Portugal é grande quando abre horizontes

18
Out 19

O meu amigo tem a crítica fácil. Escreve e fala de uma maneira inflamada. Acha-se mais vivaço que os outros, mesmo quando os outros já nos deram grandes provas de coragem, de capacidade estratégica e mostraram resultados concretos.

Disse-lhe que assim, com esse afogueamento, só convence parolos. E expliquei-lhe, como amigo mais velho, que nas minhas análises, o ponto de partida é sempre o de tentar ver o que esteve na base da decisão estratégia e da acção dos outros. É que eles lá terão as suas razões. Parvos é que eles certamente não são.

publicado por victorangelo às 19:51

26
Set 19

A parte “justiça” do caso de Tancos não deve, na verdade, ser comentada. Um número de indivíduos foi constituído arguido, acusados de vários crimes. Cabe agora à administração da Justiça tratar desses casos, um a um. A única observação que se poderá fazer é para rogar que os processos avancem rapidamente, tendo em conta a natureza dos crimes imputados e o tipo de instituição que está no centro da questão. Certos brados são uma ilusão, reconheço, mas devem ser feitos, apesar de tudo.

Mas existe uma parte política, que não pode ser escondida por detrás do biombo da justiça. Essa parte levanta muitas interrogações. Devem ser esclarecidas. A lista dessas interrogações inclui: a responsabilidade política; o funcionamento e a circulação da informação nos órgãos de soberania directamente ligados ao assunto; a responsabilidade militar, de quem mandava e estava na linha de comando; a performance, a disciplina e a motivação de algumas secções do Exército, o que isso implica e exige como medidas de correcção; o sistema de valores que impera em certos círculos com autoridade e que terá levado alguns dos arguidos a pensar que o caso seria abafado pelos grandes do reino.

Só estas questões já dariam pano para muitas mangas, se houvesse uma vida partidária capaz de ir além do nevoeiro mental.

publicado por victorangelo às 19:37

02
Set 19

Voltando à questão da análise política, o fulano que aparece na televisão aos domingos ao serão tem pouco de analista. E ainda menos, em termos de seriedade. É mais uma simbiose, um ser híbrido, que mistura maneiras de pregador com hábitos de vidente. Quando olha para o espelho, para decidir o que irá desbobinar na exibição da semana, vê-se com a missão de educar os políticos, uma missão a que os políticos visados não prestam qualquer atenção. Combina isso com a leitura da sua bola de cristal, que deve ter sido adquirida numa loja de fantasias. Felizmente para ele, existem por aí uns escribas com carteira de jornalista que lhe dão alguma atenção. Devem ser os únicos.

publicado por victorangelo às 23:35

01
Set 19

Que um cronista bem conhecido da nossa praça escreva, como o faz hoje na sua coluna diária no Público, que o Presidente americano é uma “besta”, não me surpreende. O ganha-pão desse cronista é dar opiniões pessoais sobre tudo e mais alguma coisa. E fica melhor, se for virulento naquilo que publica. Muitos leitores acham piada a esse estilo. O cronista é, assim, um autor com sucesso. Tem mercado, que no capitalismo em que vivemos acaba por ser a medida de muitas das coisas.

Onde me parece haver problema é quando escribas que querem ser vistos como “analistas” fazem afirmações desse tipo.

O analista deve ter um raciocínio mais frio e mais completo. Nomeadamente quando se trata de tentar compreender o que leva o Presidente dos Estados Unidos a fazer as afirmações que faz, tantas delas absurdas e injustificadas. Tomar o homem por parvo e ignorante não chega. Há que ver o que está por detrás das palavras que debita e tentar perceber o que isso significa em termos de consolidação do seu poder.

É que tudo tem que ver com jogos de poder.

Não foi por acaso que o dito senhor chegou a Presidente, num dos países onde a competição política é das mais furiosas e complexas.

Insultar faz parte da política, é verdade. Mas não é suficiente, se não se sabe ler a maneira de agir, táctica e estratégica, do adversário que se tem pela frente.

Amigos analistas, pensem bem nisto.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 21:58

29
Ago 19

O Reino Unido está muito pouco unido. Para além dos comentários que se façam – e vi um ou dois nas televisões portuguesas que assentavam em premissas incompletas ou na compreensão insuficiente dos mecanismos parlamentares e constitucionais britânicos – , a verdade é que a situação actual constitui um rico campo de estudo para quem se interessa por questões de estratégia política e de jogos de poder. E assim vai continuar nos próximos dias e na semana que vem. Para já, que depois se verá.

Entretanto, penso que os dirigentes que mandam na política externa europeia e que pesam na questão do Brexit devem continuar calados e deixar os britânicos decidir para que lado vai a bola. Neste momento, comentários oficiais europeus sobre a situação de confusão que se vive no Reino Unido só poderão complicar ainda mais uma situação que já é bastante complexa e profundamente emocional. O silêncio é, tantas vezes, uma poderosa arma política, sobretudo quando anunciado como silêncio activo, deliberado.

publicado por victorangelo às 23:08

04
Mai 19

Fui criticado por um seguidor porque não escrevo muito sobre o dia-a-dia da política portuguesa. Mais ainda, disse-me que deveria pegar, com alguma regularidade, no que se escreve como opinião ou no que se debate na televisão, e tomar partido.

Fiquei a pensar no assunto.

publicado por victorangelo às 16:51

12
Fev 19

Escrita com dentes, capaz de morder os adversários e de atrair leitores, não falta nas nossas colunas de opinião.

O que falta, e muito, é juntar aos dentes uma boa dose de miolos. Morde-se a torto e a direito, mas sem a reflexão necessária. Sem a profundidade e os prismas de análise que os temas exigiriam. Como se cada questão não devesse ser tida em conta a partir de vários ângulos, esquecendo-se deste modo que a vida é mais complexa do que umas dentadas no adversário. E do que umas penadas no assunto.

Assim temos estado a criar uma opinião pública que se baseia apenas em sobressaltos emocionais e preconceitos.

Que pobreza.

 

 

publicado por victorangelo às 17:25

07
Fev 19

Temos que acreditar nos jornais de referência, na comunicação social que faz um trabalho sério. Os media são fundamentais para o bom funcionamento da democracia. Sobretudo nestes tempos, em que existe muita manipulação das informações, enxurradas de notícias falsas e páginas sem fim de comentários ligeiros, tendenciosos ou pouco honestos. Por isso, quando a comunicação social dá espaço a textos ou programas de opinião tem igualmente a obrigação de procurar a diversidade e o contraditório. E de aclarar, quando a opinião estiver baseada em falsidades. Se o não fizer, estará a perder a credibilidade que tanta falta lhe faz. E a nós, também.

publicado por victorangelo às 17:35

16
Mar 18

A situação das mulheres na UE, as disparidades entre os sexos, o conflito comercial entre os Estados Unidos e a Europa e também o possível encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un, visto a partir de Bruxelas: estas foram as principais áreas de comentário,no quadro da minha contribuição desta semana para o Magazine Europa da Rádio TDM de Macau. E fiz igualmente uma breve referência ao ataque contra um antigo agente duplo russo mas agora residente no Reino Unido, um tema inevitável para quem tinha que falar sobre a semana que se viveu na Europa. .

O sítio digital para ouvir este programa é o seguinte:

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=10058

publicado por victorangelo às 20:53

28
Fev 18

O Magazine Europa da Rádio Macau desta semana debruçou-se sobre a recente cimeira informal do Conselho Europeu, em especial sobre as questões orçamentais e fez a análise da campanha eleitoral na Itália e das amizades que Sílvio Berlusconi continua a manter nas altas esferas de Bruxelas. No programa, tratámos ainda da situação dos direitos humanos na China, uma questão muito delicada naquela parte do mundo, e também da detenção, em condições pouco claras, do livreiro Gui Minhai, uma personalidade muito conhecida em Hong Kong e que tem dupla nacionalidade, chinesa e sueca.

Os meus comentários sobre estes temas podem ser ouvidos no link seguinte:

http://portugues.tdm.com.mo/radio/play_audio.php?ref=9979

publicado por victorangelo às 20:32

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