Portugal é grande quando abre horizontes

14
Jun 19

https://victorangeloviews.blogspot.com/2019/06/hormuz-tensions.html

O meu post em língua inglesa sobre a situação no Estreito de Hormuz. As Nações Unidas devem tomar a iniciativa. Essa é a única maneira de fazer baixar a tensão, que neste momento é muito elevada.

publicado por victorangelo às 16:50

09
Jun 19

Estive em Myanmar, entre o último post que aqui deixei e o de agora. A razão da minha estada era tentar perceber o que se passa no país e ver quais são as aberturas possíveis, em termos de resolução de alguns dos conflitos existentes nesse país.

Havia visitado Myanmar, com mais tempo, em 2015. Quatro anos depois, vi uma situação profundamente complexa e pouca paz no horizonte. Também notei progresso na frente económica.

Aung San Suu Kyi, a líder civil do país, Prémio Nobel da Paz em 1991 e Prémio Sakharov da UE em 1990, perdeu uma parte do apoio popular de que dispunha na altura, mas continua a ser, de longe, a personalidade que mais pesa na política nacional, para além dos generais. Na frente internacional, Suu Kyi está cada vez mais dependente da China e dos chineses de Hong Kong, Singapura, Taiwan ou mesmo, dos da Tailândia.

As próximas eleições gerais terão lugar em finais do próximo ano. A Comissão Eleitoral é muito frágil.

Para além das aparências, a última palavra, sobretudo em caso de crise, pertence aos chefes das Forças Armadas. Em especial ao comandante supremo, o General Sénior Min Aung Hlaing. Estabelecer um diálogo político com ele e os seus é fundamental para a resolução, passo a passo, dos inúmeros conflitos que Myanmar vive, incluindo a questão muito conhecida dos Rohingyas.

publicado por victorangelo às 17:17

02
Mai 19

Sobre a Venezuela, repito que a saída da crise necessita de uma iniciativa de mediação internacional. A situação actual é muito grave e não permite que haja que vença e quem seja humilhado e possivelmente esmagado. A violência levaria a isso, a vencedores de um lado e vencidos, do outro. Seria uma tragédia nacional. E as divisões internas profundas ficariam por resolver. As causas do conflito não seriam resolvidas.

É preciso negociar. Com a ajuda de facilitadores externos e imparciais. A ONU está numa situação de fraqueza e não pode desempenhar o papel que deveria ser o seu. Infelizmente, assim é. A União Europeia também está excluída, por ter tomado posição, de modo inequívoco. E a América Latina encontra-se numa posição semelhante, de um lado ou do outro.

Quem, então?

A minha sugestão seria a de um triunvirato de países neutros, liderado pela Suíça e incluindo o México e o Vaticano. Com um mandato aceite por Nicolás Maduro e por Juan Guaidó. E com a aprovação silenciosa, tácita, sem discussão, do Conselho de Segurança da ONU. Se tal for possível, se o Conselho conseguir chegar a esse tipo de decisão. Mas não seria indispensável. O acordo de mediação que contaria seria o que comprometesse os líderes da Venezuela. É nesse sentido que se deve olhar em frente.

 

publicado por victorangelo às 19:53

30
Abr 19

O meu post deste serão sobre a situação na Venezuela, em Inglês

https://victorangeloviews.blogspot.com/2019/04/venezuela-mediation-mediation-mediation.html

publicado por victorangelo às 21:24

15
Fev 19

A edição de 2019 da Conferência de Munique sobre a Segurança começou hoje e decorre até domingo. Este encontro é um dos momentos altos do calendário anual das grandes conferências internacionais.

Assistimos, nesta década, a uma proliferação de conferências de todo o tipo e sobre os mais variados temas, nas diversas regiões do globo. A maioria dessas iniciativas passa despercebida e não tem qualquer tipo de impacto na tomada de decisões estratégicas ou no diálogo internacional. Tal não é o caso de Munique. Munique tornou-se no Davos das questões de segurança, conflito e paz. Pesa e conta.

Este ano, como já é hábito, terão lugar uma série de encontros bilaterais entre os Estados Unidos, a Rússia e a China, bem como outros.

A situação na Síria, no Sahel, a questão do armamento nuclear e as dimensões de segurança que possam resultar das alterações climáticas estão na agenda. Como continua na agenda a crise na Ucrânia. Fora da agenda, como sempre, estará o conflito israelo-palestiniano. É de demasiado melindroso, para uns, insolúvel, na opinião de outros. Acho bem.

 

 

publicado por victorangelo às 20:35

23
Mar 18

Donald Trump, ao nomear John Bolton como Conselheiro de Segurança Nacional, abre um novo capítulo na via da política de confrontação internacional que resolveu seguir como opção. John Bolton é um extremista de ideias simples, que vê as transacções dos EUA com o resto do mundo como uma relação de forças. O que conta, nessa óptica, é a imposição da vontade americana, e dos seus interesses, a todo o custo, por todos os meios, incluindo os militares. Ao assumir a nova função, que é de sobremaneira importante, Bolton vai poder dizer, com a brutalidade que define a sua maneira de ver o mundo, “esfola”, “esfola”, quando o Presidente disser “mata”.

Temos assim um par ideal para criar um catástrofe internacional de grandes proporções.

Existem, é evidente, razões de sobeja para que fiquemos preocupados.

Com todos os problemas legais e políticos, de política interna e da justiça americana, que Donald Trump tem pela frente, há que esperar por tudo. Por exemplo, por uma distracção guerreira, um bang aqui, acolá, no Irão ou na Coreia do Norte, possivelmente ainda noutro sítio, algo a sério, que desvie as atenções e que caiba dentro da estupidez internacional que prima cada vez mais na Casa Branca.

publicado por victorangelo às 12:52

31
Out 14

A imprensa portuguesa continua muito interessada nos caças russos que vão aparecendo nos céus sem os meios de comunicação ligados nem informação prévia sobre as suas missões de treino. Treino, sim, esta é a palavra que sugiro que seja utilizada. É uma palavra mais neutra que outras. Só que este ano os exercícios de treino das forças armadas russas têm sido mais frequentes e intensos que nos anos precedentes. E têm decorrido junto das linhas de separação com as zonas da NATO, como que para mostrar que o treino visa o nosso lado, que o perigo para a segurança russa viria destas bandas.

A questão fundamental é a de tentar perceber qual é a mensagem que Vladimir Putine está a tentar fazer chegar ao Ocidente.

Não se trata, como dizia hoje à tarde a um correspondente dos media que me interrogou, de mostrar apenas irritação perante a política ocidental na Ucrânia. Nem a Ucrânia é o cerne da questão. Há mais. Putine e o círculo que define a estratégia de segurança da Rússia querem concessões políticas. Querem uma relação com o Ocidente que se assemelhe à que existia no período da União Soviética. É esse o modelo de relações internacionais e europeias que têm em mente. Foi isso que já ficara claro em 2011, quando estive na Suíça num “seminário” com próximos de Putine.

Só que a União Soviética e o mundo dos anos oitenta do século passado já não existem. Hoje a correlação de forças é outra. E, na verdade, agora e a prazo, não é favorável à Rússia. O país tem problemas estruturais profundos que o enfraquecem, quer internamente quer na frente externa. Uma confrontação aberta com o Ocidente está, por isso, fora de questão, embora nunca nos possamos esquecer que as guerras tiveram sempre na sua base uma grande dose de loucura e de mania das grandezas.

Ao fazer voar os seus aviões perto das nossas áreas de interesse estratégico, Putine está apenas a tentar dizer-nos que tem uma capacidade bélica superior às suas fraquezas estruturais. E que é preciso que nós, do nosso lado, nos sentemos à mesa das negociações e lhe ofereçamos um determinado tipo de concessões. Os aviões procuram servir uma política. Mas estão, na realidade, a voar num sentido que nos afasta da mesa das conversas…

 

 

 

publicado por victorangelo às 19:27

29
Out 14

Hoje, 19 aviões militares russos violaram o espaço aéreo de vários países da NATO. Duas dessas aeronaves estiveram no espaço português, sem autorização de voo e sem os meios de identificação ligados. Um risco para a aviação civil, além das questões de defesa. Acabaram por ser perseguidos por F16 da Força Aérea portuguesa e dar meia-volta, em direcção ao Atlântico Norte.

Não se entende quais são os objectivos que estas incursões e outras, verificadas nos tempos recentes, procuram atingir. Existem várias hipóteses de explicação. A verdade é que a tensão tem aumentado bastante e um incidente pode acontecer a qualquer momento.

Para já o governo português deveria convocar de imediato o embaixador russo às Necessidades e protestar contra a violação de hoje do nosso espaço aéreo, caso tal tenha acontecido. Essa iniciativa diplomática também deveria fazer parte da resposta.

Se os aviões russos viajavam apenas no espaço internacional, ao largo de Portugal, será, mesmo assim, de exprimir ao embaixador a nossa preocupação pelo risco que tal representa para a aviação civil, incluindo para os voos com origem ou destino em Portugal, bem como pelo facto das aeronaves russas estarem a navegar com os instrumentos de posicionamento desligados.

publicado por victorangelo às 19:57

20
Set 13

Um dos exercícios em que estou empenhado terminou hoje. Depois de passar uma semana num cenário imaginário de crise, numa região de um outro continente em que estas coisas acontecem, voltei hoje, ao fim do dia, a poder passear nas ruas de Riga como um turista.

 

Vai ser Sol de pouca dura, pois no Domingo será iniciado um outro exercício, também à volta de uma crise nacional profunda agravada pela interferência dos países vizinhos. Tudo num cenário fictício mas construído peça a peça, um investimento enorme, de modo a fazer com que a ficção fique o mais próximo possível da realidade que existe nalguns cantos do mundo.

 

Estes exercícios são muito exigentes, em termos da sua execução. E o da próxima semana vai ter como participantes algumas das melhores cabeças que por aí andam, neste tipo de matérias. O que torna o desafio ainda mais interessante.

 

Entretanto, amanhã e Domingo vão ser os únicos dias em que não vai ser preciso acordar muito antes das galinhas.

 

 

publicado por victorangelo às 18:54

24
Jul 13

As funções do Vice-primeiro-ministro terão que ser definidas com clareza, para evitar choques de competência com a Ministra das Finanças e outros, incluindo os que giram à volta do Primeiro-ministro. As probabilidades de conflito já, por si, são grandes. Se se tiver em conta a personalidade do protagonista, passarão a ser muito maiores. Poderão, mesmo, entrar no campo da confusão e do confronto. 

publicado por victorangelo às 22:34

twitter
Setembro 2019
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3
4
5
6
7

8
9
11
12
13

18
19
20
21

22
23
24
25
26
27
28

29
30


<meta name=
My title page contents
mais sobre mim
pesquisar
 
links
blogs SAPO