensivos, mal-criados num ou noutro caso. As redes sociais são assim e cada um oferece o que pode e expõe-se como melhor entende.

Mas que estamos num período de grandes movimentos de cidadania, nomeadamente sobre a crise do clima, não haverá maneira de o negar. Esses movimentos estão a mudar a maneira como se faz política. A democracia representativa, que tem sido o nosso modelo de democracia, tem que se adaptar às novas formas de expressão da vontade popular, ter em conta os líderes informais que vão surgindo – Greta é um exemplo desse novo tipo de liderança que brota para além das instituições tradicionais – bem como o poder das redes sociais.

A democracia representativa está no meio de uma grande transformação. Não tenhamos dúvidas.

publicado por victorangelo às 21:10

23
Set 19

O discurso que Greta Thunberg pronunciou hoje nas Nações Unidas, na Cimeira sobre o Clima, vai ficar na história. Foi uma intervenção curta, profundamente humana, sentida, verdadeira e directa. É impossível ficar indiferente perante o que disse e a maneira como o disse.

Mas os líderes políticos têm como uma das suas características o ficar indiferente. É isso que se viu, em grande medida, ao longo da cimeira. Em vez de falarem do que é possível, da sequência das acções que poderiam ser levadas a cabo, prometem financiamentos que não se realizam, fundos de compensação em que ninguém acredita, prazos que estão para lá do razoável, com metas prometidas para daqui a 20 ou 30 anos.

A verdade é que há urgência. Essa é a mensagem que fica, quando se ouve Greta e os outros jovens que estiveram ontem e hoje em Nova Iorque. E fica igualmente uma réstia de esperança, quando se vê que esta nova geração milita de modo determinado pelas mudanças que se impõem mas que os políticos de agora preferem ignorar ou tratar com paninhos quentes e muita conversa.

Greta merecerá o Prémio Nobel da Paz deste ano. Mas merece ainda mais: que a tratemos com respeito e que respondamos com medidas concretas e estruturantes aos desafios que nos lança.

 

 

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:39

19
Ago 19

Greta Thunberg está algures no Atlântico, a navegar em direcção à cidade de Nova Iorque. A travessia é acompanhada por um simbolismo muito forte. O veleiro que a transporta é neutro no que respeita à emissão de carbono. As grandes causas precisam de símbolos fortes. Greta sabe-o.

Falar de Greta Thunberg permite-me acrescentar que a nova geração, os mais novos, poderão mudar muitas coisas e transformar o mundo que nós construímos de modo insustentável, embora convencidos que estávamos no bom caminho. Tenho falado com vários jovens e vejo que são diferentes, mais generosos e menos egoístas do que nós. E isso dá-me uma certa esperança.

Para além de Greta, temos Emma Gonzalez nos Estados Unidos, Joshua Wong em Hong Kong, Malala Yousafzai no Paquistão e um pouco por toda a parte, Aruna De Wever na Bélgica, Trisha Shetty na Índia, a pró-democracia activista Lyubov Sobol na Rússia e tantos outros jovens que, através de movimentos de cidadania, estão na frente de combate por um mundo melhor.

Neste dia em que se celebra a causa humanitária, lembrar o papel dos jovens é refrescante e animador.

publicado por victorangelo às 22:14

04
Ago 19

Uma das zonas do globo que mais sofre com as mudanças climáticas, em particular com o aumento da temperatura média, é a Sibéria. O que aí acontece tem proporções gigantescas, como tudo o que se passa nessa parte da Rússia. O chefe do bureau moscovita do New York Times, Neil MacFarquhar, passou recentemente dez dias na região. Dessa visita, resultou um texto que o jornal nova-iorquino agora publica e que vale a pena ler. O endereço é o seguinte:

https://www.nytimes.com/2019/08/04/world/europe/russia-siberia-yakutia-permafrost-global-warming.html?action=click&module=Top%20Stories&pgtype=Homepage

publicado por victorangelo às 23:18

29
Jun 19

A minha apreciação da cimeira do G20, que acaba de ter lugar em Osaka, é positiva. Mesmo tendo presente que os Estados Unidos não aprovaram a parte do comunicado final que se referia às alterações climáticas. Em nota de pé de página, disseram, e isso já não é nada mau, que têm em conta, na sociedade americana, as questões do carbono e da poluição, acrescentando ainda que o país se preocupa com a qualidade do ambiente nas suas cidades. A verdade é que os municípios têm uma grande autonomia, nessa e noutras matérias.

É bom que os líderes se encontrem. O contacto pessoal facilita o diálogo. E o diálogo é a única via para a resolução pacífica dos conflitos de interesse.

Também é verdade que estamos numa situação internacional muito tensa e perigosa. Pelo que sei, os principais líderes reconheceram a complexidade da situação. Deram um grande enfoque às questões do comércio e da economia. Esses temas são como um paravento. Sabem que há outros por detrás, de ordem estratégica e securitária, que têm igualmente que ser tratados. Com urgência, acrescentaria.

Os encontros desta natureza permitem igualmente uma série de discussões bilaterais bem como várias conversas informais. Essas são duas das grandes vantagens das cimeiras. Osaka foi fértil nessa área. Veremos se o clima internacional reflecte, nos próximos tempos, algum desanuviamento.

As Nações Unidas estiveram representadas pelo Secretário-Geral, como já é costume. Mas os líderes não dão espaço à organização. Essa é uma preocupação que tem que ser posta em cima da mesa da opinião pública internacional.

publicado por victorangelo às 17:35

27
Jun 19

A agenda do próximo Presidente da Comissão Europeia deveria dar uma importância maior às questões do meio ambiente e do clima, da paz e da segurança nas diferentes vizinhanças da UE, bem como ao desenvolvimento económico e social dos Estados membros e à segurança dos cidadãos.

Isso passaria por um esforço mais intenso, quer internamente quer no exterior, na aplicação do acordo de Paris sobre o clima. Também significaria um aprofundamento da diplomacia comum. Igualmente, tratar-se-ia de conseguir chegar a mercado único, no espaço europeu, em matérias de telecomunicações, banca e transportes, incluindo a ferrovia. E, finalmente, a prossecução passo a passo de um programa de defesa e de segurança.

Tratar-se-ia de uma agenda ambiciosa, mas realista e suficientemente clara. Mostrar-se-ia, assim, aos cidadãos europeus o que significa uma União Europeia. A qual, a título simbólico, porém altamente significativo, deveria pôr em cima da mesa a possibilidade de um passaporte único, que reconhecesse as várias nações, mas que investiria na criação de uma cidadania comum e partilhada.

 

publicado por victorangelo às 10:51

15
Fev 19

A edição de 2019 da Conferência de Munique sobre a Segurança começou hoje e decorre até domingo. Este encontro é um dos momentos altos do calendário anual das grandes conferências internacionais.

Assistimos, nesta década, a uma proliferação de conferências de todo o tipo e sobre os mais variados temas, nas diversas regiões do globo. A maioria dessas iniciativas passa despercebida e não tem qualquer tipo de impacto na tomada de decisões estratégicas ou no diálogo internacional. Tal não é o caso de Munique. Munique tornou-se no Davos das questões de segurança, conflito e paz. Pesa e conta.

Este ano, como já é hábito, terão lugar uma série de encontros bilaterais entre os Estados Unidos, a Rússia e a China, bem como outros.

A situação na Síria, no Sahel, a questão do armamento nuclear e as dimensões de segurança que possam resultar das alterações climáticas estão na agenda. Como continua na agenda a crise na Ucrânia. Fora da agenda, como sempre, estará o conflito israelo-palestiniano. É de demasiado melindroso, para uns, insolúvel, na opinião de outros. Acho bem.

 

 

publicado por victorangelo às 20:35

19
Jul 17

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=8981

Acima fica o link para os meus comentários desta semana no Magazine Europa da Rádio TDM de Macau.

Falo do véu islâmico, das distintas dimensões da aliança entre a França e a Alemanha - sobretudo na área da defesa -, e finalmente, sobre a Turquia e o seu relacionamento com a UE.   

publicado por victorangelo às 21:31

12
Jul 17

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=8957

Acima vos deixo o link para os meus comentários desta semana na Rádio Macau sobre a UE.

Abordo o acordo comercial assinado com o Japão, as fricções entre J-C Juncker e o Parlamento Europeu, a presidência da Estónia neste segundo semestre de 2017 e os resultados do G20.

publicado por victorangelo às 21:13

12
Dez 15

O acordo sobre o clima, que foi aprovado este fim de tarde em Paris, constitui um importante passo em frente. Permite ter um quadro de referência oficial, que deverá guiar as acções de cada Estado no que respeita à luta contra as alterações climáticas. Assim, a atitude correcta consiste em reconhecer o valor desse acordo. Não deve haver aqui lugar para cinismos. Depois, tratar-se-á da sua implementação. Nem sempre será fácil, mas a existência de um ponto de partida globalmente aceite conta muito.

Curiosamente, o acordo foi concluído poucas horas antes da abertura das urnas em França. Amanhã terá lugar a segunda volta das eleições regionais francesas. O Presidente Hollande e os seus poderão retirar algum proveito do sucesso da conferência de Paris. É verdade que François Hollande se empenhou pessoalmente e várias vezes no processo negocial que levou a conferência a bom porto. No entanto, a sorte do partido de Hollande não será muito grande. Os dados foram lançados no domingo passado, na altura da primeira volta, e o Partido Socialista de François Hollande não terá amanhã grandes hipóteses. Mesmo se recuperar alguns votos por causa da projeção que a conferência deu aos seus dirigentes.

Também é um facto que as negociações colocaram Laurent Fabius, o ministro dos Negócios Estrangeiros da França e presidente dos trabalhos da COP21, numa posição muito forte. Se não tivesse a nacionalidade francesa, Fabius passaria agora a ser um candidato de muito peso ao posto de Secretário-Geral da ONU. Só que um cidadão dos Cinco Permanentes não pode ser eleito Secretário-Geral.

publicado por victorangelo às 20:14

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