Portugal é grande quando abre horizontes

05
Mai 18

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=10359

O link para o meu programa desta semana na Rádio de Macau, um trabalho semanal de equipa com Hélder Beja, um homem de letras, e a jornalista Catarina Domingues. Ambos vivem em Macau há vários anos.

publicado por victorangelo às 17:16

16
Mar 18

A situação das mulheres na UE, as disparidades entre os sexos, o conflito comercial entre os Estados Unidos e a Europa e também o possível encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un, visto a partir de Bruxelas: estas foram as principais áreas de comentário,no quadro da minha contribuição desta semana para o Magazine Europa da Rádio TDM de Macau. E fiz igualmente uma breve referência ao ataque contra um antigo agente duplo russo mas agora residente no Reino Unido, um tema inevitável para quem tinha que falar sobre a semana que se viveu na Europa. .

O sítio digital para ouvir este programa é o seguinte:

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=10058

publicado por victorangelo às 20:53

07
Mar 18

O Magazine Europa, da Rádio Macau, aborda esta semana os resultados eleitorais na Itália, a social-democracia alemã e na Europa, as declarações de Vladimir Putin, mais a guerra comercial de Donald Trump, a cibersegurança e também um tema muito actual, o frio.

Para ouvir o programa e os meus comentários, o sítio é este:

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=10022

publicado por victorangelo às 20:36

02
Mar 18

Ontem o mundo teve oportunidade de ouvir duas declarações preocupantes.

Por um lado, tivemos Vladimir Putin a discursar sobre os novos tipos de armamentos que a Rússia diz ter desenvolvido. Falou, nomeadamente, de mísseis nucleares. E mostrou-se muito beligerante, sempre a pôr o acento na força militar, como meio de ganhar espaço geopolítico e credibilidade na cena internacional. A conversa não era bluff. É para levar a sério.

Do outro lado do mundo, mas tão perto dos nossos interesses como Putin, falou Donald Trump. Também ele usou um tom conflituoso, ofensivo e provocador. Abriu as portas a um outro tipo de crise, à espiral das disputas comerciais. Num mundo que está hoje mais globalizado que nunca, um discurso desse tipo é muito perigoso. Para todos, incluindo para os concidadãos de Trump.

O mês de março começou assim com muita violência. Marcadamente, pela negativa. Quem analisa as relações internacionais não pode deixar de sublinhar que este tipo de declarações não têm nada de positivo nem de encorajante. Antes pelo contrário. E lembram-nos que é a jogar com o fogo que muitos incêndios começam.

publicado por victorangelo às 20:29

12
Jul 17

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=8957

Acima vos deixo o link para os meus comentários desta semana na Rádio Macau sobre a UE.

Abordo o acordo comercial assinado com o Japão, as fricções entre J-C Juncker e o Parlamento Europeu, a presidência da Estónia neste segundo semestre de 2017 e os resultados do G20.

publicado por victorangelo às 21:13

04
Jun 17

Três semanas de viagem por diferentes partes da China proporcionam um conjunto de lições fascinantes. Uma das mais importantes diz respeito ao futuro da UE.

O desenvolvimento acelerado da China, o potencial do seu comércio externo, a enorme capacidade de investir nas economias de outros países, tudo isso, combinado com os imensos desafios políticos que a China acabará por ocasionar ao nível da cena internacional, mostra que sem unidade e um maior nível de integração económica e política a Europa não conseguirá fazer frente à competição vinda da China. Dito de outro modo, ou optamos por uma visão positiva da UE ou deixaremos os nossos valores e interesses serem postos em causa.

Unidos, podemos tratar da China como um aliado e construir uma parceria equilibrada. Fragmentados, acabaremos esmagados por uma maneira de ver o mundo que não coincide exactamente com a nossa.

 

publicado por victorangelo às 14:45

30
Set 16

A multa que o governo norte-americano quer aplicar ao Deutsche Bank foi hoje substancialmente reduzida. Passou de 14 mil milhões para 5,4 mil milhões de dólares. É ainda um valor considerável. Trata-se, no entanto, de um montante que já não põe em causa a solidez e o futuro do banco alemão, que tem, aliás, uma grande presença internacional. É uma boa notícia.

Na verdade, tem havido pressão, deste e do outro lado do Atlântico, para fazer parar a “guerra das multas”. Temos estado numa espiral muito perigosa, com Washington e Bruxelas comprometidos numa corrida tresloucada para ver quem aplica as multas mais altas e a mais empresas. Nós aplicamos às deles e eles castigam as nossas.

O argumento, que também tenho publicamente defendido, é que tudo isto mostra uma grande falta de sensatez. Pode mesmo pôr em causa, se a loucura continuar, a sobrevivência de grandes empresas, que empregam, de um lado e do outro do oceano, milhares de pessoas. Mostra igualmente que os nossos políticos andam distraídos, e não estão a dar a devida atenção a uma matéria que é de primordial interesse.

Estas disputas resolvem-se por meio de arbitragens e de negociações políticas. Sobretudo entre áreas económicas que são aliadas em muitas matérias que contam.

 

publicado por victorangelo às 20:39

22
Mai 16

A China e o seu estatuto perante a EU no quadro da Organização Mundial do Comércio 

Economia de mercado? 

12 de maio no Parlamento Europeu: os MEPs votaram contra a atribuição à China do estatuto de economia de mercado. 

O voto é meramente indicativo, não é vinculativo. 

Mas a Comissão Europeia não é favorável à mudança de estatuto da China e vários estados ir-se-ão opor ao novo estatuto. Irão continuar a aplicar medidas anti-dumping contra a China.  

A minha sugestão: o câmbio de estatuto poderia ser limitado a certos sectores, como o do aço (330 000 empregos na EU), das indústrias químicas, cerâmicas, etc. 

Receio da uma concorrência desleal e da perda de muitos empregos na Europa: embora ninguém saiba ao certo quantos empregos possam estar em risco: fala-se de 200 000 a 3,5 milhões…Ou seja, não há uma ideia clara, vive-se nas nuvens do medo.  

Entretanto as empresas chinesas e os consórcios de investidores chineses já adquiriram este ano, até 11 de maio, 111 mil milhões de USD em empresas estrangeiras. 

Em 2015, haviam investido 107 mil milhões de dólares em todo o ano

Em 2006, 21 mil milhões de dólares gastos pelos chineses em aquisições de empresas em todas as partes do mundo.

Em 2000, apenas 1,7 mil milhões de dólares. 

Este ano o destino das aquisições chinesas tem sido o seguinte: Suíça, EUA, Hong Kong, Alemanha e França, por ordem decrescente do valor dos investimentos 

Exemplos:   ChemChina comprou este ano a sua rival suíça Syngenta por 43 mil milhões de dólares. 

                   Em 2015, um consórcio chinês comprou o aeroporto de Toulouse, que é a base de Airbus.

publicado por victorangelo às 21:14

13
Mai 16

Os estivadores do Porto de Lisboa estão novamente em greve. É uma situação que, desgraçadamente, já faz parte da imagem do seu sindicato. Sempre em luta! Fizeram meses e meses de greves, nos últimos anos, incluindo metade do ano de 2012.

O movimento actual começou a 20 de abril e não tem solução à vista.

Tudo isto tem um impacto enorme sobre a economia nacional, sobre a reputação do Porto de Lisboa e ainda sobre o futuro dos outros portos nacionais, sobretudo o de Sines. O comércio internacional europeu, a começar pelo de Espanha, vai pensar duas vezes, antes de decidir se faz ou não transitar mercadorias pelos portos do nosso país.

Este assunto deveria merecer uma atenção muito especial do governo. Ora, não está a ter a atenção que merece. Tem sido chutado para canto, à espera de bom senso ou de um milagre. Há quem diga que a razão reside na preocupação em não tocar num tema que é muito caro ao Partido Comunista, um dos partidos que mantém o governo de pé.

Não quero acreditar nessa explicação. Penso que, uma vez mais, a explanação é bem mais mundana, terra a terra: pura incompetência da ministra titular do assunto e da equipa que a rodeia. O habitual, diga-se.

 

publicado por victorangelo às 20:20

09
Mai 16

 

 

            TTIP sem espinhas

            Victor Ângelo

 

 

 

            No final da sua recente visita à Europa, o Presidente Obama fez um apelo para que o pacto comercial entre o seu país e a UE seja concluído sem mais demoras. As negociações, que deverão levar a uma Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento, conhecida pelas iniciais inglesas como TTIP, começaram em julho de 2013. Desde então, tiveram lugar treze rondas de discussões, o que é revelador do enorme fosso de divergências e dos profundos conflitos de interesses entre as duas maiores áreas económicas do mundo. Juntos, a UE e os EUA representam 60% do PIB global, 33% das trocas de mercadorias e 42% do comércio mundial de serviços. Como as taxas alfandegárias entre UE e EUA já são relativamente baixas, o cerne das discussões tem-se focalizado na eliminação de entraves burocráticos às importações, bem como na harmonização de legislação, padrões, exigências e normas entre os dois lados. Procuram igualmente definir os mecanismos arbitrais para a resolução de conflitos, sobretudo entre os investidores e os estados.

            A Comissão Europeia quer que se olhe para a Parceria pela positiva. Ou seja, como uma oportunidade significativa para estimular o crescimento económico e o emprego, e para baixar os custos de um grande número de bens de consumo. É uma perspetiva aceitável. Mas a verdade é que para além de Obama e de Merkel, nenhum outro dirigente europeu aparece distintamente em defesa do acordo. E agora, com a campanha que a Greenpeace lançou contra o TTIP, ao revelar os documentos que parecem definir as posições das partes, vai ser ainda mais difícil ouvir políticos europeus a defender o projeto de tratado. Na comunicação social, aposta-se nos comentários simplórios, exaltados e preguiçosos. Quanto à opinião pública europeia, essa está numa onda de oposição a tudo o que possa ser visto como um novo passo no caminho para a globalização económica. Mais ainda, deixou de acreditar nas boas intenções dos líderes políticos tradicionais. Nutre, igualmente, um bom nível de antagonismo perante as empresas multinacionais, e em especial, as americanas. De tal modo, digo eu, que se se tentasse aprovar hoje o tratado do Atlântico Norte ou mesmo os textos que levaram à criação das instituições de Bretton Woods – o Banco Mundial e o FMI – não se conseguiria ultrapassar a barreira da rejeição popular. Nada de novo seria aceite. No caso concreto do TTIP, mesmo na Alemanha, que ganharia bastante, caso houvesse entendimento, as opiniões favoráveis baixaram de 55%, em 2014, para 16%, agora.               

            Do outro lado do Atlântico, encontramos níveis de resistência semelhantes. Apenas 15% dos americanos afirmam apoiar o acordo. A campanha de Donald Trump deve uma boa parte do seu desmiolado sucesso a tomadas de posição explícitas contra este tipo de acordos de comércio livre. E mesmo no campo democrata não há grande entusiasmo pelo tema e nem o eco de um tímido murmúrio a favor se consegue ouvir.  

            Não me parece contudo que o processo esteja morto e enterrado, como por aí se diz. Mas que está condenado a um longo período em banho-maria, isso sim. Também creio que terá que diminuir substancialmente o seu nível de ambição e concentrar-se, numa primeira fase, nos bens e serviços menos controversos, naquilo que é mais fácil de aceitar. Na realidade, poderia ser concluído em redor dos produtos sobre os quais já se chegou a uma posição comum, quanto à abolição ou redução significativa das taxas alfandegárias. Trata-se de 97% dos produtos. Incluiria ainda outras matérias já aceites pelas partes, relacionadas com os procedimentos aduaneiros, a inspeção única para os artigos farmacêuticos e os padrões relativos às indústrias químicas e de maquinaria. Ficariam de fora as questões hoje inaceitáveis, tais como a exploração do petróleo de xisto, os bens alimentares que não coubessem nas regras europeias que proíbem a utilização de hormonas na nutrição animal, os geneticamente modificados, ou ainda a fruta com resíduos de pesticidas. Também seria excluída qualquer cláusula que pusesse em causa as regiões demarcadas europeias, como por exemplo a do Champagne, do Douro e do vinho do Porto ou ainda a do presunto de Parma.

            Um acordo mais modesto é melhor do que nenhum acordo. E de facto a alternativa é não haver qualquer tipo de entendimento. É que temos, à partida, duas filosofias económicas muito diferentes. Do lado americano, impera uma maneira extremamente liberal, permissiva, de olhar para a economia privada: manda o mercado e quem o consegue dominar. Na Europa, habituámo-nos a um capitalismo mitigado e intervencionado, que vive à sombra da mão protetora do estado. Essas culturas não mudam de hoje para amanhã. Devem ser reconhecidas, tidas em conta, tratadas com realismo. Por políticos que saibam assumir-se como líderes, que não tremam como varas verdes, nem conforme os ventos que sopram.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

 

 

publicado por victorangelo às 16:27

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