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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A importância da liberdade de imprensa

Os Pandora Papers revelam, entre muitas outras coisas, corrupção de alto nível e abuso do poder, por parte de certos políticos e dos seus amigos e compadres. Mostram, acima de tudo, a relevância de jornalistas independentes e de órgãos de comunicação social corajosos e conscientes do seu dever cívico. Não foram as instituições judiciárias ou de polícia quem procedeu à investigação. Foi uma coligação de jornalistas, trabalhando em meios de comunicação social sérios e com recursos suficientes. Assim para além de tudo o mais, foi uma vitória da liberdade de imprensa. E uma demonstração que esta é essencial para o bom funcionamento das sociedades democráticas

Nota sobre a corrupção

A detenção do presidente do Benfica não nos permite afirmar que há corrupção generalizada no futebol. Mas permite-nos dizer que as acusações de que é objecto são muito graves. Exigem uma investigação bem feita, com provas claras e um processamento do caso sem demoras. Só assim se evitará todo o tipo de comentários sobre corrupção nas altas esferas, a começar pelos grandes clubes da bola.

A sociedade portuguesa apresenta indícios de altos níveis de corrupção. Um deles é o preço do imobiliário, que é muito superior ao praticado, em condições comparáveis, noutros países europeus, a começar por Espanha, a porta aqui ao lado. Só se pode explicar esses preços por haver muito dinheiro que precisa de entrar nos circuitos normais. O imobiliário é uma das portas de entrada. Se o dinheiro foi ganho de modo irregular, custa menos pagar um exagero de preço por algo que noutros países valeria menos. Esse custo extra é o preço a pagar para limpar o que parece precisar de ser limpo.  

 

 

Desanimações

Um dos meus amigos, que toda a sua vida foi um académico conceituado, enviou-me este serão uma mensagem sobre a vida política portuguesa que terminava com “um abraço desanimado”. Compreendo. Há de facto uma atmosfera de desilusão entre as elites mais genuínas. E, num outro caso, que também me deixou surpreso, vejo um outro académico escrever hoje no Diário de Notícias uma crónica em que procura olhar para a justiça portuguesa pela positiva, quando se trata de julgar casos como os ligados a Sócrates e ao abuso do poder político. Num exercício de bondade excessiva, compara a administração da justiça nos dias de hoje com o que aconteceu durante a ditadura e a Primeira República. Estranhei. Eu teria comparado com aquilo que se faz nos países europeus mais avançados. E ficaria “desanimado”, sem dúvida alguma.

A cena política é favorável aos oportunistas

Dizem os politólogos mais em voga na nossa praça que o caso Sócrates não afecta, ao nível da opinião pública, nem o partido de que foi secretário-geral nem o actual patrão do mesmo partido, o Primeiro-Ministro António Costa. Ao ver os resultados das sondagens, até parece que têm razão.

Talvez afecte, isso sim, o principal partido da oposição e todos os outros aparentados a esse. Primeiro, porque não consegue tirar vantagem de uma mancha que poderia servir como grande tema de ataque, até porque Costa e outros no poder estiveram subordinados a Sócrates, conheciam-lhe os pontos negativos e fecharam os olhos, por uma questão de oportunismo e de carreirismo. Segundo, porque ao não pegarem no assunto dão azo a que se confirme que também eles têm telhados de vidro. Por isso, calam a boca e chutam para fora.

Na realidade, há mais corrupção na nossa política do que aquilo que se pensa. Não se fala da matéria, pois haveria muita roupa suja para lavar. Certos compadres ajudam a que o assunto não apareça nas páginas públicas.

E quanto mais se sabe mais nos apercebemos que a política actual atrai sobretudo quem vê nisso uma oportunidade de subida na vida sem grande esforço, além do saber dizer que sim.

Não convém ser-se ingénuo

Dizem-nos pessoas bem-intencionadas que é preciso “reformar a justiça, de modo a ser mais célere e transparente”. Respondo que os políticos não reformam a justiça porque não querem. Dá-lhes jeito ter uma justiça que não funcione, quando se trata dos grandes e poderosos. Pensar que o que se passa no sector da justiça tem de ver com incompetência, é pura ingenuidade.

Moçambique, visto do meu lado

https://www.dn.pt/opiniao/a-complexidade-mocambicana-13525758.html

O link acima leva-nos para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. 

O texto é uma reflexão, diferente do que tem sido publicado, sobre a situação de terror e caos na província de Cabo Delgado, no extremo norte de Moçambique. Tem despertado muita atenção em vários círculos. 

Passo a citar o último parágrafo dessa minha crónica. 

" O ponto fundamental, para além da limpeza de Palma, da ajuda humanitária e da assistência técnico-militar a Moçambique, é tentar compreender as raízes e a dinâmica desta ofensiva terrorista. Minimizar, ignorar as realidades da exclusão social ou insistir em explicações estereotipadas – incluindo as que se referem a pretensas ligações ao chamado Estado Islâmico – seria um erro. Estamos perante uma insurreição capaz de servir certos interesses e fácil de promover. São combatentes que sabem sobreviver com pouco, sem necessidade de uma logística elaborada. As armas provêm das deserções, das emboscadas anteriores, agora do ataque a Palma, e dos mercados ilegais de material militar existentes na África Oriental e Central. Não querem ocupar terreno, mas sim abater os representantes do poder e gerar a insegurança nas áreas com interesse económico, mas com fraca presença do Estado. Por isso, são indivíduos altamente perigosos. Precisam de ser levados a sério, mas sem simplismos."

Os compadres da política

Esta história das associações secretas tem uma certa piada. As maiores associações secretas que existem na política são os partidos políticos. Cada partido, sobretudo os que estão mais próximos do exercício do poder, seja esse poder qual for, é uma associação de gente que, na sua maioria, só está na política para estabelecer redes de contactos e tirar proveito disso. A maçonaria e a Opus Dei são alternativas de segunda mão. Estar nos partidos é que dá acesso e faz subir na vida, graças às redes de contactos que proporciona e às capelinhas que são criadas.  

O dia de hoje

O partido de Angela Merkel perdeu pontos em duas eleições regionais que hoje tiveram lugar. É importante perceber as razões da quebra de apoio. A primeira tem de ver com os atrasos nas vacinações e a percepção que o governo não tem sido coerente na resposta à pandemia. A segunda diz respeito a casos de corrupção e de aproveitamento do poder por parte de deputados do partido para fazer negócios e ganhar comissões.

Estes são dois temas muito sensíveis. Na Alemanha, como em qualquer outro país da União Europeia, o abuso do poder para benefício pessoal é um tema central em matéria política. O papel das instituições e das oposições é o de estar atentos a esses abusos e denunciá-los. Por outro lado, a questão da vacinação que não avança vai acabar por ter custos políticos muito grandes. Os europeus vão comparar os números com os do Reino Unido, dos Estados Unidos e outros, e não vão aceitar de ânimo leve as justificações que os políticos lhes forneçam para justificar a lentidão.

Tudo isto faz-me pensar numa panela de pressão que está a ferver em lume brando. As consequências serão desastrosas, se o lume não for apagado rapidamente.

Ver para além da soleira da porta

O meu texto sobre o Sahel levou alguns leitores a consultar a internet, para perceberem melhor que região é essa. Fico contente por ter despertado essa curiosidade. Mas queria acrescentar algo sobre as populações do Sahel. São, em geral, gentes com um grande sentido de dignidade e uma enorme capacidade para sobreviver em condições bastante adversas. Viver em zonas áridas, no limite do grande deserto do Saará não é fácil. Mas as pessoas desenvolveram, ao longo de muitos séculos, estratégias de sobrevivência. Vivem com imensas dificuldades, mas vivem. Não podem, no entanto, sobreviver se os líderes políticos e militares forem corruptos e se a violência dos bandos armados não for controlada. Essa era uma das mensagens do meu texto.

Uma outra mensagem é para lembrar que temos de ter um conhecimento maior do mundo que está ao pé da nossa porta. Não podemos concentrar a nossa atenção apenas no que se passa na nossa paróquia. Temos interesses que vão muito além desse território limitado que é o que os nossos olhos vêem todos os dias. Outros europeus agem assim. Nós não podemos ficar para trás.

Temas, preocupações e alegrias

Se me meter em conversas em que se discutem temas que nos entristecem ou nos pintam uma sociedade à deriva, fico perdido. Estou a pensar nos temas da ineficiência, da manipulação da opinião pública, da corrupção, da ausência de punição para os criminosos com dinheiro e apoios políticos, dos compadrios, e agora – parece que está na moda – da formação de um governo de unidade nacional – não entendo bem o que isso quer dizer nem onde os seus proponentes querem chegar. Não sei o suficiente sobre o nosso quotidiano, depois de quarenta e dois anos de ausência, para me intrometer nesses debates. Mas reconheço a validade dessas questões. E a necessidade de as discutir de uma forma calibrada e sem manchas de clubite partidária.

Entretanto, ao fim do dia, tive duas boas notícias.

Uma, respeitante ao Conselho de Segurança da ONU, que aprovou uma declaração muito clara contra os militares golpistas em Myanmar. No essencial, é-lhes dito que isso de golpes é algo que não é aceitável no mundo de hoje. Foi uma declaração que me surpreendeu pela positiva. E digo isso no artigo que acabo de escrever para o Diário de Notícias de amanhã.

A outra foi o discurso de Joe Biden sobre política externa. Enunciou uma política clara, baseada na diplomacia com princípios e no respeito por todos os membros da comunidade internacional que se conduzam de modo democrático e que promovam os direitos humanos das suas populações. Ouvir o que ele disse fez-me perguntar a mim próprio se ele e Trump vivem no mesmo país. De um lado, temos uma atitude coerente e positiva. Do outro, era a política do imprevisto e do egoísmo nacionalista. A diferença entre um tipo de América e o outro é simplesmente colossal.

 

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