Portugal é grande quando abre horizontes

20
Mar 19

A frase da semana: a Coreia do Norte é uma ditadura retrógrada, extremamente violenta e inaceitável,  no mundo de hoje e o Jerónimo é simplesmente burro. Também desajustado com a realidade política de hoje.

publicado por victorangelo às 22:49

01
Mar 19

Esta de apelidar o Bloco de Esquerda de “social-democrata” não lembraria a todos. Lembrou, no entanto, à editorialista do Público de hoje. Diz, em resumo, que “…o que Bloco quer fazer são reformas à boa maneira social-democrata…”

Deve ser por esse motivo que o mesmo Bloco quer a estatização de uma série actividades económicas, e outras coisas radicais, aqui em Portugal. E que na frente externa, se alinha com os extremistas da ultra-esquerda europeia, como o partido de Jean-Luc Mélanchon, em França, ou o Unidos Podemos de Pablo Iglesias, ou ainda Die Linke, na Alemanha, o partido que renasceu das cinzas do comunismo da antiga RDA.

Isto só dá para que a agenda social-democrata pareça ainda mais confusa.

Ou será que a intenção da editorialista é outra?

publicado por victorangelo às 15:53

16
Fev 19

Tentar apaziguar os extremistas não é solução. Os extremismos, radicalismos e outros populismos não se combatem com cedências ou alianças, mais ou menos disfarçadas, com esses fanáticos. Conceder encoraja, abre espaço, permite dar a ilusão a um certo número de eleitores que os radicais têm razão, que lutam ajuizadamente pelos interesses do povo, como eles gostam de dizer. Com o tempo, esses movimentos aproveitam o espaço político assim criado e acabam por dominar a agenda, a narrativa e a liberdade de opinião. Na sua essência, os movimentos radicais são a antecâmara de um regime de ditadura.

A história da Europa do século XX mostra que os extremistas entraram na esfera do poder por meios constitucionais, em governos de minoria. Depois, pelo uso da demagogia, do engano, da sabotagem e da manipulação do ódio de massas acabaram por dominar e impor, de modo categórico e violento, a sua agenda. No final de um processo deste género surgiu sempre uma tragédia nacional.

Por tudo isto, a única maneira acertada de tratar essas correntes de pensamento passa pelo isolamento político, uma espécie de quarentena permanente, pelo denúncia da natureza nefasta dessas ideologias, enquanto fantasias perigosas, irrealistas, excluidoras, espoliadoras e totalitárias. Passa, em resumo, pelo combate político a sério, pacífico mas corajoso, que isso de dar tréguas aos facciosos e a outros sectários só lembra aos oportunistas com vistas curtas.

 

publicado por victorangelo às 20:11

01
Nov 15

O prémio sobre a liberdade de pensamento do Parlamento Europeu, conhecido pela designação de Prémio Sakharov, reconhece, cada ano, uma personalidade que se tenha destacado na luta pelos direitos humanos. É um reconhecimento cheio de simbolismos políticos. Uma decisão política. O próprio nome do prémio tem um profundo significado político: lembra-nos a ditadura na União Soviética e o papel que Andrei Sakharov, um cientista nuclear russo, desempenhou na luta pelas liberdades e os direitos das pessoas, na parte final do regime comunista.

Este ano, a escolha recaiu no activista saudita Raif Badawi, um blogger que está preso desde 2012 na Arábia Saudita e que, entre outras coisas, foi condenado ao castigo público de 1 000 chicotadas. Badawi tivera a coragem de apontar o dedo à Universidade Islâmica Imam Muhammad ibn Saud como sendo um viveiro de extremistas religiosos e de terroristas.

Na verdade, o caso de Raif Badawi permite que nos lembremos que a política externa da Europa e do Ocidente em relação à Arábia Saudita é um enredo de ambiguidades e de jogos de dupla linguagem. A preocupação tem sido a de não ofender o regime de Riade. Ora, esse regime precisa de uma Europa que lhe fale a verdade e que lhe diga, nomeadamente, que as suas práticas legais e sociais estão em profunda contradição com os valores universais. São, de facto, inaceitáveis. E que não há desculpa alguma, incluindo na área religiosa ou dos costumes, que possa justificar as absurdidades e as violências praticadas pela liderança da Arábia Saudita.

Por isso, para além de felicitar a coragem de Raif Badawi, há igualmente que reconhecer o mérito da decisão deste ano do Parlamento Europeu.

 

publicado por victorangelo às 17:33

19
Set 15

Tive hoje mais uma lição sobre a burrice humana e o perigo das ideias extremistas, das loucuras políticas, dos idealismos sem pés nem cabeça, dos regimes ditatoriais que dizem promover o bem do povo e o oprimem sem dó nem piedade. Ou seja, visitei o bunker – em português há quem utilize a palavra “casamata” – que havia sido construído pelos Soviéticos para proteger, em caso de crise muito séria, os líderes comunistas que dirigiam a Letónia.
A edificação está situada no meio de uma floresta a cerca de 65 quilómetros a Leste de Riga. São dois mil metros quadrados debaixo do solo, coroados com um centro de reabilitação ao nível da superfície, para disfarçar o que está por debaixo.
Custou uma fortuna e não serviu para coisa alguma. Nunca houve nenhuma crise, nem mesmo uma catástrofe natural, que justificasse o emprego, 24 horas por dia, de 250 homens – não havia mulheres no bunker – e um consumo descomunal de gasóleo e de outros meios, absolutamente necessários para permitir que houvesse vida debaixo da terra.
Várias salas têm citações completamente abstrusas atribuídas a Lenine, coisas que ele nunca terá provavelmente dito, mas que convinha colocar sob o seu nome, para lhes dar força. E a única sala com um mínimo de espaço e de toque humano, e mesmo assim, tudo isso muito grotesco, era a que estava reservada para o secretário-geral do Partido Comunista na Letónia. Os sucessivos secretários-gerais devem ter passado, no total, tudo bem somado, três ou quatro dias nessa sala.
Tudo isto, agora, faz rir. Mas tal não era o caso, no passado recente.

 

publicado por victorangelo às 19:17

21
Set 14

No mercado central de Riga, as espinhas de salmão fresco estavam hoje a € 0,60 por quilograma. Os restos da barriga do peixe, o que sobra quando os filetes são preparados, custavam € 0,70 por cada quilo. Cortados com arte, esses restos tinham uma excelente apresentação. Na sopa dos reformados – esta categoria de cidadãos constitui uma boa parte da clientela do mercado – a apresentação também conta.

 

Do outro lado, do lado da carne, o mais barato eram os nacos enormes de toucinho, pura gordura de porco cortada a preceito: 0,70 euros por quilo.

Ver e contar estas coisas dá-nos outro ângulo.

 

Mais. Devo acrescentar que tudo se passa com muita elegância e saber estar nos espaços colectivos, na rua e na praça, que a última coisa que uma pessoa deve perder é a dignidade, o respeito, a começar pelo respeito por si própria. Quem viu coisas bem piores, a ocupação nazi, os tempos estalinistas, as deportações, a repressão violenta da cultura e da língua letãs, os invernos gelados, a repressão feroz, sabe que as espinhas de peixe têm um valor relativo.

publicado por victorangelo às 13:16

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